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Relatos de Viagem: Lituânia (2)

07 de março de 2016 0

Você leu, dias atrás, no relato do Constantin Sokolski, a primeira parte de sua viagem pela Lituânia.

Aqui vai a segunda parte, enviada por ele, com texto e fotos, tal e qual:

Em nossa jornada pelo interior da Lituânia, fomos acompanhados por uma simpática guia sexagenária que, com seu vasto conhecimento, contribuiu para desvendar a história e a cultura do país.

Fotos arquivo pessoal

Fotos arquivo pessoal

Vivendo na era digital, centenas de fotos foram sacadas, com a esperança de que, no futuro, certamente, ao revê-las, ajudarão e relembrar os momentos vividos.
Dezenas de fotos de catedrais, museus, praças, monumentos, prédios, paisagens e… muitas janelas !
Estas existem em todos os tipos e formatos.
Devemos ter admirado centenas delas, uma mais diversa do que a outra.
Poderia se escrever um tratado sobre o tema.
Dentre tantas, tivemos dificuldade para escolher a que seria incluída neste texto.
De qualquer modo, encontramos a abertura acima, em Kaunas, a segunda maior cidade da Lituânia.

Ao entrar em Kaunas, longa série de edifícios de arquitetura pobre e necessitando reparos se aglomeravam ao longo da avenida que nos levaria ao centro histórico.
Praticamente em todas as cidades do Leste Europeu se encontram estes tipos de prédios.
Relembram, em parte, os conjuntos habitacionais do antigo BNH.
São relíquias da era soviética.

Nossa guia nos relatou que os apartamentos destes conjuntos foram apelidadas de “khruschevkas”, por serem de muito má qualidade e por possuírem uma cozinha de no máximo 3 metros quadrados !
É que o líder da União Soviética nos anos 50, Nikita Khruschev, afirmou que, com o estabelecimento do comunismo na Lituânia, o povo teria condições de frequentar restaurantes diariamente.
Em tempo: Nikita foi aquele que, nos tempos da guerra fria, numa reunião da ONU, retirou seu sapato para bater com o mesmo na mesa.
Senhor de fino trato.

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A Vilnius Street, onde veículos não são permitidos, é considerada a mais bonita da cidade, com dezenas de edificações erguidas no Século 16.
Kaunas chegou a ser a capital do país por um certo período.
Uma praça central – cercada pela catedral, igrejas, prefeitura antiga, museus – faz parte do rico acervo cultural da cidade.

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CURONIAN SPIT NATIONAL PARK

Uma estreita faixa de terra, com 98 quilômetros de extensão no litoral do Mar Báltico foi formada há cerca de 5 mil anos. Geologicamente falando, algo muito recente.
A metade deste istmo faz parte do território da Lituânia e a outra metade a Kaliningrado (Rússia).
Durante longo tempo, colônias de pescadores se estabeleceram ao largo deste peculiar pedaço de terra, coberto por pinheirais, dunas e praias.
Acabou tornando-se local de veraneio.
Uma das atrações bizarras da região é o Hill of Witches (Morro das Bruxas), onde dezenas de esculturas em madeira estão dispostas ao longo de uma trilha no meio de um bosque, representando elementos cômicos e demoníacos, além de vários imitando a natureza, tanto a fauna como a flora.
As estátuas foram esculpidas por um grupo de artistas locais nos anos 1980.

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O principal vilarejo da Curonian Spit (Istmo de Curlandia) chama-se NIDA, antigamente Nidden, pois chegou a fazer parte do Império da Prússia.
Ressalve-se que, no passado, foi enorme a influência germânica nos três países bálticos.

Nida, um local encantador para o autor do texto, tem cerca de 2 mil habitantes fixos, número que aumenta geometricamente na temporada de verão, sem entretanto, ficar lotado em demasia como tantos outros balneários.
Além de suas casas de madeira, chama atenção o grande número de birutas, cada qual representando um vilarejo de pescadores.
Na foto acima, além de várias birutas, vemos a promenade defronte à laguna formada entre o continente e o istmo.
Os hotéis, pousadas e residências são frequentadas na sua maioria por turistas da Alemanha, geralmente famílias com filhos pequenos e grupos de idosos.

