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Posts na categoria "Polônia"

O santuário de Jasna Gora, lugar onde o papa Francisco caiu, na Polônia, merece uma visita

29 de julho de 2016 2

 

Fotos Rosane Tremea

Fotos Rosane Tremea

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É a partir de Cracóvia, onde se encerra no dia 31 a Jornada Mundial da Juventude, que dá para fazer uma série de visitas muito interessantes naquela região da Polônia.

Cracóvia, por si só, já vale muuuuito (já escrevi sobre ela aquiincluindo uma menção à mina de sal de Wieliczka), assim como Auschwitz, os campos de concentração da II Guerra, onde o papa Francisco esteve hoje sobre os quais também já falei (leia neste post).

Mas eu queria me referir mesmo era ao local onde o Papa levou um tombo no altar, na quinta-feira (ainda bem que não se machucou!).

O santuário de Jasna Gora, na cidade polonesa de Czestochowa, é onde desde o século 14 é venerada a imagem da “Virgem Negra”, chamada assim pela cor de sua pele.

A santa, de tempos em tempos, é revestida por uma “roupagem” diferente, como dá para observar na foto abaixo.

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É a padroeira da Polônia, e no Brasil é conhecida como Nossa Senhora do Monte Claro.

O santuário é lugar de peregrinação, considerado monumento nacional na Polônia desde 1994.

O centro de visitantes (onde há espaço para banho, descanso, alimentação) leva o nome do papa conterrâneo, João Paulo II.

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É espaço de oração e onde se vê desde fiéis “tradicionais” como também um inusitado encontro de motociclistas, como esse que eu presenciei dois anos atrás quando estive lá.

Recomendo a visita, mesmo que você não seja católico nem religioso.

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Para o caso de você ir a Cracóvia, na Polônia, durante a Jornada Mundial da Juventude, em julho

06 de julho de 2016 0
Fotos Rosane Tremea

Fotos Rosane Tremea

Se por acaso você estiver programando (ou conhecer alguém que esteja) participar da Jornada Mundial da Juventude, entre 25 e 31 de julho, prepare-se!

Se for sua primeira vez em Cracóvia, na Polônia, você se surpreenderá com a cidade, interessantíssima.

Haverá milhares de peregrinos/turistas, mas você precisa se organizar para, entre um evento e outro, visitar:

  • O Museu Nacional de Cracóvia, para ver uma das pinturas mais conhecidas de Leonardo da Vinci, A dama com arminho.

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  • A mina de sal de Wieliczka, que fica a 15 quilômetros da cidade e oferece tours de duas horas por seu interior.

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  • A memória do que de pior (e melhor) a II Guerra Mundial produziu: a fábrica do benfeitor Oskar Schindler, que salvou centenas da morte nas câmaras de gás, e os campos de Auschwitz, a uma hora dali.

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Visitando a História nos campos de concentração de Auschwitz, na Polônia

27 de janeiro de 2015 2

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Escrevi este texto, originalmente, para um de meus sobrinhos e o estou republicando aqui e no caderno Viagem desta terça-feira.

Adolescente, Luiz Antonio estudava na escola os efeitos do nazismo e os campos de concentração na mesma época em que visitei um deles, em meados de 2014. Ele estava tocado pela história de atrocidades e ficou ainda mais impressionado quando mostrei as imagens recém captadas.

Com a professora de história, ele me convidou para falar sobre isso aos colegas de sala de aula. Infelizmente, não pude ir, mas combinamos que eu escreveria sobre a visita e mandaria fotos. Ele e a “profe” apresentariam aos colegas, o que de fato aconteceu.

Hoje, no dia exato em que se completam 70 anos da liberação do campo de Auschwitz, achei que deveria compartilhar o que escrevi.

Por que no caderno de turismo? Por que, sim, os campos viraram ponto turístico (não é a primeira vez que o Viagem fala neles).

Mas são muito mais do que isso: são um monumento à estupidez humana e à intolerância que, volta e meia, como agora, se acirram perigosamente.

