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Inspiração da poetisa em Goiás Velho

02 de novembro de 2010 0

Descobri a existência de Goiás Velho quando era adolescente. Uma professora de literatura com quem trabalhava como estagiária me apresentou a cidade onde ela havia vivido, pelos olhos da poetisa CORA CORALINA. Não fui à cidade, mas a poesia de Cora Coralina me acompanha sempre.

Agora, é meu ex-colega MARCOS GIESTEIRA quem manda essa contribuição valiosa.

Veja abaixo o que ele conta:

Capital do Estado até 1937, quando perdeu a condição para a então recém-fundada Goiânia, a cidade de Goiás (também conhecida como “Goiás Velho”) foi alçada a Patrimônio Histórico e Cultural Mundial pela Unesco em 2001. Fundada em 1725, com a vinda dos bandeirantes que buscavam ouro no Rio Vermelho, Goiás mantém a sua rica história nas estreitas ruas de pedras irregulares, na iluminação ao estilo dos lampiões, nos casarios seculares, nos beirais talhados, nos azulejos portugueses e nas grandes janelas. Cada detalhe revela o espírito colonial de uma cidade em que o poder político, a força do ouro e a fé religiosa forjaram um lugar único, emoldurado pela Serra Dourada, no coração do Brasil.

O centro histórico reúne igrejas, museus e a casa da poetisa Cora Coralina, a atração turística mais visitada. Cora também era uma doceira de mão-cheia e deixou de legado a tradição dos doces mantida pelas quituteiras locais. Entre as construções, destacam-se o Museu de Arte Sacra da Boa Morte (com esculturas sacras do artista José Joaquim da Veiga Valle) e o Museu das Bandeiras, prédio do século XVIII no qual funcionaram a Câmara e a antiga cadeia pública (que conserva as paredes da prisão com 1,60m de largura), além do Palácio Conde dos Arcos, antiga residência oficial e que até hoje serve de sede provisória para o governador durante as comemorações do aniversário municipal, em julho.

A famosa Procissão do Fogaréu, na noite de quarta-feira da Semana Santa, atrai anualmente milhares de pessoas para a antiga capital. As luzes da cidade se apagam e os participantes caminham pelas ruas carregando tochas, ao som de tambores. À frente vão 40 encapuzados, chamados de “farricocos”. A cerimônia representa a caminhada dos soldados que prenderam Jesus antes da crucificação. O município também sedia anualmente o Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA).

Outras atrações interessantes são o Espaço Cultural Goiandira do Couto – artista plástica que pintava telas utilizando areia colorida encontrada por ela na Serra Dourada (são cerca de 551 tons) -, o Chafariz de Cauda, o trekking na Serra Dourada (a caminhada dura em torno de cinco horas, mas dizem que o pôr do sol vale o esforço) e a cachoeira das Andorinhas, passeio obrigatório para amenizar o calor escaldante que faz na cidade. O artesanato regional, composto basicamente por peças de cerâmica, palha e pedra-sabão, é a melhor dica de compras.

Goiás fica a 135 quilômetros de Goiânia e a aproximadamente 320 quilômetros de Brasília.


“… Gente que passa indiferente,

olha de longe,

na dobra das esquinas,

as traves que despencam.

- Que vale para eles o sobrado? …”

Cora Coralina

(trecho destacado na fachada do museu)

Vista geral da Praça do Coreto

Museu das Bandeiras

Entardecer na Rua Eugênio Jardim

Vista da Rua Moretti Foggia, que passa pela Praça do Coreto e se estende até a ponte

Farricoco observa a Praça do Coreto

O coreto, ponto de encontro dos vilaboenses (a cidade já se chamou Vila Boa) para um sorvete ou cerveja

Vista noturna do Museu Casa de Cora Coralina

Casa de Cora com a torre da Igreja do Rosário ao fundo

Cora “namoradeira”. A sua presença na janela indica que o museu está aberto