Postado por GABRIEL BRUST
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Difícil escolher por onde começar ao falar sobre o show do Radiohead, no último domingo, na Chácara do Jockey, em São Paulo. A esta altura, o caro leitor já deve ter lido de tudo na extensa cobertura feita pela internet – até mesmo boas gravações piratas já podem ser baixadas na rede. Mas há coisas que merecem a tinta do papel para a posteridade, e a noite de domingo é uma delas. Se o Radiohead mudou os rumos da música pop com o disco Ok Computer (1997), podemos dizer que a turnê atual, do disco In Rainbows, é a continuação desta revolução nos palcos.
O Brasil recebeu o show de rock da década. Que me perdoe o U2 e sua pirotecnia, mas a banda de Thom Yorke mostrou que não são grandes telões que fazem o rock virar arte. A escolha do set list, completamente intuitiva – as músicas de São Paulo foram diferentes das do Rio, sem prejuízo para nenhum dos lados –, demonstra a diferenciada relação que o grupo mantém com sua música. “Vamos com o que estamos sentindo”, definiu Thom Yorke em entrevista a Edgar Piccoli, antes do show. Enquanto o pessoal do Rio conferiu Street Spirit, No Surprises e Just, o de São Paulo ganhou Exit Music, Lucky e Fake Plastic Trees. Quantas bandas no mundo podem se dar ao luxo de fazer dois set lists perfeitos e diferentes em uma mesma turnê?
A infraestrutura do palco fica na medida certa entre o espetacular e o econômico: várias câmeras – pelo menos três delas sobre Yorke – garantem uma edição instantânea e frenética nos telões. A fantástica iluminação, assinada por Andy Watson, que trabalha com a banda desde 1993, é ecologicamente correta, consumindo apenas 30% da energia de luzes convencionais. O resultado é exagerado – no bom sentido. As lâmpadas finas e compridas garantem luzes que parecem dançar com as músicas. Mas nenhum desses detalhes supera a essência do que foi o show: uma banda no seu auge do ponto de vista artístico – coisa rara de aparecer por aqui – e em completa sintonia com o público.
Dois momentos resumem bem a atmosfera de êxtase que envolveu a Chácara do Jockey. Em Exit Music, o silêncio entre as 30 mil pessoas era inacreditável – nada além da voz e do violão de Thom Yorke podiam ser ouvidos. Em Paranoid Android, a música já havia sido encerrada quando a multidão entoou novamente, sozinha, os versos “rain down, camon rain down”, obrigando a banda a retomar alguns acordes e acompanhar o público. Até mesmo quem já havia assistido ao mesmo show fora do país (meu caso e de outros jornalistas com quem conversei) não tem dúvida em dizer que o de São Paulo foi superior e único. Os descontos: a desnecessária e desentusiasmada reunião do Los Hermanos – que teve um inevitável cheiro de caça-níquel – e a péssima infraestrutura do festival. Nada que vá impedir este show de ser lembrado como o grande show de rock dos anos 2000 – o show de uma geração inteira.
*** Texto publicado no Segundo Caderno da Zero Hora de hoje.
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O site do Ticketmaster já está dando os preços para o show do Oasis. O ingresso mais barato para Porto Alegre custa R$ 120 - o mais barato do Brasil. Em Curitiba, ficou em incríveis R$ 200, em São Paulo e Rio, a R$ 180.
Confere aí
PORTO ALEGRE - Gigantinho, (3ª feira, 12/05 - 20h)
Pista e Arquibancada (1º lote) - R$120
Cadeira - R$180
>> As vendas começam amanhã, dia 20, apenas para clientes CityBank. No dia 27, começam as vendas gerais.
>> Classificação etária indicativa: 12 e 13 anos acompanhados dos pais ou responsável legal. Não será permitida a entrada de menores de 12 anos.
>> A Opus Promoções, organizadora local do show, ainda não tem nenhuma informação sobre venda de ingressos em bilheteria.