A seguir, a carta que eu escrevi ao Luiz Antonio:

 

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Quando eu decidi visitar a Polônia, numa viagem que incluía também outros três países (Áustria, Hungria e República Tcheca), pensei duas vezes se deveria ou não conhecer os campos de concentração de Auschwitz. Viajava em férias, para deixar para trás as coisas pesadas do ano, e tinha medo de ficar triste demais com o que veria. Mas achei que era importante, como jornalista, e para entender melhor a História que a gente estuda nos livros.

Fui a Auschwitz quando estava hospedada em Cracóvia, uma cidade linda onde viveu um bom tempo o papa João Paulo II (foi onde ele estudou e virou bispo e cardeal, entre os 18 e os 58 anos, até virar Papa).

Os campos de concentração ficam a 60 quilômetros de Cracóvia, que já foi a capital da Polônia (a atual é Varsóvia). No site de Auschwitz, sugerem que se agende a visita com uma antecedência de dois meses, já que os visitantes são muitos (em 2014, foram 1,5 milhão de pessoas).

O ideal é entrar no campo com guias, que explicam tudo. O ingresso é gratuito, mas é dada uma contribuição aos guias (em torno de 5 euros).

Como eu comprei um passeio desde Cracóvia, paguei 60 euros pela passagem (mais ou menos R$ 190). Não se pode entrar com mochilas ou bolsas grandes.

Recebi um fone e um aparelho de transmissão para ouvir o que o guia diz – eu fui com um que falava espanhol.

Fotos Rosane Tremea

Fotos Rosane Tremea

Quando a gente se refere a Auschwitz, se está falando de um complexo com vários campos de concentração. Eu visitei os campos I e II, distantes três quilômetros um do outro. Bem na entrada, há um letreiro onde está escrito em alemão Arbeit Macht Frei (que significa “o trabalho liberta”). Muitos dos que foram para ali, a grande maioria judeus, achavam que estavam indo para trabalhar e que ganhariam casas em troca também.

Mas quando os judeus e outros grupos perseguidos pelos nazistas chegavam (havia ciganos, prisioneiros de guerra soviéticos etc), eles tinham tudo o que levavam na bagagem confiscado. Eram enganados o tempo inteiro.

Uma das fotos que eu tirei mostra as malas com os nomes das pessoas. Os nazistas pediam para que identificassem as bagagens para que elas fossem devolvidas quando saíssem, mas era mentira, já que a maioria morreria ali e nunca mais veria seus pertences.

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No primeiro campo, que tem prédios de tijolos à vista e dois andares, há muitas salas com esses objetos. A mais triste delas é uma com centenas de sapatos de crianças, que não eram poupadas da morte.

Outra sala tem cabelos, montes de cabelos de pessoas.

Quando chegavam ao campo, todos tinham a cabeça raspada. O cabelo comprido das mulheres era cortado e com ele faziam tecidos para as roupas dos soldados alemães. Nesse lugar onde estão os cabelos, por respeito aos mortos, não se pode fotografar.

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Em outro cômodo há uma vitrine com próteses dos que tinham deficiências físicas.

Como se sabe, na sua loucura, Hitler e os nazistas queriam criar uma raça perfeita e faziam experimentos científicos com as pessoas.

Nesse mundo deles, não havia lugar para quem tivesse qualquer deficiência. Outras salas têm objetos pessoais (escovas, pentes, pincéis para barbear, etc) e utensílios domésticos.

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Dos prédios que ainda se mantêm como museu, um ficou igual ao que era na época: o pavilhão número 11.

Nele há um corredor imenso com fotos das pessoas que passaram por lá (a maioria mortas no campo). Também conservam os beliches onde elas dormiam – quatro, cinco e até seis pessoas dividiam a mesma cama.

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Nesse mesmo pavilhão número 11, há um subsolo onde ficavam os “prisioneiros” do campo (todos eram prisioneiros, não podiam sair) que eram julgados sumariamente e enviados para essas solitárias do subsolo, ficando espremidos em celas minúsculas.

Foi onde fizeram as primeiras experiências de matar gente com gás. Foram mortas ali mais ou menos 600 pessoas.

