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Posts na categoria "Relatos de viagem"

Para quem pretende fazer o Caminho de Santiago: um bate-papo com quem já fez e uma caminhada (um pouco mais curta) para fazer um teste

05 de outubro de 2016 0

Dois colegas partiram para fazer o Caminho de Santiago esta semana.

E, toda vez que algum conhecido vai, fico pensando em fazer também.

Mas será que eu conseguiria fazer esse longo caminho, sob todos os pontos de vista?!

Um dia, quem sabe um dia…

Se você pensa nisso, como eu, aqui vão duas dicas para começar a se preparar: o primeiro, teórico, é conversar com quem já foi e já descreveu o que e como fez; o segundo é uma pequena prática, com uma caminhada curta (mas nem tanto). Veja abaixo:

ROTEIROS E EXPERIÊNCIAS – CAMINHO DE SANTIAGO

A promoção é do pessoal da agência Casa de Turismo, que convidou a escritora-peregrina Tatiana Fadel Rihan para um bate-papo sobre o Caminho de Santiago, no dia 11 de outubro, terça-feira, no Espaço Maestro, na zona sul de Porto Alegre.

Tatiana voltou há pouco de sua segunda peregrinação pelo Caminho, encerrada com o lançamento de seu livro em Santiago de Compostela (Espanha): Uma Viagem em Um Bloco de Notas.

O livro, com prólogo de Luis Fernando Verissimo, está em sua terceira edição. Há também mais de 5 mil fotos, músicas e vídeos, que podem ser acessados por QR codes, para acompanhar um pouco a viagem de Tatiana.

Na segunda vez da escritora, passou de novo pela rota que sai de Saint Jean Pied du Port, na França. Caminhou quase mil quilômetros nessa segunda jornada, apresentando seu livro a lugares e pessoas marcantes de sua primeira peregrinação.

O primeiro lançamento aconteceu no Museu de Peregrinações de Santiago, ao lado da catedral.  Um outro lançamento ocorreu na livraria Couceiro, na capital galega.

Neste bate-papo do dia 11, ela falará sobre dicas práticas para a realização da viagem, opções de roteiros e lugares especiais.

Serviço

  • 11 de outubro, terça-feira
  • 19h30min
  • Espaço Maestro (Rua Doutor Barcelos, 570, bairro Tristeza, em Porto Alegre)

No vídeo abaixo, lá pelos 7min38seg, você pode ver uma entrevista da autora em frente à catedral de Santiago, no lançamento do livro na Espanha:

 

***

CAMINHADA LONGA DOS PASSEIOS NA COLÔNIA

Passeios da Colônia, divulgação

Passeios da Colônia, divulgação

Todas as pessoas que eu conheço que fizeram o Caminho de Santiago não saíram, assim, fazendo os mais de 800 quilômetros de cara.

Foram fazendo caminhadas curtas, testando sua resistência, e não só a física.

Sempre divulgo aqui as que fazem o pessoal dos Passeios da Colônia, com trajetos curtos e longos (não tãaaaao longos quanto os de Santiago, claro).

E, agora, para o feriadão de 15 de novembro, eles programam uma de 100 quilômetros, o que já não é pouca coisa.

Será entre os dias 12 e 15 de novembro, passando pelas seguintes cidades: Santa Clara do Sul, Sério, Boqueirão do Leão, Progresso, Pouso Novo, Coqueiro Baixo, Nova Bréscia, Anta Gorda, Dois Lajeados e São Valentim do Sul.

Informações: (51) 9583-2672 ou valenews@certelnet.com.br

 

No Belezas do Mundo, bate-papo sobre a Armênia

30 de setembro de 2016 0
Mosteiro de Khor Virap, com o monte Ararat ao fundo. Foto de Beto Conte, divulgação

Mosteiro de Khor Virap, com o monte Ararat ao fundo. Foto de Beto Conte, divulgação

Anote aí para a agenda da próxima semana.

No dia 3, no projeto Belezas do Mundo, Beto Conte fala sobre a Armênia.

Ele vai apresentar as singularidades deste pequeno país do Cáucaso que faz fronteira com a Geórgia e o Irã e tem um povo com uma longa história.

Primeiro reino a adotar o cristianismo, no ano 301, séculos depois (no século 20), após 70 anos de domínio soviético, retomou sua independência em 1991 e passou a reavivar sua religião, fundamental da sua identidade nacional.

Beto contará um pouco dessa história, mostrando muitas imagens de templos, catedrais e locais sagrados (apesar de ter perdido boa parte de seu território, o país manteve os locais sagrados relacionados aos primórdios do cristianismo, exceto o Monte Ararat, o da foto, que ficou do outro lado da fronteira inimiga, na Turquia).

Serviço

  • Segunda-feira, 3 de outubro, às 19h30min
  • Promoção do STB, na Bazkaria
  • Evento gratuito. Confirmar presença pelo (51) 9155-2926 ou rp@bazkaria.com.br
  • A Bazkaria fica na Rua Comendador Caminha, 324, no Parcão, em Porto Alegre

Para começar a semana, um roteiro de bicicleta pela América do Sul no Belezas do Mundo

22 de agosto de 2016 0
Fotos arquivo pessoal

Fotos arquivo pessoal

Nesta segunda-feira, 22, o professor de montanhismo Leandro Bazotti é o convidado do Belezas do Mundo, realizado pela Bazkaria em parceria com a STB Trip & Travel.

Bazotti é mestre em Turismo e Hospitalidade e vai falar sobre sua mais recente aventura: uma viagem de bicicleta pela América do Sul que durou 10 meses.

Ele percorreu 9 mil quilômetros de Ushuaia, na Argentina, até Cusco, no Peru.

Para ilustrar a conversa, Bazotti mostrará imagens de lugares como a Terra do Fogo, a Patagônia, o deserto do Atacama e Machu Picchu.

Para ajudar/inspirar quem quiser fazer a aventura, vai falar sobre as dificuldades do percurso, como os ventos de 120 km/h, as temperaturas abaixo de zero e os calores escaldantes.

