Talvez por ter viajado sozinha nas últimas férias, fiquei mais atenta ao que chamei de "cenas de solidão".
Não necessariamente pessoas sozinhas, mas objetos, lugares, cenários me transmitiam sensações de solidão.
Curioso é que não sinto a palavra apenas com conotação negativa, que é só com o que deparo.
Queria algo que transmitisse essa ideia para para acompanhar minhas fotos, tiradas em Colônia do Sacramento, no Uruguai... Não encontrei.
E de tudo que li, do que eu mais gostei foi um trecho de um poema de CLARICE LISPECTOR, que pede coragem para enfrentar a solidão.
Meu Deus, me dê a coragem
(...)
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
E mesmo assim me sentir
Como se estivesse plena de tudo.
(...)
E a Miriam, que deixou um comentário no post, lembrou de uma música que fala de solidão de um jeito muito bonito, como em geral é a obra do uruguaio Jorge Drexler. Seguem letra e música:
Soledad
Jorge Drexler
Soledad,
Aqui están mis credenciales,
Vengo llamando a tu puerta
Desde hace un tiempo,
Creo que pasaremos juntos temporales,
Propongo que tú y yo nos vayamos conociendo.
Aquí estoy,
Te traigo mis cicatrices,
Palabras sobre papel pentagramado,
No te fijes mucho en lo que dicen,
Me encontrarás
En cada cosa que he callado.
Ya pasó,
Ya he dejado que se empañe
La ilusión de que vivir es indoloro.
Que raro que seas tú
Quien me acompañe, soledad,
A mi que nunca supe bien
Cómo estar solo.
E minha colega Cláudia Laitano, depois de ver este post no Facebook, ficou intrigada com uma coincidência: logo após o meu estava lá um outro post, com um poema sobre solidão do uruguaio Mario Benedetti... E me mandou o link. Reproduzo o texto e uma leitura dele, que é linda.
Hablo de tu soledad
Hablo de tu infinita soledad
dijo el fulano
quisiera entrar al saco de tu memoria
apoderarme de ella
desmantelarla desmentirla
despojarla de su último reducto.
Tu soledad me abruma/ me alucina
dijo el fulano con dulzura
quisiera que en las noches me añorara
que me echara de menos
me recibiera a solas.
Pero sucede que/
dijo calmosamente la mengana/
si tu bendita soledad
se funde con la mía
ya no sabré si soy en vos
o vos terminás siéndome.
¿Cuál de los dos será
después de todo
mi soledad legítima?.
Mirándose a los ojos
como si perdonaran
perdonarse
adiós
dijo el fulano;
y la mengana
adiós.
































