Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts de janeiro 2009

Los Hermanos em Porto Alegre

30 de janeiro de 2009 4

Duas boas novidades antecipadas pela minha colega Mari Bertolucci na coluna RSVIP, no Segundo Caderno de hoje:

 

As negociações para um show do Los Hermanos na Capital, com a Opinião Produtora, estão adiantadas. Deve ocorrer ou em junho ou em julho deste ano

 

Depois do trauma que foi o calor no show do Little Joy, o Opinião afirma que vai investir pesado num novo sistema de ar condicionado. O bar também passará por uma total reforma no visual.

 

Aguardemos

 

Postado por GABRIEL BRUST

O show do Little Joy

28 de janeiro de 2009 10

FOTO: Tadeu Vilani, Zero Hora

Segue aí o comentário do meu colega Luis Bissigo sobre o show do Little Joy,  publicado no Segundo Caderno desta quinta-feira. Ele resume muito bem o que foi o bom show da banda, com seus méritos e contratempos. Fecho com ele. 

 

Los Strokes é pura alegria

Era o show mais esperado do ano até agora: Little Joy, a banda que reúne o hermano Rodrigo Amarante e o stroke Fabrizio Moretti, começou sua turnê brasileira em Porto Alegre, terça-feira, no Opinião.

Como era previsível, o bar ficou lotado de fãs ávidos por ver o grupo pela primeira vez. Também se sabia que a trupe, com apenas um disco na bagagem, não faria uma apresentação longa. Mas, ao final, duas notas dissonantes soaram alto nos comentários da plateia – a escassez do repertório, que não chegou a uma hora de duração, e a alta temperatura dentro da casa noturna, que atrapalhou a diversão dos fãs.

Diversão, aliás, é uma palavra-chave na proposta do Little Joy. No palco, o grupo – que inclui também a cantora americana Binki Shapiro, atual namorada de Moretti, e outros três músicos convidados – esbanja alegria ao tocar suas canções, que estão no limite entre a despretensão e o desleixo. Amarante e Moretti fizeram questão de declarar o quanto estavam contentes com a calorosa recepção do público (em torno de 2 mil pessoas, conforme a produção), que cantou junto e aplaudiu entusiasmado até quando o grupo mostrou uma canção inédita.

Poderia haver também mais músicas novas no roteiro. Além da já citada inédita, cujo título não foi revelado, o Little Joy tocou as 11 faixas de seu álbum de estreia, mais dois covers – Walking Back to Happiness, hit sessentista da cantora inglesa Helen Shapiro, e This Time Tomorrow, gravada pelos também britânicos Kinks em 1970, que fechou a noite. No total, foram 14 músicas, incluindo o bis, em 56 minutos – ou seja, o ingresso mais caro custou pouco mais de R$ 1 por minuto de performance. Tempo pequeno, mas suficiente para grandes alegrias, como a valsa suave Don’t Watch me Dancing e o hit Brand New Start.

O que incomodou mesmo foi o calor dentro do Opinião, queixa recorrente na saída do show. Repercutiu até no palco: em uma das vezes em que teve de afinar a guitarra, Amarante ainda brincou:

– Com esse calor, as guitarras estão derretendo.


E você, o que achou do show? Deixe sua opinião aí nos comentários.

Postado por GABRIEL BRUST

O poeta

27 de janeiro de 2009 0

Diante dos emails me perguntando quem é o poeta que eu cito no lead da matéria sobre o Little Joy, no Segundo Caderno de hoje, explico.

 

A frase em inglês "A thing of beauty is a joy for ever" é do inglês John Keats (1795 - 1821), de seu poema épico Endymion. A tradução tosca seria "uma coisa de beleza é uma alegria para sempre".