Serviço

  • Às 19h30min
  • Entrada gratuita, porém com vagas limitadas
  • Para participar, é preciso confirmar presença através dos telefones (51) 9155-2926 ou (51) 3061-6262 ou pelo e-mail rp@bazkaria.com.br
  • A Bazkaria fica na Rua Comendador Caminha, 324, em frente ao Parcão, em Porto Alegre.
Foto arquivo pessoal

Foto arquivo pessoal

Na cidade da Olimpíada (5): de novo, o imperdível Museu do Amanhã do Rio

25 de julho de 2016 0
Fotos arquivo pessoal

Fotos arquivo pessoal

Você já leu aqui mais de uma vez sobre o Museu do Amanhã, que tem pouco mais de seis meses de vida e foi instalado numa área renovada no Rio para a Olimpíada.

Mas volto ao tema para as fotos e um brevíssimo relato da leitora Patricia Maciel, farmacêutica gaúcha que deu esse retorno após ter seguido a dica e comprado seu ingresso online, evitando filas.

Bacana é que ela mandou imagens também da exposição sobre Santos Dumont, que fica em cartaz por lá até o final de agosto.

Obrigada, Patricia.

“Adorei ir no museu e na exposição do Santos Dumont. Comprei pelo site e fui num domingo, às 11h, sem filas.

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Planejar... não planejar... planejar...

16 de junho de 2016 0

A certeza ou a surpresa?

O que é melhor quando se viaja?

Vou dar TRÊS EXEMPLOS do bom e do ruim de planejar/não planejar em minha última viagem.

PLANEJAR…

Sabendo exatamente a data em que abriria e fecharia o parque Keukenhof, na Holanda (veja aqui um post publicado dias atrás), organizei a viagem de forma a estar por lá entre 24 de março e 16 de maio.

Bingo! Consegui ver aquela vastidão de tulipas quase em seu total esplendor (faltou ficar mais de olho na previsão do tempo).

Fotos Rosane Tremea, arquivo pessoal

Fotos Rosane Tremea, arquivo pessoal

NÃO PLANEJAR…

Também na Holanda, não fazia a menor ideia de que minha estada coincidiria com o Dia do Rei, 27 de abril.

Guilherme Alexandre é festejado no país inteiro: com música, festas, mercados de pulgas…

Todo mundo veste alguma peça laranja e sai à rua.

Improvisei umas alegorias e fui ver Amsterdã vivendo o seu carnaval.

Confira no vídeo abaixo um pouquinho do que se trata:

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PLANEJAR…

Meu botão desligar nas férias exagerou.

Fã de cinema, não me dei conta de que estaria a uma hora de Cannes na abertura da 69ª edição do festival.

Por poucas horas, perdi de ver um dos meus ídolos, Woody Allen, que abriria o evento.

O máximo que consegui foi avistar o tapete vermelho estendido e acompanhar a movimentação do público e dos jornalistas.

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Não é preciso calcular cada passo, mas planejar para não dar sorte ao azar em geral funciona melhor. Mais uma lição reiterada!

Uma visita a San Galgano, na Toscana

18 de abril de 2016 0

De tempos em tempos, publico aqui os vídeos que a Daniella e o Alessandro produzem em suas incursões pela Itália.

Neste, eles mostram uma visita a San Galgano, uma abadia que fica a 25 quilômetros de Siena, na Toscana.

O local, que foi abandonado na Idade Média, está quase em ruínas, mantendo paredes e muros.

Algumas cenas da novela global Passione foram gravadas ali.

Deixemos que eles contem, nesta versão com legendas em português.

Relatos de Viagem: Lituânia (2)

07 de março de 2016 0

Você leu, dias atrás, no relato do Constantin Sokolski, a primeira parte de sua viagem pela Lituânia.

Aqui vai a segunda parte, enviada por ele, com texto e fotos, tal e qual:

Em nossa jornada pelo interior da Lituânia, fomos acompanhados por uma simpática guia sexagenária que, com seu vasto conhecimento, contribuiu para desvendar a história e a cultura do país.

Fotos arquivo pessoal

Fotos arquivo pessoal

Vivendo na era digital, centenas de fotos foram sacadas, com a esperança de que, no futuro, certamente, ao revê-las, ajudarão e relembrar os momentos vividos.
Dezenas de fotos de catedrais, museus, praças, monumentos, prédios, paisagens e… muitas janelas !
Estas existem em todos os tipos e formatos.
Devemos ter admirado centenas delas, uma mais diversa do que a outra.
Poderia se escrever um tratado sobre o tema.
Dentre tantas, tivemos dificuldade para escolher a que seria incluída neste texto.
De qualquer modo, encontramos a abertura acima, em Kaunas, a segunda maior cidade da Lituânia.

Ao entrar em Kaunas, longa série de edifícios de arquitetura pobre e necessitando reparos se aglomeravam ao longo da avenida que nos levaria ao centro histórico.
Praticamente em todas as cidades do Leste Europeu se encontram estes tipos de prédios.
Relembram, em parte, os conjuntos habitacionais do antigo BNH.
São relíquias da era soviética.

Nossa guia nos relatou que os apartamentos destes conjuntos foram apelidadas de “khruschevkas”, por serem de muito má qualidade e por possuírem uma cozinha de no máximo 3 metros quadrados !
É que o líder da União Soviética nos anos 50, Nikita Khruschev, afirmou que, com o estabelecimento do comunismo na Lituânia, o povo teria condições de frequentar restaurantes diariamente.
Em tempo: Nikita foi aquele que, nos tempos da guerra fria, numa reunião da ONU, retirou seu sapato para bater com o mesmo na mesa.
Senhor de fino trato.

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A Vilnius Street, onde veículos não são permitidos, é considerada a mais bonita da cidade, com dezenas de edificações erguidas no Século 16.
Kaunas chegou a ser a capital do país por um certo período.
Uma praça central – cercada pela catedral, igrejas, prefeitura antiga, museus – faz parte do rico acervo cultural da cidade.

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CURONIAN SPIT NATIONAL PARK

Uma estreita faixa de terra, com 98 quilômetros de extensão no litoral do Mar Báltico foi formada há cerca de 5 mil anos. Geologicamente falando, algo muito recente.
A metade deste istmo faz parte do território da Lituânia e a outra metade a Kaliningrado (Rússia).
Durante longo tempo, colônias de pescadores se estabeleceram ao largo deste peculiar pedaço de terra, coberto por pinheirais, dunas e praias.
Acabou tornando-se local de veraneio.
Uma das atrações bizarras da região é o Hill of Witches (Morro das Bruxas), onde dezenas de esculturas em madeira estão dispostas ao longo de uma trilha no meio de um bosque, representando elementos cômicos e demoníacos, além de vários imitando a natureza, tanto a fauna como a flora.
As estátuas foram esculpidas por um grupo de artistas locais nos anos 1980.

