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Posts na categoria "Guias de viagem"

O cinema que leva a viajar

29 de novembro de 2012 0

Todos nós que viajamos e gostamos de cinema fazemos a mesma coisa: andamos pelas esquinas dos lugares visitados buscando o cantinho, o café, o restaurante, a loja, o hotel da locação daquele filme inesquecível.

Pois nesta semana dois guias para ajudar a encontrar esses lugares vieram até mim sem que eu pedisse.

Primeiro, ganhei de um colega querido o PARIS fait son Cinéma (na tradução livre, Paris faz seu Cinema), trazido de Paris. Procurei, encontrei nos sites de livrarias o título em francês, mas não consegui descobrir, ainda, se foi lançado por aqui em português.

Eu simplesmente amei o livro. Tem bistrôs, cafés, hotéis, lugares em que foram filmadas coisas de que eu gosto muuuuito. Como os relativamente recentes Hugo Cabret, Julie & Julia, Coco antes de Chanel, Amelie Poulain... Mas há clássicos também, e filmes que eu não vi e lugares que eu não conheci... E eu viajei no livro, que é deliciosamente fácil (ainda que eu só saiba meia dúzia de palavras em francês): a divisão é feita com base nos bairros da cidade (é um guia, pois não!?), com mapas enormes e claros, com a indicação dos locais, com uma ficha técnica de cada filme, fotos lindas ilustrando cada ponto e, pra completar, QR Code para assistir, no celular, os trailers dos filmes.


E aí, também recebi um material de divulgação com uma promoção de uma agência chamada Casa de Turismo (facebook.com/casadeturismo), que vai sortear NESTA SEXTA-FEIRA dois exemplares do Europa de Cinema, do Vicente Frare, que já foi comissário de bordo, guia de turismo, etc, e hoje se dedica a uma editora, a PULP, que produz livros e guias de viagem.

No Europa de Cinema – Roteiros e Dicas de Viagem Inspirados em Grandes Filmes, ele aponta mais de 250 pontos em cidades europeias que têm ligação com o cinema, como a Londres de Um Lugar Chamado Notting Hill ou outros lugares igualmente charmosos em Berlim, Londres, Madri, Paris e Roma.

Se não ser pra embarcar de verdade, dá pra viajar nos livros e nos filmes. O que já não é pouco.

Novidade no mundo dos guias de viagem

12 de outubro de 2011 0

Do alto de meu inglês imperfeito, sempre lamentei o fato de os guias da Lonely Planet não terem versões em português.

Não tinham. Passarão a ter. No dia 17 de outubro, a  Globo Livros, em parceria com a Lonely Planet, publicará pela primeira vez oito de seus guias em português, a saber:

  • Argentina






  • Nova York
  • Portugal






  • Praga
  • Berlim
  • Barcelona
  • Istambul
  • Paris







Cada guia custa entre R$ 49,90 (o de cidade) e R$ 64,90 (o de país).

Referências entre os viajantes, os guias da Lonely Planet trazem dicas de sites e blogs, entrevistas com especialistas locais e tours indicados por moradores da cidade, destacando não apenas os pontos turísticos já tradicionais. São cerca de 500 guias de 195 países!


O vencedor do guia de São Francisco

08 de julho de 2008 1

RONOE DALL IGNA, de Porto Alegre, levou o guia de São Francisco, com a seguinte frase, respondendo à pergunta "Por que eu gostaria de conhecer São Francisco?":

"Porque minha adolescência teve como tema a música `If you`re going to San Francisco` e até hoje guardo na memória os acordes de um sonho que desejo realizar..."


E assim, queridos leitores, encerramos nossa promoção dos guias. Mas a Beth Bertinatto, editora do caderno Viagem, e eu já estamos pensado em outras. Aguarde!

Confira abaixo todos os vencedores:

SÃO FRANCISCO: Ronoe Dall Igna, de Porto Alegre
ROMA: Guilherme Carnette, de Viamão

PARIS: Hilton Boklis, Porto Alegre

ORLANDO: Julia Thetinski, de Lajeado

NOVA YORK: Viviane Zanatta, de Osório

MUNIQUE: Franz Roedel, de Três de Maio

MADRI: Sara Keller, de Porto Alegre

LONDRES: Nicole Mogendorff, de Porto Alegre

LISBOA: Ana Natália Petruk, de Porto Alegre

BARCELONA: Ana Paula Meister, de Porto Alegre

Postado por Rosane Tremea

O vencedor do guia de Roma

01 de julho de 2008 0
  • Guilherme Carnette, de Viamão, ganhou o guia de Roma.
  • Ele respondeu à pergunta "Por que eu gostaria de conhecer Roma?" com a seguinte frase:
  • "Porque é um lugar que carrega a história do mundo nas suas ruas e a palavra amor na sua grafia."