 

Mas a citação não acaba aí. A frase em inglês é do Keats, mas o restante "disse, há cento e muitos anos, um poeta inglês que não conseguiu morrer", é, na verdade, de um poeta local, Mario Quintana. Quintana cita Keaton no poema Uma Alegria para Sempre, que é o meu preferido do velho da Rua dos Cataventos. Reproduzo ele aí para os leitores:

 

Uma Alegria para Sempre

 

As coisas que não conseguem ser olvidadas
continuam acontecendo.
Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo,
nesse mundo do sempre
onde as datas não datam.
Só no mundo do nunca existem lápides...
Que importa se - depois de tudo - tenha "ela" partido
ou que quer que te haja feito, em suma?
Tiveste uma parte da sua vida que foi só tua e, esta,
ela jamais a poderá passar de ti para ninguém.
Há bens inalienáveis, há certos momentos que,
ao contrário do que pensas,
fazem parte de tua vida presente
e não do teu passado.
E abrem-se no teu sorriso mesmo quando,
deslembrado deles,
estiveres sorrindo a outras coisas.
Ah, nem queiras saber o quanto deves à ingrata
criatura...
A thing of beauty is a joy for ever
-disse, há cento e muitos anos,
um poeta inglês que não conseguiu morrer.

 

E se o caro leitor se interessa não só por música pop, mas também por literatura, recomendo a leitura do blog do meu amigo Carlos André Moreira, o Mundo Livro. Passa lá.

Postado por GABRIEL BRUST

Íntegra da entrevista com Rodrigo Amarante

27 de janeiro de 2009 0

Como prometido no Segundo Caderno de hoje, aí vai a íntegra da conversa que tive por telefone com Rodrigo Amarante, que se apresenta hoje à noite com o Little Joy no Bar Opinião:

 

Quem era o público do Little Joy nos EUA e na Europa? Muitos fãs de Strokes?

Amarante _ O público está se formando ainda. Claro que em toda cidade tem alguém que é fã do Strokes, assim como em todas as cidades, pasmem, tinha fãs do Los Hermanos. Inclusive na Europa. Sempre tinha alguém que estava estudando lá e ia falar comigo. Mas já tem um público começando a se formar que é gente que gosta do disco, que ouviu falar da banda.

 

E quem você acha que vai ser o público nos shows do Brasil?

Amarante _ Eu não sei, sinceramente. Acho que vai ter muito fã de Los Hermanos. E, vou te dizer, a imprensa no mundo inteiro sabe do Los Hermanos. Para minha surpresa, na Europa todos falavam que é uma banda reconhecida no Brasil e tal. E foi engraçado que, por causa do Little Joy, comecei a ouvir muito americano e europeu dizer que está ouvindo Los Hermanos.

 

O que uniu o Little Joy foi amizade ou uma preferência musical?

Amarante _ Foi a amizade instantânea que eu tive com o Fabrizio quando a gente se conheceu em Portugal. Passamos a noite inteira tomando todas na beira do rio, foi tipo amor à primeira vista. Aí a gente combinou. Quando eu fui pra Los Angeles, para gravar com o Devendra Banhart, a gente se encontrou e começou a fazer música. Mas a gente nem tinha plano de fazer disco ou banda, era pura diversão. O Fabrizio tinha as músicas que ele não tinha terminado e aí eu comecei a puxar umas também. O som foi aparecendo, sem planos.

 

O som parece incorporar características tuas e do Fabrizio pinceladas por surf music. De onde veio isso?

Amarante _ Foi a Califórnia, o lugar. Só pode ser. Depois que a gente começou a ser perguntado sobre isso é que eu fui me tocando. Morando na Califórnia, tanto eu quanto o Frabrizio (que é de Nova York), começamos a curtir o papel da cidade, o clima, as pessoas...

 

Teve algum lado teu que surgiu nessa empreitada fora do país, como músico?

