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Posts na categoria "Dica de Livro"

Livros para viajar pelo Brasil

15 de março de 2013 0

A RBS Publicações está lançando dois livros de dois reconhecidos viajantes do país: Ricardo Freire e Zeca Camargo.

Eles estão sendo vendidos em kit ou avulsos.

Confira um pouco de cada um:

  • 100 praias que valem a viagem, de Ricardo Freire, um especialista em praias. O blogueiro, jornalista de viagem e autor de guias ensina os caminho do litoral que vão do Rio Grande do Sul ao Pará, em cidades, vilarejos ou lugares absolutamente isoladas. Ricardo explica como chegar, sugere a melhor época para ir e dá dicas de lugares para ir e onde se hospedar.

  • 1000 lugares fantásticos no Brasil, de Zeca Camargo. O jornalista faz um passeio pela riqueza cultural e paisagística do Brasil e revela o que há de imperdível em cada lugar. O livro foi concebido a partir de dicas enviadas para o site do Fantástico, da Rede Globo. A partir daí, foram montadas as dicas: onde ficam esses lugares, porque é interessante visitá-los e informações práticas para quem quer conhecê-los. O critério para entrar na lista não foi o tipo de atração, mas sim lugares que pudessem ser reconhecidos como 'fantásticos'.

Serviço

  • Os livros podem ser adquiridos em individualmente, ou kit, pelo site www.rbspublicacoes.com.br ou pelo televendas 0800 051 3323


  • Valores para assinantes de Zero Hora:


100 praias que valem a viagem - R$ 34,90

1000 lugares fantásticos no Brasil - R$ 36

Kit Praias e Lugares Fantásticos - R$ 66,90


  • Valores para não-assinantes:

100 praias que valem a viagem - R$ 38

1000 lugares fantásticos no Brasil - R$ 40

Kit Praias e Lugares Fantásticos - R$ 78


O cinema que leva a viajar

29 de novembro de 2012 0

Todos nós que viajamos e gostamos de cinema fazemos a mesma coisa: andamos pelas esquinas dos lugares visitados buscando o cantinho, o café, o restaurante, a loja, o hotel da locação daquele filme inesquecível.

Pois nesta semana dois guias para ajudar a encontrar esses lugares vieram até mim sem que eu pedisse.

Primeiro, ganhei de um colega querido o PARIS fait son Cinéma (na tradução livre, Paris faz seu Cinema), trazido de Paris. Procurei, encontrei nos sites de livrarias o título em francês, mas não consegui descobrir, ainda, se foi lançado por aqui em português.

Eu simplesmente amei o livro. Tem bistrôs, cafés, hotéis, lugares em que foram filmadas coisas de que eu gosto muuuuito. Como os relativamente recentes Hugo Cabret, Julie & Julia, Coco antes de Chanel, Amelie Poulain... Mas há clássicos também, e filmes que eu não vi e lugares que eu não conheci... E eu viajei no livro, que é deliciosamente fácil (ainda que eu só saiba meia dúzia de palavras em francês): a divisão é feita com base nos bairros da cidade (é um guia, pois não!?), com mapas enormes e claros, com a indicação dos locais, com uma ficha técnica de cada filme, fotos lindas ilustrando cada ponto e, pra completar, QR Code para assistir, no celular, os trailers dos filmes.


E aí, também recebi um material de divulgação com uma promoção de uma agência chamada Casa de Turismo (facebook.com/casadeturismo), que vai sortear NESTA SEXTA-FEIRA dois exemplares do Europa de Cinema, do Vicente Frare, que já foi comissário de bordo, guia de turismo, etc, e hoje se dedica a uma editora, a PULP, que produz livros e guias de viagem.

No Europa de Cinema – Roteiros e Dicas de Viagem Inspirados em Grandes Filmes, ele aponta mais de 250 pontos em cidades europeias que têm ligação com o cinema, como a Londres de Um Lugar Chamado Notting Hill ou outros lugares igualmente charmosos em Berlim, Londres, Madri, Paris e Roma.

Se não ser pra embarcar de verdade, dá pra viajar nos livros e nos filmes. O que já não é pouco.

Grandes viagens num só lugar

08 de novembro de 2012 0

Se você está sem ideias para suas próximas viagens pelo mundo, esse livro tem 70 delas que podem servir de sugestão.