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O principal vilarejo da Curonian Spit (Istmo de Curlandia) chama-se NIDA, antigamente Nidden, pois chegou a fazer parte do Império da Prússia.
Ressalve-se que, no passado, foi enorme a influência germânica nos três países bálticos.

Nida, um local encantador para o autor do texto, tem cerca de 2 mil habitantes fixos, número que aumenta geometricamente na temporada de verão, sem entretanto, ficar lotado em demasia como tantos outros balneários.
Além de suas casas de madeira, chama atenção o grande número de birutas, cada qual representando um vilarejo de pescadores.
Na foto acima, além de várias birutas, vemos a promenade defronte à laguna formada entre o continente e o istmo.
Os hotéis, pousadas e residências são frequentadas na sua maioria por turistas da Alemanha, geralmente famílias com filhos pequenos e grupos de idosos.

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Existem dezenas destas típicas casas de madeira, pintadas de vermelho e azul, que no passado serviram de moradia para os pescadores, e que não se modificaram através dos tempos, sendo agora apenas ocupada por veranistas.
Em Nida viveu, por certo tempo Thomas Mann, o autor de “A Montanha Mágica” , “Morte em Veneza” e outras obras que lhe valeram o Prêmio Nobel de Literatura.
Seu belo chalet no topo de arborizada encosta, com teto recoberto por palha, está aberto à visitação pública, pois felizmente virou um museu.
Para admiradores de jóias semipreciosas, existe o museu/estúdio do âmbar.
Mas, para este viajante, os melhores momentos foram vividos ao percorrer de bicicleta as diversas trilhas, cortando bosques, escutando pássaros, contornando lagoas e restingas, admirando sinuosas dunas, pulando de vilarejo em vilarejo.
São estes momentos efêmeros de felicidade que justificam toda uma viagem… e, no fim, toda uma vida.

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Klaipéda

Primeiramente mencionado em 1252, quando uma Ordem Cristã construiu uma fortaleza, onde hoje se localiza esta cidade portuária. Até a II Grande Guerra, era conhecida por Memel, pois também fez parte da Prússia.
Durante a guerra de 39/45 sofreu violentos bombardeios.
Depois de reconstruída, voltou a ser o mais importante porto do país.
Seu centro histórico é digno de nota, destacando-se as ruas pavimentadas com pedras e flanqueadas com construções no estilo enxaimel, onde grossas toras de madeira são intercaladas por tijolos e uma mistura de argamassas.
Na foto acima, albergando uma loja de souvenirs, belo exemplo da arquitetura local, que faria a felicidade de um pintor flamengo, especialista na sutileza do jogo de luz e sombras.

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Numa península, às margens da Curonian Lagoon (Lagoa da Curlandia), encontra-se o Cabo Venté, onde em 1929 foi instalada uma das primeiras estações de identificação e controle de pássaros da Europa.
Procedimento este pouco conhecido, o que nos chamou a atenção.
Por estar localizado numa região banhada por vários rios formando um delta, pouco habitado e repleta de vegetação rasteira que inunda sazonalmente, tornou-se local de migração de aves.
São cerca de 200 espécies que passam aos milhares pelo local por ano.
Algumas ao penetrar no complexo de redes, são conduzidas a algo parecido como uma gaiola, onde os técnicos as identificam, pesam, e instalam sinalizadores nas mesmas.
Com isto, conseguem verificar para onde os pássaros se deslocam durante seus longos voos.

 

HILL OF CROSSES

Nunca havia ouvido falar, até o dia em que lendo o livro “New Europe”, de Michael Palin ( jornalista da BBC ), este inusitado local era mencionado.
Pois trata-se de um dos mais admiráveis e inspiradores locais de toda Lituânia.
Situada num pequeno morro, no meio do campo, encontram-se milhares de cruzes, crucifixos, rosários e outros adereços de fé, demonstrando o poder da Igreja Católica no país.
É ignorado o número total de cruzes.
Acredito que seria impossível contá-las.

Sua real origem é um tanto obscura, mas sabe-se que no tempo dos czares russos a fé dos lituanos os impeliu a colocar cruzes no topo da elevação.
Aos poucos, mais cruzes foram sendo adicionadas.
Quando a Lituânia foi anexada à União Soviética, o regime ateísta mandou derrubar e retirar as cruzes.
Outras cruzes tomaram seu lugar.
Novamente retiradas.
Novas cruzes apareceram.
Em 1973 e 1975, o regime soviético destruiu tudo utilizando bulldozers.
Mas as cruzes continuaram a ser colocadas, inclusive em protesto contra o regime instalado.
Finalmente o local foi deixado em paz, sendo que, quando visitado em 1993 pelo papa João Paulo II, havia cruzes e esculturas trazidas de todas as partes do mundo.

Em julho de 2015, Suzana e este autor, dando um simbólico adeus à Lituânia, colocamos uma modesta cruz, com os dizeres…

Peace – Paz
Balneário Camboriú
Brasil

Relato de viagem: a Lituânia (1)

23 de fevereiro de 2016 1

Faz já um tempo que o Constantin Sokolski, que de vez em quando manda suas contribuições ao blog, enviou textos sobre várias de suas viagens.

Ele pesquisou no blog para saber de quais dos destinos não havia informações aqui e fez o favor de enviar textos e fotos. Abaixo, a colaboração do Constantin, tal e qual:

 

LITUÂNIA

Possuindo a maior área e população dos três Estados Bálticos, é uma das secretas jóias da Europa. Orgulha-se de seus lagos cercados por antigas florestas virgens e de seu recortado litoral, repleto de dunas.

Vilnius, sua capital, tem seu centro histórico protegido pela Unesco, mesclando o romance da elegante arquitetura barroca com as vantagens modernas da Europa do Século 21.

