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Posts com a tag "Férias"

Manual pós-férias

26 de fevereiro de 2010 0

Dias atrás, a Folha de S.Paulo produziu uma espécie de manual interessante sobre como conservar equipamento usado em férias, para a prática de esportes, camping, organização de fotos etc. Muito útil.

Fiz um resumo do que foi publicado, com a intenção de ajudar quem está retornando agora, e acrescentei algumas sugestões (no caso das fotos!). Veja abaixo:

Barraca de camping

– Não deve ser guardada suja nem úmida. O ideal é limpá-la ainda no camping, com pano úmido ou escova macia, e guardá-la em sacola própria, na posição horizontal, para que as varas não estraguem o tecido.

Equipamento de esqui
– Guarde as botas com os ganchos fechados, exceto o último, para que a borracha não resseque. A prancha deve ser limpa com pano úmico e seca, para depois ser guardada em plástico bolha.

Roupas de inverno
– Podem ser guardadas em capas de TNT ou em caixas de plástico transparente, caso não haja lugar no armário.

Roupas de neoprene
– Devem ser lavadas com água doce, assim como todo o equipamento usado para mergulhar ou surfar. Não use prendedores para pendurar a roupa; utilize cabides.

Roupas de banho
– Podem ser lavadas na máquina de lavar, sem necessidade de separação, porque não desbotam.

Fotos
– Copie em pastas fáceis de localizar no computador e faça cópias de segurança em DVD.
– Para facilitar a organização e localização posterior, coloque em ordem cronológica e com o nome da cidade, identificando-as com legendas.
– Você pode fazer uma seleção das melhores para imprimi-las, para montar photobooks ou compartilhar em sites como Flickr ou Picasa.

Volta das férias

22 de fevereiro de 2010 1

Muita gente deve estar voltando de férias hoje, agora que passou o Carnaval e a Quarta-Feira de Cinzas etc e tal (não é meu caso, que as minhas ainda estão por vir!!!!)…

E é para esses que eu reproduzo abaixo um texto publicado pelo psicanalista Contardo Calligaris na Folha de S.Paulo de 28 de janeiro.

Por falar da volta para casa, de nostalgia, dos motivos pelos quais nos movemos, e voltamos… Ah, o pôr do sol da foto não é o mesmo a que ele se refere, é meramente ilustrativa…