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Mais tarde construíram as câmeras de gás e os fornos crematórios.

Na câmara colocavam as pessoas todas juntas, sem roupas, e inseriam o gás por meio de buracos que havia no teto para matá-las.

Depois, os corpos eram jogados no forno e viravam cinzas.

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Como eu imaginava, é muito triste ver isso tudo.

As pessoas (turistas, estudantes, professores, estudiosos, curiosos…) visitam esse lugar de uma forma muito respeitosa.

Fica todo mundo em silêncio, só ouvindo as explicações, feitas em voz baixa pelos guias.

Não se ouve ninguém falando alto nem rindo e vi muita gente chorando (eu, inclusive), porque é muito triste pensar que seres humanos fizeram isso com outros seres humanos: aprisionar, matar com crueldade, fazer experimentos científicos com cobaias humanas…

A sensação que eu tinha era de estar participando de uma imensa cerimônia fúnebre, um enterro daqueles que eu ia em Anta Gorda, a minha cidade natal, quando se caminhava da igreja até o cemitério. Eu me concentrava no silêncio das pessoas e no único ruído, o dos pés pisando o cascalho fino.

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Depois eu visitei o segundo campo, que se chama Auschwitz II-Birkenau, pior ainda que o primeiro.

Nesse as pessoas chegavam diretamente de trem e muitas eram enviadas logo para morrer nas câmaras de gás.

Quem não era morto fazia trabalhos forçados para os nazistas e vivia em condições desumanas em galpões de madeira numa região onde, no inverno, chega a fazer -30ºC.

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Uma das fotos mostra as latrinas coletivas.

Não passam de buracos onde todos eram obrigados a fazer as necessidades juntos. Faziam isso para que as pessoas fossem perdendo a dignidade.

Os prisioneiros só podiam usá-las duas vezes por dia e sob o olhar dos soldados. E tem uma história que, se não fosse trágica, poderia ser uma espécie de anedota: os soldados que vigiavam os prisioneiros preferiam trabalhar nesse galpão porque o calor dos excrementos acabava aquecendo-os no inverno. Esses vigias, por isso, eram chamados de “generais de merda”. Eu nunca tinha lido nada sobre isso, foi a guia que nos acompanhou que contou. Não sei se é verdade ou não.

Nesse mesmo campo, quando houve a libertação dos prisioneiros, os nazistas tentaram apagar as provas da crueldade que tinham feito e inclusive incendiaram muitos dos galpões.

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Depois que acabou a guerra (que durou de 1939 a 1945), a Polônia criou um museu nesses campos de concentração. Desde 1947, mais de 30 milhões de pessoas já visitaram esses locais. Em 2002, a Unesco declarou o lugar Patrimônio da Humanidade.
Calcula-se que ali mataram mais de 1,3 milhão de pessoas. É como se matassem quase toda a população de Porto Alegre. Dá para imaginar?!

Em escolas da Polônia e da Alemanha, ir aos campos de concentração é uma matéria obrigatória. Todos os estudantes precisam ir. Por quê? Para que se entenda o que aconteceu e não se repita mais uma atrocidade daquelas.
Se eu fiquei triste na visita?!

Como eu já falei, fiquei muito triste. Chorei bastante só de imaginar tanta maldade. Fiquei triste de saber que seres humanos fizeram aquilo com outros seres humanos. E é essa a principal lição que a gente aprende: que precisa lutar para que isso não se repita nunca mais.

***

P.S: depois de ter publicado este texto, li este outro publicado pela jornalista Dorrit Harazim em sua coluna no jornal O Globo, sobre turismo em Auschwitz. Uma bela reflexão.

 

Das coisas que se vê em hotéis por aí

14 de maio de 2014 0

Quem não é fumante, como eu, dá graças a Deus por esses tempos em que não se pode fumar em voos e hotéis, pelo menos em algumas áreas deles ou de ter quartos reservados para fumantes/não fumantes (hoje a gente até acha que nem houve esse tempo, mas você lembra de atravessar o Atlântico em voos de 10/11/12 horas e compartilhar do ar carregado de fumaça, não? E o quanto beirava o ridículo a separação de fumantes e não fumantes, como se a fumaça não se espalhasse por aquele ambiente fechado a mais de 10 mil metros de altitude… Isso me faz acreditar um pouco na humanidade, porque já fomos bem piores!)

