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Posts de setembro 2008

Oasis novo

30 de setembro de 2008 2

Aí vai o texto publicado na capa do Segundo Caderno de hoje, sobre o disco novo do Oasis. E, como prometido, lá no final do post tem o link para ouvir Boy With The Blues, canção inédita que está no CD bônus que acompanha a versão Deluxe do Dig Out Your Soul

 

Oasis de cara

Gabriel Brust

A vida pode ser mais bela sem cerveja e cocaína. O rock’n’roll não.

É o que crê Noel Gallagher, guitarrista do Oasis, a maior banda de rock britânica desde os Beatles. Em seu novo álbum, Dig Out Your Soul, o grupo reafirma o caminho que buscou para sair do buraco em que se meteu a partir do ano 2000. Quando o sucesso da década de 90 desapareceu, os irmãos Gallagher secaram a garganta e as narinas. Agora fazem rock “maduro”. Mas amadurecer nem sempre é uma opção – lição número dois do professor Noel.

O guitarrista e principal compositor da banda, autor de clássicos como Live Forever, Supersonic e Wonderwall, explica o brete:

– Antes de 1997, eu não tinha escrito nenhuma música sem a ajuda do velho combustível colombiano. Todos os três primeiros álbuns foram feitos sob efeito de drogas.

A declaração de Noel à revista norte-americana Spin que está nas bancas foi em resposta à pergunta “Qual grande música do Oasis não foi composta sob o efeito de drogas?”. Mas a resposta do guitarrista virou uma espécie de desabafo diante da pergunta que o mundo faz já há quase 10 anos, desde o lançamento do terceiro álbum da banda, Be Here Now (1997): por que o Oasis deixou de ser um hitmaker e se tornou apenas uma ótima banda de rock? Noel prossegue o exorcismo:

– Todos aqueles álbuns, e todas as b-sides foram feitos sobre o efeito de drogas. Por isso elas são tão boas. Isso me deixa puto. Eu penso: “Talvez eu deva voltar a me drogar, aí eu volte a ser brilhante de novo”. Mas essa idéia dura menos de um segundo.

Segundo suficiente para passar pela cabeça de Noel a infância pobre em Manchester, os dois melhores discos de rock dos anos 90, compostos por ele – Definitely Maybe (1994) e What’s the Story (Morning Glory?) (1995) –, além do casal de filhos pequenos que tem agora.

Dig Out Your Soul chega às lojas no dia 6, mas na sexta-feira estará na internet (myspace.com/oasis) para audição gratuita. Já foi apelidado de Doys pelo fãs e, assim como o trabalho anterior, Don’t Believe the Truth (2005), é um grande disco de rock, mas um disco de quem trocou um pack de Carlsberg quente pelo chá das cinco. Sem açúcar.

Com esforço, pode-se perceber ecos do frescor dos primeiros discos – a magia que fez jovens em todo o mundo largar um emprego operário para montar uma banda, que fez estes mesmos jovens se orgulharem de ser hooligans como o vocalista Liam Gallagher, diante do aborrecido mundo politicamente correto que até cerveja nos estádios proibiu. Esses resquícios estão nas duas canções que abrem o disco, Bag It Up e The Turning, além do primeiro single, The Shock of The Lightning – as três cantadas por Liam. Desde que a verve de Noel secou, é Liam a força motriz da banda. E até nas baladas, terreno sempre exclusivo do irmão mais talentoso, Liam agora se mete. Na bela I’m Outta Time, o vocalista deixa transparecer sua admiração, que agora já beira a obsessão, por John Lennon. O resultado é que o Oasis não pode mais ser acusado de copiar os Beatles. Copia Lennon. A outra balada de Doys é cantada por Noel. Faixa queimada na metade do disco, Falling Down inaugura uma seqüência pouco criativa que vai até o final. O álbum vale pela primeira metade – o suficiente para Doys entrar fácil na lista dos melhores álbuns do ano e nos fornecer, por fim, a terceira lição do manual de sobrevivência no rock’n’roll de Noel Gallagher: não se pode ter 18 anos para sempre. Mas vale a pena morrer tentando. Novo disco do Oasis poderá ser ouvido gratuitamente na sexta-feira

 

 

 

 

Postado por GABRIEL BRUST

Por que a França é o hype

25 de setembro de 2008 3

Yelle

Coluna Remix publicada no Segundo Caderno de hoje:

 