(Aliás, você já reparou como todo mundo fica falando de viagens o tempo todo? Esta semana, em dois restaurantes diferentes, as pessoas na mesa ao lado conversaram o almoço inteiro sobre viagens passadas e futuras).

Bom, voltando ao livro: Grandes Viagens, da Lonely Planet, publicado pela Globo Livros, reúne mais de 70 rotas inspiradas por descobridores, escritores, peregrinos e aventureiros.

Exemplos: Vasco da Gama em busca das Índias, a atribulada volta para a ilha de Ítaca feita por Odisseu na obra de Homero, Che Guevara em sua jornada de motocicleta pela América Latina etc...

Sobre cada roteiro são dadas informações das distâncias do percurso, os países visitados ao longo da viagem, a duração ideal para explorá-la, a melhor época do ano para o passeio, além das condições atuais da rota e dicas de filmes e livros.

Os capítulos do livro dão uma ideia do que você encontrará nele:

  • Por Terra
  • De Trem
  • Exploradores e Conquistadores
  • Rios e Mares
  • Antigas Rotas Comerciais
  • Jornadas Literárias
  • Na Estrada
  • Caminhadas e Peregrinações








SERVIÇO

  • Grandes Viagens
  • Andrew Bain, Sarah Baxter, Simon Sellars e Adam Skolnick
  • 312 páginas
  • R$ 59,90
  • Globo Livros


Um guia para conhecer São Paulo com crianças

20 de setembro de 2012 2

A Mariana Della Barba é jornalista, amiga de uma amiga que mora em São Paulo.

É blogueira e, desde que nasceram os dois filhos -  Theo, do final de 2008, e da Liz, ainda pequenininha -, saiu a procurar por São Paulo programas legais para fazer com eles.

Num blog, o MÃE DA RUA, Mariana já registrava as experiências dela com os filhos e, como resultado dessa procura, lançou o livro São Paulo para Crianças – Turismo, cultura e diversão na maior cidade do Brasil.


O guia mostra São Paulo desde o ponto de vista da família da Mariana: onde gostam de ir passear, descansar, comer, comprar…

É dividido em capítulos como Parques, Museus e Ciência, Bichos e Afins, Ler e Ouvir, Passeios em Família.

"Fico torcendo para que essas dicas possam ajudar muitos outros pais (e avós, tios, padrinhos…) a encontrar programas animados pra tirar a molecadinha de casa", define a própria Mariana no blog.

Como a cidade é grande e as opções, inúmeras, nada melhor do que um guia local. Ainda mais com crianças a tiracolo.


Traços do Brasil, uma jornada fotográfica

20 de julho de 2012 0

As imagens abaixo, lindas, estão no livro Traços do Brasil, uma Jornada Fotográfica.

São de autoria do casal Grace e Robert Downey. Durante quase um ano, eles exploraram o Brasil fora das rotas mais óbvias. Desde dezembro de 2009, foram 348 dias de viagem e 45 mil quilômetros percorridos.

Antes disso, em 2002, eles haviam largado tudo para percorrer o mundo. Passaram três anos e meio viajando, na expedição chamada Challenging your Dreams – Uma Aventura pelo Mundo. Ao todo foram 1078 dias de viagem, mais de 18 mil litros de combustível, 28 vistos, passagem por 69 fronteiras e visitas a 50 países.

O casamento como destino

09 de abril de 2012 0

Na lista das muitas coisas a relembrar, pesquisar, publicar estão as fotos de casamentos fotografados mundo afora. Sempre que flagro um, nos lugares mais inusitados, dou um jeito de fotografar. Não valem uma exposição, mas são fotos que mostram semelhanças e diferenças dessas cerimônias.

Nesses tempos em que cada vez mais gente cruza o mundo para se casar, a especialista no tema Jacqueline Dallal Mikahil escreveu “Destination wedding – O casamento como jornada e como destino”, a ser lançado no dia 10 de abril.

Ele mostra celebrações longe do local de origem dos noivos, com os cenários românticos mais cobiçados.