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Foto: Laura L por André Chassot
Na noite desta sexta-feira você tem dois bons motivos para ir ao Bom Fim. O primeiro é conhecer, se é que já não conhece, o OohLaLa! (Avenida Osvaldo Aranha, 908), um dos lugares mais escondidos e interessantes da cidade. O bar fica no segundo andar de uma casa antiga da Osvaldo, ali pertinho do Ocidente, sem placa na porta ou divulgação. Mas tem recebido festas divertidas e bons shows.
O segundo motivo para você se arrastar entre as palmeiras do Bom Fim é o show que o OohLaLa recebe nesta sexta: o do Músicas Intermináveis para Viagem (M.i.p.V), com abertura da banda Ypsilons. O M.i.p.V é um projeto de música instrumental capitaneado pela guitarrista e compositora Laura Leiner (na foto acima). Que, aliás, está desenvolvendo um outro projeto de primeira. Laura vai ministrar, nos próximos dias 23 e 24, a oficina O Músico, Seu Corpo e a Cena, que parte de técnicas de teatro e dança para ensinar músicos a pensar a cena como um todo, para além do instrumento. A oficina é uma das atividades do Circular – Coletivo de Produção, uma associação independente de bandas e produtores que pretende fomentar a cena independente local. O show do M.i.p.V custa R$ 5 até a meia-noite. Depois, R$ 8.
Sobre a oficina:
No Centro Meme (rua Gonçalo de Carvalho, 135, tel.: 51-3019.2595, atrás do shopping Total, Porto Alegre/RS),
R$ 30,00
(desconto de 50% para integrantes do Circular - Coletivo de produção)
Inscrições e informações pelo http://www.myspace.com/electricdreamcore
Fone 51- 3239.9591, e-mail lassessoria@hotmail.com ou no Centro Meme (centromeme@centromeme.com.br).
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A turnê latino-americana do Radiohead começou no último domingo, na Cidade do México. O primeiro show não teve maiores surpresas, tendo um set lista parecido com o da turnê europeia. Já o segundo show no México, na segunda-feira, foi de arrepiar. Acredite se quiser, a banda encerrou a apresentação com Creep, hit que não era tocado há muito tempo.
Confere aí o set list do segundo show, na segunda-feira:
Setlist 16/3/09
01-- 15 Step
02-- There There
03-- The National Anthem
04-- All I Need
05-- Kid A
06-- Karma Police
07-- Nude
08-- Weird Fishes/Arpeggi
09-- The Gloaming
10-- Talk Show Host
11-- Videotape
12-- You and Whose Army?
13-- Jigsaw Falling Into Place
14-- Idioteque
15-- Climbing Up The Walls
16-- Exit Music (For a Film)
17-- Bodysnatchers
Primeiro bis
18-- How to Disappear Completely
19-- Paranoid Android
20-- Dollars and Cents
21-- The Bends
22-- Everything In Its Right Place
Segundo bis
23-- Like Spinning Plates
24-- Reckoner
25-- Creep
Duvidou? Então confere aí o clipe de Creep tocada no méxico:
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Meu comentário aqui no blog na última sexta-feira sobre o Porão do Beco gerou um bom debate. Não um debate público, é verdade, mas entre emails e conversas com amigos, leitores e gente que faz a cena. Gente discordando e gente louvando a minha crítica. Torno o debate público agora então, para os comentários de quem se prestar. Reconheço que fui infeliz na abordagem um tanto trágica do assunto -- mas, quem me conhece, me lê por aqui ou desde os tempos do PoaRock, sabe que sou dramático e gosto de uma provocação. Então, não me levem tão a sério, velhinhos. Posto isso, vamos aos fatos. Quem me apoiou fechou comigo na impressão que tenho do Porão: o público que vai lá diversificou demais e, portanto, o bar deixou de ser um