Volta com pôr do sol

NO SÁBADO passado, no aeroporto de Chicago, esperava o voo que me levaria de volta a São Paulo. Diante de mim, uma longa parede de vidro mostrava, além dos aviões estacionados, um pôr do sol glorioso e dilacerante.
Por alguma sabedoria (consciente ou não), meus companheiros de espera estavam quase todos sentados de costas para a janela. Alguns poucos, pela posição de seus assentos, teriam condição de contemplar o pôr do sol, mas não levantavam os olhos de seu notebook.
Oscar Wilde afirmava que o pôr do sol só passou a existir com as pinturas de William Turner, no começo do século 19; era um jeito de dizer que a natureza está lá desde sempre, mas é a arte que nos ensina a enxergá-la. Concordo. E há outras razões pelas quais o pôr do sol é uma experiência especificamente moderna.
Nos últimos 300 anos, atribuímos mais importância à existência individual de cada um do que à vida de grupos, tribos e nações, ou seja, salvo momentos vacilantes de fé em ressurreição ou reencarnação, nossa morte nos parece acabar com tudo o que importa. Somos, portanto, especialmente sensíveis ao fim do dia, cujo espetáculo acarreta consigo a lembrança dolorosa do fim de nossa jornada, que se aproxima.
A psicopatologia reconhece, aliás, a existência, em alguns indivíduos, de variações sazonais do humor: depressão no outono e no começo do inverno e, às vezes, exaltação maníaca na primavera. Pode ser que a alternância das estações, sobretudo onde elas são mais marcadas, longe do Equador e dos trópicos, produza mudanças no metabolismo. Mas pode ser, simplesmente, que a alternância das estações lembre o ciclo de nossa vida, e o outono seja o equivalente anual do fim da tarde de cada dia.
No caso do pôr do sol de sábado, em Chicago, visto da sala de espera de um aeroporto, era como se a iminência da viagem tornasse a experiência mais triste. Por quê?
Há um quadro de Jean-François Millet, que todo mundo conhece, “O Ângelus”, pintado em 1859. Nele, um casal de camponeses, no meio da lavoura, ouve os sinos do ângelus vespertino (à distância, vê-se o campanário de uma igreja). Os sinos dizem que é a hora de rezar e que o dia acabou.
Deveria emanar do quadro uma sensação intensa de paz: seu ofício cumprido, o casal logo voltará para o calor pobre, mas digno, de seu lar. Mas esse retrato de uma vida simples e reta sempre foi, para mim (e não só para mim), estranhamente aflitivo. Acontece que o ângelus vespertino é um toque de paz só para quem tem uma casa para a qual voltar. Para os outros, é o sinal melancólico de uma perda sem remédio.
Tudo bem, viajei muito. Várias vezes, ao longo da vida, mudei de língua e país, mas o que importa aqui não são os acidentes de minha história. A modernidade se define pela viagem, pela decisão de não aceitar que o lugar onde nascemos seja nosso destino -por exemplo, pela vontade de deixar o campo e ir para a cidade. É assim desde o século 13 ou 14, quando a gente começou mesmo a circular -primeiro pela Europa, depois pelos mares e por terras incógnitas e agora pelos céus e mundo afora.
Na “Divina Commedia” (que é uma enciclopédia da modernidade incipiente), Dante descreve assim o fim da tarde (minha tradução em prosa de “Purgatório, 8, 1-6″): “Já era a hora em que o desejo volta aos navegantes, e seu coração é enternecido pela lembrança do dia em que disseram adeus a seus doces amigos; é também a hora que fere de amor o novo viajante, se ele ouve de longe um sino que parece chorar o dia que está morrendo.”
Pelo gênio de Dante, o desejo dos navegantes não é, como se esperaria, o anseio de novas terras no horizonte de sua viagem. Claro, a viagem os seduz, mas seu desejo é nostalgia do que eles deixaram atrás, do que perderam por se tornarem viajantes.
E perderam o quê? Sobre que perdas se funda a subjetividade moderna -a nossa, livre e andarilha? Este é o custo básico da liberdade e da autonomia que prezamos acima de tudo: a gente renuncia, antes de mais nada, ao calor do lar – aquele lar que nos esperaria ao fim de cada dia, se tivéssemos ficado no campo, com os camponeses de Millet.
Alguém dirá: que drama é esse? Perde-se a casa dos pais, mas a gente faz outra. Não tem um ditado que diz: “Quem casa quer casa?”.
Tem, sim, e, justamente, uma razão pela qual casar-se é tão complicado, é que a gente casa porque quer não “uma” casa, mas “aquela” casa, a que a gente perdeu e nunca vai reencontrar. Enfim, tudo isso escrito enquanto, justamente, volto para casa.”

Sua casa pode ser um lugar para passar férias

14 de fevereiro de 2010 0

    Dias atrás, Luis Fernando Verissimo escreveu um texto engraçadíssimo sobre férias. E das muitas roubadas que são as ofertas de pacotes turísticos que nos oferecem o tempo inteiro.

    Acho que já contei aqui sobre as férias de minha mãe (não lembro direito se já escrevi, e a busca não se revelou muito eficiente…).

    Assim como escreve Verissimo, Dona Rosa considerava a própria casa o melhor lugar para tirar férias. E, como a ex-secretária Neuza Canabarro em tempos de calendário rotativo (quem viveu o início dos anos 90 no Estado lembrará!), o período ideal para ela era março.

    Explico: janeiro e fevereiro era a época de a filharada passar férias na casa da mãe. Não contentes em lotá-la por si só, eles (com isso quero dizer “nós”) também levavam amigos e amigos de amigos. E depois vinham os netos, os genros, as noras… A casa fervilhava em janeiro e fevereiro. E era época de fazer geléias, marmeladas e compotas para o ano inteiro. E passas de figos, abanadas com método e disciplina para não serem devoradas por abelhas… Havia muitas e muitas tarefas… E muita e muita comida a ser feita, e roupa a ser lavada…

    Em março, ia todo mundo embora. E meu pai seguia de férias para sua estação de águas termais preferida. Minha mãe não o acompanhava. Ela, enfim, tirava férias. Sozinha, em casa. Não cozinhava, não lavava, não passava. Eram 15 dias só para ela, a casa em silêncio, o fogão desligado.

