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Uma primeira vez (que não é a primeira) na Grécia

24 de julho de 2013 2

Na edição de terça-feira do caderno VIAGEM, publiquei uma entrevista com o professor Cláudio Moreno.

Nela, Moreno fala sobre um roteiro que fará como guia cultural de um grupo que irá para a Grécia, em outubro. O tema da viagem é a Grécia dos Mitos e dos Deuses.

Como o papel tem espaço limitado, reproduzo abaixo a íntegra das respostas – interessantes e espirituosas (o título já dá uma dica!) – do professor, especialista em mitologia grega.

A entrevista foi feita por email.

“Vou rever um lugar em que nunca estive”


Recortes de Viagem – Que tipo de expectativa pode ter um viajante/turista/curioso que acompanhará um roteiro como esse?

Cláudio Moreno - A Grécia é fascinante de qualquer ponto de vista que se olhe _ o que, paradoxalmente, termina influindo negativamente nos roteiros tradicionais que exploram este país. Há coisas demais para mostrar, e tudo é interessante_ as praias, as ilhas, os mosteiros, as ruínas, os sítios arqueológicos, as diferenças regionais, as marcas dos vários povos que conquistaram e dominaram seu território _ em suma, uma infinidade de atrações que não cabe numa viagem só. No nosso caso, vamos nos dedicar especificamente à Grécia da mitologia; circunscrevendo o roteiro principalmente a Atenas e ao Peloponeso (sem deixar de incluir, é claro, a passagem obrigatória por Delfos), vamos visitar os lugares de onde provêm os mitos mais importantes para o imaginário do Ocidente.

Recortes de Viagem - Quais são as tuas expectativas? É verdade que é a tua primeira vez na Grécia?

Moreno - Esta é realmente a primeira vez que vou à Grécia _ fisicamente, é claro. Já fiz essa viagem centenas de vezes, desde o dia em que li, pela primeira vez, Os Doze Trabalhos de Hércules, de Monteiro Lobato. Desde então visito os gregos diariamente, nas páginas de Homero, dos autores trágicos, de Cavafys, na música de Maria Callas e no cinema de Cacoyannis _ mas estou muito emocionado pela perspectiva de me encontrar, em breve, sob o mesmo sol que iluminou todos esses artistas. Sinceramente, parece que vou rever um lugar em que nunca estive, e consigo entender, perfeitamente, a frase que um site grego usa para receber os visitantes do mundo inteiro: BEM-VINDO AO LAR.

Recortes de Viagem - Já fizeste algum outro roteiro servindo como guia cultural?

Moreno - Sim; venho fazendo isso desde que me conheço por gente: sou professor, e um professor nada mais é do que um guia cultural, não é verdade? Nesta viagem, é claro que teremos a presença de um guia turístico local, que conhece os horários e os preços, que sabe se vai chover ou não, que sabe onde está a farmácia mais próxima; minha função, no entanto, que já começou na escolha e na definição dos locais que vamos visitar, é mostrar o lado fabuloso que se esconde por baixo da paisagem moderna.

Recortes de Viagem - Já foste guiado por alguém em algum roteiro turístico? O que funciona e o que não funciona?

Moreno - Já acompanhei circuitos guiados mais curtos _ em Paris, em Londres, em Bruxelas, no vale do Loire, até mesmo em Buenos Aires. Mais longo, só uma vez, na Itália. Eu tenho uma velha cisma com a desorganização italiana, e o fato de ser ciceroneado por um especialista eliminou, tenho certeza, várias situações estressantes por que eu teria de passar se estivesse viajando por conta própria. O problema é que era um pacote genérico, pré-estabelecido pela agência, e o grupo que se formou tinha interesses muito heterogêneos _ o que fez o guia se fixar nos pontos mais óbvios do roteiro. Conversando com ele, fui aos poucos descobrindo que sabia muito mais do que deixava transparecer; se os participantes estivessem ali reunidos por um critério comum, tenho certeza de que teríamos aproveitado muito mais o talento e o conhecimento daquele guia.

Recortes de Viagem - Dos lugares previstos para este roteiro, qual consideras o mais interessante/curioso?

Moreno - Ah, tem a Acrópole de Atenas (Freud vestiu sua melhor camisa para visitá-la…), tem o Rio Eurotas, cujas margens foram pisadas por Helena de Troia, tem Delfos, o umbigo do mundo, ponto de peregrinação de todo o Mundo Antigo, tem… tem tanta coisa que é impossível responder a esta pergunta.