Amarante _ O processo de composição foi totalmente diferente e mudou a minha cabeça. No Los Hermanos, mesmo nas músicas que eu fiz em parceria com o Marcelo, ele tinha a música quase pronta e faltava um pedaço, daí eu fazia. No Little Joy a gente passou os primeiros três meses fazendo as músicas juntos. Mesmo as que o Fabrizio já tinha antes, a gente discutia as melodias, sugeria mudanças. Era totalmente coletivo. E isso foi do caralho. Antes disso, eu achava que eu não era bom de fazer música com os outros. E agora vi: que nada, é mole. Como eu e o Fabrizio estávamos nos conhecendo enquanto fazíamos as músicas, isso criou uma coisa especial que proporcionou essa abertura.

 

E como instrumentista, mudou algo?

Amarante _ No Los Hermanos eu entrei para fazer a segunda voz, não era pra tocar nada. Daí comecei a tocar flauta, no Bloco fiz guitarra e baixo, depois comecei a escrever arranjo. Cada um tinha o seu papel. E u e Marcelo éramos mais soltos para escrever arranjos para outros instrumentos. Agora, a primeira transformação veio quando eu fui gravar uma participação com o Devendra. Ele perguntava "O que você acha que pode ter nessa música?". E eu dizia "pode ter o instrumento tal". Daí ele dizia "então grava aí". Eu nunca tinha gravado tantos instrumentos. Eu não era da banda, mas tinha liberdade total. Então, cara, eu toquei de tudo. Guitarra, violão, piano, baixo, fole indiano, fiz arranjo para metais, para cordas, percussão de tudo que é tipo...

 

Como começou essa história com o Devendra?

Amarante _ Conheci ele em Londres no Festival da Tropicália. O Devendra tava lá para o show dos Mutantes. Conheci ele no bar do hotel, para onde todo mundo ia depois do festival. Foi a mesma coisa: ficamos amigos imediatamente, tomamos um porre e nos falamos por email. Daí ele ouviu Evaporar, achou linda, e me chamou pra gravar.

 

Qual foi o principal estranhamento ao fazer música fora do Brasil?

Amarante _ Tem vários níveis de diferença... É difícil falar da diferença entra Brasil e América. Posso falar das minhas experiências. No Brasil eu gravei com Los Hermanos e Orquestra Imperial e foi isso. Lá tem muito mais gente fazendo isso. Muito mais estúdio, muito mais equipamento, muito mais técnico, gente muito jovem com experiência. Lá eles não tem muito pudor em trabalhar com referências. Tipo: ah, essa música aqui o baixo podia ter o som igual àquela música do Michael Jackson, mas a bateria podia soar como se fosse Sam Cook. E neguinho vai caçando o som sem pudor e misturando. Tem menos uma falsa ideia de criação. Uma das lições que aprendi é que a gente cria muito menos do que a gente imagina. A gente combina referências que agente tem e cria alguma coisa que remete a essas referências. Criação pura não há. E aqui (no Brasil) tem um pouco de pudor nesse sentido. Ao mesmo tempo, a galera aqui tem menos lógica na mistura. Aqui pode tudo, o que é do caralho.

 

E no show business, do palco, do disco, que diferenças você percebeu nos EUA em relação ao Brasil?

Amarante _ Uma coisa é muito diferente: a imprensa. A imprensa no Brasil, de cultura. E eu não sabia. Eu sempre achei que eram recalcados pra caralho, sensacionalistas, que o cara que quer te entrevistar quer uma manchete sensacional para vender a revista e foda-se o conteúdo. E eu pude comprovar isso mesmo porque eu dei entrevistas no mundo inteiro. Lá fora os caras tão interessados em traduzir o que você tem pra dizer da melhor forma possível e apresentar para quem quer que se interesse.

 

Você teve muitas experiências ruins com a imprensa aqui no Brasil?