"Carabine c`est le mot qui m`vient/ Quand je pense à mes copines".  A garota Yelle, da foto aí ao lado, que canta "carabina é a única palavra que me vem à mente quando penso em minhas amigas", é um dos cinco motivos pelos quais a França é hoje o lugar mais cool do mundo. Esqueça Sarkozy, o Louvre e as estatais. Surgindo como uma espécie de reação ao hip hop e à música negra que tomou os metrôs de Paris na voz dos imigrantes nos últimos anos, uma cena pop vinha sendo gestada e, em 2008, estourou no YouTube, nas passarelas de moda, na televisão francesa e nos bairros parisienses de Marré, Quartier Mouffetard, Oberkampf e Les Halles. Não sei se dá para falar num equivalente do Britpop - o boom descolado da Inglaterra nos anos 90 -, mas a coisa está divertida, sem dúvida. Quer provas? Vamos a elas:

1. Yelle

Sim, a jovem da carabina. Seu nome é uma versão feminina das iniciais de You Enjoy Life - e isso diz tudo sobre ela. O disco de estréia dessa francesa de 25 anos foi lançado há um ano, mas em 2008 ela começou uma longa turnê divulgando o rebento, chamado Pop Up. No dia 30, estará em São Paulo. Porto Alegre ficou miseravelmente de fora dessa passagem de Yelle pelo Brasil. Se existe um pop com a cara dos anos 2010, ele está em Pop Up. Puxado pelo hit A Cause des Garçons, o disco é deleite do início ao fim, com sua mistura de eletro, barulhinhos e funk contrastando com a delicada voz de Yelle.

 

2. Tecktonic

É o movimento do qual Yelle é expoente. Uma espécie de new rave versão francesa, o Tecktonic está nas ruas de Les Halles, onde o pessoal ouve música eletrônica e se veste com roupas coloridas e oitentistas. A dança é o diferencial do Tecktonic: uma esquisitice que simula movimentos de manequins de loja. No YouTube há milhares de registros de jovens fazendo sua própria performance de Tecktonic. As reuniões dos fãs do estilo são chamadas de aprems (diminutivo de après-midi, tarde, em francês) e são combinadas exclusivamente pela internet.

 

3. Pschent

O cultuado selo francês de música eletrônica acaba de ter parte de seu catálogo lançado no Brasil pela gravadora carioca Rob Digital. Entre os títulos estão Charles Schillings e Stéphane Pompugnac - dois DJs ligados à moda. O primeiro é sound-designer de marcas como Calvin Klein, Louis Vuitton e Armani. O segundo é DJ oficial da Gucci e residente do Bamboo Bar, em Miami, o boteco da dona Cameron Diaz. Essa turma do Pschent ficou conhecida com a série Hôtel Costes, que teve 5 milhões de discos vendidos, trazendo novas idéias para o lounge.

 

4. Louise Bourgoin

Muito bem, entramos agora na cultura de massa. A garota Louise Bourgoin é a nova queridinha da televisão francesa. Aos 27 anos, a moça do tempo do Canal Plus virou atriz e estreou em La Fille de Monaco (A Garota de Mônaco) e está sendo chamada pelos críticos franceses de "a nova Brigitte Bardot". Hm, então tá.

 

5. Yelle de novo

Ela é uma Amélie Poulain rebelde. Ela faz música com barulhinhos. Ela ame beaucoup la vie. E, bem, ela fala francês. Yelle, Yelle, Yelle.

Postado por GABRIEL BRUST

Skol Beats na faixa!

25 de setembro de 2008 2

Como prometi na coluna Remix no Segundo Caderno de hoje, as duas primeiras pessoas que comentarem aqui neste post levam dois ingressos cada uma para o Aquecimento Skol Beats, que rola em Floripa, amanhã!

Atenção: Deixe seu nome completo, RG e email! Se você tiver menos de 18 anos, não adianta participar. É preciso ser maior de idade, ok?!

O maior festival de música eletrônica do país, o Skol Beats, terá uma versão "aquecimento" aqui pertinho. No line up estão Southmen (Uruguai), Black Jarrell (EUA) e o holandês Armin Van Buuren, que já foi considerado número 1 do mundo pelo Top 100 Poll. A festa começa às 20h, no El Divino Club, em Jurerê Internacional. Os ingressos variam de R$ 30 a R$ 200.

Postado por GABRIEL BRUST

Promessas da semana: franceses

25 de setembro de 2008 0

Como prometi no Remix de hoje, aí vão mais algumas dicas de franceses.

 

Sobre a Yelle:

Recomendo, para começar, o MySpace da moça. Além de ouvir as canções, dá para baixar em PDF uma máscara maluca, do tipo recorte e cole. Segundo a garota, quem for com ela nos shows ganha alguma coisa. O site oficial também é legal para se ter uma noção estética da coisa.

Mas o que vale a pena mesmo são os mil remixes que estão sendo feitos com A Cause de Garçons. Recomendo este, em especial:

 

 

Sobre franceses em POA:

Recomendo o som da Tom Enola, que postamos dias atrás, que dá vários pitacos em francês nas suas letras, além do Les Responsables, pessoal que faz todas as letras em francês (até porque o vocalista é de lá).

