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O olhar de um leitor sobre a Nicaraguá/Granada (2)

08 de abril de 2014 0

A segunda parte do relato de uma viagem enviada pelo leitor Constantin Sokolski, que outros leitores já se acostumaram a ver por aqui.

A propósito: mande seu relato!

O que nos conta ele sobre a visita a Granada, na NICARÁGUA.

“Olá Rosane,

Quando Granada é mencionada, jamais se pensaria na América Central. Muito menos na Nicarágua.

Pois o fato é que existe uma outra Granada, a cidade mais antiga do país, e que foi por diversas vezes a sua capital.

Manágua somente foi escolhida como capital para evitar os constantes conflitos entre León e Granada, que durante séculos disputaram a liderança do país.

Fotos Constantin Sokolski, arquivo pessoal

Fotos Constantin Sokolski, arquivo pessoal

 

Granada, com suas construções remanescentes do período colonial, é um museu ao ar livre e testemunho da opulência do antigo Império Espanhol nas Américas.

Dentre diversas igrejas e conventos em estilo barroco com intrincadas obras de arte, destaca-se a Igreja de Guadalupe, cuja fachada é um tanto sombria, como que disfarçando a riqueza de seus ornamentos religiosos no seu interior.

Guarda na memória,  diversas tentativas de saqueio por piratas, atividades comuns nesta época da história.

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A vida gira em torno da arborizada Plaza Colón. Cercada de prédios coloniais, hoje transformados em hotéis e pousadas, é ponto de referência tanto para os turistas como para os locais.

Dezenas de bem cuidadas charretes fazem ali seu ponto de partida.

Seus condutores, oferecem seus serviços sem,  entretanto, insistir.

Durante a permanência, ser acossado por pedintes ou vendedores não fez parte do programa.

Parabéns Nicarágua.

A imagem desta praça e sua catedral, deverá ser, certamente,  a lembrança maior que muitos visitantes levarão.

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Devido ao seu encanto, Granada é procurada por artistas, escritores, pintores, em busca de uma vida tranquila e quem sabe inclusive de inspiração.

Igualmente jovens vêm estudar espanhol em suas escolas. Existe uma colônia de expatriados bastante numerosa, além de tipos pitorescos frequentando suas ruas.

Quem também andou por aqui foi Garibaldi.

Perambulou por muitos lugares este senhor.

Naquela época, se existissem tablóides certamente diriam que se tratava de um grande “pegador”.

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Do alto da torre da Igreja de La Merced descortina-se longa fileira de casas, com telhados típicos, vendo-se parcialmente os jardins internos, comuns nos casarões espanhóis.

Dá para verificar que as telhas também ali foram feitas “nas coxas”.

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Calle Calzada com a Catedral ao fundo. Um dos cartões-postais da cidade.

Nesta rua, restaurantes e pousadas se estabeleceram. No final da tarde, toda a área é reservada aos pedestres, quando mesas são dispostas ao longo do  passeio e artistas vem expor seus trabalhos.

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Além do Vulcão Mombacho, que reina sobre a cidade, é dever do viajante conhecer o Vulcão Masaya, ainda ativo. Encontra-se num Parque Nacional e diferente de outros vulcões, não tem o típico formato cônico, mas sim um conjunto de crateras fumegantes e no fundo  lava incandescente. O efeito pode ser tão devastador que os espanhóis o denominavam de o “portão do inferno”.

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Explorando as ruelas pavimentadas de pedras polidas, seguidamente depara-se com curiosidades, como por exemplo, esta plaqueta anunciando um escritório de advocacia e cartório.

O viajante trouxe muitas lembranças da Nicarágua, mas a mais pungente de todas foram as palavras de um senhor que, na rua, aproximando-se, agradeceu por estarmos visitando o seu país.

Dali, de ônibus, via Rodovia Pan-americana, seguimos ao Sul, chegando nove horas depois em San José na Costa Rica.

Bem Rosane, mas isto já é outra história.

Deves ter ficada cansada com todo este material.

Saudações,

Constantin”

O olhar de um leitor sobre a Nicarágua/Manágua (1)

03 de abril de 2014 0

A primeira parte do relato de uma viagem à América Central enviada pelo leitor Constantin Sokolski, que outros leitores já se acostumaram a ver por aqui.

“Nicarágua !

