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Resultados da pesquisa por "claudio moreno"

Uma viagem com heróis, mitos e deuses

04 de abril de 2016 0

Para iniciar a agenda da semana:

às 19h30min desta segunda-feira, dia 4, no Hotel Radisson (Avenida Lucas de Oliveira, 995, na Capital), o professor Cláudio Moreno faz uma palestra com esse título do post: “Viajando com heróis, mitos e deuses”.

É com a palestra que será lançado o calendário de Experiências 2016 da Porto Brasil, para a Sicília e Calábria e para Londres e Grécia, que serão acompanhadas pelo professor.

A palestra é aberta ao público. Confirmar presença pelo e-mail viagens@portobrasil.com.br ou pelo telefone (51) 3025-2623

A Grécia dos Mitos e dos Deuses numa conversa

18 de maio de 2015 0
Fotos Divulgação

Fotos Divulgação

Conhecido por suas dicas e seus livros sobre português, o professor Cláudio Moreno também é especialista em mitologia grega.

O curioso, no caso dele, é que, mesmo sabendo tudo sobre Grécia, até o final de 2013 ele nunca tinha estado naquele país (leia aqui entrevista em que ele falava como, naquela viagem, ia “rever um lugar que não conhecia”).

(Abre mais um parêntese aqui: eu sigo sem ter ido e minha lista só cresce!!! Fecha parêntese).

Pois parece que Moreno tomou gosto por viajar para lá e, nesta segunda-feira, dia 18, lança os roteiros de 2015.

cabo sunion prof moreno

É ele quem apresenta, em parceria com a Porto Brasil Viagens a terceira edição do programa “Uma Viagem pela Grécia dos Mitos e dos Deuses” . O convite, agora, é para embarcar também para as lendárias ilhas de Creta e Sicília, que marcam o início e o fim da civilização grega, respectivamente. Na verdade, são dois roteiros distintos: a viagem a Creta e Sicília acontece em agosto e o roteiro para a Grécia será no final de setembro e início de outubro.

Na palestra, ele dá um gostinho do que ele apresenta como curador da viagem.

  • Segunda-feira, dia 18, às 19h30min
  • No Hotel Sheraton Porto Alegre
  • Gratuito e aberto ao público (mesmo que você não faça a viagem, já vale a conversa!)

delfos

 

 

Uma primeira vez (que não é a primeira) na Grécia

24 de julho de 2013 2

Na edição de terça-feira do caderno VIAGEM, publiquei uma entrevista com o professor Cláudio Moreno.

Nela, Moreno fala sobre um roteiro que fará como guia cultural de um grupo que irá para a Grécia, em outubro. O tema da viagem é a Grécia dos Mitos e dos Deuses.

Como o papel tem espaço limitado, reproduzo abaixo a íntegra das respostas – interessantes e espirituosas (o título já dá uma dica!) – do professor, especialista em mitologia grega.

A entrevista foi feita por email.

“Vou rever um lugar em que nunca estive”


Recortes de Viagem – Que tipo de expectativa pode ter um viajante/turista/curioso que acompanhará um roteiro como esse?

Cláudio Moreno - A Grécia é fascinante de qualquer ponto de vista que se olhe _ o que, paradoxalmente, termina influindo negativamente nos roteiros tradicionais que exploram este país. Há coisas demais para mostrar, e tudo é interessante_ as praias, as ilhas, os mosteiros, as ruínas, os sítios arqueológicos, as diferenças regionais, as marcas dos vários povos que conquistaram e dominaram seu território _ em suma, uma infinidade de atrações que não cabe numa viagem só. No nosso caso, vamos nos dedicar especificamente à Grécia da mitologia; circunscrevendo o roteiro principalmente a Atenas e ao Peloponeso (sem deixar de incluir, é claro, a passagem obrigatória por Delfos), vamos visitar os lugares de onde provêm os mitos mais importantes para o imaginário do Ocidente.

Recortes de Viagem - Quais são as tuas expectativas? É verdade que é a tua primeira vez na Grécia?

Moreno - Esta é realmente a primeira vez que vou à Grécia _ fisicamente, é claro. Já fiz essa viagem centenas de vezes, desde o dia em que li, pela primeira vez, Os Doze Trabalhos de Hércules, de Monteiro Lobato. Desde então visito os gregos diariamente, nas páginas de Homero, dos autores trágicos, de Cavafys, na música de Maria Callas e no cinema de Cacoyannis _ mas estou muito emocionado pela perspectiva de me encontrar, em breve, sob o mesmo sol que iluminou todos esses artistas. Sinceramente, parece que vou rever um lugar em que nunca estive, e consigo entender, perfeitamente, a frase que um site grego usa para receber os visitantes do mundo inteiro: BEM-VINDO AO LAR.