E agora falta só o guia de São Francisco para completar a coleção de 10 guias distribuídos pelo caderno Viagem e pelo blog Recorte e Guarde. Clique aqui para participar.

Postado por Rosane Tremea

O último guia da promoção: São Francisco

01 de julho de 2008 0

Tudo que é bom dura pouco mesmo... Foram 10 semanas, 10 guias (nove até agora) distribuídos aos leitores do Viagem e do Recorte e Guarde e centenas de participações.

Pra encerrar, o último guia é o de SÃO FRANCISCO (clique aqui para saber como participar). Basta responder à pergunta: Por que eu gostaria de conhecer São Francisco? A mais legal ganha o guia.

Sabe quais são as 10 atrações destacadas? Vou contar:

1 — Golden Gate Bridge
2 — Bondes
3 — Fisherman`s Wharf
4 — Alcatraz (é o que eu mais gostaria de conhecer, já que vi não sei quantas vezes o filme que embalou muito dos meus pesadelos)


5 — Chinatown
6 — Golden Gate Park
7 — Grace Cathedral
8 — San Francisco Museum of Modern Art
9 — Mission Dolores
10 — A Terra do Vinho

Postado por Rosane Tremea

O vencedor do guia de Paris

24 de junho de 2008 0

 

Quem ganhou o guia de PARIS foi HILTON BOKLIS, de Porto Alegre.

A frase que Hilton escreveu — respondendo à pergunta "Por que você gostaria de conhecer Paris?" — é a seguinte:

"Faz tempo que eu sonho conhecer o que inspirou Napoleão a achar que o mundo estava a seus pés."

Postado por Rosane Tremea

O guia da semana é Roma

24 de junho de 2008 0

Escrever sobre ROMA... Taí uma coisa muito fácil e muito difícil... Dá para falar milhares de coisas sobre Roma. É da cidade o guia que o caderno Viagem e o Recorte e Guarde vão oferecer aos seus leitores nesta semana (clique aqui para saber como participar).

Para solucionar este dilema, resolvi reproduzir aqui um texto que escrevi para o caderno Viagem em julho do ano passado, quando o COLISEU ganhou o título de uma das Sete Maravilhas do mundo moderno. Confira abaixo:



"De Roma, a primeira imagem gravada na minha memória é a de um pôster. Explico: cheguei à cidade num final de tarde de dezembro, mais de uma década atrás. Escurecia. Depois de fazer o check in, instalei-me no
apartamento 308 de um simpático hotel da Via Labicana. Confortável,
apesar de pequeno.


Para vencer uma certa claustrofobia, antes de desfazer a mala ou qualquer reconhecimento de outro tipo, dirigi-me à janela. Era, na verdade, uma espécie de sacada. Afastei as cortinas e estaqueei. O que estava ali, diante de meus olhos, era um pôster. Que coisa, pensei, esses europeus: tentam ampliar os ambientes com fotografias.

Apesar do frio, abri também a janela. E o pôster permaneceu. Era nada menos do que o Coliseu iluminado. Ali, bem diante de meus olhos, à vista de minha sacada, imóvel, como há quase 2 mil anos. A obra do imperador Vespasiano à minha janela.

Foto: Andrew Medichini

A fachada, pilhada ao longo dos séculos, nunca me pareceu tão imponente, apesar das referências acumuladas durante os meus anos de vida. O espaço
para 55 mil pessoas onde mais de 9 mil animais seriam trucidados só nos combates iniciais, em 80 d.C, nunca me pareceu tão irreal. No entanto, estava ali.


O hotel de minha primeira visita a Roma passou por reformas profundas, é o que consigo ver em seu site na Internet. E acrescentou Colosseo ao seu nome fantasia. Subtraia o fato de animais e homens terem morrido em seu interior em lutas sangrentas. Melhor não pensar nisso.

