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Educador escocês Charles Watson indica elementos que estimulam a criatividade

04 de April de 2015 3

Charles Watson

“Você pode levar um cavalo até a água, mas não pode obrigá-lo a bebê-la”. Com esse ditado inglês, o educador escocês Charles Watson, especialista em criatividade, responde à pergunta que lhe é proposta frequentemente: é possível ensinar alguém a ser criativo?

– Tem como ajudar uma pessoa a se conscientizar sobre as armadilhas que ela cria para si, mas a energia que disponibiliza para a área de estudo é uma questão que só ela vai resolver.

Ele foi percebendo ao longo dos anos de estudo que, apesar do fato de que todo mundo tenha sonhos, uma minoria investe o suficiente para realizá-los:

– Por exemplo, conheço muitos que gostam da ideia de serem artistas, mas não gostam suficientemente de arte. Pode parecer estranho, mas acontece. O primeiro passo para realizar um sonho é acordar.

Em passagem pelo Studio Q, de Porto Alegre, para ministrar o primeiro módulo do curso O Processo Criativo – disputadíssimo na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, do Rio –, o profissional desmistificou termos como talento, inspiração e dom. Antes de estudar literatura e arte, Watson foi lutador de boxe, pescador, servente de construção civil e até coveiro. Mas garante que de nada vale transitar por diversas linguagens e atividades se os objetivos não forem claros. Nesse caso, as tendências  multidisciplinares podem até atrapalhar.

Watson reforça que o fator básico para estimular a criatividade é trabalhar em algo de que se goste, sem obrigação ou compulsão:

– O que é talento na ausência de paixão, curiosidade intensa, persistência, coragem e grande disposição para o trabalho? O talento sem esses outros fatores provavelmente seria invisível. Seria latência, potencial ou iminência em vez de algo que se concretiza em um produto avaliado como criativo.

O especialista lembra que as pessoas não nascem prontas, com habilidade para tocar piano ou escrever uma poesia, por exemplo:

– As regras que definem essas atividades precisam ser aprendidas e os circuitos neurais que as possibilitam são criados ao longo dos processos de ensino. Pesquisas conduzidas ao longo das últimas décadas sugerem que, se é que o talento existe, não seria suficiente para garantir uma vida criativa.
Sabemos que existem crianças bem dotadas. mas, curiosamente, é raro que se transformem em adultos que façam a diferença dentro das suas respectivas áreas.

Charles Watson

É de conhecimento público que gênios como Michelangelo se sentiam magoados quando rotulados como talentosos. Isso porque haviam percorrido um longo caminho e trabalhado duro para chegar ao resultado final. Reforçando a tese, Watson conta que os grandes alunos que passaram pela sua sala de aula foram bem- sucedidos por conta da postura correta e de uma longa batalha. Não à toa, cita em suas palestras a regra das 10 mil horas: segundo pesquisadores como K. Anders Ericsson, Michael J. Howe e John A.
Sloboda, é muito raro alguém dar uma contribuição significativa na sua área de atuação sem ter passado aproximadamente 10 anos, ou 10 mil horas, envolvido com o assunto.

– Isso é uma estimativa do tempo, em média, que uma pessoa leva para internalizar informações suficientes do seu ramo para poder formular perguntas cruciais. É o tempo para criar conhecimento. A maioria das pessoas que deram uma considerável contribuição criativa para suas áreas ainda muito jovens, como Mozart, Tiger Woods, Picasso e Ayrton Senna, começaram a estudar seus respectivos assuntos muito cedo, com quatro, cinco, ou seis anos, atingindo 10 anos de familiaridade com 14, 15 ou 16 anos – finaliza.

Charles Watson

Charles Watson volta a POA para novos cursos no Studio Q em junho e dezembro. Abaixo, ele comenta sobre o que contribui para o desenvolvimento da criatividade:

– Uma relação de paixão pelo que se faz

– Atitude de comprometimento

– Tolerância para o trabalho intenso

– Um período prolongado de envolvimento com o tema

– Curiosidade intensa

– Coragem

– Capacidade de assumir riscos

– Persistência

– Forte envolvimento

– Enfrentar e trabalhar os seus pontos fracos

Fotos: Andréa Graiz/Agência RBS

– Capacidade de julgar objetivamente e honestamente as falhas no seu trabalho e abordá-los

Comentários (3)

  • Carlos Paniz diz: 5 de April de 2015

    No quinto parágrafo ( –, o profissional desmistificou termos como talento, inspiração e dom….) na minha opinião, o correto seria “desmitificou”.

  • Cézar Rogério Valiati diz: 5 de April de 2015

    ” O primeiro passo para realizar um sonho é ACORDAR ”

    Não vou esquecer !!!
    A lucidez é o caminho de toda e qualquer realização.
    Parabéns Fernanda pelo teu trabalho. Parece-me ser uma relação de paixão e emoção contínuos. Sucesso .
    Gostaria, se possível, de ser informado sobre detalhes dos novos cursos de Charles Watson em junho e dezembro.
    Agradeço sua atenção.

    Cézar

  • Rosana Gouveia de Rezende diz: 11 de April de 2015

    Ótima pastagem. Em Muito me ajudou como estudante.

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