lugar legal para encontrar pessoas interessantes. Além do que, é gente demais, principalmente nos finais de semana. Quem discordou cravou o seguinte: sou um xiita alternativo, que acha que, só porque se popularizou, o lugar ficou ruim. E que estou enfraquecendo o "movimento" ao detonar uma casa noturna que construiu o tal "movimento" que a gente tem hoje. Bueno, o que sobra de real, o que realmente penso sobre tudo isso? Lá vai: o Beco, por meio de seus diferentes braços, criou de fato esse clima ótimo que a gente tem na cidade hoje, com uma cena alternativa (sim, existe uma cena, por mais que gostem de dizer que não) que está na música e está na moda. O responsável por isso tudo é o fera do Vitor Lucas, que sabe farejar tendência e não tem medo de se jogar em grandes projetos, não só pela grana, mas principalmente por paixão pela coisa. E isso já basta para ter o meu respeito e admiração eternas. E já basta e sempre bastou para ter o meu apoio permanente (não tem uma quinta-feira que o a palavra Beco não saia no Remix, não por simpatia ou amizade, mas por puro mérito dos caras). Nada disso, no entanto, diminui o compromisso que tenho com o leitor. Em última instância, é só com ele que tenho qualquer compromisso. O compromisso é simples: dizer o que anda legal e o que não. Se o leitor está indo no Porão, está vendo que nos finais de semana as filas são insuportáveis e o público não é o mesmo que criou a casa, eu vou tentar convencer ele do contrário por que? Até porque eu estou indo lá e vendo com meus próprios olhos. E outra: essa mudança é culpa do Beco ou culpa de alguém específico? Claro que não! O Porão do Beco está pagando o preço de ser um sucesso absoluto. Isso sempre aconteceu e vai continuar acontecendo com os lugares legais que, de tão legais, acabam atraindo muita gente e se descaraterizando. Outra coisa importante de ressaltar: apesar dessa mudança de público, o Vitor e o pessoal do Beco não mudaram em nada a sua postura ou a programação da casa. O Porão segue investindo na cena local, em boas festas, em trazer gente nova e boa de fora do Estado ou do país, sempre com o foco no lado-b, no alternativo. E é isso que importa, o trabalho dos caras continua sério. Quanto a mim? Bem, prefiro as festas do Cabaret ou de outros lugares da cidade, principalmente durante a semana, com menos gente, mas gente interessante, com música diferente e um clima mais legal. Acho que ali ainda está a essência da coisa. É só um gosto pessoal, mas desconfio de que muito leitor compartilha desse gosto. E tamos conversados.
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Aí vai uma dica para quem não quer só beber Nova Schin quente na calçada de algum boteco da Idependência. Apreciadores de uma boa bira não podem deixar de usar como desculpa o Dia de Saint Patrick para degustar o sagrado pão líquido em grande estilo.
O feriado anual irlandês, comemorado nesta terça-feira, também pode ser celebrado aqui em Porto Alegre. Uma dica é o Saint Patrick Day do Dublin Irish Pub (Padre Chagas, 342). A festa começa às 18h e segue todo o rito pagão com decoração especial, muito chope verde em dose dupla, degustação de drinks, tinta verde e até uma maquiadora de plantão pra pintar o rosto de devotos com o tradicionla trevo, símbolo que Saint Patrick utilizou para explicar a Santíssima Trindade.
O ingresso é gratuito até às 21hs, após esse horário custam R$7,00 (F) e R$14,00 (M). Mas quem for vestido com alguma peça de roupa verde não paga o ingresso.
Viva o santo da cerveja!