O monge e historiador inglês Beda disse, em sua obra De temporibus

liber (século VII), que “enquanto o Coliseu se mantiver de pé, Roma permanecerá; quando o Coliseu ruir, Roma cairá e acabará o mundo”.


Que fique bem ali onde está. Um dia pretendo voltar ao apartamento 308 do hotel da Via Labicana. E espero rever meu pôster, uma maravilha do

mundo novo."


O hotel que me permitiu essa visão na época se chamava Delta. Hoje é o Mercure Roma Delta Colosseo.

Postado por Rosane Tremea

A vencedora do guia de Orlando

17 de junho de 2008 1

Quem ganhou o guia de ORLANDO foi a JULIA THETINSKI, de Lajeado.

Olha que engraçadinha a frase da Julia em resposta à pergunta "Por que você gostaria de conhecer Orlando?:

"Para roubar o príncipe da Cinderela... E viver feliz para sempre!"

Julia, desejo que tu conheças Orlando e encontre teu príncipe. Não precisa roubá-lo da Cinderela!

Postado por Rosane Tremea

O guia da semana é Paris

17 de junho de 2008 0


Você até pode dizer que conhece PARIS: das fotos, dos filmes, da literatura, de comerciais... Já se viu Paris de todos os jeitos... Mas a cidade surpreende mesmo com o que tem de mais óbvio.

Dia desses, uma amiga de passagem marcada para a capital francesa me perguntou se eu subiria ao topo da Torre Eiffel se fosse lá pela primeira vez, como ela. Mesmo tendo de enfrentar a fila de turistas (quando eu fui, é verdade, não havia filas), eu iria sim.

Do alto desse monumento questionado por muitos vi um anoitecer daqueles de prender a respiração, de desejar que o tempo congele. As luzes se acendendo aos poucos pareciam estrelas surgindo no céu claro de uma noite de inverno.

Para minha amiga, e para outros viajantes com destino a Paris, recomendo o guia que o caderno Viagem e o blog Recorte e Guarde estão dando para a melhor resposta à pergunta "Por que você quer conhecer Paris?". Clique aqui para participar.

Pedi à minha "correspondente" na Europa, minha sobrinha Camila, que esteve por lá em abril, que contasse para mim e para os leitores alguma coisa que achou legal em sua primeira visita à cidade. Veja o que ela diz:

"O verão que se aproxima pode ser cruel para quem mora ou está de passagem pela Europa. Nesta época, o governo inviste em campanhas que alertam a população sobre o consumo de líquidos, principalmente dentro dos metrôs e ônibus,  adequados para o rigoroso inverno mas inapropriados para a estação do calor.

Por isso, quando fui a Paris, achei muito interessante a alternativa de transporte que encontrei. Conhecido pelo nome de Vélib e inaugurado em 2007, o serviço de aluguel de bicicletas tem, atualmente, mais de 20 mil espalhadas em 1450 pontos.


Em Paris há pelo menos 1450 pontos para aluguel de bicicletas. Foto: Camila M. Tremea

Para utilizar o serviço é preciso ser portador de um cartão de crédito com chip, além de se inscrever para comprar o passe que pode ser semanal, mensal ou anual.

Os inscritos podem alugar as bicicletas gratuitamente por um período de meia hora. Depois, é cobrada uma taxa que aumenta conforme o tempo de permanência.

Todas essas medidas garantem que as bicicletas fiquem sempre em circulação. Caso a bicicleta não seja devolvida ou fique mantida em aluguel por muito tempo, multas são cobradas. O sistema não é prioridade da França. Outras cidades européias utilizam serviços similares. Mas que é uma boa idéia, é!"

Postado por Rosane Tremea

A vencedora do guia de Nova York

10 de junho de 2008 0


Em tempos de Sex and the City, o filme que faz uma ode a NOVA YORK e que está atiçando a mulherada toda (e alguns homens também), eis a vencedora do guia da semana: VIVIANE ZANATTA, de Osório.

E lá vai a explicação de Viviane à pergunta "Por que você gostaria de conhecer Nova York?":

"Para poder visitar Carrie e as gurias, minhas `amigonas` que moram lá."

Você não conhece Carrie e as gurias, as amigonas da Viviane? Veja abaixo a foto delas...