Serviço

  • “Destination wedding – O casamento como jornada e como destino”
  • Jacqueline Dallal Mikahil
  • M Luz
  • 122 páginas
  • R$ 65


Os Sonhos Verticais de Manoel Morgado

13 de março de 2012 0

A entrevista abaixo está publicada na página 3 do caderno VIAGEM, de Zero Hora, desta terça-feira (ALIÁS, AGORA O CADERNO TEM UM SITE REPAGINADO, COM A REPUBLICAÇÃO DE SUAS PRINCIPAIS MATÉRIAS, BLOGS, SERVIÇO, etc...).

Ela mostra um pouquinho do que se pode esperar do livro Sonhos Verticais, do alpinista gaúcho MANOEL MORGADO, o oitavo brasileiro a atingir o cume do Everest, a montanha mais alta do mundo, entre outras aventuras.

O livro vai ser lançado no próximo dia 21, em São Paulo (não haverá lançamento em Porto Alegre).

Editado pela Artes&Ofícios, tem 216 páginas e preço sugerido de R$ 43.


Confira a íntegra da entrevista com Morgado abaixo:

É assim que ele é apresentado no convite para o lançamento de seu livro, no próximo dia 21, em São Paulo: "55 anos, médico por formação, alpinista por vocação". Como alpinista, chegou muito longe e muito alto, se permitem o trocadilho. Escalou as principais montanhas do mundo e foi o oitavo brasileiro a chegar ao Everest. Não é pouca coisa. Por email, ele respondeu a perguntas sobre suas aventuras e sobre Sonhos Verticais, um título que por si já explica do que trata a obra editada pela Artes e Ofícios.

Zero Hora - O que pode querer mais um viajante/aventureiro depois de ter atingido o Everest? Há ainda o que alcançar?

Manoel Morgado - Acho que depois do Everest existem dois grandes desafios para os montanhistas interessados em altas montanhas, os 14 8000 e os sete cumes. Há 14 montanhas com mais de 8 mil metros no planeta, todas na região do Himalaia e do Karakorum no Nepal, Tibete e Paquistão. Escalar todas elas é um grande desafio. Não estou interessado nele, pois pelo menos três deles têm uma taxa de mortalidade que considero inaceitável - o K2, o Annapura e o Nanga Parbat. Mas pretendo escalar outras montanhas com mais de 8 mil metros. Este ano escalarei o Manaslu, a oitava, e vou tentar sem oxigênio adicional e sem o auxílio de sherpas, o que torna a escalada significativamente mais difícil. E também tem os sete cumes, a escalada da montanha mais alta de cada continente, que acabo de concuir com a escalada do Vinson, na Antártica, tornando-me o segundo brasileiro a conquistar este feito. Estar nas montanhas é o que interessa, sejam elas altas, baixas, difíceis ou fáceis, principalmente se essas montanhas forem divididas com amigos.

ZH - Dessas tuas jornadas todas qual foi a mais gratificante? E qual foi a mais difícil?

Morgado - Sem dúvida estar no topo do Everest foi o momento de maior emoção de minha vida, o mais gratificante.Já tinha estado 44 vezes na base do Everest. Olhando para cima e sonhando com o dia que eu também estaria lá. Os amigos e conhecidos que tinham conseguido eram meus heróis... Foi um momento mágico. A montanha mais difícil, fisicamente, foi o Mckinley (Denali), no Alaska. Escalada dura, com clima terrivelmente difícil, com 50 kg, com muito trabalho para preparar as plataformas para armar as barracas, construir muros de gelo para proteger a barraca dos ventos fortíssimos... E isso tudo após ter escalado por várias horas...Mas, também uma das mais lindas.

ZH -  Por que as pessoas devem/precisam viajar? Qual tu achas que deve ser a inspiração a cada vez que alguém se lança numa nova aventura?

Morgado - Viajar, para mim, é entender que todos somos iguais e que buscamos a mesma coisa e que fugimos das mesmas coisas. Ao conhecer uma nova cultura, você descobre que os preconceitos não se aplicam, é o melhor remédio contra a incompreensão que faz com que achemos que nós, de uma cidade, de um país, de um continente, somos melhores que os outros. Mas isso só acontece se formos de coração aberto, prontos para tentar entender como outra sociedade funciona. Aviagem também é a concretização de um sonho e ter a coragem para realizar este sonho nos torna mais vivos. Precisamos sair de nossa zona de conforto, e com isso aprendemos muito.Viajar é um grande aprendizado.