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VILNIUS

“A cidade barroca na fronteira entre dois mundos” …. é uma das chamadas em guias turísticos da cidade. Os dois mundos referiam-se à civilização latina e bizantina.
Apesar de seu centro histórico ser um dos maiores da Europa, o mesmo pode ser perfeitamente ser explorado a pé.
Um dos melhores pontos para iniciar a jornada é a partir da Praça da Catedral, mostrada acima.
A cultura lituana é inseparável do cristianismo, o que pode ser verificado ao visitar as diversas igrejas e, sobretudo, admirar seus rebuscados interiores.
A catedral em austero estilo neoclássico, recriando um templo grego, foi utilizada pelos soviéticos como oficina de reparos para caminhões. Em 1989 foi devolvida à Igreja Católica. A levemente inclinada torre fez parte das fortificações da cidade, existentes no passado para proteger contra invasões das cruzadas.
Ao longo da Gedimino Avenue, a mais importante de Vilnius, encontra-se, em meio a lojas de departamentos, Museu da KGB e outros elegantes prédios neoclássicos e barrocos, o Teatro Nacional da Lituânia, onde são apresentadas peças de dramaturgia clássicas, contemporâneas e nacionais.
A entrada principal do teatro é zelosamente protegida por três musas…. “Drama”, “Comédia” e “Tragédia”.

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Percorrer as ruelas e os becos, separados por antigos arcos, é como mergulhar em alguma narrativa de Kafka, tal o clima envolvente destes aparentes solitários rincões de Vilnius.
Algo parecido com o existente em Copenhague (Christiania), Vilnius também tem um enclave perto da área central, chamado Uzupis, no qual um artista em 1977 proclamou uma República Independente.
Artistas, boemios, estudantes e ativistas elaboraram inclusive uma constituição que está afixada num muro de uma das vielas do bairro. Um dos artigos declara que …. “Cada um tem o direito de não entender nada”.
Sua data nacional é o 1º de abril.
Seu símbolo é a estátua de um anjo erguida no meio da Uzupis Street.

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Com seu emaranhado de ruas, repleto de cafés e bizarros locais onde o grafiti é rei, integrou-se ao roteiro turístico da capital.
Não muito distante da capital, encontra-se o imponente Castelo de Trakai, genuíno exemplo de uma mescla entre o castelo medieval e de contos de fadas que tanto fascina a imaginação das pessoas.
É o único castelo no Leste Europeu situado numa ilha. Muito pequena por sinal, o que torna o castelo ainda mais atraente.
No passado chegou a ser sede do governo durante a era do Grande Ducado da Lituânia.
Mais tarde com o crescimento de Vilnius e após ter sofrido consideráveis perdas envolvido em batalhas com diversos invasores perdeu importância.
A sua privilegiada localização e história acendeu o sonho de escritores, poetas e pintores motivando a completa restauração de suas ruínas.

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Palco de batalhas, a região de Trakai, pontilhada de lagos e ilhas, em meio a densas florestas, é famosa não só apelo castelo, mas sim pelo pitoresco vilarejo existente à beira de um dos lagos, onde na rua principal, simples casas de madeira chamam a atenção.
São todas iguais, diferenciando-se apenas pela cor.
Foram construídas pelo povo Karaim, vindos da Turquia em séculos passados e praticantes de uma espécie de Judaísmo.
Costumes e tradições foram mantidos pelos seus descendentes.
Suas casas têm três janelas iguais na fachada frontal: uma janela para Deus, uma para a família e outra para os amigos.
Uma das grandes recompensas destas jornadas, é tomar conhecimento, ao vivo, de algo tão singelo e encantador.

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Estátuas esculpidas em madeira, são cenas comuns ao viajar pelas estradas do interior do país. Representam tanto valores do cristianismo bem como folclóricos, nacionalistas ou mesmo de tradições pagãs do passado.
Devido ao seu isolamento, o cristianismo demorou para chegar à região do Báltico.
Até a Idade Média, se praticava o paganismo. Como os detalhes desta crença são escassos, os estudiosos tiram conclusões baseados na tradição oral de fatos e em canções populares. Acreditavam que plantas e animais possuíam espírito, ou seja, o animismo fazia parte de sua cultura. Árvores tinham grande significado, sendo-lhes oferecidas oferendas em lugares ditos sagrados.
Hoje em dia, estas crenças, mescladas com a fé cristã, se mantêm vivas em alguns rincões do país.

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COMUNISMO

Viajando pelos países que foram anexados pela Rússia, a partir da II Guerra Mundial, para formar a União Soviética, não há como evitar este delicado tema.
Na literatura, nos guias de viagem, nas palestras, nas visitas a museus, igrejas, universidades, nas explanações de guias turísticos, etc, a passagem deste regime por seus territórios é constantemente lembrada.
“Os comunistas comem criancinhas”. O viajante durante anos escutou esta frase, dita de forma jocosa, por adeptos deste regime no sul do Brasil.
Pois colhendo os testemunhos de muitas pessoas que viveram nestas regiões ocupadas, pode-se concluir que o que os comunistas fizeram ao longo de décadas foi muito pior do que “comer criancinhas”.
Este é apenas um resumido diário de viagem, sem maiores pretensões, portanto, aconselhável nem aprofundar-se nas deportações em massa, execuções sumárias, confisco de propriedades, clima de terror, etc…
No meio de uma floresta, perto da fronteira com a Bielo-rússia encontra-se um parque onde cerca de 90 estátuas e bustos de líderes do regime soviético estão expostos.
O visitante percorre uma trilha e no meio das árvores estão Stalin, Lenin, Kalinin, Marx, Engels e outros integrantes da “nomenklatura”.
A partir de 1991, as mesmas foram retiradas dos logradouros públicos onde se encontravam.
As que não foram demolidas fazem parte deste macabro acervo.
No local existe ainda um museu, onde toda sorte de memorabilia desta época pode ser visto.

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DRUSKININKAI
Estação de águas termais da Lituânia, considerado um paraíso de paz e tranquilidade.
Durante 200 anos foi importante centro de saúde.
Sofreu certa estagnação quando frequentadores de suas clínicas deixaram de vir da Rússia e da Polônia.
Quando a visitamos, notamos que uma recuperação do local estava em marcha.
Cercada de frondosas árvores, vemos um típico exemplo de uma Igreja Ortodoxa Russa, com paredes de madeira proporcionalmente distribuídas e adornada por várias cúpulas.
Com suas alegres cores, o efeito geral lembra, um brinquedo, um modelo de armar.

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Uma "hacienda" no México

03 de fevereiro de 2016 0
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Fotos Rosane Tremea

Alguns posts atrás, escrevi sobre a ida dos Cavaleiros da Paz para o México.

A essa altura, os gaúchos já estão por lá, cavalgando por entre antigas e históricas “haciendas”.