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Existem dezenas destas típicas casas de madeira, pintadas de vermelho e azul, que no passado serviram de moradia para os pescadores, e que não se modificaram através dos tempos, sendo agora apenas ocupada por veranistas.
Em Nida viveu, por certo tempo Thomas Mann, o autor de “A Montanha Mágica” , “Morte em Veneza” e outras obras que lhe valeram o Prêmio Nobel de Literatura.
Seu belo chalet no topo de arborizada encosta, com teto recoberto por palha, está aberto à visitação pública, pois felizmente virou um museu.
Para admiradores de jóias semipreciosas, existe o museu/estúdio do âmbar.
Mas, para este viajante, os melhores momentos foram vividos ao percorrer de bicicleta as diversas trilhas, cortando bosques, escutando pássaros, contornando lagoas e restingas, admirando sinuosas dunas, pulando de vilarejo em vilarejo.
São estes momentos efêmeros de felicidade que justificam toda uma viagem… e, no fim, toda uma vida.

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Klaipéda

Primeiramente mencionado em 1252, quando uma Ordem Cristã construiu uma fortaleza, onde hoje se localiza esta cidade portuária. Até a II Grande Guerra, era conhecida por Memel, pois também fez parte da Prússia.
Durante a guerra de 39/45 sofreu violentos bombardeios.
Depois de reconstruída, voltou a ser o mais importante porto do país.
Seu centro histórico é digno de nota, destacando-se as ruas pavimentadas com pedras e flanqueadas com construções no estilo enxaimel, onde grossas toras de madeira são intercaladas por tijolos e uma mistura de argamassas.
Na foto acima, albergando uma loja de souvenirs, belo exemplo da arquitetura local, que faria a felicidade de um pintor flamengo, especialista na sutileza do jogo de luz e sombras.

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Numa península, às margens da Curonian Lagoon (Lagoa da Curlandia), encontra-se o Cabo Venté, onde em 1929 foi instalada uma das primeiras estações de identificação e controle de pássaros da Europa.
Procedimento este pouco conhecido, o que nos chamou a atenção.
Por estar localizado numa região banhada por vários rios formando um delta, pouco habitado e repleta de vegetação rasteira que inunda sazonalmente, tornou-se local de migração de aves.
São cerca de 200 espécies que passam aos milhares pelo local por ano.
Algumas ao penetrar no complexo de redes, são conduzidas a algo parecido como uma gaiola, onde os técnicos as identificam, pesam, e instalam sinalizadores nas mesmas.
Com isto, conseguem verificar para onde os pássaros se deslocam durante seus longos voos.

 

HILL OF CROSSES

Nunca havia ouvido falar, até o dia em que lendo o livro “New Europe”, de Michael Palin ( jornalista da BBC ), este inusitado local era mencionado.
Pois trata-se de um dos mais admiráveis e inspiradores locais de toda Lituânia.
Situada num pequeno morro, no meio do campo, encontram-se milhares de cruzes, crucifixos, rosários e outros adereços de fé, demonstrando o poder da Igreja Católica no país.
É ignorado o número total de cruzes.
Acredito que seria impossível contá-las.

Sua real origem é um tanto obscura, mas sabe-se que no tempo dos czares russos a fé dos lituanos os impeliu a colocar cruzes no topo da elevação.
Aos poucos, mais cruzes foram sendo adicionadas.
Quando a Lituânia foi anexada à União Soviética, o regime ateísta mandou derrubar e retirar as cruzes.
Outras cruzes tomaram seu lugar.
Novamente retiradas.
Novas cruzes apareceram.
Em 1973 e 1975, o regime soviético destruiu tudo utilizando bulldozers.
Mas as cruzes continuaram a ser colocadas, inclusive em protesto contra o regime instalado.
Finalmente o local foi deixado em paz, sendo que, quando visitado em 1993 pelo papa João Paulo II, havia cruzes e esculturas trazidas de todas as partes do mundo.

