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Posts na categoria "Museu"

Um museu exemplar em Jaguarão. Não deixe de ir!

11 de dezembro de 2012 0

Posso dizer que conheço alguns museus por aí...

Não é coisa de pessoa "entrada em anos"... Quando me mudei para PORTO ALEGRE, com 20 anos, vivia rodando pelos museus da cidade... E olhe que as opções eram bem restritas. Meus preferidos eram o MARGS e o Julio de Castilhos. Conhecia o acervo de cor. E aí passei a montar as estratégias para minhas viagens fora da cidade: segunda-feira, quando os museus em geral fecham, é dia de bater perna... nos outros dias, museus... dia de sol, é dia de bater perna... dia de chuva, museus... A alguns, dos quais gosto muito, se volto à cidade, volto também a eles...

Tudo isso pra dizer que não por falta de referências fiquei impressionada com o acervo e o cuidado do MUSEU DR. CARLOS BARBOSA Gonçalves, em Jaguarão, lá onde o Rio Grande do Sul faz a curva e se encontra com o Uruguai.

Começa pelo prédio, lindo, em estilo eclético, do século 19 (1896).


Naquela época, a região vivia seu auge, e as construções refletiam o poder econômico dos produtores de charque.

Foi nesse contexto que foi erguida a construção da Rua XV de Novembro, também conhecida como a "rua das portas". Ela abrigou o médico e político e sua família.

Um pouco sobre CARLOS BARBOSA:

"Nascido numa tradicional família estancieira republicana de Jaguarão, filho de Antônio Gonçalves da Silva e de Maria da Conceição Rodrigues Barbosa, era sobrinho-neto de Bento Gonçalves. Passou sua infância e a adolescência em Jaguarão, onde a família tinha grandes propriedades. Com 15 anos foi estudar no Colégio Pedro II, no Rio, colégio da elite do Brasil Império, onde concluiu o curso de humanidades. Em 1875 graduou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, viajando, em seguida, para Paris, onde fez residência e, também, como republicano, buscou os ares de uma democracia. Além de cirurgia geral, fez especializações em oftalmologia, medicina interna e obstetrícia. Em 1879, voltou para Jaguarão, onde exerceu a medicina, envolveu-se na política e casou-se com Carolina Cardoso de Brum, com quem teve oito filhos. Ajudou a fundar o Partido Republicano Rio-grandense em Jaguarão, elegeu-se para a câmara municipal, depois como deputado e chegou a presidir o congresso constituinte. Foi nomeado por Júlio de Castilhos como o primeiro vice-presidente do Estado. O mandato como deputado seria renovado até 1907. Elegeu-se depois governador e dirigiu o Estado até 1913, com obras marcantes em sua gestão: o prédio da Faculdade de Medicina, o cais do porto de Porto Alegre e de Rio Grande, o início da construção do Palácio Piratini e o monumento a Júlio de Castilhos... Ainda elegeu-se senador, mas abandonou a política, aos 78 anos, e voltou a Jaguarão, onde morreu aos 82 anos."


Da biografia de Carlos Barbosa dá para entender melhor o bom gosto da construção, dos móveis e objetos do casarão da Rua XV de Novembro.

Para preservar sua memória, a última herdeira, Eudóxia Barbosa de Iara Palmeiro, teve a ideia de deixar tudo como está. E, desde 1978, sob o comando de uma fundação, ele abre as portas para visitação.

A minha visita foi muito, muito rápida. Para dizer a verdade, implorei para conhecê-lo quando já não era horário. Não tinha data para voltar à cidade e queria muito conhecer o lugar.

Nesse sobrevoo, muitas coisas me chamaram a atenção: o primeiro telefone residencial do Estado, a banheira de mármore com as alças de um caixão porque o responsável por instalá-la acreditava que banho fazia mal à saúde (e ter banheiro dentro de casa, o que não era nada comum na época), os minúsculos sapatos de uma das filhas, uma das primeiras lâmpadas instaladas em território gaúcho ainda em funcionamento (com 112 anos de vida!) e muito mais...

São 23 cômodos e 600 metros quadrados. Mas o que me impressionou mais foi o cuidado com a casa e com o acervo. E a qualidade das informações da pessoa que me guiou, com conhecimento de causa e gosto.

Inclua o museu na sua visita à cidade. Ainda mais nessa época do ano, quando muita gente viaja pra ali para fazer compras no outro lado, o uruguaio, em Rio Branco.

Ah, não tenho fotos internas porque elas não são permitidas.


SERVIÇO

  • Rua 15 de Novembro, 642
  • Fone: (53) 3261-1746
  • Visitas de terça a sábado, das 9h às 11h e das 14h às 17h
  • Ingresso a R$ 5


O Museu Dalí, na terra natal do pintor

31 de maio de 2012 0

As meninas do blog 2 na Estrada mandam mais uma de suas contribuições.

