O ano que começa amanhã é, oficialmente, 2010. Mas no cinema _ e provavelmente na música _ o calendário vai variar entre 1970 e 1980. Ah, e você, garotão que guarda aquele par de coturnos gastos, e você, meninona que ainda tem uma calça de napa, sabem o que isso significa, não é? Se não, dois excelentes filmes narram um pouco das histórias dessa decadazinha marota.
Um deles é Sex & Drugs & Rock & Roll, que trata da vida e obra de Ian Dury. Sim, Ian Dury, que a frente dos Blockheads ajudou a criar o punk inglês, enquanto já abria as portas para o _ veja só_ pós-punk e a new wave. O título é também o nome de, salvo engano, sua canção mais famosa, incluída no indispensável New Boots and Panties!!, de 1977.
No filme de Mat Whitecross, Ian é interpretado soberbamente por Andy Serkis (o Gollum de O Senhor dos Anéis), como dá para notar no trailer, disponível no site oficial e logo abaixo:
No outro, sai o baderneiro inglês e entram gatas norte-americanas quentíssimas que ajudam a reconstruir a história da primeira banda de rock´n´roll formada apenas por mulheres. The Runaways era o grupo (e também nome do filme) formado basicamente por Joan Jett (guitarra) e as loiras Cherie Currie (voz) e Lita Ford (guitarra).
Sucesso entre a primeira e a segunda metade da década de 70, elas tinham especial apreço pelas performances, não economizando em couro e... lingeries. Na fita de Floria Sigismondi, Kristen Stewart (a Bella da saga Crepúsculo) dá vida a Jett, enquanto a "menina, você cresceu!" Dakota Fanning faz as vezes da líder Cherie. Quer uma música? Cherry Bomb.
Abaixo, o trailer:
Claro que dificilmente os dois chegarão até as alcovas de shoppings ou salas de rua (dá pra torcer por um cartaz no Guion Center, nunca se sabe...). Mas na falta de uma tela gigante com som _ ah, sim, o som, a música _ estourando nos tímpanos, faça como eles sempre fizeram: improvise em telinhas menores, daquelas que se apoiam no colo, estamos nos entendendo?
Olha só, minha memória não é das melhores, ok? Então não tenho a menor condição de lembrar de tudo o que ouvi durante um ano. Também não faço qualquer tipo de registro, com exceção das matérias/posts. Fora que sou arqueologista, quer dizer, ouço muito _ mas bota muito nisso _ mais velharia do que coisas recém-lançadas. Também tem o fator chatice. Sou chato por natureza e quase batendo nos 30, ou seja, vejo cada vez menos valor/graça/razão/tesão em quase tudo o que é feito hoje.
Bom, segue a lista, que já foi publicada aqui, no Impop _ espaço, aliás, que deveria constar nos seus links de preferidos ou ter o RSS devidamente assinado.
Abaixo, algumas canções _ ou, pelo menos, os artistas _ que aparecem na minha lista de melhores discos de 2009.
1. Years of Refusal - Morrissey
Aos 50 anos, a prima donna do pós-punk lançou o disco mais pesado, ácido e bonito que qualquer semanário palha inglês conseguiu colocar em sua capa este ano. Verdadeira lição de vida em cada uma das faixas. O resto é branquelo chorão.
2. Préliminaires - Iggy Pop
Saber envelhecer é uma arte dentro do rock mainstream. E o último disco solo de James Osterberg faz esquecer que ele continua fazendo cover de si mesmo com os Stooges para ganhar dinheiro. É denso, é lírico, é selvagem, e algo picareta.
3. Coaster - NoFX
Punk rockers californianos quarentões fazendo barulho como garotos de 20. Decadência? Não quando você canta sobre o dia em que seus pais morreram de verdade e a festa (quase) terminou. Fat Mike, obrigado por continuar a ser o porta-voz da minha adolescência tardia. Ah, sim, e parece que eles vem para Porto Alegre em Março, só pra constar.
4. Demo com bônus elegante - Maria Elvira e os Suprassumos do Suíngue
O combo mais divertido que ouvi este ano em Porto Alegre. Vocalista bonita, versátil e afinada, banda pesando a mão num hardblues, clima de bar junkie. Tem só quatro músicas gravadas, as quatro que mais ouvi esse ano. Talvez vire o ano com elas. Talvez não tenha escolha.
5. Sing Along Songs for the Damned and Delirious - Diablo Swing Orchestra
A única banda que mistura coisas que realmente interessam e dá certo. O primeiro disco está disponível para ser baixado, na íntegra, de graça e legalmente. Este, o segundo, é uma evolução natural. Mais dançante, mais experimental e muito mais divertido. Falei deles aqui.