Em um quarto de hotel, o cheiro do cigarro fica impregnado em tapetes, carpetes, cortinas, colchas e é muito desagradável, para quem não é fumante, entrar num apartamento onde é permitido fumar.

Pois num hotel do tipo executivo bacaninha, em Varsóvia, a capital da Polônia, optei por uma área para não fumantes, como sempre faço.

E lá estava bem claro o aviso dizendo que não se podia fumar e que a multa seria de 500 sloty (mais ou menos R$ 120) para quem descumprisse a norma.

Fotos Rosane Tremea

Fotos Rosane Tremea

Até aí, tudo bem.

Mas o que eu achei engraçado e curioso são esses detalhes na decoração, na cadeira bem à frente do aviso e numa mesa lateral.

Bonitinho até, mas bem contraditório, não?

Ou eu não entendi o recado?!

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Nos passos de Chopin em Varsóvia

13 de maio de 2014 0
Fotos Rosane Tremea

Fotos Rosane Tremea

Não segui os passos de Frederic Chopin em VARSÓVIA, nem é preciso. Quase se tropeça neles na capital polonesa.

Ele viveu na cidade até os 20 anos, e as referências estão em toda parte:

no museu que leva seu nome (todo reformulado em 2010 para os 200 anos do nascimento do músico e onde está o último piano que tocou),

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no parque Lazienki, onde está uma de suas estátuas mais famosas e onde há, na primavera, concertos à volta dela,

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ou mesmo na igreja da Santa Cruz, onde depositaram o coração do compositor.

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E reuni essas lembranças recentes e as fotos porque no dia 14 ao meio-dia, o StudioClio, em Porto Alegre, promove um almoço de sua série chamado Caminhos de Chopin, com palestra do pianista Tiago Halewicz. Não só esses caminhos em Varsóvia, mas também em Viena e Paris.

A música de Chopin está em toda parte em Varsóvia. Da brincadeira interativa no museu aos bancos espalhados pela cidade onde basta apertar um botão para ouvi-la. Confira nos pequenos vídeos abaixo.


Informações sobre o almoço em   www.studioclio.com.br

P.S.: na versão impressa deste texto, cometi um erro. Disse que Chopin nasceu em Varsóvia, mas ele nasceu na aldeia de Żelazowa Wola. Mario Quintana dizia que “um erro em bronze é um erro eterno”… Pois no papel está lá, também não tem como tirar. Quando me dei conta, já estava impresso. Agora, só me resta pedir perdão. Como se diz desculpe em polonês? Seria “Przepraszam”?! Se não for, desculpe Chopin! Desculpem, leitores.

Cracóvia, a (quase) cidade de João Paulo II em festa

26 de abril de 2014 0

Meio sem querer, acabei visitando dias atrás CRACÓVIA, na Polônia, conhecida como a capital cultural do país do papa João Paulo II.
E já havia uma certa euforia no ar, à espera da canonização dele, que ocorrerá neste domingo.
Sobre isso, escrevi um texto publicado em ZH na edição dominical e reproduzido abaixo, com mais fotos.
Além do que escrevi, queria acrescentar: vale muuuuuito a pena visitar essa cidade, que é linda e muito viva.

Fotos Rosane Tremea

Fotos Rosane Tremea

Uma cidade em festa

Karol Józef Wojtyla não nasceu em Cracóvia, capital da Polônia entre 1320 e 1596. Nasceu em Wadowice, a 50 quilômetros dali, e só se mudaria para a cidade maior, que hoje tem um belíssimo centro histórico tombado pela Unesco, em 1938, com o pai, para ir à universidade.