Charlotte, Carrie, Samantha e Miranda, as heroínas do seriado Sex and the City
Foto:
Craig Blankenhorn/newline.wireimage.com/Divulgação

Postado por Rosane Tremea

Orlando é o guia da semana

10 de junho de 2008 1
Quando éramos crianças, meu irmão mais novo Aldo e eu vivíamos sonhando. Nossos sonhos sempre incluíam viagens. E uma viagem em particular: nós queríamos conhecer a Disneylândia. Naquele tempo, era só a Disneylândia. Não era o Disney World, em ORLANDO.


Bom, nós recortávamos todos os cupons que apareciam nos gibis da Disney e que davam viagens. Nunca chegamos nem perto do parque com nossos cupons amarelados das revistinhas antigas (em geral, o prazo da promoção já tinha até passado, mas quem se importava?).


O tempo foi passando, e eu virei adolescente. Naquele meu tempo de adolescência, só “riquinhos babacas” iam à Disney. Nós não, eu não. Dizia eu, então, que não visitaria aquele mundo encantado nem que me pagassem. Pois um dia, mais de 10 anos atrás, recebi um convite para conhecer o Disney World. Já era bem crescidinha. E fui.


E me encantei com aquele mundo encantado. Todos os dias pensava em como teria sido bom se meu irmão Aldo estivesse lá. Teríamos voltado à infância juntos.

No Disney-MGM Studios, vi esse making of de Indiana Jones, que tá em nova versão nos cinemas.
Foto: Rosane Tremea

Pois então, para quem está de malas prontas, ou pensa em conhecer ORLANDO e suas milhares de atrações (minha preferida, entre os parques, é o Disney-MGM Studios), nada melhor do que ir com um guia debaixo do braço.



Para concorrer, basta escrever uma frase explicando “Por que eu gostaria de conhecer Orlando” (clique aqui para participar). A melhor, leva.

Se quiser conhecer as atrações e novidades do Walt Disney World, clique aqui e veja um infográfico muito bacana produzido pelo nosso departamento de Arte.

Postado por Rosane Tremea

O vencedor do guia de Munique

03 de junho de 2008 0

Olhaí o vencedor do guia de MUNIQUE, que o blog Recorte e Guarde e o caderno Viagem estão dando dando para os seus leitores:

FRANZ ROEDEL, de Três de Maio.

E olha a frase que ele enviou pra gente, explicando porque gostaria de conhecer Munique, entre as dezenas que chegaram ao site:

"Para reencontrar minhas raízes germânicas, conhecer a bela capital da Baviera e degustar suas delícias, especialmente sua magnífica cerveja e suas deliciosas salsichas."


Ainda tem vários guias pra distribuir. O desta semana é NOVA YORK. Depois, vêm Orlando, Paris, Roma e São Francisco. Clique aqui para participar.



Postado por Rosane Tremea

Nova York, o guia da semana

03 de junho de 2008 0

Olha a coincidência: o guia da vez na promoção do caderno Viagem e do Recorte e Guarde é NOVA YORK, justo na semana em que estréia Sex and the City, o Filme, derivado de minha série de TV favorita (e não me venham os críticos de cinema falar mal, que eu não vou ouvir). Para ganhar o guia, é só responder à pergunta: "Por que eu gostaria de conhecer Nova York?" Clique aqui para participar. A resposta mais legal, leva.

Mas, voltando à série: ela é uma ode a Manhattan e à cidade por onde circulam as quatro heroínas, lideradas por Sarah Jessica Parker. Em janeiro, eu já falei no blog sobre a grife de Sarah Jessica Parker (a Carrie, na série) vendida no Manhattan Mall.

Agora, duas sugestões de lugares ligados também às meninas que ajudaram a valorizar a amizade entre as mulheres e a apresentar Nova York aos incautos:

A primeira é sobre a loja que vende a grife de sapatos preferida de Carrie, a Manolo Blahnik. Fica na 31W 54th. Vale dar uma olhadinha na vitrine, mesmo que não for comprar nada (sim, é caro). Você vai entender porque, lá pelas tantas, Carrie se deu conta de que tinha, em sapatos, o equivalente ao valor da entrada de um apartamento.


