Foi em meio a milhares de bolhinhas de sabão que emergiam do público que o MGMT fez o último show relevante desta noite de sexta-feira no Tim Festival, no Rio de Janeiro. Os tubos cheios de sabão e as hastes que fazem bolhinhas são uma das febres do festival neste ano.
O show do MGMT lotou a tenda Ponte Brooklyn, que antes esteve apenas quase cheia durante o ótimo show do também novaiorquino The National. E foi só lotar o lugar para o meu comentário anterior sobre a infra-estrutura do festival ir por água abaixo: com o local quase cheio, ficou impossivel usar o banheiro ou chegar perto do único (sim, único) bar, que chegou a ter um empurra-empurra nervoso da massa em busca da Itaiapava (só rola essa espécie de Polar dos cariocas no festival).
O MGMT me surpreendeu. Eu estou entre aqueles que não se empolgaram muito com o disco dos caras, Oracular Spetacular, de 2007, que estourou no mundo todo. Lembro do Pedro, vocalista da Pública, me alertando antes de sair de POA: "presta mais atenção no som dos caras. Tem algo sofisticado ali."
E, de fato, vendo o show ao vivo, dei o braço a torcer. A psicodelia moderna do MGMT agrada por não querer fazer o público dançar - e fazer. Não querer soar pungente e, por vezes, até emocionante - mas soar. A voz de Andrew Vanwyngarden com freqüência lembrava a do vocal do Placebo. Ele e o colega tecladista Goldwasser, ao vivo tocam acompanhados de outros três músicos. Teve momento para as garotas jogarem os bracinhos pra cima e momento para os magrão balançarem a cabeça. Público ganho do início ao fim - e eu não sabia que eles gozavam de tanta popularidade.
O show começou com 4th Dimensional Transitation, passou por Pieces of What - e alguns problemas de som, corrigios na metade da apresentação - e terminou com Kids, todas do CD de estréia. Confere o setlist:
1. 4th Dimensional Transition
2. Pieces of What
3. Of Moons, Birds & Monsters
4. Weekend Wars
5. The Youth
6. Electric Feel
7. Metanoia
8. Time to Pretend
9. The Handshake
10. Kids
Aliás, no público da tenda Ponte Brookly, espécies interessantes. Como não poderia ser diferente, garotas estilo tarja-preta, tão comuns aí no Beco em Porto Alegre, estavam por tudo. A maior concentração delas que já presenciei na vida (que me desculpe o antigo Garagem Hermética). Logo na entrada, pensei ter passado por ela que - sim, amigos, não chorem -, é a rainha do tarjapretismo. E nós a amamos. Alessandra Negrini! Ok, não tenho certeza se era ela. Mas parecia muito, apavorada diante do caos na fila do bar e com um lindíssimo girassol na orelha. Tá, pensando melhor, acho que não era ela.
De toda forma, o mais divertido em fazer qualquer coisa no Rio de Janeiro é cruzar o tempo todo com celebridades de segunda linha. Ali durante o show do MGMT, tive a honra de cantarolar algumas canções ao lado de... Michel MAllamed. Hein? Nunca ouviu falar? Bem, não lhe culpo.
Mais deprimido estava o Supla, sentado soliário na pequena arquibancada da tenda Ponte Brooklyn. Mas sem perder o estilo, claro: blazer e óculos escuros rosa-choque, ao melhor estilo new rave. Acho que ele errou de noite, a festa new rave é amanhã. Talvez por isso a depressão. Ou talvez estivesse pensando na eleição que sua mãe deve perde no domingo. Vai saber.
Mas enfim, chega de delírio. É com esta bela apresentação do MGMT, num tom bastante alegre, descontraído e cheio de bolhinhas de sabão pelo ar, que me despeço da cobertura de hoje.
O resumo do dia é: The National e MGMT salvaram a noite que, se dependesse apenas do headliner Kanye West, teria sido pura perda de tempo. Sério: alguém me diz quem inventou que o hip hop tem a ver com música alternativa. Quero que esse alguém me explique. Falo mais sobre isso no Segundo Caderno de segunda-feira.
O melhor do Tim no Rio rola amanhã. Klaxons e Neon Neon.
Vou tentar dormir um pouco e amanha volto a blogar.
Stay tooned.
Gabriel B.
Postado por GABRIEL BRUST




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