ZH - O resumo e o título do teu livro dão a impressão de um livro (sem que isso pareça pejorativo) de auto-ajuda. Ele tem essa intenção?

Morgado - Não, eu tenho uma fórmula para minha vida que funciona para mim. Não tenho casa há 23 anos, viajo pelo mundo sem parar. Raramente durmo na mesma cama mais do que uma semana seguida. Tenho pouquíssimas posses e minha vida é muito simples, mas essa é uma fórmula que funciona para mim e para muito pouca gente. Se tenho uma mensagem a passar é que precisamos ter coragem para ir atrás do que queremos, dos nossos sonhos. Mas, como fazer, aí é com cada um.

ZH - Qual tua próxima aventura?

Morgado - Como escalador estou bastante realizado embora, claro, vá continuar escalando e como disse ainda este ano vou escalar um 8000. Tentei fazer uma expedição onde cruzaria a Antártica com skis, 1.100 km sem ajuda externa, mas infelizmente não obtive o patrocínio que precisava. Gostaria de que este projeto acontecesse. Como guia de montanha, meu sonho era guiar o Everest e isso acontecerá em 2014...E lançar um livro, claro, também é uma grande aventura. Estou feliz que ela esteja acontecendo.

Leitura para as férias

02 de janeiro de 2012 0

Ainda não terminei o livro, mas bati meu recorde lendo 100 páginas num pedaço de tarde, eu que leio muuuuuito devagar.

Por isso acho que UM DIA, do inglês David Nicholls, que também virou filme, pode ser uma boa companhia de férias.

Quem me chamou a atenção para o livro foi uma coluna recente do psicanalista Contardo Calligaris que levava o título Pentimento (arrependimento, em italiano).

Não terminei ainda, mas duvido que o resto dele vá me decepcionar.

Na edição conjunta de Zero Hora, o pessoal do Segundo Caderno pediu que escritores recomendassem livros para as férias, para quatro destinos diferentes. Veja as dicas abaixo (o meu não foi recomendado por eles!!!):

Na Serra

  • A Sangue Frio, de Truman Capote
  • Liberdade, de Jonathan Franzen
  • Os Verbos Auxiliares do Coração, de PéterEsterházy
  • Os Espiões, de Luis Fernando Verissimo

Na Praia

  • Marilyn, de Anne Plantagenet
  • O Mar, de John Banville
  • Esse Inferno Vai Acabar, de Humberto Werneck
  • Dois Rios, de Tatiana Saem Levy

Na Cidade

  • As Travessuras da Menina Má, de Mario Vargas Llosa
  • Conversas com Woody Allen, de Eric Lax
  • E se Obama Fosse Africano, de Mia Couto
  • As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino

No Frio

  • Bocas de Mel e Fel, de Nilza Rezende
  • As Brasas, de Sándor Márai
  • A Riqueza do Mundo, de Lya Luft

Sobre Paris e seus subterrâneos

19 de dezembro de 2011 1

No livro A História Secreta de Paris, o historiador inglês Andrew Hussey analisa a cidade da pré-história à Paris de Carla Bruni. Como eu não li, mas achei interessante, reproduzo o material de divulgação enviado sobre a obra:

Segundo o autor, “as milhões de palavras devotadas à cidade ao longo dos séculos sugerem que tal coisa não existe (contar a história definitiva da cidade)”.

Hussey tem a intenção de narrar a evolução parisiense voltando a atenção para as ruas.

Intelectual de interesses diversos, ele escreve com frequência na grande imprensa britânica sobre outros assuntos além de História, como música, futebol e sociedade.

O livro aborda os períodos mais remotos da história parisiense, como os indícios de artefatos de origem africana datados de 1.000 a.C., passando pela consolidação da tribo celta dos parísios – daí o nome da cidade. A chegada do Império Romano, dois séculos depois, também é minuciosamente relatada. Especial atenção é dada à vida diária nas ruas em que hábitos e crenças celtas e romanas (e mais tarde, católicas e protestantes) se mesclavam.

A pesquisa passa ainda por muitos outros momentos fundamentais da cidade, como a ascensão e decadência da realeza, a Revolução Francesa, o período napoleônico, a Resistência aos nazistas, e ainda a arte, a moda e os costumes.


