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Posts de março 2010

Gorillaz - Fake Plastic Beach (por Gustavo Brigatti)

31 de março de 2010 2

CRÍTICA PUBLICADA NO SEGUNDO CADERNO DE 31.03.2010
* Paulo Germano adorou (post acima), Gustavo Brigatti odiou

Sim, é tudo verdade o que você andou lendo por aí. Plastic Beach, novo disco do Gorillaz, é mesmo o melhor disco de música pop já lançado este ano _ quiçá, em toda a história do gênero. Diria mais. Diria que é a exata definição do que é a música pop neste exato momento: um amontoado de barulhinhos desconexos feito para deslumbrar críticos pertencentes a uma geração que se impressiona e leva a sério videogame depois dos 30 anos e, de quebra, pegar o dinheiro de ouvintes que engolem qualquer coisa sem mastigar.

Porque Plastic Beach, convenhamos, é simples. Não por ser básico, mas por ser preguiçoso. Quase todas as suas 16 faixas baseiam-se em colagens de batidas que remetem a Depeche Mode, Erasure, Daft Punk e David Bowie. Destas, uma metade possui vocal rap ou algo que o valha e outra metade traz Damon Albarn _ o cabeça responsável pela parada _ declamando alguma coisa em tom monocórdico. Sobre elas, uma grossa cobertura de sintetizadores e efeitos. E deu. Não passa disso. Quase uma hora de suplício eletrônico amparado por convidados que vão de rappers (mas que originalidade…) ao Lou Reed (deve estar precisando de dinheiro, o coitado).

Sério que esse é o futuro da música pop? Uma costura de blips, bléps e tóins que lembra a trilha sonora do Sonic? E o exemplo não é gratuito. Como no jogo do porco-espinho azul, a música está ali apenas para preencher os espaços de respiro das suas sinapses enquanto elas estão mais preocupadas em ajustar o timing do salto entre as plataformas.

Não há uma liga, um tronco que dê sustentação ou sentido, que torne o disco real, palpável. Plastic Beach é tão irreal quanto a banda que o executa, perdido entre os penduricalhos eletrônicos pesquisados por Albarn _ de pesquisador limitado, pelo menos, ninguém pode acusá-lo, ele realmente vai fundo nas colagens.

Claro que vai ter gente enxergando um épico em cada uma das músicas e levantando loas. Da minha parte, só consigo detectar mais um embuste de um sujeito cujo grande (único?) mérito é saber se vender a cada nova picaretice que inventa.

Se o propósito do disco é divertir (como foi o primeiro disco), não conseguiu me fazer esticar um único músculo. Se é apontar caminhos, me deixem longe da bússola de Albarn. Esse sujeito está exatamente como 2D, o personagem que ele interpreta no quarteto, nessa imagem abaixo que ilustra o encarte do disco: cercado de influências, mas totalmente à deriva.

gorillaz

A festa ideal

28 de março de 2010 4

Qual a sua festa ideal?

Aquela onde estão teus amigos, claro. De repente, uma galera bonita e cheia de vontade. Bebida gelada e a um preço honesto ajuda, diz aí? E a música? Coisas novas ou hits que contam a história da sua vida?

O meu caso é o segundo. Gosto de ouvir música que sei cantar junto _ e que meus amigos cantam junto também, mesmo que debochando. Não importa. Importa é que a Horrorshow é essa festa e se você procura diversão despretensiosa (redundante, eu sei, mas…) não tem melhor.

Que outra festa tocaria Lump, dos The Presidents of the USA? Se tu tem menos de 30 anos e veio de uma cidade do interior de São Paulo, você entende o que eu estou dizendo. Lump ficou famosa depois de tocar num comercial de uma escola de inglês (Yazigi? Freedom?) lá pelos idos de 97, 98. Quando sacaram o potencial da música, botaram ela numa coletânea chamada Hit Machine (que tinha ainda Wonderwall, do Oasis, e Reach, da Gloria Estefan, sim, toma essa, além da capa mais horrorosa do mundo).