Amarante _ O lance é o seguinte: eu entrei na faculdade de jornalismo e me frustrei com a idéia que estava sendo apresentada e discutida pelos estudantes. Então não parti do ponto zero. E daí senti na pele como são as entrevistas. E eu já sentia que estava erado. A maioria dos veículos tem uma abordagem horrivel, rasa e polêmica. É muito escroto, recalcado. Tem muito jornalista que parece ser músico frustrado, porque é um recalque do caralho. Fica querendo achar o ponto fraco... Peraí que tá chegando a turma.. O Noa chegou aqui (interrompe a convesa para abraçar Noah Georgeson, produtor do disco do Little Joy e músico de apoio nos shows).

 

O show de março está confirmado?

Amarante _ Confirmado, vai ser do caralho.

 

Com foi a combinação?

Amarante _ Ah, fomos convidados, aceitamos e pronto (risos). A gente tá parado, mas não tá brigado, não tem nada disso. Não tinha plano para tocar porque não teria uma justificativa.

 

Qual foi a justificativa agora?

Amarante _ Ah, porra, abrir pro Radiohead e pro Kraftwerk, entendeu?, é do caralho. Aí dissemos "ah, vamo lá, vamo toca". Quer dizer, sinal de que não precisa muito... Eu adoro as duas bandas, vamos tocar pra uma porrada de gente e ainda ganhar um dinheiro, que também não faz mal. E pronto. É bom, tá todo mundo com saudades. O Marcelo pode, por causa da turnê dele, e daí vamo lá.

 

Vocês se falaram neste tempo?

Amarante _ Com o Marcelo falei até mais do que com o resto. Mas eu fiquei meio isolado, vou te fizer. Eu me mudei muito quando era pequeno. Por causa disso _ e daí vou ter que entrar no terreno psicológico _ não fiquei tão próximo das pessoas que eu ia deixando pra trás. Mudei tanto. Então fiquei lá, escrevi um email aqui outro ali, também morava na casa dos outros. Então mantinha contato, mas não fiquei assim.. também haja dinheiro pra manter contato.

 

Quanto tempo você ficou fora do Brasil?

Amarante _ Fui pra lá no final de 2007. Daí fiquei seis meses, fiquei quatro meses, voltei, fiquei mais seis meses, indo e vindo. Fiquei um ano e meio.

 

Qual o futuro do Little Joy?

Amarante _ A gente vai continuar. Começaram a pintar convites de festival no verão. Vamos ver como é que vai ser. Estamos combinando com o Strokes um negócio para a gente sequestrar o Fabrizio quando der. Eles vão começar a ensaiar pro disco novo mês que vem. O Fabrizio tem que estar em Nova York. Já estamos com música nova, tem que ensaiar, vamos gravar outro disco no fim do ano, sei lá. A gente tava em turnê, sem parar, ainda vivendo o primeiro momento, ainda deixando a coisa rolar. Mas agora, como começaram a pintar os convites de festivais na Europa, a gente tem que aceitar.

 

E o Los Hermanos fica nesse esquema de fazer show de vez em quando?

Amarante _ Esse show não quer dizer que agente vai começar a fazer shows. Mas nada imepde também, não sei, não tem nada marcado. O Marcelo ainda tem um tempo bom pra trabalhar o disco dele e eu também tenho um tempo bom pra trabalhar o Little Joy. Nós dois queremos fazer isso. O lance é viajar e mostrar.

 

Qual vai ser o repertório do show de março?

Amarante _ Ainda não ensaiamos. Vai ter músicas de todos os discos. Não sei ainda, não combinamos nada.

 

Qual foi influência do Radiohead pra você?

Amarante _ Eu gosto muito, só de gostar muito, acho que já tem alguma influência. Mas na música que faço, não sei, diretamente não consigo enxergar. É inspirador, se me inspiro, deve sair de lagum lugar. Tanto quanto o Kraftwerk, que eu adoro, acho maravilhoso. Sou fã das duas bandas.