Recortes de Viagem - Qual dos mitos e sua relação com aquele lugar pode atrair mais a atenção de quem fizer o roteiro?

Moreno - Olha, é difícil… Como se diz em linguagem gaudéria, na Grécia, basta levantar uma pedra e de baixo sai um monte de mitos. Na Acrópole, por exemplo, temos a eterna disputa de Palas Atena e de Posêidon pelo domínio da cidade de Atenas; a vida e os feitos de Teseu, o grande herói ateniense, considerado o fundador da democracia ateniense; perto dali, no Areópago, o julgamento de Orestes, pela morte de sua mãe, Clitemnestra – julgamento que deu origem ao famoso “voto de Minerva”. Delfos, então, reúne inúmeras histórias envolvendo a sua origem e seus visitantes mais ilustres – Apolo, Hércules, Édipo, Creso, e muitos outros, inclusive Pedrinho, Emília e o Visconde de Sabugosa, do genial Monteiro Lobato. É história que não tem conta.

Volta ao mundo com uma criança a tiracolo

30 de agosto de 2011 2

O título é de um texto publicado na página 2 do caderno VIAGEM desta terça. Tem muito mais coisa na página, confira lá, mas resolvi republicar aqui essa entrevista porque a história é bacana e mais ainda porque a foto que eu recebi agora é SEN-SA-CIO-NAL. Não poderia desperdiçá-la. Você não acha? Que inveja desse pequeno viajante Felipe!

Veja abaixo a entrevista:

Há poucos dias, eles estavam em Yogyakarta, na ilha de Java, na Indonésia. A comunicação não era muito fácil, mas eles enviaram um e-mail extenso, descrevendo um pouco da aventura de viajar por cinco meses com uma criança de dois anos.Claudia Ferraz Rodrigues Pegoraro, 35 anos, promotora de Justiça em Jaguarão (RS), e Marlon Sandri Pegoraro, 35 anos, policial rodoviário federal, estão há horas na estrada, carregando a tiracolo o filho Felipe. E descrevem tudo no blog Felipe, o Pequeno Viajante. Junto, o casal já conhece 54 países. Felipe, pasme, já tem no passaporte a passagem por mais de 20 nações. E ele já tem lá suas impressões de viagem:

– Quando chegamos num terraço de arroz, em Bali, ele me olhou e disse: que lindo mamãe! – descreve Claudia.


Zero Hora – Desde quanto vocês viajam com o Felipe?

Claudia Ferraz Rodrigues Pegoraro – Fizemos uma primeira viagem grande com ele quando ainda não tinha três meses, aos Estados Unidos e Canadá. Os dois anos, agora, ele completou na Rússia.


ZH – Como é viajar com uma criança tão pequena? Como vocês se adaptam?

Claudia –A gente escolhe os destinos que a gente tem vontade de conhecer. Antes de o Felipe nascer, a gente achava que depois só iríamos à Disney e destinos do gênero, mas depois da primeira viagem, quando vimos que não tem mistério, fomos ficando cada vez mais corajosos. Claro que fizemos vários testes, em viagens curtas, perto de casa, até nos animarmos a fazer esta “volta ao mundo” de cinco meses.


ZH – O que vocês acham que ele aprende viajando?

Claudia – Não tem nada melhor para a estimulação de uma criança do que estar o tempo inteiro com o pai e a mãe. Se a gente estivesse em casa, ele estaria com a babá, na creche, seria bem diferente. Também dá a ele esperteza: ele está sempre ligado, cuida quando vem carro, como a gente anda na rua. Não acredito que ele vá lembrar de nada, mas tenho certeza de que ele vai adorar ver as fotos no futuro.


ZH – Quais as principais dificuldades de viajar com o Felipe? Que cuidados vocês têm?

Claudia – É preciso estar atentos à documentação, pois eles precisam de passaporte, vistos, como os adultos, e sempre é bom levar também uma cópia da certidão de nascimento, porque nos passaportes não tem o nome do pai e da mãe e isso pode causar problemas. A gente também faz um check-up geral de saúde antes de viajar, além de tomar todas as vacinas e ter um bom plano de saúde.


ZH – É possível ir a qualquer lugar do mundo com um filho pequeno?