E aí lembrei que, numa viagem de quase um mês por aquele país, passei um dia numa hacienda no estado de Jalisco, na cidade de Lagos de Moreno.

Estávamos hospedados na cidade e fomos conhecer a Hacienda Las Cajas, a convite dos proprietários, a família Pedrero.

Fotos Rosane Tremea
Só a viagem curta já teria valido a pena, passando por campos gigantes de agave-azul (a planta da qual se faz a tequila), mas o melhor ainda estaria por vir.

Chegamos ao casarão colonial com pelo menos dois séculos de histórias (a propriedade data de 1576, mas não há informações exatas sobre as construções) e que, desde 1956, pertencia à família Pedrero, tradicionais criadores de touros e de cavalos quarto-de-milha.

Ali também, durante dois meses por ano, funcionava uma escola de Charrería (vou falar mais adiante sobre isso), um esporte nacional do qual um dos Pedrero, Alejandro, era um dos grandes campeões então (ele, inclusive, esteve na Expointer de Esteio em 2015).

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Como a final do campeonato nacional seria dali a uns dias em Guadalajara, a capital do estado de Jalisco, a casa estava lotada de gente da família que tinha viajado para acompanhar as provas.

Tivemos então, naquele dia, uma intensa mostra de cultura, esporte, gastronomia e convívio familiar, além de muita história.

De cara, o que se vê é a imponência da capela, com colunas dóricas.

Não era um lugar turístico àquela altura (li que agora, passados mais de 10 anos, o lugar teria se transformado em hospedagem turística, mas encontrei uma única referência sobre isso), o que tornava tudo mais autêntico.

O casarão, conta o pai de Alejandro em um vídeo de 2013 disponível no Facebook (clique aqui para assisti-lo e ver mais imagens da hacienda), estava em ruínas quando o pai dele comprou a propriedade, em 1956.

Não estava superrestaurado quando estivemos lá, e o tamanho e o custo para mantê-lo certamente eram impeditivos para manter o lugar brilhando, mas ainda assim a beleza da construção, o mobiliário e utensílios chamavam atenção.

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Almoçamos um almoço de mesa farta e comidas típicas, num ambiente alegre e festivo.

Conhecemos a propriedade, vimos algumas exibições de laço de futuros charros.

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No dia seguinte, seguimos para Guadalajara para acompanhar algumas finais do campeonato.

Passamos quase um dia inteiro acompanhando as provas e deu para perceber o quanto o esporte é levado a sério, com transmissões ao vivo, jornalistas especializados, arena que não deixa a perder para nossos estádios de futebol, em tamanho e infraestrutura.

É um pouco do que os cavaleiros gaúchos encontrarão por lá.

Gostei de eles me terem feito lembrar daquele trecho da viagem, que nunca foi esquecido, mas do qual poucas vezes falei.

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Um ano para viajar (!?)

04 de janeiro de 2016 0

Encerrei 2015 e comecei 2016 terrivelmente triste.

Perdi um amigo querido que, entre outras coisas, compartilhava o gosto por viagens. Ele, muito mais aventureiro do que eu, gostava de esportes, de ciclismo, de corrida… Viajava o mundo atrás de uma nova aventura e de superação.

Começamos juntos no jornalismo e, na faculdade, fizemos duas viagens inesquecíveis pelo interior do Rio Grande do Sul: um curto final de semana em Rio Pardo e quatro dias de um mergulho improvável pela Estação Ecológica do Taim

O Taim recém havia recebido essa distinção e nos fomos lá, sem nenhum dinheiro no bolso, com uma vaga ideia na cabeça, as câmeras emprestadas do Hilário, o Passat enjambrado do meu amigo carregando as nossas juventudes e ideais, com os colegas/amigos Luís, Kátia, Paulo, Andrea, Marilene.

Vivemos quatro dias intensos, com a cumplicidade/parceria dos administradores da reserva, percorrendo os canais em aerobarco, em canoas de lata, andando por banhados, percorrendo trilhas…

Compartilhamos os improvisados alojamentos ocupados por pesquisadores onde nós, urbanos, nos assustávamos com o tamanho dos insetos, das rãs que habitavam os banheiros, do desconforto…

Compartilhamos, na volta, a ilha de edição para montar o documentário que, na nossa cabeça, ganharia o mundo, como se fôssemos produtores da National Geographic, mas ficamos mais do que satisfeitos em vê-lo exibido na faculdade e na TV local.

Depois, viajamos, todos nós, por mundos diferentes.

E foi duro, saber agora, que nossos caminhos não se cruzarão mais.

Fiquei sem vontade de viajar. Sem vontade de escrever.

Deixei o blog à própria sorte.

Despertei de minha letargia nesse primeiro sábado/domingo de 2016.

Primeiro porque minha querida amiga Nina me presenteou com uma lembrança (pós) natalina que eu amei.

Ela me deu um pequeno (mesmo) Diário de Ushuaia, produzido pela Ana Cândida Sommer, do Ateliê de Bolso (com o querido Antonio Vasques, ela faz outras coisas lindas!).

Veja o tamanhinho do livro, comparado a esse guia que nem grande é.

Foto Rosane Tremea

Foto Rosane Tremea

Ela já fez outros também, como esse de Berlim abaixo.

Foto Ateliê de Bolso, arquivo pessoal

Foto Ateliê de Bolso, arquivo pessoal

Ana conta as viagens com seus desenhos delicados e pequenas frases/acontecimentos, para lembrar de tudo além das fotos e das memórias.

É ela quem descreve:

“Os mini diários desenhados começaram quando percebi que não conseguiria guardar apenas na lembrança esses acontecimentos ou pensamentos que ocorrem quando estamos viajando.”

Eu também, Ana, escrevo diários, mas não desenho nem faço coisas lindas como essa com a qual fui brindada.

 ***

Depois de recebido o mimo, e talvez por isso, tive um sonho. Estava numa roda de conversa sobre viagens. Era um pátio, com vários ambientes diferentes, meio aberto, e chovia.

Eu devia falar sobre experiências de viagem e tinha levado uma dessas indefectíveis apresentações em powerpoint, que insistia em não funcionar. E íamos rodando o pátio atrás de uma TV ou projetor que aceitasse minha apresentação. Era quase um pesadelo.