    Férias em casa pode ser mesmo muito bom.
    Mas leia abaixo o Verissimo, e divirta-se com ele.


    Suas férias

    “COCO’S BEACH RESORT AND SPA – Em Praia dos Cocos, Ceará. Sol o ano inteiro, inclusive à noite. Mar aquecido. Cercado para as crianças, com guardas armados para evitar que elas fujam e invadam a área social. Zona de desova de tartarugas gigantes, que podem, até, desovar na sua cama, se você tiver sorte. Para quem ama a Natureza.

    BSRC
    – Histórica cidade polonesa que já pertenceu à Alemanha, à Rússia e, estranhamente, ao Equador. A descoberta turística do ano! Devido à falta de espaço na cidade, onde tudo é apertadinho (o que explica a ausência de vogais no seu dialeto), o único hotel divide um prédio com a única igreja. Os preços das diárias são baixos, e os quartos no campanário, então, são quase de graça. Não deixe de experimentar o prato típico da região, o glsh, uma espécie de ensopado de tripas em que entram a cenoura, o nabo e o rabanete, mas se recusam a ficar por muito tempo. No carnaval de Bsrc, em fevereiro, os rapazes correm atrás das moças para abatê-las com balões feitos de bexiga de bode. Não aceitam cartões de crédito.

    BIGGEST OF THE SEA – O maior navio de cruzeiro do mundo. Seu comprimento é de três campos de futebol. Aliás, um dos seus decks é ocupado por três campos de futebol. Num típico cruzeiro pelas ilhas do Caribe, o Biggest fica parado, e as ilhas vêm até ele. No jantar do restaurante principal – um dos 20, sem contar os quatro McDonalds –, a Filarmônica de Berlim toca para dançarem. E, numa das boates, o show desta temporada será do Frank Sinatra, que aceitou voltar especialmente para a ocasião. São servidas quatro refeições por dia, além de café da manhã, almoço, jantar e ceia.

    TRAFFIC RESORT AND SPA – Para quem quer emoções fortes, uma semana na Pousada do Dinho Maluco, no Morro da Caveira. Participe de guerras de gangues, com guia. Aprenda a manejar armas de uso exclusivo das forças armadas e enfrentar a polícia. O pacote inclui camisetas e bonés da pousada, DVDs das ocorrências em que você participou para mostrar aos amigos e, para o caso de você precisar, o telefone de um advogado. Aceitam cartão de crédito.

    ANTÁRTICA ROMÂNTICA – Este é o momento para visitar a região, acompanhado de alguém que você ama e, principalmente, tenha a temperatura corporal alta. Vocês podem dormir na frente da lareira acesa ou, de preferência, dentro da lareira acesa. Em hipótese alguma saiam para ver o luar da sacada. E desconfiem que está na hora de ir embora quando os pinguins começarem a trocar seus fraques por casacões.

    ARQUIPÉLAGO DE TUTU
    – O paraíso. As ilhas Tutu ficam nos mares do sul, mas são tão remotas que é difícil saber qual deles. São habitadas por gente que anda completamente nua, tão primitiva que ainda não descobriu o cuspe e frequentemente se engasga com a própria saliva, o que torna difícil a conversação, embora haja quem diga que eles parecem engasgados porque falam inglês de Yorkshire, herança de um marinheiro do capitão Cook que andou por lá e resolveu ficar. Como você certamente pensará em ficar, encantado pelas praias brancas, as palmeiras embaladas pela brisa suave e a possibilidade de abrir uma concessionária Gap para vestir os nativos, atenção: eles comem cartão de crédito.

    SUA CASA – Pense nela como seu spa particular, barato e perto. Um lugar ideal para passar as férias. Quer aventura? Vá consertar a pia.. Quer ver lugares bonitos e exóticos? Liga a TV, pô!”