6. World Painted Blood - Slayer
Não sou da praia do thrash metal, mas WPB fechou o ano me fazendo mudar de ideia. Tiagón explicar com muito mais propriedade aqui, já que sua lista também o inclui. É de fazer headbanging no cantinho de tão bom.
7. Kitchen Door - Gru
Conheço muito pouco do pop gaúcho. E do que conheço, não gosto. Mas Gabi Lima acerta quando não dá a mínima para sua Pelotas natal e mistura influências que a colocariam facilmente para tocar num comercial de celular moderninho. Enquanto isso não acontece, baixe aqui o disco inteiro.
A gente sabe que esse negócio de apontar “os melhores do ano” é de uma prepotência sem tamanho. Mas, como a prepotência é considerada um talento aqui no Remix, aí vão os eleitos de 2009. Feliz Natal, senhores!
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A revelação do ano
Embora uma penca de belas bandas tenham se destacado este ano, nenhuma presenteou o RS com tantos refrões grudentos como os Valentinos(www.myspace.com/valentinosrock).
O interessante é que todas as músicas do quarteto falam da mesma coisa: estou perdido, preciso encontrar alguém, não sei para onde vou, enfim, todo esse blablablá juvenil. E é exatamente por isso que a banda soa honesta para dedéu.
Há pouca originalidade nos Valentinos — o que existe é bom gosto, apelo pop e emblemáticas referências britânicas, em especial Stone Roses e Oasis. Aliás, o vocalista Jonts Ferreira é Liam Gallagher em sua melhor forma. É dele a mais bela voz do rock sulista atual. Quando fica bêbado, desafina para burro. Mas tudo bem, tá perdoado.
Em março deve sair o disco de estreia dos Valentinos e, se os quatro seguirem firmes, podem se tornar uma das mais importantes bandas do Rio Grande do Sul.
Para não cometer uma baita injustiça, o Remix precisa fazer uma menção honrosa. Musical Amizade(www.myspace.com/musicalamizade), embora exista desde 2007, entortou a forma de fazer música no Estado ao lançar, este ano, quatro excelentes canções. É tanta sofisticação que só funcionaria por trás de um humor escarrado — e o Musical acertou na mosca.
Valentinos - OSPA (Perto Daqui)
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O disco do ano
Depois de anos trancafiados numa casa abandonada — dizem até que dormiam com ratos —, os Fantomaticos(www.fantomaticos.com.br) enfim terminaram a gravação de No Bosque. Levaram tanto tempo para lançar o troço que ninguém acreditava que, no fim das contas, o resultado pudesse soar tão espetacular.
O lançamento da bolacha foi em maio. E revelou uma aula de fusão entre experimentalismo e música pop, dialogando com letras e arranjos que arremessam o ouvinte para cenários impossíveis. Este colunista, quando houve No Bosque, sempre se imagina andando a cavalo na terra do Rei Artur — embora jamais tenha andado a cavalo e nunca tenha lido nada sobre o Rei Artur.
Fantomaticos - Gin
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A festa do ano
Atento à falta de opções que rolava nas noites de quarta-feira, a Beco Produtora lançou a festa Fuck Rehab — nome muito apropriado, aliás —, que se popularizou este ano.
Todas as quartas, no Porão do Beco (Avenida Independência, 936), a função reúne só os inconsequentes, todos se lixando para a ressaca no trabalho no dia seguinte. Para completar, em 2009 a festa ganhou a contribuição de Daniel Lacet, que se revelou o melhor DJ de rock da Capital.
Música boa, cerveja gelada e uma irresponsável união pelo boicote ao dia seguinte. Grande festa!
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O show do ano
No que se refere a shows internacionais, Porto Alegre foi um fracasso em 2009. Nenhuma banda relevante, gozando o ápice da carreira, desembarcou por aqui neste ano — e até o show da Liza Minelli foi mais empolgante que o do Oasis, em maio.
Mas centenas de gaúchos deixaram o Estado, dois meses antes, para assistir aos inacreditáveis shows que o Radiohead fez em São Paulo e no Rio. Embora veterana, a banda inglesa apresentou um espetáculo de inovação audiovisual, com tubos de luzes e microcâmeras que valorizaram ainda mais algumas das harmonias mais lindas dos últimos 20 anos.
Quem compareceu sabe que aquilo jamais se repetirá.