Enquanto isso, para distrair a plateia, que curiosamente aumentava em lugar de diminuir, fui pedindo que cada um dissesse qual tinha sido a primeira e a última viagem. Surgiram histórias lindas, cada um querendo falar mais do que o outro.

E contei a minha: a primeira, no Ford 1949 do meu tio, rumo à casa italiana com porão de pedra dos meus avós, numa vila de uma cidade minúscula do Rio Grande do Sul. A última, neste Natal, com quase toda a família em comboio, num porão italiano do interior de Garibaldi que tem a propriedade de me fazer sentir em casa.

 

Foto Rosane Tremea

Foto Rosane Tremea. A casa de meus avós.

Foto Thaís Sellini Tremea

Foto Thaís Sellini Tremea. O porão de Garibaldi

***

De volta ao começo.

Que 2016 nos reserve muitas viagens. Mas, principalmente, que elas nos tragam/devolvam o melhor de nós mesmos.

 

Conhecendo Chicago de bicicleta

18 de novembro de 2015 0

De vez em quando, a Nara Caviquioli, jornalista e leitora do blog, manda uma colaboração de suas andanças pelo mundo.

Agora, a dica é um passeio por Chicago.

Já tinham me atiçado com as atrações pela cidade, que a Nara reforça com texto e fotos enviados gentilmente ao blog.

Confira abaixo:

 

Fotos Nara Caviquioli, arquivo pessoal

Fotos Nara Caviquioli, arquivo pessoal

“Chicago é uma cidade incrível, um museu de arte moderna a céu aberto.

Agora imagine poder conhecer tudo isto sem ter que dirigir, estacionar e se incomodar no trânsito ou pegar taxi, metrô, ônibus e o melhor de tudo, fazendo exercício! Então desta vez resolvemos fazer tudo de bicicleta.

Primeiramente aconselho ir para Chicago quando as temperaturas estão propícias para isto, claro!

E quando se fala de custo benefício eu indico ficar hospedado na região do The Loop, parte central da cidade.

 

Jardim 3 na região do The Loop

Jardim 2 na região do The Loop


Aí começa a diversão! É só alugar uma bicicleta e sair pedalando pela cidade, porque em qualquer rua existe uma ciclo faixa. Digo ciclo faixa, pois muitas vezes é compartilhada pela faixa lateral dos carros, mas tudo com muito respeito e segurança.

O aluguel da bicicleta custa 10 dólares mais impostos por um período de 24 horas. A única parte chata é que a cada 30 minutos você tem que trocar a bike, faz parte do sistema de segurança, mas existem muitos pontos disponíveis. E vale até a pena o pit stop, pois a maioria dos lugares são lindos e você ainda pode parar e se refrescar. E isso é necessário porque no verão faz MUITO CALOR em Chicago.

Em Chicago é maravilhoso poder ver a cada esquina um jardim enorme de flores, que são cultivadas com esplendor nas estações da primavera, do verão e com sorte chegam até meados do outono. Ficamos encantados com a diversidade e cuidado como são tratados os canteiros de flores e fontes que existem na cidade.

 

jardim

Jardim Navy Pier

jardim decorado


Neste tour de bike eu indico a visitação dos seguintes pontos: passear pela Avenida Michigan, ir até pista do Lakefront Trail – o visual é lindo e seguindo por ela você chega até o complexo da Navy Pier, repleto de restaurantes e diversos entretenimentos, com uma vista maravilhosa.

 

Vista do Lakefront Trail

Vista Navy Pier

Navy Pier

 

E quando o calor apertar corra até Buckingham Fontana, que fica dentro do Grant Park. A fonte tem um chafariz de mais de 10 metros de altura, podendo alcançar até 30 metros, assim você vai poder sentir uma brisa bem geladinha e se molhar para espantar o calor.

 

Fontana Buckingham


Bem próximo fica o The Cloud a famosa escultura metálica que todos devem parar e tirar uma bela foto.

Bem em frente tem um ponto para você deixar a sua bike e poder conhecer tudo que tem de bacana neste local, como o auditório do Millenium Park, onde acontecem vários espetáculos, a Crown Fountain com projeções em LED e muita água em volta para molhar os pés e até mesmo o corpo inteiro.

Escultura The Cloud

 

Escultura Flamingo

Crown Fountain


Depois, pegue novamente a sua bike e vá até Magnificent Mile é uma das áreas mais famosas de Chicago, lojas de grife, prédios monumentais e de preferência desça as escadas e ande pela River Walk ao longo do Rio que corta Chicago, a paisagem é incrível.

 

Magnificent Mile

Vista River Walk2

Vista River Walk1

 

Claro que existem inúmeros pontos para se visitar de bike e vale a pena explorar cada parque, praça, escultura, museu e os jardins de Chicago.”

Um relato sobre Rishikesh, na Índia

04 de novembro de 2015 0

Ele tinha mandado um relato sobre a Amazônia e, agora, o Eduardo Majewsky envia a descrição de uma viagem à Índia.

Sem mais, seguem abaixo o texto enviado e as fotos:

 

ÍNDIA – RISHIKESH

12. Rio Ganges e Shiva

Fotos arquivo pessoal

 

“Antes de viajar para a Índia me disseram, ou eu li em algum livro, que não era país de meios termos, quero dizer, ou você gosta tanto a ponto de querer voltar, ou você odeia a ponto de nunca mais querer saber.
Eu me incluo no primeiro grupo e ainda pretendo voltar, pois a Índia é como o Brasil, enorme, impossível de se conhecer numa única viagem.
Todas as cidades da Índia, mesmo as pequenas ou médias, são populosas.
O último censo apontou para 1 bilhão e 200 milhões de habitantes, algo como 6 Brasis…
Fomos em 2012, primeiro ao Nepal e de lá direto a Delhi, mas no dia seguinte já estávamos no trem que nos levou a Haridwar, uma das sete cidades sagradas para os indianos, banhada pelo Rio Ganges.
Haridwar fica a 220 km de Delhi, o que na Índia significa tanto de carro, bus ou trem , umas seis horas de viagem.
Mas este ainda não era o fim da linha.
Mais 20 km de carro por uma estradinha cujo asfalto precário só passava um veículo, para chegarmos finalmente a Rishikesh.
Rishikesh, conhecida como Tapo Bhumi (o local de meditação dos Deuses) também é banhada pelo Ganges (lá se chama Ganga), que nasce bem ali pertinho nas montanhas do Himalaia, por isso a água é bem mais limpa e transparente que em outros lugares.
A cidade é pequena, mas populosa, tanto em moradores como viajantes, muitos destes praticantes ou estudantes de Yoga.
Rishi é a capital mundial da Yoga. A espiritualidade está no ar, no rosto das pessoas, muito indianos viajam para cá com o mesmo objetivo dos estrangeiros : a busca de aperfeiçoamento e evolução na doutrina Yogue, ministrada pelos gurus nos Ashrams, que se situam nas margens do Ganges.
Ashrams são centros de Yoga, que hospedam os praticantes pelo tempo ou projeto desejado, mas se você quiser só se hospedar como pousada, só para estar no “clima”, no problem!