Serviço

A história secreta de Paris

Autor: Andrew Hussey

Páginas: 624

Preço sugerido: R$ 78

Editora Amarilys

Turismo cultural, com Ruy Castro

17 de novembro de 2011 0

Ainda não li, apesar de já ter dado a dica na página 2 do caderno VIAGEM de ZH.

Mas estou curiosa por saber mais das viagens de Ruy Castro e de sua mulher Heloisa Seixas.

Terramarear – peripécias de dois turistas culturais é o resultado das viagens do casal pelo Brasil e pelo mundo.

São viagens a lazer e a trabalho, antecedidas de pesquisas sobre os lugares a serem visitados.

O que o escritor quer com o livro, segundo ele mesmo: ajudar o leitor a mudar de atitude quando estiver viajando, não ficando escravo do cartão-postal e das compras.

O livro foi lançado em agosto, e eu vi a entrevista dos dois no Programa do Jô.

Confira abaixo.



Machu Picchu revisitado em livro

22 de setembro de 2011 0

Passaram as comemorações dos cem anos da descoberta de Machu Picchu, em julho, e eu até já publiquei a dica sobre a reedição deste livro na coluna do caderno VIAGEM (sempre às terças), mas a Maristela Barrios, assessora da Artes e Ofícios Editora havia me enviado essa entrevista com um autor de um livro sobre a cidadela inca que vale a pena publicar. Lançado em 2001, Machu Picchu – na Trilha dos Incas, de Geraldo Abud Rossi, ganhou a terceira edição com atualização das informações de serviço - hospedagem, transporte, alimentação, população, temperatura local, eventos. Jornalista e mestre em design gráfico gaúcho radicado em Santa Catarina, Geraldo anexa ao relato de sua aventura rumo à cidade sagrada peruana informações históricas, geográficas e sociais. É, na minha opinião, uma viagem que todo mundo deveria fazer, pelo menos uma vez na vida. Leia a entrevista:



Pergunta -  Você encerra seu relato com uma frase que mostra uma sensação de dever cumprido. Foi esta mesmo a sensação do final da viagem?

Geraldo Abud Rossi - Exatamente. Tínhamos conseguido fazer um caminho desconhecido com sucesso, sem ferimentos. Tínhamos saltado no desconhecido e saímos vivos e felizes. Mais: a finalização da caminhada coroou o sucesso de todos os nossos preparativos físicos e mentais que fizemos nos dias anteriores no Vale Sagrado. Por fim, o dever foi cumprido e, com ele, houve muitos momentos maravilhosos, lugares incríveis e experiências que guardaremos para toda a vida.

Pergunta - O que te surpreendeu, o que te decepcionou e o que faltou nesta viagem?

Geraldo - O mais surpreendente é o visual, aquelas montanhas enormes criando vales inacreditáveis, de tirar o fôlego e, no meio disso, ruínas de cidades de pedras. Essas ruínas foram construídas em lugares muito altos, quase inacessíveis, com pedras enormes e pesadíssimas, isso nos deixa perplexos, surpreende. Nada me decepcionou, pois, quando viajo, tento me desprender de todos os desejos, de todas as manias, assim até os problemas, os perrengues, tudo, enfim, fazia parte da aventura e servia para ensinar algo. Dentro dessa concepção, nada faltou.

Pergunta - Já refez este caminho? O que mudou no procedimento, nos trajetos, nas buscas?

Geraldo - Não refiz. O que pude notar, atualizando o livro, é que pouca coisa mudou, parece que o tempo anda mais devagar lá. No entanto, o Caminho de Salcantay que era desconhecido, hoje já é frequentado por grupos e, em uma trilha paralela, já existem pousadas, proporcionando um maior conforto aos viajantes.

Pergunta - Dez  anos depois, o que ficou na tua memória afetiva desta viagem?

Geraldo - Me transporto para lá sempre que ouço músicas da região ou revejo fotos. As experiências voltam como se tivessem sido ontem. São lembranças de desafios, de surpresas, de amizades, de felicidade. São lembranças que renovam a alma. O que me emociona bastante também nesses 10 anos de livro são os relatos das pessoas que foram lá por causa do livro e que viveram experiências maravilhosas. Há também aqueles leitores que viajam sem sair da poltrona, se entusiasmam, trocam ideias comigo como se tivessem ido.