Radiohead - Idioteque (Ao vivo em São Paulo)
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O disco estrangeiro do ano
Depois de quatro discos recebidos sem grande entusiasmo pela crítica, a banda francesa Phoenix enfim ganhou o mundo. O sensacional do álbum Wolfgang Amadeus Phoenix, lançado em maio, é que resume tudo o que ocorreu na década inteira.
Embora seja um disco essencialmente indie, como foram indies os Strokes e o Arctic Monkeys, reúne também uma sensualidade dançante que ganhou os anos 00 com MGMT, Scissor Sisters e até a pentelhinha Lady Gaga. Os sintetizadores terminam por flertar com o electro-rock, atual fenômeno das pistas.
Mas Phoenix é mais: é sensível e requintada como nenhuma outra banda foi em 2009.
Tá dando em tudo que é site de notícia: o Guns N´Roses vem mesmo tocar no Brasil. E encerra sua turnê em Porto Alegre. Segundo consta, a Time For Fun seria a produtora responsável pela vinda de Axl e teria de fato confirmado a notícia.
As datas, pelo que circula, são as seguintes:
Brasília: 7 de março
Belo Horizonte: 10 de março
São Paulo: 13 de março
Rio de Janeiro: 14 de março
Porto Alegre: 16 de março
Ainda não há data oficial para o início da venda ou valores de ingressos, bem como os lugares.
O site oficial do GNR não confirmada nada, e o MySpace da banda só dá datas até o início de fevereiro.
Bom, somado com Metallica e Cranberries, essa cada vez mais provável vinda do Guns começa a desenhar um 2010 cheio de velharias...
1 - Mad Habit
2 - NICKELBACK
3 - Three Days Grace
4 - Theory of a Deadman
5 - Avril Lavigne
6 - Sum 41
7 - Michael
8 - Feist
9 - KArdinal offishall
10 - Celine Dion
Agora fico pensando aqui, se em algum momento, de alguma forma, talvez por força da profissão, eu contribui para esse cenário. Mas queria que você, querido leitor, aproveitasse e fizesse essa mesma reflexão: será que também tenho culpa nisso?
E vamos juntos brindar por um 2010 um pouco menos... deixa pra lá.
*O clipe mais recente do Flaming Lips: vagina gigante e ciclistas nus *Crédito: Reprodução
Imagina umas 30 pessoas peladas — e todas adultas — encarceradas dentro de uma vagina gigante. Aí, vai saindo a primeira, numa lambuzeira danada, e depois vem a segunda e a terceira, se espremendo para burro porque é complicado passar entre aqueles beições de três metros de altura.
Pois assim é o novo clipe do Flaming Lips, da ótima música Watching the Planets, quase um escândalo nos Estados Unidos. Nem no YouTube chegou a versão completa do vídeo, que só passa na TV com violentas censuras. Mas aqui está o link para o leitor assistir a peladeira na íntegra. Depois de ver, responde ali, nos comentários: o troço é de mal gosto? Ou vale pela originalidade e pela mensagem?
A tal “mensagem” seria retratar a espontaneidade do ser humano em seu estado natural — resumindo, coisa de hippie. E o final do vídeo é meio atordoante: ciclistas nus capturam o vocalista — até então o único vestido —, arrancam suas roupas e o arrastam à força para entrar na vulva. Dá uma angústia, mas parece um final feliz.
Encontro Vini Ferrari, guitarrista da Véspera. A Véspera vocês conhecem, abriu para o Faith No More em Porto Alegre, numa das maiores demonstrações de culhão e profissionalismo que eu já presenciei. Me conta ele que a banda volta no próximo ano muito mais orgânica, batendo o pau na mesa. Se você sabe o que significa expressão "bater o pau na mesa", não tema: coisa boa vem por aí. E a julgar pela faixa inédita que ouvi, 2010 vai ser do c****** para a Véspera.
BANQUETE SONORO
Então chego no Dr. Jekyll. Antes, um aviso: esse negócio de cena acabou. Ok? Não existem mais lugares onde é possível concentrar um estilo/tendência/modinha. O que há são bandas muito, muito boas, tocando onde conseguem plugar seus amplificadores. E o Dr. Jekyll, nas últimas quartas-feiras desse 2009, foi um destes lugares. Quem foi, sabe. Quem não foi, lamenta.
O que eu digo é: acabou a barbada. Quer saber onde estão tocando as melhores bandas de Porto Alegre? Fica ligado. Aqui, em comunidades virtuais, no bom e velho boca-a-boca, enfim. E desconfie sempre.
