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Alex Atala sobre sua gastronomia autoral: "Não é comida deliciosa. É para causar estranhamento"

25 de July de 2015 0

Alex Atala

Alex Atala: 10 anos consecutivos na lista do The World’s 50 Best Restaurants, duas estrelas no Michelin, nome à frente do D.O.M., restaurante que difundiu ingredientes como o tucupi e o jambu Brasil afora, e responsável pelo Dalva e Dito, bistrô com o conceito de servir boa comida para todos.

Mas quando o assunto é cozinhar no fogão de casa, o tom muda: prefere fazer o básico, ou o que ele chama de comida de criança.

— Trabalho com técnica, mas como com prazer. Somos uma família normal e queremos estar em volta da mesa e dar risada se sair ruim. Tem o lado bom de fazer piada do tipo “Pô, pai, você já foi melhor” — brinca o chef.

Atala

Em Porto Alegre para participar da primeira edição do Mesa ao Vivo RS, uma parceria do Senac-RS com a revista Prazeres da Mesa, Atala ministrou uma aula diante de uma plateia ansiosa para ouvir as palavras daquele que pode ser considerado o melhor chef do país. Ele não se incomoda com quem torce o nariz para suas invenciones — como os famosos pratos com formigas — e defende que seu objetivo é provocar reações, ou a verdadeira experiência gastronômica:

— Não é comida deliciosa. É para causar estranhamento, te deixar com cara de “Eu não esperava por isso” ou “Não sei se eu gosto, mas também não é ruim”.

Atala

Apaixonado pela natureza — que divide espaço no seu coração com a família, a pesca e o jiu-jitsu — o cozinheiro reforça que o homem precisa mudar a relação com o alimento. Sustenta que é necessário proteger quem cuida da terra e da cultura da plantação e salienta que não é bacana só extrair da natureza sem devolver de alguma maneira.

A fim de disseminar essa filosofia, Atala fundou o Instituto Atá, com o propósito de garantir alimento de qualidade para todos e para o ambiente, e recentemente ganhou as redes sociais ao levantar a campanha #eucomocultura.

— Os ingredientes que uso na minha cozinha não são novos. Novidade são os produtos que trouxeram da Europa. Precisamos reposicionar nosso discurso frente à cozinha brasileira. É um patrimônio que precisa ser redescoberto.

Atala

Quando começa a falar das preciosidades da nossa terra, pode levar horas. Atala lembra dos 19 tipos de cogumelos comestíveis que fazem parte da dieta dos ianomâmis e comenta sobre a pimenta do povo Baniwa. Curte e compartilha:

— Chef, hoje, não tem segredo. E não é porque ficou bonzinho. Antes era esse mistério que levava o público aos restaurantes. Atualmente, com as redes sociais, é só você postar o que está fazendo que as pessoas já ficam curiosas para experimentar.

Mesmo usando tantos ingredientes que os brasileiros deveriam conhecer, mas ainda não conhecem, Atala é fã de um clássico: arroz com feijão.

— A gastronomia não pode estrelizar a vida. Vai ser muito chato se ficar tudo gourmet. Pãozinho com manteiga tem sua graça — finaliza.

Fotos: Andréa Graiz/Agência RBS

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