Vale a pena dar uma passadinha para ver os sapatos preferidos de Carrie. Foto: Rosane Tremea

A segunda dica é dar uma passadinha na The Coffee Shop, um dos cafés onde Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte se reúnem, quase sempre nas manhã de sábado (tudo isso na série, é claro), para debater a vida. Na foto abaixo, lá estou eu, bem turista, na frente do dito cujo. Lá dentro, tomei um cafezinho no balcão. Do tipo "eu estive lá". O que não faz uma fã...


Um ano atrás, dei uma passadinha no café das meninas da série.
Foto: Maurício Tremea Zaquia

Postado por Rosane Tremea

Quem levou o guia de Madri foi...

27 de maio de 2008 0

...SARA KELLER, de Porto Alegre. Obrigada às dezenas de pessoas que participaram. Tem mais guia! O desta semana é o de Munique. Participe!

Olha só que a Sara escreveu sobre a capital espanhola, explicando porque gostaria de conhecer a cidade:

"Porque sonho conhecer a capital mais pulsante da Europa. Quero sentir o movimento na Plaza Mayor, ver o Guernica no Reina Sofia, cumprimentar Dom Quixote na Plaza de España. Sentar no Parque del Retiro no final do dia, com a certeza de que Madri ficará para sempre na minha memória e no meu coração."

Postado por Rosane Tremea

Diários, guias e mania de perseguição

12 de maio de 2008 2

Ando com mania de perseguição. Depois de relatar aqui como Paris andou martelando na minha cabeça semanas atrás, agora são os guias de viagem que andam atrás de mim.

Já li sobre isso, mas não sei direito explicar: quando a gente começa a pensar muito sobre uma coisa, acaba dando de cara com ela por todos os lados. Quem tiver a explicação científica, favor colaborar. Mas vamos aos guias:

1 - Há duas semanas, o blog e o caderno Viagem distribuem guias (clique aqui para ver como participar). Isso ao longo de 10 semanas. Já temos um premiado e amanhã teremos o segundo.

2 - Na última quinta-feira, um de meus cronistas favoritos, o psicanalista Contardo Calligaris, escreveu sobre guias em sua coluna semanal da Folha de S.Paulo.

3 - No domingo, comprei a Veja da semana e a seção %22Guia%22 da revista é sobre o quê? Guias de viagem, claro.

É ou não é perseguição?

Voltemos ao Contardo Calligaris, que invariavelmente escreve coisas que penso ou gostaria de escrever. Uma coisa que ele sugere aos viajantes, além de munir-se dos guias tradicionais: escrever seu próprio guia, fazendo anotações das coisas que viu, gostou, não gostou, confrontando referências, conversando com as pessoas.

Quando comecei a escrever, despretensiosamente, este blog, contei que, ao viajar, sempre carrego comigo um bloquinho. Ele ajuda a garantir o detalhe, o sentimento reforçado no papel, o gosto, o cheiro, a memória do que não se quer perder.


Referências da literatura e do cinema são outra dica preciosa. Na minha última viagem a Florença (Itália), li, enquanto conhecia a cidade, Florença, um caso delicado, de David Leavitt, da coleção %22O escritor e a cidade%22, publicado pela Companhia das Letras.

Numa viagem à Polinésia, uma amiga querida, a Carô, que é editora de uma revista de viagens, me presenteou com O Paraíso na Outra Esquina, de Mario Vargas Llosa, uma descrição da passagem do pintor Paul Gauguin por aquelas ilhas do Pacífico. Devorei o livro no longuíssimo vôo de ida.

Para encurtar a conversa, que já vai longa: o bom mesmo é reunir o guia, as referências possíveis, o diário de viagem, a curiosidade, o inusitado. Isso torna cada viagem especial.

Abaixo uma amostra dos meus caderninhos e guias. E, mais abaixo, peço licença para reproduzir o texto do Contardo.


CONTARDO CALLIGARIS

Guias para aventureiros

Se toda viagem é uma aventura, o melhor guia de viagem deveria ser escrito por nós mesmos

TENHO UMA relação quase erótica com os instrumentos dos quais me sirvo para escrever. Festejo, portanto, a chegada ao Brasil dos cadernos e blocos da legendária marca Moleskine.