País que não consta nos roteiros turísticos tradicionais.

Assolado por terremotos, revolução Sandinista, episódio dos “contra” e outras desgraças, foram manchete durante décadas.

Pois, contrariando os agourentos de plantão, foi esta terra que resolvemos visitar.

Chegamos a Manágua num sábado à noite. Iluminação precária no trajeto do aeroporto ao hotel.  Muitos “nicas” ( como são conhecidos os habitantes da Nicarágua) esparramados nos bares, em toscas mesas nas calçadas.

A cidade havia sofrido um violento terremoto em 1972.

Apenas 5 prédios do centro da cidade ficaram de pé.

Manágua, depois assolada por revoluções, nunca conseguiu se recuperar totalmente.

Qualquer visita, deve iniciar-se pela antigo centro, conhecido por “Zona Monumental”.

Fotos Constantin Sokolski, arquivo pessoal

Fotos Constantin Sokolski, arquivo pessoal

Acima vemos  a torre da Velha Catedral, uma majestosa edificação, mas que desde o terremoto está interditada. Foi um dos prédios que não desabou.

As rachaduras na imponente construção estão como a indicar o poético testamento da trágica história desta nação.

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O Palácio Nacional foi sede do Congresso. Hoje alberga o Museu Nacional. Na fachada ,enormes cartazes de cunho político, constatando-se de que o “culto à imagem” é muito utilizado.

Manhã de domingo na área central. Umidade e calor envolviam os poucos  transeuntes. O termômetro marcava quase 38º C. Normal para o mês de junho.

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Tanto a Catedral, o Museu Nacional e o Teatro Ruben Dario encontram-se ao redor da Plaza de La Republica, hoje rebatizada como Plaza de La Revolución.

Conforme a inclinação política, usa-se uma ou outra denominação.

Depois de tantos países visitados, alimento certas reservas quando confrontado com  estas mudanças de nomes.

Um dos recantos da arborizada praça foi transformada numa espécie de mausoléu, onde estão as tumbas de alguns dos revolucionários.

Nas lápides expressões como “comandante” seguida de frases como “Carlos é dos mortos que nunca morrem” chamam a atenção.

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No interior do museu além de cerâmicas pré-colombianas e outros objetos pátrios, encontramos cópia de um mural, retratando em vivas cores cenas de um dos tantos ataques revolucionários a uma aldeia no interior do país.

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Perto do antigo centro, às margens do Lago de Xolotlán,  em fase final de construção temos o Parque Salvador Allende. Trata-se dum conjunto de duas avenidas, com calçadas arborizadas, ladeados por restaurantes, lojinhas, artesanatos, música ao vivo.

Local procurado por famílias para passar o domingo.

Também existe o mall, como são conhecidos os shopping centers. Estes localizados perto dos modernos hotéis, distantes uns 5 quilômetros da Zona Monumental.

Mas é nos mercados que a vida realmente pulsa.

Visitamos o Mercado Roberto Huembes, um emaranhado de centenas de quiosques, conectados por estreitas passarelas, onde se encontra de tudo.

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Almoço no parque Allende. Degustamos o “surtido tipico”. Estava gostoso.

Aceita-se o dólar americano, mas usamos a moeda nacional, o córdoba.

Nos dias seguintes, evitando o festival de frituras, nos contentamos com o galo pinto, um combinado de arroz, feijão mexido, banana , carne e ervas.

Já no café da manhã, ingere-se o galo pinto, uma instituição do país.

Outro prato típico é o “vigorón” que, apesar do sugestivo nome, é melhor evitar, devido ao alto teor de fritura e gordura envolvido.

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Nicarágua é também o país dos lagos e vulcões.

Em Manágua, na cratera de um vulcão formou-se o lago de Tiscapa. Do lado mais alto de sua borda descortina-se vista panorâmica da cidade.

Conhecido como Parque Histórico, foi protagonista de eventos da história recente do país.

Tem masmorras, hoje abandonadas, onde nos tempos de Somoza (que foi fuzilado em Assunção, anos atrás ), os presos políticos eram reclusos.

Diz a lenda de que os restos mortais de Sandino foram ali enterrados, em local incerto e ignorado, para que não se transformasse em local de peregrinação.

Deixamos Manágua satisfeitos e com diversas peculiaridades a considerar.

Próximo destino: Granada, a jóia colonial.”