 

Sobre a noite roqueira em Paris:

Recomendo o post que fiz lá em julho, logo que voltei da França. Relato minha banda por um bar de Oberkampf. Em breve (eu juro que sim!), postarei sobre o show do Radiohead no interior da França, em Arras, que também assisti.

 

Sobre os DJs da Pschent:

Clica aqui para ouvir o som dos DJs da Pschent, clique aqui.

Postado por GABRIEL BRUST

Promessa da semana: Viana Moog

18 de setembro de 2008 8

Foto: Miro de Souza/Zero Hora

Na coluna Remix do Segundo Caderno de hoje prometi as letras e também o som da Viana Moog, banda de São Leopoldo que está lançando seu CD de estréia depois de mais de 10 anos. O som você confere no myspace, clicando aqui. As letras - sim, eu sou uma mãe para vocês! - eu digitei duas delas. Estão aí embaixo.

 

Não leu a coluna no jornal hoje? Então olha o post abaixo.

 

Santo Estéreo

 

Rejeição uterina

em lojas de peles líquidas

falimos nosso trabalho de correntes marítimas

depressão pós-foda e drogas místicas

ela usa meu sexo como um revólver

 

Vertiplano

Coca, sweet e iceberg

quero um jeito sexy de me suicidar

coca, sweet e iceberg

anjos são suinos mas sabem voar

tudo que eu quero é acordar de ressaca com você

Postado por GABRIEL BRUST

Remix no papel

18 de setembro de 2008 0

Para quem não lê a Zero Hora no papel, tá aí a coluna Remix de hoje, publicada no Segundo Caderno:

Viana Moog chega ao CD

 

"Tudo o que eu quero/ é acordar de ressaca com você". Demorou mais de 10 anos, mas uma das bandas mais piradas do rock alternativo gaúcho finalmente gravou seu primeiro CD. Os caras na foto aí ao lado tendo a bela São Leopoldo ao fundo são os Viana Moog, liderados pelo maior frontman que o rock gaúcho já teve, Everton Cidade (o de vermelho no retrato). Não, eu não estou exagerando, e quem já viu esse cara num palco sabe do que eu estou falando. O nome da banda é uma homenagem ao escritor (também leopoldense) Vianna Moog.

O disco de estréia tem produção de Iuri Freiberger, batera da Tom Bloch, e é um apanhado das melhores coisas que a Viana Moog fez ao longo deste longo tempo espalhando o caos pelo Vale do Sinos. O som da banda traz influências de Joy Division e Stone Roses, mas é difícil rotular. As guitarras de Luciano Reis e Cristiano Spaniol repetem rifs num tom frenético e sempre distorcido. O baixo de Cezar Emmaunel Jr e a bateria de Marcos Rubenich fazem uma cozinha segura. Música para ouvir, muito, muito alto no fone de ouvido.

Mas o que realmente faz canções como Vertiplano e Santo Estéreo fazerem você ter vontade de bater a cabeça na parede, estourar os miolos e ainda assim abrir um sorriso em meio ao sangue escorrendo na cara são as letras e os berros de Everton Cidade. Ele canta mal, essa é a verdade. Mas é um grande vocalista - e, sim, há diferença. Para entender do que estou falando, corre lá no blog do Remix, leia as letras e ouça o som dos caras (no post acima).

 

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Sei que o papo aí de cima está meio anos 90 demais, but, ya know, os 90 são o novo 80. Então lá vai: nesta sexta-feira tem festa de 10 anos do Cardosonline, o fanzine que inventou a internet no Rio Grande do Sul (e do qual este então adolescente foi orgulhoso e medíocre colaborador). A celebração ocorre no Ooh La La, uma portinha entre uma loja de colchões e outra na Osvaldo Aranha, 908. R$ 10 pilas. Imperdível!

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O novo Kings of Leon é o Ok Computer dos caras. Ok, foi só o que me disseram. Confirmo - ou não - esta tese furada do colega Gustavo Brigatti na próxima semana.

Postado por GABRIEL BRUST

Tire sua banda do armário

15 de setembro de 2008 0

Tá afim de tocar numa festa cheia de descolados aspirantes a publicitário da Famecos!? Não responda! Hehehe. Leia o recado abaixo...

