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As coisas como são

17 de março de 2010 1

Deve ter sido por causa de mulher _ ou da falta de _ que, durante a minha adolescência, passei a ouvir e gostar de Guns N’Roses. Curtia os riffs e os solos, o visual bagaceiro dos caras, mas principalmente as baladas. Sabia que as garotas gostavam de baladas e me fixei em November Rain. Principalmente o clipe, com aquela historinha que todo mundo conhece e ou vai conhecer.

Era dolorido e bonito, nunca tive dúvidas. A cena do Slash saíndo do igreja gigante e aparecendo do lado de fora de uma capela, caraca, como aquilo era cheio de… hã… significado! Mas a melhor parte era quando ele subia no piano onde o Axl tocava para solar. Aquilo era inacreditável. Não bastando o solo ser estupendo, era feito em cima de um piano. Até a maneira como ele subia no piano era demais. Me fez comprar uma guitarra só para aprender aquele solo e arrumar um piano para subir em cima. E daí eu teria o mundo aos meus pés. Sendo que “mundo aos meus pés” = qualquer garota que quisesse.. bem, vocês entenderam.

Então eu fui cobrir o show no estacionamento da Fiergs _ a resenha sai amanhã no Segundo Caderno, de repente posto ela aqui. E o primeiro set era encerrado com November Rain. Eu já sabia que o tal do DJ Ashba não subiria no piano _ ele já usa chapéu, deixa o cigarro de canto de boca e faz AS MESMAS POSES que o Slash, quer dizer, não daria mais esse gostinho pro cartoludo _ mas esperava pelo menos me emocionar com o troço.

Pô, era uma das imagens mais fortes da minha adolescência, eu aguardava verter pelo menos uma lágrima grudenta. Mas nada. A única lágrima que correu foi de sono, durante um bocejo. Duas, na real, foi um bocejo daqueles. Assistir a execução daquela música ao vivo, da música que eu soube de cor por tanto tempo na esperança de um dia declamar para um garota, não dava sequer cãimbra nas minhas glândulas lacrimais.

“Caraca”, pensei, “seria falta do Slash, que completaria o quadro?”. Talvez não apenas o Slash, mas o resto da formação original, a orquestra tocando ao vivo, o teatro onde o clipe foi gravado e até um telão onde seria mostrada a historinha. E ainda assim faltaria o principal: a inocência daqueles anos. Faltaria a angústia que me fez buscar num clipe de rock as respostas _ ou consolo _ que eu não encontrava fora dali.

E não deu muito certo, claro. Não são canções pop que vão te dizer como as coisas funcionam. Elas no máximo te localizam num determinado período de tempo. Depois, vão se esfacelando feito estátuas de argila ao relento, exatamente como deve ser. Algumas demoram mais tempo que as outras, mas o destino é mesmo as areias do tempo.

Resumindo, tô até agora tentando encontrar um lugar para colocar essa imagem. O Slash subindo e solando em cima do piano do Axl. Humpft. Adolescência de merda.

Comentários (1)

  • Cristiano rocha diz: 20 de março de 2010

    se tu bocejou o problema é teu, para de tomar maracujina.
    Só não fala pro Guns aprender com o tal do Franz ferdinand
    desse jeito que tu escreve logo vou te ver trabalhando em outro ramo

    Calma, calma, passou, passou, pronto, tá tudo bem, não precisa ficar assim, tá?

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