09. Salão de Meditação II


A cidade é cortada pelo Ganges, mas tem duas pontes que a unem, a principal é a Lakshman Jhula, que é suspensa e tem uns 200 metros de extensão, porém bem estreita. Estreita a ponto de os macacos que vivem pendurados lhe roubarem alguma coisa. Tem que estar ligado. O alvo principal são as crianças, principalmente se estiverem com algum doce na mão. Por isso não estranhe se você enxergar um macaco pendurado comendo um sorvete, por exemplo…
A arquitetura local faz a gente confundir construções residenciais com ashrams ou com templos dedicados a santíssima trindade do hinduímo – Brahma, Vishnu e Shiva.

ATT_1446237504067_06. Oca 9

Outro atrativo imperdível em Rishikesh se refere à música, em especial aos Beatles. Em 1968, os Beatles viajaram a Rishikesh para mergulhar na Meditação Transcedental, cujo expoente era o guru Maharishi Mahesh Yogi, amigo dos Fab Four, especialmente de George Harrison, que sempre teve nitidamente uma antena voltada para a espiritualidade. Foram em um grupo de 60 pessoas, entre esposas, namoradas, outros músicos e o time da gravadora. Ringo e sua esposa não aguentaram mais do que uma semana, dizem que ele não conseguiu ficar lá sem carne e cerveja…(em Rishikesh não se encontram bebidas alcoólicas e a comida é 100 % vegetariana). Paul ficou um mês e John e George ficaram seis semanas. Nessa estada, passavam parte do tempo sob os ensinamentos do Guru ou meditando nas ocas numeradas. Na realidade, compondo. Foi nesse curto período que Lennon/McCartney compuseram a maioria das canções do Álbum Branco (The White Album), para mim o melhor dos Beatles – a revista Rolling Stone o coloca em 10º melhor de todos os tempos numa lista de 500 discos.

Hoje restam apenas ruínas daquilo que foi na década de 60 o maior templo de meditação transcedental da India, mas entre as ruínas estão as ocas, um tipo de iglu, brancos, arredondados, pequenos, cobertos de pedras, tem que se abaixar para entrar e dentro é difícil permanecer em pé. Um desses iglus tem o número 9 e, segundo o nosso “guru-guia”, era o preferido de John e Paul e/ou John e Yoko. Casualidade ou não, no White Album, uma das músicas chama-se “Revolution 9”, aonde na letra aparece em forma de mantra a frase ”number 9…” repetida dezenas de vezes e, mais tarde, em disco solo, John Lennon regravou a música com o nome “#9 Dream”…casualidades…

10. Ganga Aarti

11. Ganga II

 

Ao entardecer, acontece a cerimônia do “Ganga-Aarti”, às margens do Rio Ganges, que é sagrado aos hindus.

Antigos reis utilizavam a água do rio como purificação do corpo e da alma, passsou-se então a cremar os corpos de pessoas da família e espalhar as cinzas no rio.

Ganga vem do nome de uma deusa que é personificada nas águas do rio. Aarti é um ritual de devoção a Ganga, que usa o fogo como oferenda. Ele geralmente é feito na forma de uma lâmpada acesa, e, no caso do Rio Ganges, um pequeno suporte de apoio com uma vela e flores são colocados flutuando rio abaixo, tudo ocorre ao som de mantras, cânticos religiosos executados por músicos e toda a audiência.

Em poucos segundos você “decora” o mantra e sai cantando junto com a multidão, embalado por cítaras, flautas e percussão.

A sensação neste momento é que não termine mais…como disse Vinícius – que seja infinito enquanto dure…

O Ganga-Aarti mais tradicional em Rishikesh é o que acontece nas escadarias que descem ao Ganges, em frente ao Ashram Parmath Niketan.

No rio bem em frente à cerimônia, há uma enorme estátua de Shiva, o Deus guerreiro contra todos os males.

Assim acabam os dias em Rishikesh. Da cerimônia retornamos à pousada para um jantar vegetariano à luz de velas regado a água mineral…bem gelada!”

Um roteiro pela Amazônia

08 de outubro de 2015 0
Fotos arquivo pessoal

Fotos arquivo pessoal. Interagindo com os botos rosa, os golfinhos da Amazônia, no Rio Negro


O Eduardo Majewsky, leitor que acompanha a coluna e o blog, fez um roteiro de 20 dias pela Amazônia e mandou relato e fotos dessa aventura.

Leia abaixo:

“Descobri que o mundo tem 6 continentes: Europa, Ásia, Américas, África, Oceania e a Amazônia !

Para ter uma ideia, caberiam 10 Franças inteirinhas na Amazônia !

Essa foi a primeira viagem, mas depois do que experimentamos serão muitas, não tenho dúvidas.

Estivemos em Manaus e em boa parte da longa extensão do Rio Negro.

Nas Anavilhanas, o segundo maior arquipélago do planeta, no município de Novo Airão, a 200 quilômetros de Manaus

Depois fomos de barco até Santarém, 30 horas navegando pelo Rio Amazonas, em meio a nativos, nortistas e muitos estrangeiros, a maioria europeus.

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Comunidade indígena no Rio Negro


De Santarém fomos a Alter do Chão, em mais 38 quilômetros.

Alter (se pronuncia ALTÉR) é um capítulo à parte na viagem.

É chamada de “Caribe Brasileiro” devido às águas verdes do Rio Tapajós.

Daqui existe uma infinidade de passeios, todos de barco, a florestas, ilhas, igapós, comunidades ribeirinhas e comunidades indígenas.

Nesta época (agosto/setembr0), as águas já estão baixas e as praias começam a aparecer - a mais famosa, que fica em frente a Alter, é a Ilha do Amor, lindíssima.