Postado por GABRIEL BRUST

Amarante fala sobre a volta dos Hermanos

26 de janeiro de 2009 4

No domingo à noite, bati um papo por telefone com o Rodrigo Amarante, do Los Hermanos, para saber mais sobre o show do Little Joy (na foto, aí em cima) em Porto Alegre, que rola nesta terça. Claro que acabamos falando também de Los Hermanos e da prometida volta com um show em março. Separei um trecho da conversa, que vai aí embaixo.

A reportagem completa você lê no Segundo Caderno de terça. E a íntegra da entrevista eu posto aqui nos próximos dias.

 

O show de março está confirmado?

Amarante - Confirmado, vai ser do caralho.

 

Como foi a combinação?

Amarante - Ah, fomos convidados, aceitamos e pronto (risos). A gente tá parado mas não tá brigado, não tem nada disso. Não tinha um plano para tocar porque não teria uma justificativa.

 

E qual foi a justificativa agora?

Amarante – Ah, porra, abrir pro Radiohead e pro Krafterk, entendeu?, é do caralho. Aí dissemos "ah, vamo lá, vamo tocá". Quer dizer, sinal de que não precisa muito... Eu adoro as duas bandas, vamos tocar pra uma porrada de gente e ainda ganhar um dinheiro, que também não faz mal. E pronto. É bom, tá todo mundo com saudades. O Marcelo pode, por causa da turnê dele, e daí vamo lá.

 

Vocês se falaram muito ao longo deste tempo?

Amarante – Com o Marcelo falei até mais do que com o resto. Mas eu fiquei meio isolado, vou te dizer. Eu me mudei muito quando pequeno. Por causa disso – e daí vou ter que entrar no terreno psicológico – não fiquei tão próximo das pessoas que eu ia deixando pra trás. Mudei tanto. Então fiquei lá, escrevi um email aqui outro ali, também morava na casa dos outros. Então mantive contato, mas não fiquei assim... também haja dinheiro pra manter contato.

 

E o Los Hermanos fica nesse esquema de só fazer show de vez em quando?

Amarante – Esse show não quer dizer que a gente vai começar a fazer shows. Mas nada impede também, não sei, não tem nada marcado. O Marcelo ainda tem um tempo bom pra trabalhar o disco dele e eu também tenho um tempo bom pra trabalhar o Little Joy. Nós dois queremos fazer isso. O lance é viajar e mostrar.

 

Qual vai ser o repertório do show de março?

Amarante – Ainda não ensaiamos. Vai ter musicas de todos os discos. Mas não sei ainda, não combinamos nada.

Postado por GABRIEL BRUST

Kaiser Chiefs em Munique

22 de janeiro de 2009 0

Ricky Wilson comandando a festa. Fotos: Julia Dócolas.

A jornalista e minha amiga Julia Dócolas, que vive na Alemanha, manda para o blog um depoimento sobre um show do Kaiser Chiefs por lá na última terça-feira. Os caras seguem arrebentando com a turnê do ótimo disco Off With Their Heads.

 

"Show de banda internacional não tem a ver necessariamente com grandes espetáculos. Na real, os melhores show são aqueles mais intimistas, em lugares de menores proporções em que a banda parece estar se divertindo mais até do que a platéia. Foi isso que rolou na última terça-feira, às 21h, no Tonhalle, em Munique, na Alemanha.

O lugar, que servia cerveja em copões de plástico, me lembrou demais o Porão do Beco. O palco era pequeno e o público se bobear consegue até tocar nos caras ali em cima. Ricky Wilson arriscou um Guten Abend, mas acabou se rendendo ao inglês na outra de interagir com os indies, alternas e tarjas lá presentes.

Se a relação com o idioma foi meio distante, o mesmo não ocorreu com a cerveja. Em meio as músicas, os caras tomavam Becks, cerveja clássica de vários sabores apreciada pelos mais jovens. Os hits esperados, como Ruby, I Predict a Riot and Everyday I love you Less and Less fizeram os alemães pularem aos berros, mas o ponto alto foi o canto em coro de Angry Mob e o final libertador, que fez todo o sentido para os estrangeiros lá presentes: "Oh my God I can`t believe it, I have never been this faraway from home".

