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Posts com a tag "buenos aires"

Buenos Aires em um bonde

05 de fevereiro de 2010 2

Bem pertinho da minha casa, há um atelier num bonde. E no bonde, até o dia 10, tem uma mostra de fotos chamada BS AS – BRAÇOS ABERTOS, com uma seleção de fotografias de Buenos Aires.

A capital argentina foi fotografada pela artista plástica e estudante de Design Luísa Hervé no final de 2009.

Serviço

Exposição Bs As – Braços Abertos

Atelier do Bonde (Av. Otto Niemeyer, 1.173, bairro Tristeza, Porto Alegre)

Até 10 de fevereiro de 2010, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h

Entrada gratuita

Se quiser ver mais fotos: www.flickr.com/photos/luisaherve

Para ler na folga de Natal, uma história de viagem

26 de dezembro de 2009 0

A cada 15 dias, no Recortes de Viagem do Caderno de ZH, é publicada uma “História de Viagem”. É sempre algo pitoresco, engraçado, interessante que aconteceu em algum passeio mundo afora. Os leitores são convidados a enviar, os colegas de Redação também. Essa abaixo foi escrita por mim mesma, para a edição de 1º de dezembro.

No teatro, proteja-se


Você já levou uma bengalada? Eu levei. Juro que não merecia. Um professor meu costumava dizer que quem bate pode não saber por que, mas quem apanha deveria saber. No meu caso, não era verdade. Antes que me enrede no próprio texto, vou contar.

Era o último dia de férias de um roteiro iniciado no Chile e que se encerraria em Buenos Aires. Um único dia em Buenos Aires.

Há milhares de coisas para se fazer na capital argentina, você sabe. E minha irmã e eu decidimos fazer centenas delas num só dia. Para encerrá-lo, iríamos ao teatro. Ao chegar à cidade, pela manhã, compramos o ingresso para um musical sugerido durante nossa viagem por um mexicano.

“Eva”, estrelado pela atriz e cantora Nacha Guevara, com mais 25 atores e uma orquestra. Perfeito. Poucas coisas combinam tanto com Buenos Aires quanto a história de Eva Perón. Não por nada, compramos os ingressos mais caros disponíveis no Teatro Lola Membrives, um dos tantos da Calle Corrientes – em geral, quanto mais caro, melhor localizado. Era o que parecia e o que prometeu o mal-humorado bilheteiro que nos vendeu os tíquetes.

Saímos para aproveitar ao máximo a cidade, o que de fato aconteceu.

O musical teria duração de três horas e, como não queríamos perder nem um minuto sequer, decidimos não voltar para o hotel, jantar antes do teatro, uma Quilmes pra relaxar, e seguir direto para lá.

Nossas roupinhas de turistas que bateram perna o dia inteiro se destacavam entre homens e mulheres bem vestidos, muitos de uma faixa etária mais avançada. Minutos na fila revelavam o resto: todos eles fãs incondicionais de Evita, a mãe dos pobres argentinos morta aos 33 anos, ávidos por ver sua representação no palco.

Nos acomodamos em nossos lugares, aparentemente bem localizados, para assistir ao espetáculo, preciso nos detalhes, rico nos cenários e nos figurinos. Estava tudo muito bom, tudo muito bem, até se apagarem as luzes. E os defeitos da configuração da plateia não tardaram a surgir. A movimentação do elenco no palco fez o resto. A pessoa que se sentou à minha frente movia-se de um lado para o outro freneticamente para acompanhar as cenas, o que me obrigava a fazer o mesmo. Meu pouco mais de metro e meio não me deixava outra alternativa. O fazia de forma discreta, mas não foi assim que entendeu uma senhora que estava na fileira de trás, acompanhada da filha.

No fim do primeiro ato, veio a tal bengalada do início do texto. Levei um susto.

– Que te quedes quieta, que tambien yo quiero ver – disse a velha senhora, irada.

Entre surpresa e constrangida, não disse uma palavra, só apontei para o espectador da frente. Tomei a bengalada e fiquei bem quietinha.

No intervalo para o segundo ato, a mulher e sua filha mudaram de lugar. Eu fiquei ali e, para minha sorte, o cenário transferiu-se para o outro lado do palco, o que fez com que meu vizinho da frente se acomodasse. Assim como os argentinos, não esquecerei Evita tão fácil.

Nesta seção, publicada quinzenalmente, você pode contar uma situação pitoresca, inesperada, divertida ou nem tanto ocorrida em viagem. Envie sua contribuição para viagem@zerohora.com.br. Ah, fotos sempre serão bem-vindas.