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Relato de viagem: a Lituânia (1)

23 de fevereiro de 2016 1

Faz já um tempo que o Constantin Sokolski, que de vez em quando manda suas contribuições ao blog, enviou textos sobre várias de suas viagens.

Ele pesquisou no blog para saber de quais dos destinos não havia informações aqui e fez o favor de enviar textos e fotos. Abaixo, a colaboração do Constantin, tal e qual:

 

LITUÂNIA

Possuindo a maior área e população dos três Estados Bálticos, é uma das secretas jóias da Europa. Orgulha-se de seus lagos cercados por antigas florestas virgens e de seu recortado litoral, repleto de dunas.

Vilnius, sua capital, tem seu centro histórico protegido pela Unesco, mesclando o romance da elegante arquitetura barroca com as vantagens modernas da Europa do Século 21.

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VILNIUS

“A cidade barroca na fronteira entre dois mundos” …. é uma das chamadas em guias turísticos da cidade. Os dois mundos referiam-se à civilização latina e bizantina.
Apesar de seu centro histórico ser um dos maiores da Europa, o mesmo pode ser perfeitamente ser explorado a pé.
Um dos melhores pontos para iniciar a jornada é a partir da Praça da Catedral, mostrada acima.
A cultura lituana é inseparável do cristianismo, o que pode ser verificado ao visitar as diversas igrejas e, sobretudo, admirar seus rebuscados interiores.
A catedral em austero estilo neoclássico, recriando um templo grego, foi utilizada pelos soviéticos como oficina de reparos para caminhões. Em 1989 foi devolvida à Igreja Católica. A levemente inclinada torre fez parte das fortificações da cidade, existentes no passado para proteger contra invasões das cruzadas.
Ao longo da Gedimino Avenue, a mais importante de Vilnius, encontra-se, em meio a lojas de departamentos, Museu da KGB e outros elegantes prédios neoclássicos e barrocos, o Teatro Nacional da Lituânia, onde são apresentadas peças de dramaturgia clássicas, contemporâneas e nacionais.
A entrada principal do teatro é zelosamente protegida por três musas…. “Drama”, “Comédia” e “Tragédia”.

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Percorrer as ruelas e os becos, separados por antigos arcos, é como mergulhar em alguma narrativa de Kafka, tal o clima envolvente destes aparentes solitários rincões de Vilnius.
Algo parecido com o existente em Copenhague (Christiania), Vilnius também tem um enclave perto da área central, chamado Uzupis, no qual um artista em 1977 proclamou uma República Independente.
Artistas, boemios, estudantes e ativistas elaboraram inclusive uma constituição que está afixada num muro de uma das vielas do bairro. Um dos artigos declara que …. “Cada um tem o direito de não entender nada”.
Sua data nacional é o 1º de abril.
Seu símbolo é a estátua de um anjo erguida no meio da Uzupis Street.

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Com seu emaranhado de ruas, repleto de cafés e bizarros locais onde o grafiti é rei, integrou-se ao roteiro turístico da capital.
Não muito distante da capital, encontra-se o imponente Castelo de Trakai, genuíno exemplo de uma mescla entre o castelo medieval e de contos de fadas que tanto fascina a imaginação das pessoas.
É o único castelo no Leste Europeu situado numa ilha. Muito pequena por sinal, o que torna o castelo ainda mais atraente.
No passado chegou a ser sede do governo durante a era do Grande Ducado da Lituânia.
Mais tarde com o crescimento de Vilnius e após ter sofrido consideráveis perdas envolvido em batalhas com diversos invasores perdeu importância.
A sua privilegiada localização e história acendeu o sonho de escritores, poetas e pintores motivando a completa restauração de suas ruínas.

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Palco de batalhas, a região de Trakai, pontilhada de lagos e ilhas, em meio a densas florestas, é famosa não só apelo castelo, mas sim pelo pitoresco vilarejo existente à beira de um dos lagos, onde na rua principal, simples casas de madeira chamam a atenção.
São todas iguais, diferenciando-se apenas pela cor.
Foram construídas pelo povo Karaim, vindos da Turquia em séculos passados e praticantes de uma espécie de Judaísmo.
Costumes e tradições foram mantidos pelos seus descendentes.
Suas casas têm três janelas iguais na fachada frontal: uma janela para Deus, uma para a família e outra para os amigos.
Uma das grandes recompensas destas jornadas, é tomar conhecimento, ao vivo, de algo tão singelo e encantador.

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Estátuas esculpidas em madeira, são cenas comuns ao viajar pelas estradas do interior do país. Representam tanto valores do cristianismo bem como folclóricos, nacionalistas ou mesmo de tradições pagãs do passado.
Devido ao seu isolamento, o cristianismo demorou para chegar à região do Báltico.
Até a Idade Média, se praticava o paganismo. Como os detalhes desta crença são escassos, os estudiosos tiram conclusões baseados na tradição oral de fatos e em canções populares. Acreditavam que plantas e animais possuíam espírito, ou seja, o animismo fazia parte de sua cultura. Árvores tinham grande significado, sendo-lhes oferecidas oferendas em lugares ditos sagrados.
Hoje em dia, estas crenças, mescladas com a fé cristã, se mantêm vivas em alguns rincões do país.

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COMUNISMO

Viajando pelos países que foram anexados pela Rússia, a partir da II Guerra Mundial, para formar a União Soviética, não há como evitar este delicado tema.
Na literatura, nos guias de viagem, nas palestras, nas visitas a museus, igrejas, universidades, nas explanações de guias turísticos, etc, a passagem deste regime por seus territórios é constantemente lembrada.
“Os comunistas comem criancinhas”. O viajante durante anos escutou esta frase, dita de forma jocosa, por adeptos deste regime no sul do Brasil.
Pois colhendo os testemunhos de muitas pessoas que viveram nestas regiões ocupadas, pode-se concluir que o que os comunistas fizeram ao longo de décadas foi muito pior do que “comer criancinhas”.
Este é apenas um resumido diário de viagem, sem maiores pretensões, portanto, aconselhável nem aprofundar-se nas deportações em massa, execuções sumárias, confisco de propriedades, clima de terror, etc…
No meio de uma floresta, perto da fronteira com a Bielo-rússia encontra-se um parque onde cerca de 90 estátuas e bustos de líderes do regime soviético estão expostos.
O visitante percorre uma trilha e no meio das árvores estão Stalin, Lenin, Kalinin, Marx, Engels e outros integrantes da “nomenklatura”.
A partir de 1991, as mesmas foram retiradas dos logradouros públicos onde se encontravam.
As que não foram demolidas fazem parte deste macabro acervo.
No local existe ainda um museu, onde toda sorte de memorabilia desta época pode ser visto.

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DRUSKININKAI
Estação de águas termais da Lituânia, considerado um paraíso de paz e tranquilidade.
Durante 200 anos foi importante centro de saúde.
Sofreu certa estagnação quando frequentadores de suas clínicas deixaram de vir da Rússia e da Polônia.
Quando a visitamos, notamos que uma recuperação do local estava em marcha.
Cercada de frondosas árvores, vemos um típico exemplo de uma Igreja Ortodoxa Russa, com paredes de madeira proporcionalmente distribuídas e adornada por várias cúpulas.
Com suas alegres cores, o efeito geral lembra, um brinquedo, um modelo de armar.

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Comentários (1)

  • Susumu Kodai diz: 23 de fevereiro de 2016

    O que mais me agrada em Vilnius é o modo como eles aproveitam o interior dos quarteirões, construindo praças que são acessadas por meio de arcos.

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