
Chegou hoje às rádios e lojas digitais de todo o planeta Nine in The Afeternoon, o novo single do Panic! At The Disco, a banda de Las Vegas que estourou nos EUA há alguns anos com seu disco de estréia, A Fever You Can%27t Sweat Out. O Panic! acabou se tornando o principal ícone da %22estética emo%22, com seus figurinos exóticos e olhos pintados, apesar de o som estar longe do emocore.
O single novo é energético e curioso, tem um belo arranjo de sopro e a presença marcante do piano, mas não parece trazer nada de novo. A música faz parte do novíssimo álbum, batizado de Welcome To The Sound of Pretty Odd (ou Pretty Odd, para os íntimos) que vai ser lançado em 24 de março. Dá para baixar o som clicando aqui.
A mim, o Panic! nunca impressionou. Sempre achei que perdiam feio inclusive para as bandas que vieram na sua cola, como o Fall Out Boy e o My Chemical Romance. No ano passado, cheguei a escrever sobre isso no Segundo Caderno da Zero Hora, e recebi emails bem furiosos dos queridos leitores emo. Reproduzo a matéria aí em baixo. Vejam como não é para tanto:
E os emos chegaram lá
Com novos álbuns, My Chemical Romance, Good Charlotte e Fall Out Boy mostram a que vieram
GABRIEL BRUST
Eles tinham pose, eles tinham fãs histéricos, eles tinham olhos pintados e franjas lambidas. Só faltava a música convencer. Mas os novos discos das bandas My Chemical Romance, Good Charlotte e Fall Out Boy mais do que convencem: finalmente justificam o aparentemente incompreensível sucesso que os emo lograram nos Estados Unidos.
Tomando de assalto as rádios e o mercado fonográfico norte-americano desde 2000, os grupos de estética emo (palavra originária da expressão emotional hardcore, ou punk rock emocional) atingiram o auge no ano passado, quando o seu maior representante, o Panic! at the Disco, passou o rodo na premiação dos melhores do ano da MTV. O sucesso do Panic! repercutiu ao redor do mundo de maneira estranha: ninguém entendeu o que o público e a crítica norteamericanos viram em A Fever You Can%27t Sweat Out, o mediano álbum de estréia do performático grupo de Las Vegas.Mas a verdade é que, à sombra do Panic!,uma cena vinha sendo gestada, com grupos até mais antigos ensaiando trabalhos de iniciais esforçados, embora igualmente inconsistentes.
É o caso de Good Charlotte, My Chemical Romance e Fall Out Boy, bandas que estrearam entre 2000 e 2002 e que, depois de lançar três ábuns cada, chegam agora, juntas, a um número quatro que acerta na mosca, com os discos Good Morning Revival, The Black Parade e Infinity on High, respectivamente. O Fall Out Boy, praticamente desconhecido do grande público no Brasil até estourar, agora, com a excelente This Ain%27t a Scene, It%27s an Arms Race, já tem ares de veterano na cena emo. Foi o baixista da banda, Pete Wentz,que ajudou o Panic! at the Disco a conseguir seu primeiro contrato. Wentz, de 27 anos, é o responsável pelas composições do Fall Out Boy. Sua franja, seus gostos e histórias sintetizam o espírito emo. Um exemplo: em fevereiro de 2005, Wentz tomou uma overdose de Atvian, remédio para ansiedade. Pete, como é chamado pelos fãs, também ama navegar na Internet e tem uma estranha obsessão por tirar fotos de si mesmo. Para completar, tentou o suicidio na adolescência. Mas, em pelo menos um quesito, o compositor do Fall Out Boy contraria o estereótipo emo: ao longo do ano passado, ele foi flagrado mais de uma vez dando uns amassos na cantora Ashlee Simpson.
Quer dizer, a vocação dos emos parece mesmo ser a de fornecer munição pesada para seus detratores. A diferença é que agora, além de piadas prontas, eles também tem rock de primeira a apresentar. E que atire a primeira pedra quem conseguir ouvir Keep Your Hands Off My Girl, do Good Charlotte, sem dançar enlouquecido pela sala, ou a deliciosa I Don%27t Love You, do My Chemical Romance, sem borrar a maquiagem.
Postado por GABRIEL BRUST
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