Pergunta - Machu Picchu não foi, pelo que seu relato mostra, o objetivo maior da viagem, e sim a caminhada, a proposta de descobrir coisas novas em meio a terrenos já palmilhados. É correta esta impressão?

Geraldo - O grande objetivo desde a saída do Brasil era chegar a Machu Picchu de alguma forma. Na verdade, nem tínhamos muita ideia de como chegaríamos lá. As caminhadas foram surgindo naturalmente durante a viagem, até porque os incas eram especialistas em construir trilhas e nós começamos a descobri-las. Até que descobrimos o Caminho de Salcantay, que era desconhecido. A partir daí, as caminhadas tornaram-se nossa atividade principal, nossa grande diversão.



Sobre cidades e viagens

11 de agosto de 2011 1

Reli SILÊNCIO EM SIENA, do publicitário Flávio Wild, do qual eu já tinha falado aqui.

É fácil e bom de ler, mistura ficção e realidade, e é possível enxergar as cidades, não apenas porque há belas fotos, mas também porque a descrição é precisa.

Encontrei ali algumas frase daquelas que dá vontade de anotar. Anotei:

  • "Uma cidade sempre se deixa, enquanto a próxima não existe ainda."
  • "Vista com atenção, a cidade revela suas verdadeiras proporções. Becos e vielas encolhem-se a cada turista que tenta atravessá-los."
  • "Se morrer por aqui, pouco importa que a urgência desses dias conceda em pequenas doses tantas riquezas. Ao acordar da morte estarei intacto."



Leitura de férias

08 de junho de 2011 2

Terminei dois livros nessas últimas férias: O Castelo de Vidro, de Jeannete Walls, e O Símbolo Perdido, de Dan Brown.

Recomendo os dois.

Mas viajei mesmo, um ano depois de ter estado na cidade em que é ambientado, no livro de Dan Brown. Por vários motivos. Primeiro, por que é lá, em Washington, que mora minha amiga Alessandra. Foi ela quem me fez ler Dan Brown. Quando todo mundo lia O Código da Vinci, eu me recusava.

Alessandra me acusava de sofrer de "insegurança literária". Dizia que eu não lia de medo de gostar de um best-seller, de um livro de fórmula fácil.

O desafio funcionou, a leitura é fácil mesmo, mas é inegável que a fórmula prende o leitor. Eu, que levo um tempão pra ler um livro, termino os dele rapidinho.

O Código me levou a Paris, e o Anjos e Demônios me levou a Roma e, agora, O Símbolo Perdido me transportou à capital norte-americana de novo.

Revi, pela descrição...

...o Capitólio...

... o complexo dos museus Smithsonian (dos quais eu destaco a National Gallery)...

...a Biblioteca do Congresso...

...o National Mall etc, etc.

Mas, Alessandra, Dan Brown continua me irritando. Ou o tradutor, não sei. Nenhum livro comporta tantas vezes os verbos assentir e aquiescer...

Pelo menos tem a cidade...

Três Cidades Perto do Céu

11 de maio de 2011 1

LUCIANA TOMASI lançará Três Cidades Perto do Céu no dia 23 de maio. Reproduzo abaixo parte da entrevista em que ela fala sobre esses três destinos localizados na Caxemira, na Índia e no Nepal, todos perto do céu, como diz o título do livro. Ela foi feita por Maristela Bairros, assessora da editora Artes e Ofícios, responsável pela obra. Confira:

ENTREVISTA: Luciana Tomasi

Artes e Ofícios -  Qual a razão de escolher Srinagar, Rishikesh e Katmandu?

Luciana Tomasi -  O Artur Veríssimo, que é um repórter paulista e já foi 20 vezes para a Índia e muitas vezes para o Oriente, recomendou para mim e para minha companheira de viagem este roteiro. Disse que, se optássemos por fazer uma nova viagem para o Oriente, não poderíamos deixar de conhecer estes três lugares que são muito especiais em beleza e espiritualidade. Também são três lugares onde o Himalaia tem presença marcante, em diferentes expressões da natureza. Na época do ano que escolhemos, que foi o mês de abril, a montanha tem pouca neve em Srinagar, muito verde em Rishikesh e muita neve no Nepal. Como Artur já tinha feito o maravilhoso roteiro de viagem de meu outro livro “Um Spa na Índia” pelo Rajastão, confiamos nele e nos demos muito bem na escolha.

