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Fernando Schüler, curador do Fronteiras do Pensamento: " Informação não é necessariamente conhecimento"

16 de May de 2015 3

Fernando Schüler

Causou estranhamento no público quando, há nove anos, o Fronteiras do Pensamento surgiu em Porto Alegre trazendo o conceito de “espetacularização do pensamento”. Fernando Schüler, curador do projeto, lembra até de um certo preconceito a respeito da dimensão do evento, que já nasceu com a ambição de atingir porte internacional.

Doutor em Filosofia, ele logo começou a se questionar: por que não podemos atingir um grande público? Por que o intelectual não pode ter o status de um cantor de ópera, um artista de TV ou um pop star? Não à toa, o projeto costuma trazer à tona uma pergunta relevante que pode ser respondida por estudiosos de diferentes áreas. No Fronteiras que começa no dia 25/5, o tema é Como Viver Juntos.

– Atualmente, as pessoas têm acesso infinito à informação, mas que precisa ser processada. Informação não é necessariamente conhecimento. Há uma tendência na cultura contemporânea de valorização da filosofia, da história e, de uma maneira geral, de debate intelectual. Basta observar iniciativas como TED, The School of Life ou Casa do Saber, que provocam a extroversão da atividade intelectual de dentro para fora da universidade – comenta Schüler.

Em apenas um mês, os mil passaportes para participar da edição de 2015 do Fronteiras se esgotaram. E, na meia hora em que a coluna conversava com Schüler na Palavraria, o telefone tocou duas vezes com interessados por ingressos que começaram a encabeçar uma lista de espera. Fato que reforça a teoria do filósofo de que os meios digitais ainda estão longe de serem fortes substitutos da experiência presencial:

– Havia um certo medo, quando a internet se popularizou, da competição com a arte performática. Isso não aconteceu.
Ninguém deixa de ir ao show dos Rolling Stones porque há milhares de shows deles no YouTube. Da mesma forma, ninguém deixa de assistir ao Richard Dawkins no Araújo Vianna.

Quatro anos após receber convite para participar do evento, o polêmico biólogo britânico Richard Dawkins finalmente assume o microfone do Fronteiras. Ele vai abrir a programação deste ano e deve encontrar um Araújo Vianna lotado, com curiosos do lado de fora. Mesmo assim, Schüler não pensa em mudar o formato do evento e instalar um telão em praça pública – a exemplo de festivais como a Flip, de Paraty – ou começar a vender ingressos individuais para as palestras.

– Nosso objetivo é uma conferência real. Queremos que as pessoas tenham contato direto com o palestrante. Desejamos que as pessoas façam um curso, não apenas assistam às palestras. A indução é que a pessoa participe do conjunto, que tenha a visão da complexidade das respostas das perguntas propostas – reforça o filósofo.

Até dezembro, nomes como Jimmy Wales, Valter Hugo Mãe e Richard Sennett passarão por Porto Alegre para falar sobre convivência. Enquanto isso, o projeto de comemoração dos 10 anos do evento já está sendo elaborado.
Schuler dá uma pista do que virá em 2016:

– Vamos reforçar muito a presença digital e a experiência do Araújo Vianna pode ser uma inspiração para um crescimento de audiência. Teremos certamente uma expansão para outras capitais e um reforço na área educativa. Aliás, deve ser um desafio permanente que qualquer projeto cultural tenha uma dimensão educativa.

Foto: Andréa Graiz/Agência RBS

 

Comentários (3)

  • Fred diz: 16 de May de 2015

    Cá entre nós, não tem nenhum sentido o evento se pagar e os vídeos integrais das conferências traduzidas não irem para o Youtube (que é um serviço de graça para quem posta). Centenas de milhares de pessoas gostariam de assistir presencialmente o evento, muitas até poderiam pagar, mas não podem ir por motivos pessoais e profissionais, e por isso a intenção de só dar chance de assisti-las para quem estiver presencialmente nelas é uma visão míope e seletiva. Mudem essa política. Os meios digitais são fundamentais como meios acessórios para “espalhar” conhecimento para a grande massa.

  • Adriano diz: 16 de May de 2015

    É muito engraçado ouvir que Dawkins falará sobre tolerância e como viver juntos! kkkkkk

  • Sérgio Fontoura diz: 16 de May de 2015

    “ninguém deixa de assistir ao Dawkins” é meio demais.

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