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Sobre Nice: Do que não gostaríamos de recordar

17 de julho de 2016 0

Esse texto foi publicado na edição de final de semana, sobre os tristes acontecimentos da última quinta-feira, quando mais de 80 pessoas foram mortas e dezenas ficaram feridas num ataque terrorista.

Fui a Nice pela primeira vez há exatos 20 anos, num longo roteiro rodoviário iniciado em Roma e que passava pelo sul da França, incluindo a famosa cidade da Costa Azul, além de Grasse, Mônaco e Monte Carlo.

Das fotos analógicas da época, apenas uma meia dúzia. Na memória, mais do que as belas paisagens da capital da Riviera Francesa que as fotos retratam, ficou uma visita ao Museu Marc Chagall (há um outro famoso também para o pintor Matisse). Lembro de serpentear a pé por uma estradinha para chegar até ele e da emoção de ver as obras que eu conhecia só dos livros.

Era dezembro, e a cidade de 350 mil habitantes, o segundo destino turístico da França (recebe mais de 4 milhões de visitantes por ano, ficando atrás apenas de Paris), não vivia seu burburinho habitual de verão. Além da hotelaria, da gastronomia, dos museus e das paisagens que misturam montanha e mar, a cidade é conhecida por seu Carnaval, que costuma atrair cerca de 1 milhão de pessoas.

Aeroporto de Nice, porta de entrada para a Riviera Francesa. Foto Rosane Tremea.

Aeroporto de Nice, porta de entrada para a Riviera Francesa. Foto Rosane Tremea.

Voltei a Nice dois meses atrás por acaso, desta vez numa passagem via aérea que me levaria de Roma a Grasse e Cannes, com passagem obrigatória pelo moderno aeroporto de Nice (no Nice-Côte d’Azur, há ligações para 30 países e mais de cem voos diretos). Na chegada, vista do alto, talvez tenha achado a cidade ainda mais bonita do que eu lembrava. A Promenade des Anglais, que vai do teatro de Verdure até o aeroporto, por vários quilômetros, emoldura o mar azul do Mediterrâneo.

No retorno de meu roteiro, também para tomar um voo, desta vez com destino a Paris, o ônibus urbano que me levaria ao aeroporto fez um trajeto de uma meia hora pelo centro da cidade, tomado por praças tranquilas e floridas, com cenas típicas daquela região da França.
Imaginar tudo isso maculado por terrorismo e medo, assim a distância, parece impossível. Não é nada do que gostaríamos de recordar.