Artes e Ofícios - Por que você acha que estas três cidades devem ser conhecidas ainda nesta vida, mesmo sendo absolutamente sincera ao reconhecer que são problemáticas em vários aspectos para quem as visita?

Luciana - Se tu vais para o Oriente, tens que esquecer momentaneamente o teu alto nível de higiene, de comunicação e de atendimento nos diversos serviços. Se quiseres fazer uma viagem indiana asséptica demais, ficando a maioria do tempo em um hotel cinco estrelas norte-americano ou inglês, é melhor ficar em Londres ou Nova Iorque, porque vais gastar na viagem e não vais conhecer o mundo real destas culturas. Tu tens que ir para as ruas e estradas, fazer contato com todos, provar comidas e chás. Isto pode te acarretar problemas, surpresas e, ao mesmo tempo, uma despadronização de teus valores ocidentais. Exatamente aí reside a magia de entender diferentes formas de pensar a vida. A partir desta comunicação, tu começas a revisar teus conceitos sobre tudo. Algumas coisas fúteis passam a ter muito menos importância no teu cotidiano. Como são cidades muito fortes espiritualmente, alguns turistas mais sensíveis começam a perceber que tem algo de especial em estar ali e conviver com aquele povo.

Artes e Ofícios - Como um visitante deve se aproximar destas cidades no que toca à sua preparação, à sua atitude e às suas expectativas?

Luciana - Atualmente tu podes agendar tudo pela internet. Mas se tu quiseres a ajuda de uma boa agência, tem escritórios de viagens especializados no Oriente que escolhem o hotel, translado com guia e principais passeios. Tu podes fazer a viagem mesmo sozinho, que não há problema. Sempre tem alguém para conversar contigo em inglês. E o melhor: não tem a violência urbana diária do Brasil. Tem ainda as excursões organizadas para quem curte, o que não é o meu caso. Também, tem muita gente viajando em grupo de amigos. São viagens para quem gosta de aventura e não é muito medroso.

Artes e Ofícios - Como você vê o Himalaia junto a estas três cidades do ponto de vista físico e do espiritual para seus moradores?

Luciana - A natureza para eles é Deus. Tudo que existe no mundo, que parte da natureza, foi feito por Deus e deve ser admirado como tal. Eles rezam todo o dia para a natureza, seja para uma vaca, para o sol ou para as flores. O Himalaia é uma das expressões máximas da natureza pela sua grandiosidade e imponência. Para os hinduístas, os deuses vivem todos no Himalaia. Os sadhus (homens santos renunciantes) estão todos em meditação no Himalaia.

Artese Ofícios - Até que ponto a mistura das religiões mantém tantas etnias e classes sociais aparentemente em harmonia?

Luciana - O indiano nunca te pergunta de que religião tu és, o que tu estás fazendo dentro do templo deles, se está rezando direito. Tirando o sapato e não estando nas “regras”, pode entrar em 90 por cento dos templos no país. Os hinduístas acham o máximo tu prestigiares as festas religiosas deles. Eles acham auspicioso este interesse dos estrangeiros pelos valores hindus. A questão das classes sociais é bem mais complicada, pois eles acreditam que se o indiano nasce para ser pária (a mais baixa classe), ele tem que se conformar, pois foi Deus quem quis assim. Mesmo assim, é possível o casamento de pessoas de classes diferentes, embora pouco usual.

Artes e Ofícios - Qual a consciência de sua importância como pólos de turismo e de reflexão que você viu nestas cidades?