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Peregrinei por algumas das festas que anunciei no Remix de ontem. Aí vão algumas considerações sobre esta bela madrugada de quinta pra sexta na Capital: 1. O Garagem Hermética mudou. Para melhor. Nada muito radical, mas o ambiente parece mais agradável. Continua uma sucursal do inferno no quesito temperatura, mas se o ar condicionado (que já está lá posicionado) entrar em operação, pode voltar a ser uma boa opção para shows na cidade. 2. O Lollypops, que se apresentou lá, faz um dos shows mais divertidos que eu vi recentemente. As três garotas cantam bem, e a banda de apoio só tem fera – entre eles tem gente da Identidade e da Destilantes, banda de um pessoal gente boa da Grande Porto Alegre que eu conheci ontem. O Lollypops tem tudo para criar um show de encher boteco, como o da Império da Lã. Basta ampliar um pouco o repertório, que já conta com boas músicas próprias (destaque para uma divertidíssima que fala sobre "vida de groupies") e covers precisos, como Mr. Postman. 3. Se o Garagem se reabilitar, o circuito Independência vai ficar tri. A caminhada entre a Barros Cassal e os dois Becos é cheia de gente e menos insegura do que parece. 4. O Porão do Beco já era. O bar não é mais reduto da música alternativa e de gente interessante. A noite de ontem comprovou o que há tempos eu percebia: o público que está indo lá não faz a menor ideia do que vai encontrar e acaba cortando total o clima da festa achando que está no CORD. O ótimo show da Império da Lã tocando Radiohead não teve clima nenhum porque a barulheira da multidão falando soterrava a atmosfera de músicas como Exit Music, por exemplo. 90% do público não fazia a menor ideia do que era o Radiohead ou o Império da Lã. 5. Sim, o show do Império da Lã foi fantástico. Não só surpreendeu a fidelidade às canções originais do Ok Computer que a banda tocou (as bases pré-gravadas ficaram perfeitas), como revelou o grande talento do Guri Assis Brasil, guitarrista da Pública, como cantor. O cara matou a pau em canções de difícil vocal, como Climbing Up The Walls e The Tourist. 6. O primo mais velho do Porão, no entanto, segue demais. O Cabaret ontem recebeu mais uma vez a festa Maximize, que traz vertentes pouco convencionais de música eletrônica, com Fredi Chernobyl e Edu K. O público de ontem, no entanto, decepcionou, o que mostra que Porto Alegre ainda não está pronta para festas de música realmente inovadora. A pista bombou com o irresistível set do Fredi, que distorce o funk carioca ao ponto da demência, mas deu uma esvaziada quando o Edu assumiu. Compreensível, porque já era tarde e porque a experimentação do Edu, embora seja do caralho, é mais crua e menos acessível. 7. Fiquei sabendo pelo Gufo ontem que a Fenx tem shows marcados em Portugal e França no segundo semestre. E que os caras estarão também no Eletroshock, esse festival de electro que vem aí e tem tudo para ser incrível (mais detalhes em breve). 8. A julgar pela quantidade de gente que me disse ontem que vai estar em São Paulo no sábado 21, véspera do show do Radiohead, é de se esperar que a Rua Augusta se transforme na Independência. Invasão porto-alegrense não só na pista, mas também no palco: a Hotel Santa Clara vai tocar naquele sábado no clube Berlin (na Barra Funda). Vai ser uma festa.
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Que momento!!! As duas big bands Império da Lã e Hotel Santa Clara posaram juntas aí para este clique no CulturaRockClub. A festa hoje é no Porão do Beco, com show da Império tocando o OKComputer, do Radiohead, com abertura da boa Hotel Santa Clara. Vai lá, meu filho. Só R$ 15 pilas para uma grande noite.
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FOTO: Tadeu Vilani/ZH
Que Mallu Magalhães que nada. O grande novo nome do folk brasileiro é o gaúcho Rafael Sonic, 25 anos. Talvez você já tenha ouvido falar deste cara de Guaíba que lançou, em 2007, na internet, o elogiado disco Coisas do Além, e Depois. O disco revelou ao Estado o trabalho do guri que gravava há anos trilhas para teatro infantil da Oficina Cênica de Artes (Oca) e que também produziu o já clássico disco de estreia do Superguidis. Tudo feito no estúdio que Rafael tem no quarto da casa e tocando ele próprio todos os instrumentos. Pois, de lá para cá, o cara se fechou no tal quarto, de onde avista Porto Alegre do outro lado do Guaíba, e gravou outros quatro discos: Histórias de Quem Sai de Casa, Versões, e os dois mais recentes, que acabam de sair, Ensolarado e Soturno. A produção de Rafael surpreende e melhora de trabalho para trabalho e a sua grande cartada deve chegar em julho deste ano: o primeiro disco de verdade, com caixa e capinha, e não virtual, que já está em processo de gravação.
Por hora, é possível conferir o talento transbordante do cara nas gravações da internet, entre elas uma pérola: a parceria virtual com a cantora norte-americana Brianna Finnegan. Cada um em sua casa, ela nos EUA e ele em Guaíba, gravaram as canções Lullaby e Let It Rain e botaram no YouTube. São de chorar no cantinho. Confere aí:
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