Eu comprei o CD _ sim, em 1998 ainda comprávamos CD, já que a internet era quase que exclusivamente para baixar foto de mulher pelada (não que hoje… bom…) e transferência de arquivos de áudio era um delírio em formatação na cabeça do Shawn Fanning _ e ouvi em loop durante toda a minha adolescência. Eu e todo mundo, Lump era uma febre, tocava em tudo o que era festa.

Mas alguém deve ter pego o CD emprestado e eu nunca mais vi ele. A música eu voltei a ouvir em programas de flashback ou no YouTube. Mas “ao vivo”, assim, numa festa, foi a primeira vez em décadas. E rolou na madrugada de sexta-feira, na Horroshow. E em seguida vieram Kiss, Aerosmith, Pixies, Nirvana, Sex Pistols, só hits, só confirmadas, daquelas que por 2,3 segundos te remetem a um outro espaço/tempo.

Dá pra não amar uma festa dessa? Dá, claro que dá. Mas aí não é problema meu. Virei freguês. Quando é a próxima, mesmo?

Tocando o horror

25 de março de 2010 2

Vocês conhecem a Liege? Ela é baixista de uma das melhores bandas que conheço, a Loomer. Ela também discoteca na festa Horroshow, que acontece todo mês no Laika. Mas, acima de tudo, ela escreve os melhores releases que eu recebo sobre festas _ e eu recebo muitos, acredite.

Saca um trecho:

“Se você é meu amigo, mas acha a Loomer muito barulhenta, tá devendo pro dono do Jekyll, ou brigou lá e não pode mais dar as caras nem pintado de DOURADO (tchau, Maroca!!!) e prefere “SOM MECÂNICO” (…)”.

Phino, diz aí?

É por isso que eu indico aqui a tal balada onde ela ( + TiTo, Andrio Maquenzi e B5) vai botar pra quebrar. Indico também por causa do tema da festa: INDIEKILLERS. Sugestivo, educativo e chamativo, ai, ai, ai.

O lance rola nesta sexta-feira, dia 26 de março, no Laika (Venâncio, 59), e custa R$ 10. Com nome na lista do horrorshow@laikaclub.com.br sai por metade. Quer dizer, aquele papinho de não ter grana para ouvir rock´n´roll não cola, né?

Então te programa e vai ser feliz.

Criativo, sim. Vanguarda, não

25 de março de 2010 0

Merton, o pianista: fenômeno improvisando música

Humor e música, tá aí uma combinação perigosa. Porque a possibilidade de soar imbecil, vocês sabem, é de um potencial gigantesco. Outra coisa desagradável são as tais “vanguardas”, que irritam exatamente pelo fator oposto: a completa ausência de humor. O próprio termo, vanguarda, já reprime uma conotação antipática, esnobe, pedante pra burro.

Bom. O negócio é que, semanas atrás, um pianista americano identificado como Merton virou fenômeno na internet aliando bom humor, inovação e criatividade, tudo isso sem soar bobalhão nem pretensioso, o que é louvável e digno de reverência. Resumindo, o cara é um gênio. Ponto.

É que o Merton passou dias entrando no ChatRoulette.com, um site que virou febre ao promover bate-papos, com som e webcam, entre pessoas desconhecidas. Aliás, um parêntese: não vai entrar no site agora, aí no trabalho ou com o irmão mais novo do lado, porque sempre tem uns tarados — e malucos de todo tipo — posando para a câmera. Portanto, cuidado aí.

Mas, retomando: esse Merton começou a improvisar, sentado ao piano e com um capuz escondendo a cabeçorra, melodias e letras a partir das impressões sobre cada internauta que aparecia na tela. E o cara toca MUITO.

Embora seja tudo inventado na hora, tratam-se de harmonias requintadas, com dissonância nas cadências e blablablá, mas sempre com um apelo pop gritante. Sem falar na velocidade de raciocínio para montar as letras. Ali embaixo tem o vídeo, vai olhar.

Mas o mais sensacional vem agora. Espalhou-se pela internet um boato de que Merton seria, na verdade, o vocalista e pianista Ben Folds, ícone do indie-pop americano. Não era. Mas o Ben Folds, atento ao sucesso do sósia, na semana passada levou um laptop para um show na Carolina do Norte, acessou o ChatRoulette e, em frente a milhares de pessoas, improvisou canções para quem aparecia na tela — e com um capuz socado na cabeça, como faria Merton.