 

Famecos e Opinião selecionam bandas para festa de encerramento do SET

O fato de que muitos alunos da Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS têm banda não surpreende ninguém, mas a novidade é que eles poderão tocar na festa de encerramento do 21º SET Universitário, no Bar Opinião, na noite de 24 de setembro. Quatro grupos serão selecionados para se apresentar na festa. As inscrições estão abertas até segunda-feira (15/9) no site do evento (www.pucrs.br/famecos). Pelo menos um dos integrantes precisa ser aluno da Famecos. As bandas devem indicar no formulário o seu endereço no mySpace ou o site onde se encontram as músicas para avaliação. Se o grupo não tiver seu trabalho disponibilizado na internet, deverá entregar um CD no Laboratório de Eventos da Famecos.

Postado por GABRIEL BRUST

Cenas Hives 2

12 de setembro de 2008 1

 

Tentei armar um encontro do pessoal da Bidê ou Balde com os suecos antes do show, durante o tempo que fizemos as fotos do Hives do post aí de baixo, mas não deu. De qualquer forma, depois do show o encontro rolou, e a chalaça foi longe nos camarins. Aliás, no palco a Bidê fez bonito. Um show conciso, só meia hora, mas mesmo assim energético e direitinho. Cumpriu seu papel - não havia espaço para a banda querer aparecer demais. Só uma coisa não entendo: porque a formação da banda varia tanto? Parece que, quando a turnê é em Erechim e Lagoa Vermelha, é um time, quando é pra abrir pro Hives, é outro. Pelo menos o grande Carlinhos continua firme e o show vale por ele. Os registros do fotógrafo Fabrício Barreto.

Postado por GABRIEL BRUST

Nine Inch Nails cancelado - absurdo!

11 de setembro de 2008 18

Absurda e desrespeitosa a desculpa da produtora Opinião para cancelar o show do Nine Inch Nails, que ocorreria no dia 9 de outubro. Sim, a produtora acaba de divulgar nota lamentando assim:

 

"Gostaríamos de pedir desculpas à imprensa, aos fãs e a todos que adquiriram ingressos para a apresentação. Sabemos que a decisão é desagradável a todos (especialmente a nós mesmos), mas não seria prudente arcarmos com o imenso prejuízo caso levássemos adiante a produção do espetáculo, já que o número de ingressos vendidos foi muito aquém de nossas expectativas."

 

Ou seja, como os ingressos não estavam vendendo, eles simplesmente cancelaram o show, deixando na mão as centenas de pessoas que já tinham ingresso, que se planejaram, etc. Por um lado, é admirável a honestidade da produtora em admitir que o show foi cancelado por que a procura por ingressos era pequena - é comum, neste meio dos espetáculos, atribuírem os cancelamentos a "questões técnicas ou pessoais". Por outro lado, é um completo desrespeito condicionar a apresentação de um show à venda de ingressos, a partir do momento que ele está marcado e sendo amplamente divulgado.

Se uma única pessoa comprasse, mesmo assim o show deveria acontecer. Não dá para transpor a lógica de uma "vaquinha" para um meio tão profissional como esse, ou seja, a lógica do "se todo mundo juntar seu dinheirinho, o show sai. Se não juntar, cancelamos".

O valor dos ingressos vendidos será devolvido no mesmo ponto de venda onde foi efetuada a compra a partir da segunda-feira, dia 15, mediante a apresentação do tíquete. Clientes que compraram pela internet serão contatados até a próxima quinta-feira.

 

Acima de tudo, é uma pena.

Postado por GABRIEL BRUST

Papo com Owen Pallett

11 de setembro de 2008 0

Owen Pallett

Conversei por e-mail no início da semana com violinista Owen Pallett, que faz parte da banda de apoio do Arcarde Fire e gravou os dois discos da banda. O cara se apresenta neste domingo em Porto Alegre, no Santander Cultural, com seu projeto solo, chamado Final Fantasy (nome inspirado no famoso game. Já comentei com vocês como acho um pé no saco essa atual onda de influência dos games na cultura pop? Bom, mas isso é assunto para outro post).

Outro trabalho legal de Owen foi a orquestração do disco de estréia do The Last Shadow Puppets (para quem não sabe, projeto paralelo de Alex Turner, Arctic Monkeys. Aliás, o disco Shadow Puppets é até interessante. Chegou há alguns dias, mas ainda não tive tempo de comentar. Em breve faço isso).

O canadense Owen, de 29 anos - completados no último domingo - explicou, em tom de piada, a principal diferença entre o trabalho dele e o do Arcade Fire:

"O Final Fantasy é um projeto solo com um pomposo cantor e violinista e canções sobre comida, drogas e ficção fantástica. Já o Arcarde Fire é uma banda de 25 músicos liderados por um gigante e todas as canções deles são sobre abuso de menores".

 

Para ler o restante das gracinhas de Owen, confere a entrevista completa no Segundo Caderno do próximo sábado. Para ouvir o som e saber o que o espera no Santander, clica aqui.

 

Postado por GABRIEL BRUST