Em Cracóvia, praticou esportes, estudou teatro, aprendeu 12 idiomas, trabalhou sob o jugo nazista para evitar ser deportado, escondeu-se de nazistas em porões, ajudou a proteger judeus, virou sacerdote, estudou mais, criou grupos de oração e de ajuda a desvalidos, escreveu para jornais e publicou livros, foi nomeado bispo (o mais jovem da Polônia então, aos 38 anos) e arcebispo, condição que tinha ao ser alçado para chefiar a Igreja Católica, em 1978.

Por esses 40 anos em Cracóvia, Karol Wojtyla, ou João Paulo II, está em todo lugar por onde se olhe na cidade. Ela poderia ser conhecida por outros tantos atrativos: por abrigar, por exemplo o inigualável Dama com Arminho, de Leonardo da Vinci, que está no Museu Czartoryski, ou por ficar a menos de uma hora do campo de concentração de Auschwitz, passagem obrigatória para quem quer mergulhar nessa parte obscura da História.

Mas Cracóvia se orgulha mais de sua imensa comunidade universitária – tem a quinta universidade mais antiga do mundo, 15 instituições de Ensino Superior, e, dos cerca de 900 mil habitantes, uns 200 mil são universitários – e de seu quase filho João Paulo II, onipresente. Na igreja franciscana em que ele costumava rezar diante da imagem de Nossa Senhora de Czestochowa, o banco onde se ajoelhava leva uma placa com seu nome. 

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A janela de onde saudava os fiéis ganhou um enorme adesivo, como se continuasse por lá. A casa que habitou, na arquidiocese, virou museu – com seu nome, claro.

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A estátua de bronze diante da Catedral de Wawel, onde rezou a primeira missa, tem filas para fotos… Tudo é mais atração turística se tiver o carimbo de João Paulo II.

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E os cracovianos, católicos fervorosos, quando se referem a ele, nunca dizem só João Paulo II. O nome vem antecedido por “nosso querido” João Paulo II. Por isso, dias atrás, a cidade já estava em festa, esperando a canonização. Na programação, há concertos, vigílias, missa, transmissão ao vivo…

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E o apelo para que turistas e moradores se concentrem no número 3 da Rua Franciszkanska (foto), sob a “janela papal”. Ainda que tudo isso seja só a confirmação do que, para eles, já era certo: conviveram com um santo.

Os datilógrafos das ruas de Guadalajara e a holografia no aeroporto de Varsóvia

25 de abril de 2014 0

Não lembro direito o contexto, mas a conversa era sobre Garcia Márquez, morto na semana passada no México, e os escrevinhadores de Guadalajara.

Lembrei deles, sentados com suas mesinhas e máquinas de escrever, à sombra de marquises, à espera de gente na porta de cartórios, prontos para redigirem uma procuração, um requerimento, uma carta…

Fotos Rosane Tremea

Fotos Rosane Tremea

Fiquei me perguntando se eles estarão ainda lá, quase 10 anos depois. Tentei encontrá-los na rede, não achei.

Será que ainda existem datilógrafos como aqueles agora, tempo das redes sociais?!

Fiquei me perguntando sobre isso também por que, viajando por aí, fiquei frente a frente com uma holografia que me lembrou os datilógrafos e também Blade Runner, o filme.

No aeroporto de Varsóvia, a capital da Polônia, uma moça virtualmente bem vestida tentava ensinar, em vários idiomas, como fazer meu check-in…

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O desafio era me trazer de volta a Porto Alegre, evitar que eu acabasse em algum país do Oriente Médio, da América Central ou em qualquer outro ponto remoto do planeta.

Prefiro os datilógrafos, que não poderiam me ajudar a marcar meu assento no voo de volta, mas com quem poderia trocar uma palavra qualquer. Que mostrassem que, por trás da máquina, o bom mesmo é saber que há alguém de carne e osso.

Cracóvia, uma joia do Leste

04 de setembro de 2010 2

A contribuição deste post veio do colega VINICIUS VACCARO. Sem mais delongas, deixo que ele fale sobre seu destino recomendado:

“Praga, a Paris do Leste, é destino obrigatório. A bela Budapeste também encanta os turistas. Mas um destino menos óbvio e que merece ser considerado nos planos de quem viaja para a porção oriental da Europa é Cracóvia.