É provável que o tal Merton, depois dessa aula de sacadas e talento, conheça agora o assédio das gravadoras. Se fez isso tudo de improviso, o que faria num disco bem produzido? Certamente, não faria vanguarda.

VÍDEO: Merton e o improviso no ChatRoulette

VÍDEO: em show nos EUA, Ben Folds imita Merton

Para constar

23 de março de 2010 1

Semana cheia de novidades, né, gente? Tanta coisa nova para ouvir, assistir, comentar, mimimi e aí eu descubro que o Morrissey acaba de soltar um clipe para Ganglord, música encontrada no disco Swords, uma coletânea de lados B lançada no final de 2009 da qual quase ninguém falou ou ouviu falar. Eu, pelo menos, não.

Mas taí agora.

Não preciso dizer (mas digo assim mesmo, claro) que qualquer lado B do Moz é melhor que 90% de todo o conteúdo existente nesses magazines virtuais, então vou só botar pra rodar o videozinho aqui embaixo e deixar por conta, ok? Ok.

RIP Layne Staley

21 de março de 2010 2

Dia 5 de abril completam-se oito anos da morte de Layne Staley. Um dos últimos grandes poetas do rock, membro _ salvo exceções que não conheço _ da última linhagem que realmente importa, que sabia o que se passava dentro do estômago de quem o escutava.

Nossa homenagem com três músicas absolutamente essenciais.

Fúria feminina

18 de março de 2010 2

Foto: Fábio Rafael Reis, Divulgação

Gurizada reclama — e com razão, porque isso também me irrita — que aqui na coluna só rola foto de homem. Um macharedo danado e feio pra burro, toda quinta-feira no jornal. É o que dizem.

Mas prestem atenção, resmungões: não é por isso que hoje o Remix celebra a Ampex (www.myspace.com/ampexrock), excelente banda de Caxias do Sul formada só por garotas. É porque — vocês devem concordar —, pouco importa se tem mulher ou homem na jogada, o negócio é que nada, absolutamente nada, por mais hipotética que seja a situação, nada, nada, nada pode ser mais importante num grupo de rock do que comportamento. Postura, cara! Atitude! Ímpeto! Fúria!

Bom, talvez talento também seja importante. O que interessa é que, tanto pelo talento quanto pela postura, o quinteto de Caxias deve se firmar, no início do segundo semestre, como revelação do ano após lançar o primeiro álbum, ainda sem nome. Se o leitor espera um troço sofisticado, melhor esquecer. O negócio aqui é direto ao ponto, refrões grudentos, peso nas guitarras e agressiva presença de palco.

— Somos mulheres, e é óbvio que usamos isso a nosso favor — resume a vocalista Joana Gabriel, que nem de longe apela para aquele marketing picareta de bandas chamadas Rímel, Gloss, Batom, Cílio Postiço ou qualquer bobagem do tipo.

Agora, contaremos uma historinha divertida que rolou 18 anos atrás. Essas minas da Ampex gostam muito de Bikini Kill, Babes in Toyland, L7 e todo aquele movimento que, no início dos anos 90, ficou conhecido como riot grrrl — eram grupos de mulheres que, pregando um feminismo recauchutado, repudiavam o comportamento machista das bandas de hardcore.

Pois em 1992, no Festival de Reading, a vocalista do L7 ficou furibunda quando um problema técnico interrompeu o show. Os fãs, ainda mais furibundos, começaram a tacar lama no palco. Donita Sparks meteu a mão lá embaixo e arrancou, olha que bizarrice, arrancou de lá o absorvente interno, cara! E segurou aquela bucha melequenta pela cordinha, começou a rodopiar, rodopiar, rodopiar sobre a testa e, depois, arremessou na galera dizendo “comam o meu tampão usado!”

— Não vamos exagerar. Isso ninguém precisa esperar da gente — esclarece Joana, da Ampex.

