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Rony Meisler sobre sua relação com o mundo fashion: "Não sou bicho de moda, nem quero ser"

10 de October de 2015 0

Rony Meisler

Ele brinca que o barco da Geração Y já tinha desancorado do porto quando pegou a embarcação à unha e subiu no último minuto. Nascido em 1981, o engenheiro Rony Meisler tem aquela inquietação e facilidade digital típicas da faixa etária, que resultaram no abandono de um projeto petroquímico da Petrobras para criar a marca de moda Reserva – ramo sobre o qual ele não se preocupa em afirmar que entende bulhufas:

– Comecei a pesquisar as grifes masculinas que me interessavam e percebi que, apesar de todas elas serem de estilistas natos, superpreocupados com a aparência, eles pintavam o cabelo de acaju e faziam bronzeamento artificial. Como pode o cara ser tão preocupado com a estética e colocar aquele botox todo na cara? A conclusão a que eu cheguei: como o nome da marca é o deles, ela acaba envelhecendo. Não sou bicho de moda, nem quero ser. Quero cabeça branca, sem acaju, e ser cheio de ruga na cara.

Rony Meisler

Prestes a completar rasos 10 anos, a Reserva já é uma das grifes masculinas com maior expressão no Brasil: conta com 52 lojas, 1,4 mil pontos multimarcas e abre espaço com sua malandragem carioca entre os bairristas gaúchos.
Na próxima quinta-feira, será inaugurada a primeira loja da grife em Porto Alegre, no BarraShoppingSul, e, em 2016, a segunda chega à Capital junto à expansão do Shopping Iguatemi.

A essência rebelde da marca do pica-pau, que muito já gerou polêmica por conta de suas campanhas fortes abordando temas como a decadência das relações humanas e o preconceito social, conquistou um público fiel – entre os cerca de 2 milhões de fãs da fanpage está Luciano Huck, que acabou virando sócio na empreitada. Meisler é prático na sua compreensão:
– O homem não troca de barbeiro muito na vida, no máximo duas vezes, eu diria. E não é pelo corte de cabelo. É pela experiência, o papo que ele tem com o cara, ou porque era hereditário, de pai ou avô. A questão de convivência é muito relevante para o público masculino, que é mais fiel às pessoas do que às marcas.

Baseado neste conceito, antes de abrir sua primeira unidade no Rio, o empresário entrevistou 150 pessoas para cinco vagas de vendedores.
O critério para seleção: ter vontade de sair para jantar pelo menos três vezes por semana com aquele “louco”, como ele define. A identificação dos clientes foi imediata e, atualmente, o investimento financeiro no departamento de marketing é baixíssimo, graças às redes sociais e seus milhares de compartilhamentos e “likes” conforme as ações online do grupo – mais um gol característico de líderes da turma Y.

Leia mais:
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Fachada Reserva

Assim como não tem receio em falar sobre suas estratégias, o carioca, conhecido por dizer o que lhe vem à cabeça, não se preocupa em comentar sobre as confusões em que já se meteu, ganhando o rótulo de rebelde. Duas de suas discussões mais relevantes foram com gaúchos. Certa feita, visitou o restaurante de Roberta Sudbrack e, sendo mal atendido, não pensou duas vezes antes de reclamar online perante sua legião de seguidores. Em outra ocasião, discutiu com Oskar Metsavaht, da Osklen, concorrente direta da Reserva, também via digital – e aqui está o problema da Geração Y – sobre plágios de coleções:

– Acho que a maturidade vem com o tempo. Em ambas as situações eu falava o que pensava. No caso da Roberta, eu falei como consumidor, não sabendo que eu não era mais apenas um consumidor, era uma pessoa pública. Jamais falaria assim de novo e já me desculpei com ela. Quando o Oskar fez uma crítica a mim nas mídias sociais, eu respondi com educação, mas aí a gente começou a triplicar. De novo, se eu tivesse falado por telefone, teria sido melhor.

À mulherada que é ligada à marca – são muitas, basta conferir na página do Face –, motivo a celebrar: há um ano e meio, e completamente por demanda, foi lançada a Eva, versão feminina da Reserva. A startup está com três lojas na capital carioca e restam poucas dúvidas de que será um sucesso.¶

Fotos: Julia Rodrigues/Divulgação, Reserva/Divulgação

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