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E-book, esse desalmado

21 de setembro de 2009 0

E-reader: o grande temor de Keen/juhansonin/CC

Andrew Keen é um inglês muito preocupado com a revolução digital. Ele é autor do livro A cultura do Amador – Como blogs, MySpace, YouTube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores.

Bom, Keen escreveu na semana passada no jornal britânico Telegraph sobre uma outra preocupação: o impacto dos e-readers na indústria literária. Ele esteve recentemente no Rio de Janeiro, para divulgar seu livro. Considera que vender livros em formato digital, apesar de mais barato para editoras e leitores, tira muito da alma do autor, que estaria presente no livro físico. Prejudica a relação do leitor com o livro. Nas palavras dele:

- O livro tradicional é a mais física das coisas, um texto para ser dobrado, tocado com os dedos, rabiscado e marcado com sinais humanos. Algo para ser fisicamente amado. A revolução do e-book muda tudo isso. Na nova era digital, leitores, escritores e editores vão cada vez mais refletir seus produtos sem alma. Você pode me chamar de reacionário, mas, como um autor de um livro, quero que meu trabalho ser tocado com os dedos por meus leitores.

Não li o livro de Keen. Mas não considero reacionário o seu discurso. Nem discordo que vivemos uma grande, massiva produção de conteúdo amador na web e de reprodução (tipo câmara de eco) de assuntos em blogs. Mas não acho que o fato de passarmos a consumirmos livros em formato digital vá tirar a alma do conteúdo. A alma está ali, nas idéias passadas pelas palavras. Não no papel branco e na tinta preta. Não na capa dura, que pode ser rabiscada e autografada.

A forma de ler mudou ao longo da nossa história. De escrita em paredes, da leitura em papiros, que eram desenrolados na horizontal, passando pela revolução da imprensa de Gutenberg, até chegar agora ao texto digital, o hipertexto. Muda a maneira de ler – e provavelmente de absorver o conteúdo. No entanto, não vejo uma perda da alma.

Mas acho que é assim mesmo.

Toda a transição provoca medo em quem quer passar a mensagem. Dizem que o grande Filósofo Sócrates não confiava nem mesmo na escrita para proferir seus pensamentos: preferia a transmissão oral, para evitar mal entendidos. Mas aí precisamos que um discípulo dele, Platão, registrasse em palavras o que seu mestre havia dito.

Postado por Leo Corrêa

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