Guns em Porto Alegre

18 de março de 2010 3

Foto: Mauro Vieira

Se o carisma de um músico se prova na adversidade, então Axl Rose não tem mais nada a provar. Com tantos problemas, somente o último messias do rock farofa seria capaz de operar o milagre de salvar o estacionamento da Fiergs de uma madrugada de revolta e quebradeira que vinha se anunciando desde o início da tarde.

Mas é preciso notar que o ruivo não conseguiu sozinho. A apresentação de seu fiel escudeiro Sebastian Bach foi providencial para injetar ânimo em corpos esfrangalhados e substituir vaias por assovios e aplausos.

Vestindo couro e chacoalhando a cabeleira loura como se fosse o próprio dono da festa, Sebastian surpreendeu pela boa forma física e a voz razoável. Claro que ele não é mais capaz de esticar notas agudas como nos velhos tempos do Skid Row, mas não deixou a desejar – principalmente quando entoou sucessos de sua antiga banda.

Hinos como 18 and Life e I Remember You, por exemplo, sequer precisariam do vocalista, tamanha a disposição do público em relembrar as festinhas na garagem dos pais. Houve espaço também para faixas de sua carreira solo, como Monkey Business e In a Darkened Room (CORREÇÃO: essas duas faixas pertencem ao disco Slave to the Grind, do próprio Skid Row, de 1991), e uma cover (Back in the Saddle, do Aerosmith).

Pouco mais de uma hora de show – e muitos, mas muitos pedidos de desculpas e palavras de ordem em português “esforçado” –, Sebastian deu lugar para que os assistentes de palco preparassem a entrada do que ossos, nervos e músculos já não aguentavam mais esperar: Axl e seu Gun N’ Roses.

À 1h50min, vestido como um bicheiro das antigas (óculos de aviador, chapéu preto de abas largas, camisa espalhafatosa), o responsável por manter em pé cerca de 17 mil pessoas surgiu do canto direito do palco cantando Chinese Democracy, faixa homônima do último disco da banda.

E foi recebido com gritos, aplausos, lágrimas e pirotecnia – tudo devidamente dobrado quando executou a segunda música, Welcome to the Jungle, provando que 20 anos de excessos não pesaram lá muita coisa.

Aliás, com exceção de Axl, que obviamente não possui a mesma desenvoltura, o próprio Guns N’ Roses é o mesmo de 20 anos atrás: guitarrista principal cheio de pose (incluindo chapéu e cigarro de canto de boca); vocal irregular, mas seguro e carismático; banda entrosada e cheia de energia. Fechando os olhos, era fácil imaginar Slash, Duff, Izzy e os shortinhos colados saçaricando de um lado ao outro do palco.

Mas o tempo passa, e Axl não mostra mais as pernas. Ou a barriga. Mas veste bandana, deixa os braços de fora e segura agudos impecáveis durante Live and Let Die, e segue empolgando até nas canções novas, como If the World e Shackler’s Revenge. Problema é quando os músicos executam seus solos.

Por mais criativos e esforçados, tocando desde Ziggy Stardust, de David Bowie, ao tema da Pantera Cor de Rosa, era nítida a quebra de ritmo. Pior para o público, que voltou a sentir o cansaço e trocou os backing vocals por bocejos. A lágrima que escorria durante November Rain era mais de sono que de emoção.

Uma boa sequência de clássicos com Rocket Queen, Sweet Child O’Mine e You Could be Mine renovou a fé dos convidados, que ainda foram brindados, no bis, pelo grande lema da noite, Patience.

Com fogos de artifício e chuva de papel picado, o Guns N’ Roses encerrou o espetáculo da maneira mais irônica e icônica possível: estraçalhando seu instrumento no palco durante o final de Paradise City, o baixista Tommy Stinson deu a exata medida de como o público se sentia, naquele início de manhã, em Porto Alegre.

RESENHA PUBLICADA ORIGINALMENTE NO SEGUNDO CADERNO DE 18 DE MARÇO DE 2010

Ainda falta a foto com o Axl

17 de março de 2010 41

ATENÇÃO:

Comentários ofensivos a personagem da reportagem serão deletados. Comportem-se.