Recortes de Viagem - Já fizeste algum outro roteiro servindo como guia cultural?

Moreno - Sim; venho fazendo isso desde que me conheço por gente: sou professor, e um professor nada mais é do que um guia cultural, não é verdade? Nesta viagem, é claro que teremos a presença de um guia turístico local, que conhece os horários e os preços, que sabe se vai chover ou não, que sabe onde está a farmácia mais próxima; minha função, no entanto, que já começou na escolha e na definição dos locais que vamos visitar, é mostrar o lado fabuloso que se esconde por baixo da paisagem moderna.

Recortes de Viagem - Já foste guiado por alguém em algum roteiro turístico? O que funciona e o que não funciona?

Moreno - Já acompanhei circuitos guiados mais curtos _ em Paris, em Londres, em Bruxelas, no vale do Loire, até mesmo em Buenos Aires. Mais longo, só uma vez, na Itália. Eu tenho uma velha cisma com a desorganização italiana, e o fato de ser ciceroneado por um especialista eliminou, tenho certeza, várias situações estressantes por que eu teria de passar se estivesse viajando por conta própria. O problema é que era um pacote genérico, pré-estabelecido pela agência, e o grupo que se formou tinha interesses muito heterogêneos _ o que fez o guia se fixar nos pontos mais óbvios do roteiro. Conversando com ele, fui aos poucos descobrindo que sabia muito mais do que deixava transparecer; se os participantes estivessem ali reunidos por um critério comum, tenho certeza de que teríamos aproveitado muito mais o talento e o conhecimento daquele guia.

Recortes de Viagem - Dos lugares previstos para este roteiro, qual consideras o mais interessante/curioso?

Moreno - Ah, tem a Acrópole de Atenas (Freud vestiu sua melhor camisa para visitá-la…), tem o Rio Eurotas, cujas margens foram pisadas por Helena de Troia, tem Delfos, o umbigo do mundo, ponto de peregrinação de todo o Mundo Antigo, tem… tem tanta coisa que é impossível responder a esta pergunta.

Recortes de Viagem - Qual dos mitos e sua relação com aquele lugar pode atrair mais a atenção de quem fizer o roteiro?

Moreno - Olha, é difícil… Como se diz em linguagem gaudéria, na Grécia, basta levantar uma pedra e de baixo sai um monte de mitos. Na Acrópole, por exemplo, temos a eterna disputa de Palas Atena e de Posêidon pelo domínio da cidade de Atenas; a vida e os feitos de Teseu, o grande herói ateniense, considerado o fundador da democracia ateniense; perto dali, no Areópago, o julgamento de Orestes, pela morte de sua mãe, Clitemnestra – julgamento que deu origem ao famoso “voto de Minerva”. Delfos, então, reúne inúmeras histórias envolvendo a sua origem e seus visitantes mais ilustres – Apolo, Hércules, Édipo, Creso, e muitos outros, inclusive Pedrinho, Emília e o Visconde de Sabugosa, do genial Monteiro Lobato. É história que não tem conta.

Moda em Nova York; mitos e lendas na Grécia

15 de julho de 2013 0

Nem é o caso mais de falar em tendência, já que a ideia de viagens temáticas está mais do que consolidada.

Enfim, são cada vez maiores as opções para quem busca roteiros específicos, tentando aprofundar um tema, conhecer um aspecto exclusivo da história, da cultura, da gastronomia… Sempre acompanhados por especialistas, claro.

E aqui vão dois desses exemplos, com promoção de gaúchos reconhecidos nos dois temas propostos:


MODA EM NOVA YORK

O lançamento do roteiro NY Fashion Tour é nesta segunda, dia 15 de julho, idealizado pela Brasil Varejo e com curadoria da jornalista Mauren Motta. A proposta é levar gente interessada em moda para a Semana de Moda de NOVA YORK, em setembro.

O programa de sete dias inclui visitas guiadas em lojas de Manhattan, workshop no Fashion Institute of Technology, walking tours, laboratório de moda de rua com a fotógrafa Fernanda Calfat, brunch de abertura com Antônio Hasslauer, visita ao estúdio do fotógrafo Keneth Willdart.