Separada de Varsóvia por 300 quilômetros, essa linda cidade do sul da Polônia, a segunda maior no país do papa João Paulo II, foi poupada de bombardeios e fogo de artilharia na II Guerra Mundial. Assim, preservou seus prédios históricos. Mil anos de história, diga-se de passagem.

Por séculos, foi a capital da Polônia. Às margens do Rio Vístula, o fortificado e imponente Castelo de Wawel, que serviu de sede de governo, é uma das principais atrações. Reserve pelo menos um turno do dia para conhecê-lo, em especial os aposentos reais e a sala de tesouros, em visitas guiadas em inglês.

A exemplo de muitas das cidades europeias, as áreas de interesse de Cracóvia estão compactadas em um perímetro que pode facilmente ser percorrido a pé.

Se ficar hospedado nas cercanias do eixo Cidade Velha-Kazimierz, melhor. Mas considere também a possibilidade de locomover-se de bondes. Baratos, trata-se de uma boa alternativa para um city tour econômico.

Um bom ponto de partida é a Rinek Glówny, a ampla Praça do Mercado, no coração da Cidade Velha. Na época de calor, cafés e restaurantes costumam ficar abertos até a madrugada, com mesas ao ar livre. Quase cortada pelo mercado, a praça é o melhor ponto para providenciais pit stops de turistas. Até porque as ruas da Cidade Velha, muitas das quais reservadas à circulação de pedestres, parecem sempre conduzi-los para lá.

Na Cidade Velha estão concentrados alguns dos melhores restaurantes da culinária polonesa. Uma dica: fuja das armadilhas de turistas e evite os restaurantes da Rinek Glówny (a não ser, claro, que você não se importe de pagar mais caro). Aposte em sopas, cogumelos, pratos à base de carne de porco e os pierogis, os pastéis de massa cozida, feitos na hora.

Uma caminhada mais ao sul leva ao histórico bairro Kazimierz. Pelas ruas desse reduto judaico encontram-se a maioria das sinagogas da cidade. Num dia ensolarado, prolongue o percurso até o Vístula, caminhe pelo calçadão e reserve-se ao direito de beber um cerveja local – recomendo duas: Tyskie e Zywiec (mas não me pergunte como é a pronúncia) – em um dos barcos transformados em bares/restaurantes ancorados nas margens do rio que corta de cidade de leste a oeste.

Vinicius com a mulher, Ana Paula, experimentando uma das cervejas das quais ele fala

Outros passeios

Há dois roteiros a partir de Cracóvia altamente recomendados para quem vai ficar mais de dois dias na cidade:

O principal deles é conhecer os campos de concentração de Auschwitz (Oświęcim, em polonês), distante cerca de 60 quilômetros. Na área declarada patrimônio mundial pela Unesco, dois campos preservados expõem a crueldade sem limite do Holocausto. Nos balcões dos hotéis há ofertas de roteiros com guias. Se preferir uma viagem mais reservada e sem pressa, experimente ir para lá de trem. Programa-se para passar o dia em Auschwitz (leia mais sobre esse roteiro no blog do caderno Cultura, clicando aqui).

Outro passeio que desperta bastante interesse é uma visita à Mina de Sal de Wieliczka, a cerca de 15 minutos de carro do centro de Cracóvia. Ok, eu sei que em dias de Big Brother forçado sob terras chilenas não é estimulante sugerir um roteiro que o leve a mais de cem metros pelos subterrâneos, mas acredite (eu acreditei…), é seguro. Com uma temperatura constante de 14°C, a mina é composta por um labirinto de 300 quilômetros de galerias, com aproximadamente 3 mil câmaras (das quais 22 incluídas no roteiro para turistas) e nove andares.

Por quase nove séculos a exploração de sal rendeu dividendos para a cidade. Hoje, chama a atenção as incrível esculturas feitas em blocos de sal e uma impressionante capela. Se algo ocorrer… bom, há bares, restaurantes e até um teatro espalhados estrategicamente pelas galerias.”