Em julho de 2015, Suzana e este autor, dando um simbólico adeus à Lituânia, colocamos uma modesta cruz, com os dizeres…

Peace – Paz
Balneário Camboriú
Brasil

Relato de viagem: a Lituânia (1)

23 de fevereiro de 2016 1

Faz já um tempo que o Constantin Sokolski, que de vez em quando manda suas contribuições ao blog, enviou textos sobre várias de suas viagens.

Ele pesquisou no blog para saber de quais dos destinos não havia informações aqui e fez o favor de enviar textos e fotos. Abaixo, a colaboração do Constantin, tal e qual:

 

LITUÂNIA

Possuindo a maior área e população dos três Estados Bálticos, é uma das secretas jóias da Europa. Orgulha-se de seus lagos cercados por antigas florestas virgens e de seu recortado litoral, repleto de dunas.

Vilnius, sua capital, tem seu centro histórico protegido pela Unesco, mesclando o romance da elegante arquitetura barroca com as vantagens modernas da Europa do Século 21.

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VILNIUS

“A cidade barroca na fronteira entre dois mundos” …. é uma das chamadas em guias turísticos da cidade. Os dois mundos referiam-se à civilização latina e bizantina.
Apesar de seu centro histórico ser um dos maiores da Europa, o mesmo pode ser perfeitamente ser explorado a pé.
Um dos melhores pontos para iniciar a jornada é a partir da Praça da Catedral, mostrada acima.
A cultura lituana é inseparável do cristianismo, o que pode ser verificado ao visitar as diversas igrejas e, sobretudo, admirar seus rebuscados interiores.
A catedral em austero estilo neoclássico, recriando um templo grego, foi utilizada pelos soviéticos como oficina de reparos para caminhões. Em 1989 foi devolvida à Igreja Católica. A levemente inclinada torre fez parte das fortificações da cidade, existentes no passado para proteger contra invasões das cruzadas.
Ao longo da Gedimino Avenue, a mais importante de Vilnius, encontra-se, em meio a lojas de departamentos, Museu da KGB e outros elegantes prédios neoclássicos e barrocos, o Teatro Nacional da Lituânia, onde são apresentadas peças de dramaturgia clássicas, contemporâneas e nacionais.
A entrada principal do teatro é zelosamente protegida por três musas…. “Drama”, “Comédia” e “Tragédia”.

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Percorrer as ruelas e os becos, separados por antigos arcos, é como mergulhar em alguma narrativa de Kafka, tal o clima envolvente destes aparentes solitários rincões de Vilnius.
Algo parecido com o existente em Copenhague (Christiania), Vilnius também tem um enclave perto da área central, chamado Uzupis, no qual um artista em 1977 proclamou uma República Independente.
Artistas, boemios, estudantes e ativistas elaboraram inclusive uma constituição que está afixada num muro de uma das vielas do bairro. Um dos artigos declara que …. “Cada um tem o direito de não entender nada”.
Sua data nacional é o 1º de abril.
Seu símbolo é a estátua de um anjo erguida no meio da Uzupis Street.

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Com seu emaranhado de ruas, repleto de cafés e bizarros locais onde o grafiti é rei, integrou-se ao roteiro turístico da capital.
Não muito distante da capital, encontra-se o imponente Castelo de Trakai, genuíno exemplo de uma mescla entre o castelo medieval e de contos de fadas que tanto fascina a imaginação das pessoas.
É o único castelo no Leste Europeu situado numa ilha. Muito pequena por sinal, o que torna o castelo ainda mais atraente.
No passado chegou a ser sede do governo durante a era do Grande Ducado da Lituânia.
Mais tarde com o crescimento de Vilnius e após ter sofrido consideráveis perdas envolvido em batalhas com diversos invasores perdeu importância.
A sua privilegiada localização e história acendeu o sonho de escritores, poetas e pintores motivando a completa restauração de suas ruínas.