A Moleskine começou a publicar também %22guias%22 das principais cidades do mundo. São cadernos quase normais, cujas primeiras páginas apresentam mapas detalhados da cidade e uma lista das ruas. Depois disso, só há espaço em branco para anotações: %22Eis o mapa, percorra-o, viva sua aventura e escreva seu próprio guia%22. Quer um bom restaurante? Nada de Michelin, converse com os nativos.

É minha viagem ideal: a gente lê, bem antes de viajar, guias e livros de história, de arte e de ficção (romances ambientados na cidade que será visitada). Se a viagem for de última hora, resta estudar o guia turístico no hotel, à noite, e marcar no mapa os percursos do dia seguinte. Seja como for, é bom sair pelas ruas levando consigo apenas um caderno, para escrever o que se tornará, depois da viagem, o %22nosso%22 guia.

Minha descoberta de Veneza, por exemplo, aconteceu quase dessa forma. Li, antes de viajar, %22The Stones of Venice%22, de John Ruskin (%22As Pedras de Veneza%22, ed. Martins Fontes, esgotado, infelizmente).
Eu implicava com o amor exclusivo de Ruskin pelo gótico e com sua antipatia pelo estilo clássico, mas a inteligência e a sensibilidade do texto eram contagiantes. Ruskin sugere que se chegue a Veneza pelo mar, vindo de Chioggia, e no fim do dia, para ver a República surgir das águas na luz do pôr-do-sol. Fui de trem (melhor do que de avião, de qualquer forma); quando, mais tarde, consegui repetir a chegada de Ruskin, lamentei não ter escutado sua sugestão.

Naquela primeira estada, apenas errei pela cidade com a lembrança da leitura de Ruskin e um caderno que, de café em café, de encontro em encontro, enchi de notas.

As %22pedras%22 não são a única razão de viajar. Ultimamente, chegaram em massa os guias da revista %22Wallpaper%22 (ed. Phaidon). São livros de bolso, com, no fim, uma dezena de páginas brancas para anotações. O que precede são fotografias com um parágrafo de descrição. A ausência de qualquer mapa supõe um viajante que nem queira se orientar, apenas preocupado em visitar (ou melhor, em ter visitado) os lugares memoráveis (%22eu estive lá%22). Os ditos %22lugares memoráveis%22 são os hotéis, os restaurantes e as lojas mais luxuosas, spas, bares na moda e alguns marcos que, às vezes, parecem ter sido escolhidos por um arquiteto enlouquecido ou por alguém que nunca colocou os pés na cidade em questão. A sensação é que são guias para não se esquecer dos lugares que vai ser obrigatório mencionar numa conversa entre emergentes na volta das férias.

Fora a antipatia pelas fraquezas narcisistas das classes emergentes, nenhuma censura: uma viagem não tem que ser obrigatoriamente um banho na %22alta cultura%22. Mas o que não entendo é que a gente viaje para bater ponto nos lugares, artísticos ou mundanos, cuja menção futura atestará que estivemos lá. Ou seja, não entendo viagem sem aventura.

Sem chegar à ousada proposta das páginas brancas dos Moleskine, os melhores guias turísticos, hoje, tentam interessar tanto o viajante mundano quanto o viajante %22artístico%22 (que podem ser a mesma pessoa) e, sobretudo, tentam indicar ao leitor lugares fora dos caminhos mais trilhados. Ou seja, os guias se preocupam em nos dar ao menos o sentimento de uma aventura possível. Claro, não basta: a aventura não depende apenas do encontro com o inusitado, ela é, antes de mais nada, uma disposição do espírito.

Uma surpresa: a Louis Vuitton pode ter-se tornado uma marca para quem busca sinais que confirmem seu status, mas, aparentemente, não se esqueceu de sua origem, não se esqueceu do que significa viajar. A marca acaba de publicar uma série de guias de cidades, em inglês e francês (Nova York, mais uma caixa com outras cidades do mundo). O guia de Nova York é o melhor que eu conheça -pela sóbria mistura de %22dicas%22 tradicionais (galerias, museus etc.) e %22dicas%22 mundanas (hotéis, restaurantes, bares, lojas, de luxo e de pechincha), pela menção de lugares nada óbvios (do Old Town Bar aos brechós) e, enfim, pela página dedicada às leituras literárias e de ficção que são a melhor %22introdução%22 à cidade. Só falta uma lista de filmes (ou será que há uma, e eu não vi?).

Postado por Rosane Tremea