Claudia – Se sobrevivemos à Índia com o Lipe, tudo é possível. É preciso ter energia e disposição, porque é muito trabalhoso – o tempo que antes a gente passava descansando, quando chegava ao hotel, agora tem que dar banho, lavar as roupas etc, mas vale cada minuto! Não tem alegria maior do que vê-lo correndo pelo Taj Mahal, comendo uma fruta diferente, brincando com crianças de todas as raças…



Entrevista: Roberto Rosenfeld, vencedor do Escadas do Mundo

29 de junho de 2010 3

Na semana passada, tanto no blog quando na coluna de Zero Hora, foi revelado o vencedor do concurso cultural Escadas do Mundo. Hoje eu publico uma entrevista com o Roberto Rosenfeld, que acertou que a escadaria era a da Torre de Pisa e teve sua frase escolhida entre os que deram a resposta correta.

Roberto mudou-se recentemente para o México, onde vai trabalhar pelos próximos dois anos. Foi de lá, por e-mail, que ele respondeu as perguntas abaixo (ele também mandou uma foto, tirada no Zócalo, o marco zero e centro histórico da Cidade do México, uma praça gigantesca!). Confira:

Recortes de Viagem – O que te chamou a atenção no livro Segredos dos Lugares Mais Extraordinários do Mundo (o prêmio oferecido) a ponto de participar do concurso cultural?

Roberto - Eu sempre tive muito interesse em viajar e sempre gostei muito de conhecer novos lugares. Tanto isso é verdade que nesse ano aceitei uma oportunidade e me mudei para o México, país grande e com muitos lugares diferentes para conhecer. Mas em todas as minhas viagens eu sempre evito os trajetos “convencionais” dos turistas em geral, sempre tento encontrar lugares menos conhecidos e, muitas vezes, extraordinários. Acho que foi isso que me identificou com esse livro e esse concurso, pois é a visão de um fotógrafo de alguns lugares que poucos turistas têm tempo e coragem de desbravar. Quem sabe essas fotos não me dão novas idéias para futuras viagens, não é verdade?

Recortes de Viagem – Tu conheces a Torre de Pisa? Era tão evidente assim que a escada era da Torre?

Roberto - Eu fui para a Itália quando tinha 9 anos de idade com meus pais e conheci a Torre de Pisa nessa oportunidade. Mesmo sendo ainda uma criança, consigo lembrar que o ponto turístico da Itália que mais me marcou foi a Torre de Pisa, mais que o Coliseu, Fontana di Trevi e que todos os outros. Lembro que fiquei impressionado, que mesmo torta, a torre mantinha-se imponente e era um símbolo daquela cidade. Talvez por isso que quando eu vi a foto da escada eu me lembrei rapidamente da Torre, porque realmente foi um lugar que me marcou.

Recortes de Viagem – Quais lugares conheces e quais pretendes conhecer?

Roberto - Tive o privilégio de já conhecer muitos lugares na minha vida e, felizmente, sempre com companhias ótimas e que sempre me acompanham nos passeios mais legais. Das minhas viagens mais recentes, eu destaco um tour pela Europa que fiz com uns colegas de trabalho pela França, Holanda e Espanha; uma viagem sensacional que fiz com minha namorada por Pernambuco e essa longa viagem que fiz para a Cidade do Mexico, aonde vou morar pelos próximos 2 anos.
Em curto prazo, quero conhecer boa parte do Mexico, que é um país incrível e com muitos lugares legais para visitar, especialmente as praias! Também pretendo conhecer alguns países da Europa que ficaram de fora da minha última viagem, como Inglaterra, Norte da França, parte da Itália e Grécia. Quero também aproveitar que estou perto dos Estados Unidos e ir para Los Angeles e Las Vegas.

Recortes de Viagem – O que te leva a viajar?

Roberto - Quando eu era menor, os meus avós me levavam para viajar e me ensinaram que a melhor forma de aprendermos sobre a história e o conhecimento do mundo não está nos livros e sim nos lugares e nas culturas que você tem o privilégio de conhecer. Quando eu viajo, sempre tento conhecer as pessoas, provar as comidas típicas e conhecer um pouco da cultura da região. Acho que isso nos faz crescer e ter uma nocão do mundo bem maior do que a das pessoas que se mantêm sempre no seu próprio mundinho. Acho que, quando você viaja, precisa abdicar muitas vezes de caprichos e confortos para fazer alguns passeios diferentes (daqueles que não passam no City Tour), que são justamente os que acabam nos surpreendendo mais.

Recortes de Viagem - Qual tua próxima viagem?

Roberto - Minhas próximas viagens serão quando minha namorada, família e amigos puderem vir me visitar aqui no México. Pretendo conhecer Cancún, Puerto Vallarta, Acapulco, Los Cabos… Enfim, todas aquelas praias que a gente só vê em papel de parede de computador!!