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Sig Bergamin sobre carreira: "Quem está começando não gasta dinheiro em balada ou em roupa"

28 de March de 2015 0

Sig Bergamin

Apesar de ser nada clichê em suas criações, o arquiteto Sig Bergamin lança mão de um para definir sua personalidade: “Minha vida é um livro aberto”. Literalmente. Reconhecido como um dos cem melhores decoradores do mundo pela publicação norte- americana House Beautiful, o paulista passou por Porto Alegre para lançar o livro Sig Style, que reúne relatos de viagens, detalhes de projetos e histórias de amizade. O resultado é quase uma biografia sua sem ordem cronológica.

Bergamin recebeu a coluna minutos antes de seguir para o showroom da Casiere Interiores, onde uma fila imensa se acumulava até fora da loja em busca de algumas palavras e uma assinatura do profissional que é uma das principais referência da arquitetura brasileira atual.

– A minha preocupação era de que a leitura fosse gostosa e não ostentasse. Sem querer dar lição para estudante. Nada disso.
É uma coleção de histórias, desde os cartões de embarque, os hotéis, partes de projetos – comentou sobre a obra.

Sig tem sua vida pautada por viagens. Um mês antes, estava na Índia, na semana passada, conversava com o diretor da Ralph Lauren em Nova York e, no dia 10 de abril, partirá para a Europa a trabalho. Não à toa, as suas mascotes inseparáveis, duas buldogues francesas e duas labradoras, chamam-se Ásia, China, África e América.

Além disso, toda a informação coletada enquanto risca os mapas por aí se transforma no estilo que ele imprime nos seus trabalhos – que atualmente já se dá o luxo de escolher. Ele tem um segredo em especial: não ter medo de cor. Nada de cinza ou bege.

Ambiente

– Eu não consigo com isso de menos é mais. Porque tenho mais. Mais é mais. É por colecionar, não pelo fato de decorar. Não é que a casa vai estar cheia de objetos sem utilidade, são coisas que você compra para a vida mesmo. Não me imagino morando em uma casa minimalista.

Coleciono tecidos, bordados, sáris, tudo – sorri.  Aliás, sinceridade é um ponto forte do decorador, que garante já ter um olhar treinado para entender de quais pessoas deve se aproximar ou se afastar.

Há exato um ano, ele casava com Murilo Lomas, seu atual companheiro e colega de profissão. A cerimônia foi um marco para a alta- sociedade brasileira e, para ele, um ato de honestidade:

– Como sou uma pessoa pública, acho que fiz um bem para muita gente. As pessoas têm medo de assumir por receio de perder clientes. Não é nada disso. É muito melhor ser verdadeiro. Sou ciente de que tenho os clientes mais caretas do mundo, de todas as religiões, mas acredito que, sendo honesto comigo, serei honesto com eles também. O cara que não sai do armário está perdendo pontos perante a sociedade. Gosto de dizer: antes arte do que tarde.

É difícil se despedir de Bergamin, uma personalidade que parece ter tanto a dividir. Antes de deixá-lo, aquela pergunta básica: que dica ele dá para quem está começando na carreira?

– Tem que ter foco. Tem que parar. Quem está começando não gasta dinheiro em balada ou em roupa. Gasta em livro e viagem.
Investe dinheiro no próprio futuro. Hoje, você veste uma calça jeans e uma camiseta branca e está chiquérrimo. Não precisa usar Tom Ford. E precisa gostar do que está fazendo, senão de nada vale os livros.

Fotos: Andréa Graiz/Agência RBS e Rômulo Fialdini/Divulgação

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