
Baixista Andy Rourke vem a Porto Alegre mostrar seus dotes de DJ na festa Hype!?, do Cabaret do Beco.
Peça-chave da banda The Smiths, Rourke agora anda se divertindo animando festas em diferentes lugares do mundo. Depois de enfrentar problemas com drogas, sair da banda uma vez e voltar, e ainda tocar com gente como Sinéad O%27Connor, Killing Joke e Pretenders, aos 43 anos o baixista literalmente baixou o topete. Hoje se divide entre a discotecagem,a rádio britânica Xfm e a colaboração com o trio Freebass, com Peter Hook (New Order) e Mani (ex-Stone Roses). Além disso, ele toca o projeto beneficente Manchester vs. Cancer – que proporcionou o encontro dele com o ex-colega de Smiths Johnny Marr, no ano passado.
De folga em Phoenix, Arizona, em meio a uma turnê americana, Rourke falou com por telefone com o colega Luis Bíssigo aqui da Zero Hora:
É sua primeira vez no Brasil?
Andy Rourke – Sim. Fui à Argentina há uns seis meses, em um festival em que o Ian Brown e o New Order também tocaram. Mas nunca fui ao Brasil, estou na expectativa.
Você tem viajado mais como DJ ou como músico?
Rourke – Essa coisa de DJ pintou meio por acidente. Não considero minha principal ocupação, embora esteja rolando. Eu comecei discotecando uma ou duas vezes por ano em um clube, aí um agente começou a agendar mais festas, de repente tinha um outro agente nos Estados Unidos, foi meio bola de neve. Faço a minha parte, é legal, conheço gente nova e viajo pelo mundo.
É muito diferente de fazer um show como músico?
Rourke – Não. É só um meio diferente. Acho desafiador encarar uma pista de dança e escolher um disco para tocar. Gosto desse desafio, e de ver as pessoas se divertirem.
E quais são suas bandas favoritas entre as novas?
Rourke – Gosto muito dos Arctic Monkeys, e também dos Kaiser Chiefs. E tem uma série de bandas novas legais em Manchester, como o Polytechnic e o Cherry Ghost.
O rock dos anos 1980, pelo menos aqui no Brasil, tornou-se objeto de culto. Você percebe a influência dos Smiths no rock feito hoje?
Rourke – Você pode ouvir isso em certas bandas. Acho que no Kaiser Chiefs, por exemplo, o vocal e as melodias lembram o Morrissey. E um pouco também em outras bandas, como os Shins e os Arctic Monkeys também têm semelhanças. E isso é ótimo, é um sinal de respeito.
Quando vocês começaram, tinham idéia de que poderiam se tornar tão influentes?
Rourke – Não acho que a gente estivesse preocupado na época. Seria difícil prever o que ia acontecer. Sabíamos que tínhamos algo muito especial, mas não pensávamos que seria algo que, 20 anos depois, alguém de 20 anos ia procurar.
Seria muito diferente começar uma banda hoje do que era naquele tempo?
Rourke – Sim. Todo mundo tem uma banda hoje, e é mais fácil comprar equipamentos para gravar, então você pode fazer um disco no seu quarto. Quando começamos, havia quatro ou cinco gravadoras, em Manchester eram umas 10 bandas para um ou dois estúdios de ensaio. Agora, deve haver umas 250 bandas em Manchester. E agora tem os downloads, você pode baixar as coisas da Internet, e as gravadoras estão em pânico, porque as bandas novas meio que não precisam mais delas. E com o MySpace, mais ainda. Aí pode acontecer como foi com a Lilly Allen, que nem tinha disco e chegou ao primeiro lugar.
E o que você acha da música na Internet? Você usa a Internet para consumir música?
Rourke – Eu acho ótimo, mas não tenho certeza se é legal as pessoas baixarem coisas sem pagar por elas. Mas mais pelas bandas, não pelas gravadoras. Eu até já fiz isso, uma vez ou outra, mas prefiro pagar sempre que possível.
E o projeto Manchester vs Cancer vai ter continuidade?
Rourke – Sim, vamos fazer shows anuais, trazendo artistas dos Estados Unidos, da Suécia e até do Japão. Vamos fazer discos, também, mas o principal é o show em Manchester, todo ano.
E como foi tocar com o Johnny Marr ano passado?
Rourke – Foi fantástico, um ótimo momento, bastante emocionante para nós dois, acho, e também foi muito divertido. E a platéia ficou enlouquecida.
Há alguma chance de vocês quatro voltarem a tocar juntos?
Rourke – Eu não teria problemas para isso. Mas o Johnny está bem ocupado com o Modest Mouse, o Morrissey tem a carreira solo, e ainda há problemas entre o Mike (Mike Joyce, baterista dos Smiths, que processou o vocalista) e o Morrissey. Então, eu não apostaria minhas fichas nisso. Mas eu nunca digo nunca, você nunca sabe o que pode acontecer.
Como era o trabalho criativo dentro da banda?
Rourke – Era um processo bem natural, orgânico. Eu e o Johnny tocávamos juntos há bastante tempo, e éramos grandes amigos, já sabíamos o que esperar um do outro, e tocávamos muito bem juntos, um complementava o outro. Então, não havia muito o que pensar, era chegar e tocar, e assim as músicas aconteciam. Basicamente, criávamos a música primeiro, e depois o Morrissey completava. Foi assim que fizemos a maioria das gravações, funcionava.
Qual seu disco favorito dos Smiths?
Rourke – Seria uma cruza do The Queen Is Dead e do Strangeways. O Strangeways porque, musicalmente, acho que amadurecemos ali, e a qualidade das músicas era muito boa. E o Queen Is Dead, pela energia e por canções como There%27s a Light that Never Goes Out. Se pudesse, mesclaria esses dois discos.
Como será seu setlist?
Rourke – Toco coisas desde o tempo dos Rolling Stones até o que rola hoje, tem de tudo. Tem coisas modernas, tem coisas dançantes, tem punk rock, canções para todos. É, basicamente, música que gosto de ouvir. Pode soar egoísta, mas acho que não posso agradar o ambiente se eu não estiver curtindo.
O QUE: festa Hype!?, com Andy Rourke e DJs Machuca, Schutz, Roger Lerina, Dgdgd e MC Ferla
QUANDO: sexta, a partir das 23h
ONDE: no Cabaret do Beco (Av. Independência, 590)
QUANTO: ingressos a partir de R$ 15. Informações: 3026-2126
Postado por Grazi
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