Bom demais porque o show não era um acontecimento, era só um gig, como todo bom show de rock deve ser."

 

Ao fundo, o palco do Tonhalle.

Postado por GABRIEL BRUST

O que Noel Gallagher anda ouvindo

22 de janeiro de 2009 0

The Amorphous Androgynous

Aí vai o conteúdo da coluna Remix publicada hoje no Segundo Caderno da ZH, com os devidos links e extras prometidos:

O guitarrista do Oasis Noel Gallagher é um arrogante que só ouve Beatles e não crê que ninguém além da sua própria banda sabe fazer música nos dias atuais, certo? Em parte sim, e é por isso que, quando o mal-humorado de Manchester diz que "uma das melhores coisas que ouvi na vida" é uma outra banda que não Oasis ou Beatles, a gente deve prestar a atenção. Pois ele disse isso sobre os londrinos do The Amorphous Androgynous, os ripongas na foto aí ao lado. Noel se referia ao disco Monstrous Psychedelic Bubble Exploding In Your Mind, do ano passado, uma viagem psicodélica e ao mesmo tempo eletrônica e contemporânea - tudo o que o Oasis vem tentando fazer desde o Be Here Now (1997).

O Amorphous é um projeto secundário da dupla Garry Cobain e Brian Dougans, que são o The Future Sound of London (FSOL para os íntimos), uma banda de música eletrônica formada em 1988. Noel comprou 10 cópias do disco do Amorphous para distribuir aos amigos como presente de Natal - duas delas foram para Paul Weller. O entusiasmo foi longe: o guitarrista agora autorizou a turma psicodélica a remixar a ótima balada Falling Down, do mais recente disco do Oasis. O resultado não tem como ficar ruim. Por enquanto, confere o som do Amorphousclicando aqui.

 

PS.: Aliás, você já ouviu a fantástica versão dos Chemical Brothers para Fallin Down? Não?! Tá aí embaixo:

 

 

 

DROPS

>> O Remix já sabia: o DJ Fred Chernobyl e a dupla Fenx, que você já viu várias vezes por aqui, estão arrasando até entre os gringos. Fred está em turnê pela Europa, passou por Portugal no fim de semana, e na semana que vem toca em Munique e em Viena, no Cafe Leopold, um clube que, acredite, tem uma noite dedicada ao baile funk. Já a Fenx acaba de emplacar o som Natural na Sky FM de Londres. A banda está em estúdio gravando seu primeiro disco.

>> Que tal um rock francês para relaxar hoje à noite? Les Responsables fazem a festa lá no CulturaRockClub (Rua Olavo Bilac, 251), às 22h, a R$ 10.

>> Mas se a sua pilha é enlouquecer, tem baile da Império da Lã no Porão do Beco (Independência, 936), fazendo a retrospectiva de 2008. R$ 15.

>> E amanhã tem outro baile, o da Pata de Elefante, com a banda tocando um repertório diferente. No Long Play (Sarmento Leite, 880), a R$ 15.

Postado por GABRIEL BRUST

O grandioso cassino do The Killers

20 de janeiro de 2009 1

A ditadura que define o que fazer para soar ou não soar cool no mundo da música pop não é de todo ruim. Estabelece alguns paradigmas e nos permite dizer, de tempos em tempos, com a boca cheia e um certo prazer sádico, quando um disco é realmente cafona.

Feliz do artista que consegue fundir Elton John e David Bowie, fazer o disco mais cafona dos últimos tempos e, mesmo assim, nos obrigar a reconhecer que o resultado final reluz como ouro. Bem-vindo ao novo disco da banda de Las Vegas The Killers.