Luciana - Na Índia, eles adoram os turistas por causa da entrada de divisas. Tu és visto como um cofre ambulante. Os pobres mendigam o tempo todo (não os muçulmanos). Mas mesmo quando tu não dás dinheiro ou não compra nos mercados e lojas, eles estão satisfeitos com a tua presença. Querem saber do teu país, sempre com as mesmas perguntas. Adoram que tu compareças nos casamentos e aniversários, pois os ocidentais trazem sorte, segundo eles. O governo indiano ganha muito dinheiro com a liberação dos vistos de entrada e os europeus compram muito ouro, tapetes, esculturas e mandam entregar na Europa. É muito barato em comparação com os preços ocidentais e os artigos chegam inteiros no destino. Os hotéis de alto luxo, sem comparação com o Ocidente em termos de arquitetura de interiores, estão sempre cheios. Os indianos têm consciência da importância da Medicina deles (ayurveda) e dos ensinamentos do yoga, mas o governo e os empresários querem que a Índia seja reconhecida pelo seu grande potencial econômico. Muitos desprezam exatamente a sua maior riqueza que é a tradição do ensino ancestral do yoga. Em Katmandu, os moradores nem te olham direito e não fazem a mínima força para serem agradáveis. A cidade é cheia de montanhistas, alpinistas e exploradores ocidentais, sempre subindo e descendo do Himalaia. O povo parece estar cansado dos turistas, mas sabe que ganha muito com o turismo.

Artes e Ofícos - Você uniu um sincero e apaixonado relato de viagem com informações objetivas sobre yoga. É possível que alguém que não saiba nem mesmo respirar direito aprenda um pouco deste manancial numa viagem como essa?

Luciana - Sim. Apesar de já ter muito conhecimento de yoga, pois já estudava e praticava há 15 anos, quando fui para Índia aprendi muito nas pequenas aulas de que participei, nas diversas cidades que visitei. Principalmente com um mestre de 80 anos em Delhi. Também tem o pessoal mais radical que se interna em ashrams (centros de hinduísmo com pratica de yoga e meditação intensiva) e fica lá por um bom tempo até se espiritualizar profundamente ou abandonar de vez a prática. Nunca tive oportunidade, nem tempo, nem abnegação suficiente para me hospedar em um ashram.

Visitar Lisboa na companhia do poeta Fernando Pessoa

01 de fevereiro de 2011 1

Faz um bom tempo que não vou a LISBOA, mas ela segue na lista das minhas cidades preferidas. Como em todas as vezes em que fui estava na companhia de minha querida amiga portuguesa Fernanda, não precisei usar um guia.

Mas já pensei em refazer os passos do personagem de AFIRMA PEREIRA, de Antonio Tabucchi, que já li mais de uma vez, em português e em italiano (se você não leu ainda, não sabe o que está perdendo!), buscar o omelete de ervas finas perfeito... Tabucchi, aliás, é o tradutor italiano de Fernando Pessoa.

Pois se aquele era um personagem fictício, melhor ainda deve ser seguir os passos de um real, o do próprio poeta Fernando Pessoa, na proposta de  Lisboa em Pessoa – Guia turístico e literário da capital portuguesa, do jornalista literário João Correia Filho, editado pela LeYa, que estará disponível nas livrarias neste mês.

João Correia Filho teve como ponto de partida Lisboa: o que o turista deve ver, escrito por Pessoa em 1925 – que permaneceu inédito por décadas, sendo editado pela primeira vez em 1992. A obra resulta do profundo conhecimento que o poeta tinha de sua cidade natal, onde viveu a maior parte de sua vida.

Lisboa em Pessoa inclui também pontos de visitação relacionados à vida do poeta lisboeta, como o café A Brasileira, do qual foi frequentador assíduo, e a Casa Fernando Pessoa, em que viveu os últimos 15 anos de sua vida e que hoje sedia um centro cultural. Enriquecendo as referências, o guia apresenta textos de outros autores portugueses – nomes consagrados como Camões, Eça de Queiroz e José Saramago, e novos expoentes da literatura lusa, como Batista-Bastos, Hélia Correia e Inês Pedrosa.

O guia detalha tanto as atrações históricas, quase obrigatórias, como as mais recentes, como o Parque das Nações, inaugurado em 2008, e o Museu do Design e da Moda, de 2009. Tudo isso sem deixar de fornecer informações práticas necessárias para o viajante, sejam eles grandes amantes da literatura e do poeta Fernando Pessoa.




Ficha Técnica

  • Lisboa em Pessoa – Guia turístico e literário da capital portuguesa
  • João Correia Filho
  • 376 páginas
  • R$ 79,90