Hoje foi uma daquelas noites memoráveis. Primeiro, o Transmission. Eu tenho pouco a falar sobre eles, sou suspeito por ser fã. Nem a lamentável acústica do Jekyll me desanima quando aqueles quatro sujeitos começam a tocar. A minha impressão é que não são quatro cozinheiros misturando ingredientes de um mesmo prato, mas sim quatro chefs preparando receitas distintas, e o resultado é um banquete que se come inteiro.
Não vou destacar esse ou aquele instrumentista. O Transmission é uma banda no melhor sentido, um grupo coeso onde cada personagem está fazendo muito bem a sua parte e é isso. Tá, não vou deixar de citar o baixo verde-água da Carol. Minha avó tem uma geladeira da mesma cor e ela, a Carol, prometeu comprar o eletrodoméstico da boa velhinha. Acho que é isso, não sei, meu cérebro parou de armazenar informações na última virada de bateria.
Em seguida, veio os Dating Robots. Edu Normann e Mari Kircher, mesmo com os problemas acústicos de praxe, destruíram por completo qualquer possibilidade de imaginar que um baixo faz falta numa formação com duas guitarras, uma bateria e bases pré-gravadas. Tesão é uma palavra que define bem a apresentação da dupla _ destaque para a Flying V do Edu, estilo é tudo nessa vida e é isso aí. Incrível como soam novos, revigorantes, dançantes e... sexys.
FUGA DE TALENTOS
No meio disso tudo, Pedro Metz, mentor da Pública, conta que a banda está de malas prontas para São Paulo. A partir de março, o grupo, ganhador do último Açorianos de Música e um VMB, fixa residência na capital paulista para ampliar horizontes. Vão com a cara e a coragem, como não poderia deixar de ser.
Os Dating Robots, decanos e gênios da noite, também acusaram certa encheção de saco para com a mesmice porto-alegrense. Não tiro a razão deles, óbvio, mas continuo, paulista que sou, acreditando na capital gaúcha.
Pra quem ficou feliz ou algo curioso com a possibilidade do Guns n´Roses vir para o Brasil em 2010, segue abaixo o vídeo da primeira apresentação da banda, na turnê de divulgação de Chinese Democracy, em Seul, na Coreia do Sul, no último domingo:
Pela primeira vez nesse blog vou me manter isento de qualquer opinião, ok? Não tenho forças, me desculpem...
Depois de 12 anos sem aparecer pessoalmente em seus clipes, Bob Dylan deu esse presente de Natal aos fãs no lançamento do CD Christmas in the Heart. Na polka saltitante Must Be Santa, Dylan banca o cantor que desfila indiferente a uma festa non sense e esculhambada - mas absolutamente feliz e divertida -, como toda festa natalina deveria ser. Confira o video:
A matéria completa no Renato Mendonça está no Segundo Caderno de hoje
Sem muita apresentação porque eu tô extremamente frustrado, ok? A semana promete os melhores shows do mês e eu vou estar fora. Então, bora pra agenda que interessa:
Que? Festa Power Trio
Quando? Sexta agora, dia 11
Quem toca? Sargento Malagueta, BiwalQ e O Carabala
Onde? Embaixada do Rock - Rua Presidente Roosevelt, 806, Centro, São Leopoldo
Quantos que custa? R$ 10 na hora (desconto com nome na lista do Orkut)
Que? Quarta Indie Rock
Quando? Quarta agora, dia 09
Quem toca? Lautmusik, Loomer e Badhoneys
Onde? Long Play - Rua Sarmento Leite, 880, Cidade Baixa, Porto Alegre
Quantos que custa? R$ 15 na hora (R$ 10 com nome na lista pelo rp@lplay.com.br)
Que? Las Locas Quartas del Dr. Jekyll
Quando? Quarta agora, dia 09
Quem toca? Zefirina Bomba e Volantes
Onde? Dr. Jekyll - Travessa do Carmo, 76, Cidade Baixa, Porto Alegre
Quantos que custa? R$ 12 na hora (R$ 10 com nome na lista do Orkut)
Que? não sei o nome
Quando? sábado agora, dia 12
Quem toca? Prozak, GRU, SBL, O Curinga e Chá das Cinco
Gustavo Brigatti pilota a coluna impressa, toda quinta-feira, no Segundo Caderno de Zero Hora e, junto com Fernando Corrêa, desdobra ela de quando em quando aqui no blog, Twitter e Facebook. Todo o ruído que se faz pelos pampas e além sob um olhar nada convencional, altamente opinativo, sinestésico e subjetivo. E sem ninguém ter realmente pedido.
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