Gastronomia? Pirarucu, tambaqui, tucunaré, assados, grelhados, na telha, na taquara, de todo jeito. Costela de tambaqui ou pirarucu se come igual a churrasco, os peixes são enormes.  Tucunaré é melhor na caldeirada.
E tem a Piracaia, que é uma festa na praia, à noite, com fogueira, peixe assado, normalmente o pirarucu, e muito carimbó, a música do Norte.

Na segunda quinzena de setembro tem a maior festa de Alter que é o Çairé (assim mesmo), parecida com o festival de Parintins, onde disputam o Boi Caprichoso e o Boi Garantido. No Çairé disputam também dois grupos folclóricos: o Boto Tucuxi e o Boto Cor-de-Rosa.

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O bicho mais querido da Amazônia, o bicho-preguiça


De Alter fomos a Belém e direto à Ilha do Marajó.  Na realidade, Marajó não é ilha e, sim, arquipélago. As duas maiores ilhas são Soure e Salvaterra. Ficamos nesta numa pousada em frente ao Rio Pará, extensão do Rio Amazonas.

Em Soure tem duas praias de fazer inveja a qualquer Pipa, Maragogi e outras do Nordeste, que são a do Pesqueiro e Barra Velha. Legal é que tu tomas banho de rio, mas no horizonte já é o Oceano Atlântico, que se vê perfeitamente.

No Marajó não tem aeroporto, tampouco alguma ponte que ligue ao continente ou mesmo entre as ilhas, é só de barco ou ferry.

Curiosidade: aqui a polícia local monta em búfalos, chamada de Bufalaria. O maior rebanho de búfalos do Brasil está no Pará, em especial no Marajó. O filé marajoara é isso mesmo, filé de búfalo gratinado com queijo dele mesmo…uma delícia !

Voltamos a Belém novamente de barco, em 3 horas e meia de viagem.

Muitas coisas interessantes: o Teatro da Paz, Mercado Ver-o-Peso, Basílica de Nazaré (aqui tem a festa do Círio de Nazaré, em outubro), Estação das Docas (igualzinho ao nosso cais, só que totalmente aproveitado com espaços culturais, restaurantes, bares, que inveja!)

Gastronomia? O tacacá, típico do Pará, comida indígena por natureza: primeiro porque é servida numa cumbuca natural, depois porque leva tucupi (caldo da mandioca), farinha de tapioca, folhas de jambu e peixe.

Mas tem também o pato no tucupi, costela de tambaqui na brasa e muitas frutas, muitas mesmo, a perder de vista…sucos, sorvetes…”

Depois de oito meses de viagem, o que contam Romulo e Mirella do que já viram por aí

15 de setembro de 2015 0

Quando eles embarcaram para essa aventura, conversei com Romulo e Mirella e publiquei aqui no blog e na coluna as expectativas que tinham para esse roteiro de dois anos pelo mundo, passando por 40 países em todos os continentes.

Agora, que o tempo já passou um bocado, eles mandaram um relato e a sugestão de um vídeo sobre o que já viram por aí. Confira o recado abaixo e assista ao vídeo:

 

“Oi, Rosane tudo bem? Por aqui, tudo ótimo!

Recentemente completamos oito meses de viagem, percorremos 15 países, rodamos mais de 35 mil quilômetros. Mas o mais importante é que fizemos tudo isso nos hospedando através do couchsurfing.

Em 244 dias de viagem nos hospedamos gratuitamente 200 dias através do couchsurfing ou em casa de pessoas que nos ofereciam.

É uma comunidade que nos ofereceu muito mais que hospedagem gratuita: nos proporcionou fazer muitas novas amizades.

Fizemos esse vídeo onde contamos que viajar é muito mais que visitar lugares e fotografar paisagens. Viajar de verdade para nós é conhecer pessoas e compartilhar experiências com elas.”

Nosso canal do YouTube é youtube.com/vlogandshare

Um abraço,

Romulo e Mirella
Travel and Share

 

Trilha musical no sul dos Estados Unidos

11 de agosto de 2015 0

Finalmente consegui reunir, para a edição impressa, um pouco mais sobre o roteiro que fiz em abril por três cidades do sul dos Estados Unidos: Nashville, Memphis e New Orleans.

Aqui no blog, fui escrevendo vários pequenos posts e este aqui aglutina alguns deles.

Pra começar, fotos de locais relacionados à música nesse primeiro slideshow abaixo (e já vou avisando que os vídeos que se seguem são bem amadores, como eu costumo fazer).

Neste link aqui, um pouco da música ouvida em lugares fechados ou mesmo na rua NAS TRÊS CIDADES.

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Neste outro, falo sobre uma visita a GRACELAND, a mansão de Elvis Presley, o eterno rei do rock, e sobre a área interativa do Country Music Hall of Fame and Museum, em NASHVILLE.

 

Fotos Rosane Tremea

Fotos Rosane Tremea


E aqui, um pequeno passeio por um tradicional barco a vapor pelo RIO MISSISSIPPI.

 

Fotos Rosane Tremea

Fotos Rosane Tremea


Em NEW ORLEANS, um lugar bacana para ouvir jazz bem tradicional.

 

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E pra encerrar, algo que não tem nada a ver com música: um videozinho sobre a curiosa Marcha dos Patos do hotel Peabody, em Memphis, um ritual cumprido todos os dias, às 11h e às 17h. No lobby do hotel, há 75 anos, essa cerimônia é acompanhada por uma pequena multidão, não só de hóspedes, que assiste a cinco patos saírem do elevador e entrarem na fonte onde passam o dia. No final da tarde, eles fazem o trajeto inverso, entram no elevador e são levados ao terraço, onde dormem.

Minhas duas companheiras de viagem, Alessandra e Francini, e eu, nos hospedamos no Peabody. Na marcha da tarde, estávamos lá acomodadas num dos sofás do lobby à espera da saída dos patos. Pedimos um ponche (!) e ficamos à espera do “espetáculo”. É um exemplo de como transformar qualquer coisa em atração e tradição. Além da marcha, os patos viraram suvenires, sobremesas, sabonetes… Há tudo o que se pode imaginar em forma de pato. Foi divertido, de qualquer forma. Abaixo está meu vídeo amador. Mais abaixo, um mais antigo que foi produzido pelo Animal Planet.