  • Informações: em www.facebook.com/NYFTour
  • Lançamento: hoje, dia 15, às 19h30min, no Love Loft da MM Conteúdo (Rua Florêncio Ygartua, 188 – térreo, em Porto Alegre)


MITOS E LENDAS NA GRÉCIA


A Casa de Ideias, centro cultural da capital gaúcha, criou um programa para preparar o roteiro GRÉCIA DOS MITOS E DOS DEUSES, com o professor Cláudio Moreno. Há mais de uma década, Moreno escreve sobre mitologia no Segundo Caderno de Zero Hora e também é o responsável pela Coluna Grega do Sarau Elétrico.

Apaixonado pelo tema e estudioso do assunto, Moreno será o guia cultural da viagem. A ideia é, a cada parada e em cada cidade, conversar sobre os mitos gregos relacionados ao local: a fonte aberta pelos cascos de Pégaso, a planície em que o rio Alfeu perseguia a sua amada Aretusa, o solo que Helena de Troia pisava com os pés nus…

A viagem será entre os dias 4 e 14 de outubro.

Informações: na fanpage www.facebook.com/casa.de.ideias.rs

A grande viagem, reprodução de uma crônica

19 de junho de 2010 0

A crônica abaixo foi publicada em Zero Hora na última terça-feira. Peço autorização para reproduzi-la. Seu autor, Cláudio Moreno, dispensa apresentações. E é tão apropriada nesses tempos em que parece que a cada minuto alguém sai de mala na mão, para qualquer lugar, muitas vezes só para dizer que foi. E volta sem trazer nada. E eu não me refiro a compras e suvenires. Mas vamos ao texto do Moreno.

A grande viagem

CLÁUDIO MORENO

Cada vez fica mais fácil deslocar-se de um ponto a outro do globo. No mundo antigo, mesmo a viagem mais curta transformava-se numa aventura de contornos imprevisíveis; hoje, ao contrário, visitamos com facilidade os lugares mais distantes, já informados de tudo que vamos encontrar – o clima, a comida, o caráter dos nativos e as coisas que devemos fotografar. A não ser pelo capricho de algum vulcão intrometido, tudo está previsto – menos, é claro, o que vamos descobrir sobre nós mesmos.

O pior é que podemos partir sem partir. Há os que percorrem longos trajetos de ida e de volta sem acrescentar uma gota à experiência ou ao conhecimento com que saíram de casa; para eles vale o comentário de Sócrates, quando foram lhe dizer que alguém, apesar das inúmeras viagens que fazia, não tinha melhorado em nada: “Nem poderia, pois ele sempre leva a si mesmo consigo”. Não se trata, é claro – como se fosse possível! – de deixar para trás aquilo que somos, assim como deixamos com o vizinho nosso gato ou nossa samambaia, mas de abrandar nossos preconceitos, a fim de enxergar com um jeito novo aquilo que for oferecido a nossos olhos.

Esta é a verdadeira arte de viajar – abrir-se para o mundo, adotar uma atitude atenta e receptiva para o espetáculo do universo. Os pensadores gregos, por exemplo, visitavam o Egito sempre dispostos a aprender; o contato com uma civilização muito mais antiga do que a sua constituía, para eles, uma salutar lição de humildade e modéstia, virtudes que consideravam indispensáveis para atingir a sabedoria. Foi com esse mesmo espírito que os jovens aristocratas britânicos, do século 18 em diante, passaram a completar sua educação com uma peregrinação cultural através do continente europeu – especialmente da Itália, por causa do legado clássico e renascentista. Dependendo das posses e do tempo disponíveis, esta viagem – significativamente denominada de “Grand Tour” – durava de um a vários anos e era vista como um fator indispensável para o crescimento interior dos jovens cavalheiros, futuros dirigentes do império que dominava o planeta.

Nunca sabemos o que a viagem vai fazer de nós. Ela pode formar, pode transformar, pode apontar um caminho que não tínhamos percebido, como fez com Zênon, filósofo estoico. Aos 30 anos, trabalhava com o pai, transportando mercadorias entre a Ásia e a Grécia, numa rotina deprimente. Um dia, seu navio naufragou já perto de Atenas; nadando, Zênon conseguiu chegar à cidade e subitamente se viu numa livraria, a folhear o livro que Xenofonte escreveu sobre a vida de Sócrates. Encantado, exclamou: “Como eu gostaria de conhecer um homem assim!”. “Pois então segue aquele lá”, disse o livreiro, apontando um filósofo que passava por ali. Esse encontro mudou para sempre a vida de Zênon, que costumava dizer – e não estava brincando: “Tive uma péssima travessia, mas um excelente naufrágio”.