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Um roteiro para Bonito

23 de novembro de 2010 2

Vanessa Hack Gatteli, que há pouco enviou uma bela contribuição para o blog sobre URUBICI agora vem com uma nova, ainda mais legal, sobre BONITO. 
Acompanhe abaixo o que a leitora do blog (que tem um blog de literatura e cinema) enviou:


“Rosane,

Semanas atrás você publicou no blog os destinos vencedores segundo os leitores de Viagem e Turismo. Mais uma vez, Bonito – MS, ganhou na categoria Ecoturismo.

Como não há no blog nenhum post sobre Bonito, segue minha contribuição sobre essa cidade que honra o trocadilho clichê com seu nome – Bonito é realmente bonito!

Estive lá em janeiro de 2009. A alta temporada deles é considerada os meses de maio a setembro … ou seja, no inverno, pois lá nessa época chove menos e com menos movimentação dos sedimentos do fundo dos rios a visibilidade chega a 40 metros! Eu estive lá no verão e a visibilidade mesmo assim é incrível! Algumas fotos nem parece que há água – os peixes parecem estar levitando! Não é exagero, as fotos tiradas embaixo d’água pela amiga que fiz na viagem, a Clarisse Timm, provam isso: A cor da água lembra a cor do mar do nordeste!”

Segue abaixo um pequeno diário dessa viagem:


1ºdia – Balneário Municipal de Bonito

O Balneário Municipal é um lugar que vale a pena ser conhecido, mas recomendo ir durante a semana. Nos finais de semana fica bastante cheio em função der ser um lugar destinado ao lazer dos habitantes da cidade, que não pagam ingresso. É interessante ir até o lugar pois pode-se fazer um “treinamento” com snorkel e colete para aproveitar ao máximo a flutuação no Rio da Prata (falarei mais adiante).

2º dia – Estância Mimosa

A Estância Mimosa é um sítio de lazer cheio de cachoeiras. Vai-se de jipe até o início da mata e de lá começamos uma trilha. Durante a caminhada podemos ver animais como macacos, preás e tucanos. A água é maravilhosa… Como lá é muito quente, ficamos simplesmente o dia inteiro dentro d’água. Numa primeira olhada nas fotos pode-se pensar: “mas temos cachoeiras belas assim aqui no RS também”. Concordo, mas mesmo no verão mais escaldante a água é sempre fria – diferente de Bonito. Além disso, a água lá não fica barrenta pois o solo não é argiloso. Resultado: água verdinha e transparente. Dá para ver os pés mesmo com a água até o pescoço. Outra curiosidade: cachoeiras com o passar dos anos, vão se desgastando; lá, pela água ser rica em sedimentos de calcário, as cachoeiras vão aumentando de tamanho.

3º dia – Gruta do Lago Azul e descida de bote no Rio Formoso

A Gruta do Lago Azul talvez seja o cartão-postal mais famoso de Bonito. Infelizmente (ou felizmente, pois é em nome da preservação) não é permitido entrar com tripés de máquinas fotográficas. E as fotos tiradas com a mão livre, pela falta de luz, quase sempre ficam tremidas. Aí estão as melhores fotos que pude fazer. Bom, no mínimo, é mais um motivo para conhecer o lugar pessoalmente. Sobre a origem dessa água, não há nenhuma fonte na gruta, é água acumulada da chuva. A água é translúcida, mas fica dessa tonalidade azul brilhante devido à refração da luz. O lugar é mágico.

Como esse é um passeio rápido, dá para fazer no mesmo dia a descida de bote no Rio Formoso. Nesse lugar a água é de um verde mais claro. É uma espécie de rafting leve: são três ou quatro quedas apenas. É obrigatório o uso de colete. Programa perfeito para adolescentes, pois pode-se empurrar uns aos outros para dentro do rio sem perigo algum.


4º dia – Flutuação no Rio da Prata e buraco das Araras

O Rio da Prata na verdade fica em Jardim, que é ao lado de Bonito. O rio é o limite entre as duas cidades. Esse é considerado o melhor passeio Ecoturístico do país (lembrando que não concorre com praias)!. E é interessante deixá-lo para o final da viagem, caso contrário corre-se o risco de os outros passeios perderem a graça. O esquema é o mesmo: jipe, trilha e água! Aviso para quem pretende viajar para lá: é necessário marcar com semanas de antecedência esse passeio, pois o lugar é uma reserva ecológica e tem número limite de pessoas por dia. Usa-se roupa de neoprene e snorkel, cujo aluguel já está incluso no preço do passeio. É proibido usar repelente e protetor solar, pois o rio é raso e tem pouquíssima correnteza. Se esses produtos forem usados, o rio pode ficar contaminado com produtos químicos. As imagens são inesquecíveis!!! Além dos peixes, também é possível ver (e colocar a mão) na nascente do rio.

No caminho do Recanto Ecológico Rio da Prata, fica o buraco das araras, um lugar que já foi um lixão e hoje é refúgio dessas aves; já apareceu várias vezes em programas de TV. O buraco na verdade é uma dolina (um cânion fechado, para ser mais específico). A trilha é feita em meio a vegetação típica de cerrado (em oposição às outras, que eram de mata ciliar).


5º dia –  Fazenda Água Viva


O último dia que estive em Bonito era reservado para ir ao pantanal. O passeio seria longo, até Corumbá. Nosso grupo optou por não ir pois na baixa temporada não é possível ver os animais – principal atrativo do passeio. Eles só aparecem quando os rios estão baixos. Fomos então à Fazenda Água Viva – uma sítio de lazer. Estava chovendo, mas mesmo assim a água ainda era ótima. Por causa da chuva, o efeito da foto ficou muito legal. Nesse lugar também é possível entrar em uma gruta e ver a cachoeira pelo lado de dentro..


Outras opções

Existem programas também para a noite. Um deles é fazer uma visita ao Projeto Jibóia. O projeto consiste em conscientizar as pessoas de que cobras não são perigosas, logo, não precisam ser mortas à toa. O responsável pelo projeto dá dicas simples e importantes para quem faz trilhas, como por exemplo, antes de colocar a mão em algum lugar, sempre colocar o olho antes. Ele fala tão bem desses animais, que praticamente todo mundo toma coragem e tira uma foto com uma jibóia no pescoço. Eu tive coragem. Acredite, se você for até lá, também terá coragem e verá esses animais com outros olhos.

Para jantar o melhor lugar é o Cantinho do Peixe. É um restaurante especializado em preparar os peixes que existem nos rios da região. Já ganhou duas vezes o prêmio da Revista 4 Rodas, em 2003 e 2004. Quando vi, quase não acreditei, pois fica numa rua que não é a principal e é uma casa bem simples de madeira. Mas o filé de pintado à milanesa com pirão é um espetáculo! Também dá para experimentar carne de jacaré. Toda carne tem procedência, vem de pessoas que criam os animais para esse fim, eles não são tirados da natureza.

Tem também o aquário municipal, e é interessante ir um dia antes de fazer a flutuação, pois lá vemos os nomes dos peixes. E fica a expectativa de no outro dia vê-los em seu hábitat natural.


Na praça da cidade há um monumento às piraputangas, o peixe mais comum de toda a região. E são lindos, parecem um dourado, só que são um pouco menores.

Foram esses os passeios que fiz, mas há muitos outros Além de lugares diferentes, há programas diferentes, como mergulho, rapel, arvorismo, etc. Arrisco dizer que se pode ficar uns 15 dias em Bonito sem repetir um passeio sequer!

Esse é um lugar que eu teria imenso prazer em visitar novamente, tenho as melhores lembranças possíveis desse lugar.”