Desta vez, elas passaram pela ESPANHA e fizeram um relato sobre o MUSEU DALÍ, em Figueres, terra natal do pintor.

Como museus são um dos meus fracos (tenho uma irresistível tentação de entrar em todos eles, seja qual for a temática, assim como em igrejas, seja qual for a religião, e cafés...), reproduzo uma parte do que a Caterine Vila & Solange Campello (clique para ver o post completo) escreveram sobre esse tributo ao genial artista.

"Que tal conhecer o maior objeto surrealista do mundo? O Teatro-Museu Dalí, localizado na cidade de Figueres - província de Girona –, é exatamente isso e mais um daqueles passeios imperdíveis da região da Catalunha. O Museu-Teatro é a maior atração de Figueres – terra natal de Salvador Dalí - e foi construído a partir das ruínas do antigo prédio do Teatro Municipal (destruído no fim da guerra civil espanhola) por decisão do próprio artista. Inaugurado em 1974, o museu contém obras de todas as fases de Dalí desde seus trabalhos artísticos iniciais, como desenhos e pinturas, suas criações surrealistas e também obras realizadas especialmente para o museu, como a Sala Mae West e a Sala do Palácio do Vento. Algumas de suas obras mais famosas, como “A cesta de pão”, “Port Alquer”, “Garota de Figueres”, entre inúmeras outras, também podem ser apreciadas no Teatro-Museu. É realmente uma experiência única passar o dia vivenciando a obra deste que é um dos maiores nomes do surrealismo e ícone de 4 gerações de admiradores espalhados pelo mundo."



O Newseum, para comemorar o Dia Internacional dos Museus

18 de maio de 2010 5

Dezoito de maio é o Dia Internacional dos Museus. Hoje, portanto.

Não sei explicar o motivo, mas adoro museus. Sempre gostei. Quando me mudei para Porto Alegre, 26 anos atrás, não havia muitos, nem o acervo era lá grande coisa, nem as mostras temporárias frequentes. Mas eu ia de um a outro no meu tempo livre de estudante. Era do Margs ao Júlio de Castilhos, do Júlio de Castilhos ao Margs. Para mim, um espaço de aprendizado, uma tentativa de entender a história e o tempo, o de outros e o nosso. 

E, viajando, "perco", sim, meu tempo em museus. Nem tão pouco que me frustre as expectativas, nem tanto que me impeça de ver o mundo lá fora.

Há pouco tempo, numa entrevista, o vice-diretor para conservação e pesquisa dMuseu do Prado, de Madri, Gabriele Finaldi, disse que 45 minutos são suficientes para conhecer um museu como o que ajuda a dirigir (que é bem grandinho, diga-se). Basta escolher o que de melhor cada um oferece. 

Pode ser. Já fiz isso.

Mas, para conhecer o museu do título, o NEWSEUM, o museu da notícia, gastei uma tarde inteira. Claro que tem tudo a ver com meus interesses e minha atividade. Mas é que esse, especialmente, um dos 71 museus existentes em Washington, é tão interessante, que faltou tempo.

Começa que o dito cujo, inaugurado em 2008, tem seis andares e é totalmente interativo. São 14 galerias e 15 teatros.

Um resumo do que eu vi:

- o sensacional e emocionante vídeo de apresentação (Wath's news - O que é notícia);
- todas as fotografias vencedoras do prêmio Pulitzer, o principal da imprensa americana;
- "Atletas", mostra de fotos de esporte do lendário fotógrafo Walter Iooss (incluindo uma de Pelé!);

- um vídeo em 4D com um pouco da história do jornalismo investigativo e das coberturas de guerra capaz de transportar as pessoas para as cenas;
- exposição com dezenas de capas de jornais sobre o 11 de Setembro em todo mundo;


- diariamente, as capas de 80 dos principais jornais do mundo (entre eles, Zero Hora);


- a história de 500 anos de imprensa;

- uma exposição temporária sobre a história de Elvis Presley;


- estúdios de rádio e TV, espaços interativos e muito mais...

Pode parecer que só interessa aos jornalistas, escrevendo assim do jeito que escrevi. Mas não é, acredite. Havia ali dezenas de adolescentes e de pessoas que, à primeira vista, pouco tinham a ver com jornalismo. E pareciam interessadíssimas. Eu me emocionei. Concluí que fui jornalista em outra encarnação!!!

P.S.: a origem da palavra museu está no latim (museum), derivada do grego antigo (mouseion). Originalmente, o museu era o templo das musas, as deusas da memória.