
Criador do site Senhor F, o gaúcho Fernando Rosa é um dos maiores agitadores da cena independente brasileira. Além de portal, Senhor F também é nome de Selo e de Festival. Gaúcho do interior de Santo Antônio da Patrulha radicado em Brasília, Fernando contou novidades para a coluna em um bate-bola rápido por e-mail:
Como é que surgiu essa coletânea ? Tu acha que coletânea ainda é uma maneira eficiente de divulgar as bandas?
Resposta - Foi uma idéia meio conjunta da gente, Senhor F, com a revista francesa. Nas últimas edições, colaborei com artigos para a revista. Nesse processo, trocando uns emails sobre o tema da música independente, surgiu a idéia. Sim, acho importante, pois em uma semana, já foram baixadas mais de 1.500 coletâneas, o que dá cerca de 30 mil músicas circulando pelo mundo. E, importante, uma boa parte dessas pessoas são formadoras de opinião, nos mais diversos países.
Fernando, como é que um cara sai do interior do RS e vira um dos maiores ativistas do rock independente nacional? Conta um pouco da tua trajetória, onde nasceu e o que tu lembra do rock gaúcho quando tu vivia aqui?
Resposta - Sempre ouvi músicas, no rádio primeiro, depois na televisão, e por fim nos velhos e superados vinis, já no final dos anos sessenta... A música sempre fez parte da minha vida, mesmo quando em envolvi com outras atividades. Ao lado da carreira de jornalista político e econômico, sempre escrevi sobre música, mesmo que esporadicamente. Nos últimos anos, a partir de 1998, quando criei a revista Senhor F, meio que como um hobby, é que a coisa foi ficando mais séria. Hoje, é verdade, acabamos nos transformando em uma das publicações mais importantes do pais, por conta de conteúdo de qualidade, credibilidade das informações e compromisso com a cena independente, a %22geração download%22, como chamamos de brincadeira. Minha maior lembrança, e mais legal, são os shows-baile que assisti da banda Liverpool, em clubes da Região Metropolitana, comoo Canoas, Esteio etc.
Fale um pouco sobre o selo Senhor F. Quem já foi lançado e o que vem por aí?
Resposta - É uma sociedade com o Philippe Seabra, da Plebe Rude, que tem um dos melhores estudios do Brasil, o Daybreak, localizado em Brasília. Surgiu em 2005 e lançou 9 discos até agora, com destaque para os gaúchos Superguidis, que transformaram-se em um fenômeno nacional com seus dois discos e ótimos shows. Estamos lançando neste semestre os segundos discos do cantor e compositor Beto Só e da banda de Recife Volver. Também vamos lançar o segundo disco da banda Sapato Bicolores, que agora sai pelo selo. Eles eram da Monstro Discos.
Albuma dica para os leitores do Remix sobre bandas da cena indie que estão prontas para estourar ou que tu acredite que vão longe?
Resposta - Bah, %22estourar%22 é um verbo que aboli da minha literatura musical, digamos assim. Não vejo mais como isso poder ocorrer, pois isso está ligado a um processo industrial, das grandes majors, hoje todas falidas estética e economicamente. Mas, vejo bandas com talento, com criatividade, para as quais as rádios, os jornais, as televisões deveriam dar espaço, para que fosse mais conhecidas das pessoas, como vocês fazem com o Remix. As bandas dessa coletânea, por exemplo, seriam algumas delas, com poder de serem %22consumidas%22 em uma escala maior do que o espaço da cena ndependente atual.
Imagino que tu receba muito material de todo o país, tens como apontar bandas da novíssima geração, que tu acredite que a gente vá ouvir falar no futuro?
Resposta - Olha, ultimamente ouvi a Mallu Magalhães, que é uma menina de apenas 15 anos, de São Paulo, que é muito boa, com letras legais, uma voz excepcional e muito talento. Tem outro menino, aqui de Goiás, que é o Diego de Moraes, que também é ótimo. Tem um pessoal da Baixada Fluminense, no RJ, que faz um som noise-lofi, especialmente um cara chamado Lê Almeida, que também é muito talentoso...
Quer baixar a coletânea? vai lá www.magazinebrazuca.blogspot.com
Músicas:
1. Los Porongas – Ao Cruzeiro (Senhor F Discos)
2. China – Jardim de inverno (Candeeiro)
3. Superguidis – Mais do que isso (Senhor F Discos)
4. Vanguart – Semáforo (Outra Coisa)
5. Ludov – Ciência (Mondo 77)
6. Beto Só – Meu Velho Escort (Senhor F Discos)
7. Violins – Manicômio (Monstro Discos)
8. Hurtmold – Sabo (Submarine Records)
9. O Quarto das Cinzas – Incontrolável (Independente)
10. Charme Chulo – Mazzaropi Incriminado (Volume 1)
11. Cravo Carbono – Café BR (Ná Records)
12. Móveis Coloniais de Acaju – Sem Palavras (Independente)
13. Pata de Elefante – Hey! (Monstro Discos)
14. Autoramas – Hotel Cervantes (Mondo 77)
15. Volver – Pra Deus Implorar (Senhor F Discos)
16. Lucy and The Popsonics – Chick Chick Boom (Monstro Discos)
17. Supercordas – 3.000 Folhas (Trombador)
18. Macaco Bong – Fuck You Lady (Fora do Eixo Discos/Monstro Discos)
Bônus:
19. Pio Lobato – Tecno da Saudade (Ná Records)
Postado por Grazi
Comentários