Cyndi Lauper me surpreendeu. Não, não que eu tenha achado brilhante o último trabalho dela – O máximo que conheço da cantora são aqueles hits dos anos 80 (Goonies né?). O caso é que ela deu uma entrevista ao colega de Zero Hora Luis Bissigo e mostrou muita lucidez em relação à internet e às transformações na indústria da música.
Transcrevo um techo da entrevista:
– O modelo que era praticado antes foi praticamente destruído com a chegada da internet 2.0 e toda essa nova tecnologia. Você tem basicamente uma geração de jovens que não acredita que deve pagar para obter música. O compartilhamento de arquivos pela internet é uma idéia brilhante, mas também é destruidora. É mais ou menos o mesmo tipo de conflito que se coloca para quem quer se afirmar como artista. Existem milhares de plataformas para que você leve o seu trabalho até o público. O problema é que, com tantas possibilidades, todo mundo pode fazer isso. Isso é sensacional, mas também provoca um dilúvio. Fica difícil perceber o que é realmente bom com esse excesso de ofertas. Sempre fui a favor do avanço da tecnologia e ainda gostaria de ver outras plataformas tradicionais, como a TV, abrir espaço para novidades musicais, inclusive em shows de variedades.
Me seguro para não citar a Cauda Longa (porque virou um clichê meio chato). Mas a teoria de Chris Anderson é algo diretamente ligado à realidade exposta por Cindy. Quando ela fala que "fica difícil perceber o que é realmente bom", eu discordo. O que fica difícil é criar um hit tão facilmente como era antigamente - quando a indústria da música usava a máquina dos veículos tradicionais. Mas fica mais fácil a cada um de nós, com tanta oferta de produção musical, traçar um gosto específico, peculiar, original. Afinal, o "realmente bom", é algo bem subjetivo não?
Ah, o show de Cindy Lauper em Porto Alegre ocorre nesta quarta, às 21h, no Teatro Bourbon Country.
Leia mais sobre a cantora no blog Volume
Postado por Leo Corrêa
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