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Palco de batalhas, a região de Trakai, pontilhada de lagos e ilhas, em meio a densas florestas, é famosa não só apelo castelo, mas sim pelo pitoresco vilarejo existente à beira de um dos lagos, onde na rua principal, simples casas de madeira chamam a atenção.
São todas iguais, diferenciando-se apenas pela cor.
Foram construídas pelo povo Karaim, vindos da Turquia em séculos passados e praticantes de uma espécie de Judaísmo.
Costumes e tradições foram mantidos pelos seus descendentes.
Suas casas têm três janelas iguais na fachada frontal: uma janela para Deus, uma para a família e outra para os amigos.
Uma das grandes recompensas destas jornadas, é tomar conhecimento, ao vivo, de algo tão singelo e encantador.

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Estátuas esculpidas em madeira, são cenas comuns ao viajar pelas estradas do interior do país. Representam tanto valores do cristianismo bem como folclóricos, nacionalistas ou mesmo de tradições pagãs do passado.
Devido ao seu isolamento, o cristianismo demorou para chegar à região do Báltico.
Até a Idade Média, se praticava o paganismo. Como os detalhes desta crença são escassos, os estudiosos tiram conclusões baseados na tradição oral de fatos e em canções populares. Acreditavam que plantas e animais possuíam espírito, ou seja, o animismo fazia parte de sua cultura. Árvores tinham grande significado, sendo-lhes oferecidas oferendas em lugares ditos sagrados.
Hoje em dia, estas crenças, mescladas com a fé cristã, se mantêm vivas em alguns rincões do país.

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COMUNISMO

Viajando pelos países que foram anexados pela Rússia, a partir da II Guerra Mundial, para formar a União Soviética, não há como evitar este delicado tema.
Na literatura, nos guias de viagem, nas palestras, nas visitas a museus, igrejas, universidades, nas explanações de guias turísticos, etc, a passagem deste regime por seus territórios é constantemente lembrada.
“Os comunistas comem criancinhas”. O viajante durante anos escutou esta frase, dita de forma jocosa, por adeptos deste regime no sul do Brasil.
Pois colhendo os testemunhos de muitas pessoas que viveram nestas regiões ocupadas, pode-se concluir que o que os comunistas fizeram ao longo de décadas foi muito pior do que “comer criancinhas”.
Este é apenas um resumido diário de viagem, sem maiores pretensões, portanto, aconselhável nem aprofundar-se nas deportações em massa, execuções sumárias, confisco de propriedades, clima de terror, etc…
No meio de uma floresta, perto da fronteira com a Bielo-rússia encontra-se um parque onde cerca de 90 estátuas e bustos de líderes do regime soviético estão expostos.
O visitante percorre uma trilha e no meio das árvores estão Stalin, Lenin, Kalinin, Marx, Engels e outros integrantes da “nomenklatura”.
A partir de 1991, as mesmas foram retiradas dos logradouros públicos onde se encontravam.
As que não foram demolidas fazem parte deste macabro acervo.
No local existe ainda um museu, onde toda sorte de memorabilia desta época pode ser visto.

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DRUSKININKAI
Estação de águas termais da Lituânia, considerado um paraíso de paz e tranquilidade.
Durante 200 anos foi importante centro de saúde.
Sofreu certa estagnação quando frequentadores de suas clínicas deixaram de vir da Rússia e da Polônia.
Quando a visitamos, notamos que uma recuperação do local estava em marcha.
Cercada de frondosas árvores, vemos um típico exemplo de uma Igreja Ortodoxa Russa, com paredes de madeira proporcionalmente distribuídas e adornada por várias cúpulas.
Com suas alegres cores, o efeito geral lembra, um brinquedo, um modelo de armar.

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