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Posts na categoria "Capão da Canoa"

Despedida do verão

20 de março de 2011 4

Sou uma pessoa outono/inverno, por isso em geral dou adeus com uma certa alegria ao verão. Mas reconheço que ele tem lá suas coisas boas (não vou citar sorvete, que esse vai bem em qualquer estação).

Pra despedida deste ano, publico aqui um time lapse (imagens em sequência) captado pelo fotógrafo Ederson Nunes em Capão da Canoa, durante o Carnaval, e sugerido pelo leitor Flavio Ramos.


As borboletas também amam

18 de fevereiro de 2008 1

Antes que o verão se vá de vez (o horário de verão já se foi), reproduzo aqui uma crônica que escrevi para o blog Histórias da Estação, da página de nossa Revista de Verão. Não é exatamente sobre um lugar, e não recomendo a ninguém fazer o mesmo. A história, de verdade, se passou em CAPÃO DA CANOA, praia que pode até não ser das mais bonitas, mas com certeza está na memória de boa parte dos gaúchos. Lá vai:


Como costuma acontecer, faria calor naquele verão de 1980. Eu, que raramente ia à praia, estava eufórica com o que estava por vir, além do tradicional calor: com uns 20 colegas da turma do colégio, um casal de pais e duas freiras nos acompanhando, passaria 10 dias numa casa alugada em Imbé. Vinte e poucas pessoas numa única casa! Dá para imaginar?! Melhor ainda: teríamos um ônibus à nossa disposição, para os passeios que quiséssemos fazer, de dia ou à noite. Um motorista à disposição! É claro que tudo exigiria muita democracia, votações e assembléias para cada nova incursão. E a aprovação dos pais e das freiras, é claro. Nada que um bando de adolescentes não conseguisse contornar.

Foram dias de muita praia, pescarias à beira-mar, sorvete no final da tarde, saídas para dançar e namoricos inocentes. E muita praia, pescarias à beira-mar, sorvete no final da tarde, saídas para dançar e namoricos inocentes… Ou seja, a coisa estava ficando monótona. Um dia, alguém teve a brilhante idéia: por que não ir ao cinema?! Boa idéia, aprovaram os pais e as freiras, um programa cultural em pleno veraneio.

Não sei se Capão da Canoa, que àquela altura sequer estava emancipada, tinha cinema – até hoje ir ao cinema no litoral para enfrentar dias de chuva não é coisa fácil. O certo é que alguém teve mais uma brilhante idéia: por que não irmos, todos juntos, pagando mais barato, ao drive-in de Capão, o único existente por aquelas bandas?

Bom, drive-in, como se sabe, é cinema que se assiste de dentro do carro, o som fica numa freqüência de FM ou há caixas de som espalhadas, ao ar livre. Um ônibus não é exatamente um carro, e até hoje não lembro como convencemos a bilheteria a liberar a entrada do ônibus no dito cujo. O certo é que entramos. Causando estranheza aos demais espectadores, que não eram muitos e pouco interessados no filme estavam.

Drive-in, afinal, sempre foi lugar para namorar, ainda mais naquele final de anos 70, quando os costumes não eram tão liberais. Era um lugar pra namorar e ainda dava para chegar em casa e inventar a desculpa de que se estava no cinema, com a vantagem de poder até contar algum trechinho do filme.

Lá estávamos nós, 20 e poucos adolescentes, um casal de pais e duas freiras, num drive-in, dentro de um ônibus. E começa o filme: As Borboletas Também Amam. Um drama erótico estrelado por Angelina Muniz (alguém lembra dela?), dirigido pelo croata J.B. Tanko, um diretor que filmou o bombardeio de Belgrado quando a antiga Iugoslávia foi invadida pela Alemanha, se instalou no Rio após a II Guerra Mundial e dirigiu, nos anos 70 e 80, 11 dos filmes de Os Trapalhões.

Os adolescentes, todos nós, disputávamos as janelas de um lado do ônibus – é claro, só um lado conseguia ficar virado para a tela – para assistir As Borboletas Também Amam. Os pais e as freiras, na outra fileira do ônibus, contavam os minutos para acabar a tortura do “programa cultural”. Ir embora àquela altura, nem pensar.

Talvez tenha sido a sessão de cinema mais inesquecível de minha vida, embora não lembre absolutamente nada do filme, a não ser o título e o nome da Angelina Muniz, que então fazia sucesso na TV.

Talvez tenha sido o verão mais inesquecível da minha vida. Provavelmente foi um dos mais inesquecíveis do dono daquele drive-in: à saída, como fugia aos padrões dos carros que freqüentavam o local, o ônibus arrancou o pórtico, deixando um rastro de letras pelo chão.

Postado por Rosane Tremea