O segredo para entender como o The Killers fez Day & Age ser um belo disco de rock é se dar conta de algo que U2 e Coldplay já perceberam há muito tempo (e que aqui no Brasil gente como o Nenhum de Nós e os Titãs também): é preciso ter muito talento para se fazer um disco cafona. E aqui vamos à imprescindível definição do cafona (ou apenas uma das definições possíveis para a música): algo formado por ingredientes pouco inovadores distorcidos ao seu estado mais raso e caricatural.

Pois o Killers e toda essa turma consegue converter em deleite puro o rubor facial despertado por algum verso torto ou o constrangimento modo turbo acionado por um saxofone perdido. Esses dois exemplos caricatos – o verso meloso e o sax perdido – estão orgulhosamente representados em Day & Age. Quando Brandon Flowers canta, na magnífica Human, “Eu estou sobre meus joelhos, procurando a resposta / Somos humanos ou somos dançarinos?”, é possível esquecer a infâmia dos versos diante da comovente cortina de batidas eletrônicas e teclados inspirados no New Order e nos anos 80 em geral. O sax canalha surge na suingada Joy Ride e parece pronto para embalar Eddie Murphy em qualquer cena de Um Tira da Pesada. Uma perigosa levada caribenha permeia I Can’t Say. O piano à Elton John surge em A Dustland Fairytale, que vai acelerando e tem final grandioso e reluzente.

Luz parece ser a imagem certa para definir o The Killers. O quarteto vem da cidade em que tudo é grandioso e em que a glória ou a miséria são decididas em uma moeda. Depois de dois discos elogiados e marcados pelo clima dançante e oitentista (Hot Fuss e Sam’s Town), o Killers parece agora ter encontrado seu som próprio, com menos referências explícitas. Parece querer entrar para o time de U2 e Coldplay, aquele que agrada até a torcida não-roqueira.

O brilho de Day & Age começa pela arte da capa, criação do designer Paul Normansell considerada a melhor de 2008 pela revista Rolling Stone. O quarteto já vendeu quase 2 milhões de cópias do álbum com apenas dois meses de lançamento, alcançando o primeiro lugar na parada britânica. O grupo faz cada uma das 10 faixas de Day & Age refletirem, como nas poucas noites do ano em que todas as luzes do Cassino Bellaggio se acendem no Boulevard South. Simplesmente porque não temem soar cafonas e porque sabem, como um bom investidor de cassino deve saber, que o belo só surge de quem realmente pensa grande e não teme a ditadura do que é ou não cool.

 

*** Texto publicado no Segundo Caderno do dia 20/1/09

Postado por GABRIEL BRUST

Franz + Killers + Alanis

19 de janeiro de 2009 0

Como você já deve saber, duas das grandes bandas da atualidade estão com novos e ótimos discos na praça.

O do Killers, Day & Age, saiu no final de novembro. O Tongiht, do Franz Ferdinand, sai no dia 26 de janeiro, mas poderá ser ouvido nesta quinta-feira, na íntegra, no MySpace.

Na edição desta terça-feira do Segundo Caderno da ZH, eu e o colega Gustavo Brigatti escrevemos sobre os dois discos. Não deixe de ler.

Ah, também na edição desta terça o colega Luis Bissigo publica, na capa do Segundo Caderno, mais uma parte da entrevista com a Alanis.

Por hora, você pode conferir uma amostra das músicas novas do Killers (canção Human) e do Franz (canção Ulysses) clicando aqui e aqui.

Postado por GABRIEL BRUST

Vocês garotas nunca vão saber

16 de janeiro de 2009 0

I can`t tell you the way I feel becouse the way I feel is OH SO REAL!***

 

Digam o que disserem, o mal do século é a solidão. Mas a música do ano é No You Girls, do disco novo do Franz Ferdinand.

Dançando sem parar com fones de ouvido aqui no meio da redação em plena e atarefada tarde de sexta-feira.

Ouça agora a faixa três do álbum e tenha o fim de semana mais feliz da sua vida.

 

 

*** Noel Fucking Gallagher.

 

Postado por GABRIEL BRUST