Gustavo Brigatti

Por Alexandre Ernst

O cartaz em cartolina amarela não deixa Amanda Westphalen esquecer da madrugada de quarta-feira. Da plateia no estacionamento da Fiergs, à beira do palco, a aniversariante da noite, pedia, em inglês, uma foto com Axl Rose como presente: “Axl, today is my birthday. Please take a photo with me. I Love U” (Axl, hoje é meu aniversário, por favor, tire uma foto comigo. Eu te amo”).

Por mais incrível que a história pareça, Axl fez os dezenas de milhares que ali estavam cantar o “Parabéns a Você”, chamou a bela de Esteio até o camarim do grupo, e a fã passou a madrugada com o Guns N’ Roses. Viu o amanhecer ao lado de Axl em uma bela mesa de café da manhã na Fiergs.

>> Clique aqui e leia a matéria completa

Porém, um problema: acabaram as pilhas da máquina fotográfica de Amanda e justamente a foto com o líder do Guns, Axl Rose, ela — ainda — não tem. A produção de Mr. Rose fotografou a gaúcha ao lado do músico e prometeu enviar por e-mail a recordação. Enquanto não recebe o correio eletrônico, Amanda tem de se contentar com registros dos guitarristas Richard Fortus (abaixo, de preto) e DJ Ashba (de cartola) e do baterista Frank Ferrer.

— Estou radiante de alegria — resumiu Amanda, no final da tarde desta quarta-feira.

Fotos: Arquivo pessoal

As coisas como são

17 de março de 2010 1

Deve ter sido por causa de mulher _ ou da falta de _ que, durante a minha adolescência, passei a ouvir e gostar de Guns N’Roses. Curtia os riffs e os solos, o visual bagaceiro dos caras, mas principalmente as baladas. Sabia que as garotas gostavam de baladas e me fixei em November Rain. Principalmente o clipe, com aquela historinha que todo mundo conhece e ou vai conhecer.

Era dolorido e bonito, nunca tive dúvidas. A cena do Slash saíndo do igreja gigante e aparecendo do lado de fora de uma capela, caraca, como aquilo era cheio de… hã… significado! Mas a melhor parte era quando ele subia no piano onde o Axl tocava para solar. Aquilo era inacreditável. Não bastando o solo ser estupendo, era feito em cima de um piano. Até a maneira como ele subia no piano era demais. Me fez comprar uma guitarra só para aprender aquele solo e arrumar um piano para subir em cima. E daí eu teria o mundo aos meus pés. Sendo que “mundo aos meus pés” = qualquer garota que quisesse.. bem, vocês entenderam.

Então eu fui cobrir o show no estacionamento da Fiergs _ a resenha sai amanhã no Segundo Caderno, de repente posto ela aqui. E o primeiro set era encerrado com November Rain. Eu já sabia que o tal do DJ Ashba não subiria no piano _ ele já usa chapéu, deixa o cigarro de canto de boca e faz AS MESMAS POSES que o Slash, quer dizer, não daria mais esse gostinho pro cartoludo _ mas esperava pelo menos me emocionar com o troço.

Pô, era uma das imagens mais fortes da minha adolescência, eu aguardava verter pelo menos uma lágrima grudenta. Mas nada. A única lágrima que correu foi de sono, durante um bocejo. Duas, na real, foi um bocejo daqueles. Assistir a execução daquela música ao vivo, da música que eu soube de cor por tanto tempo na esperança de um dia declamar para um garota, não dava sequer cãimbra nas minhas glândulas lacrimais.

“Caraca”, pensei, “seria falta do Slash, que completaria o quadro?”. Talvez não apenas o Slash, mas o resto da formação original, a orquestra tocando ao vivo, o teatro onde o clipe foi gravado e até um telão onde seria mostrada a historinha. E ainda assim faltaria o principal: a inocência daqueles anos. Faltaria a angústia que me fez buscar num clipe de rock as respostas _ ou consolo _ que eu não encontrava fora dali.

E não deu muito certo, claro. Não são canções pop que vão te dizer como as coisas funcionam. Elas no máximo te localizam num determinado período de tempo. Depois, vão se esfacelando feito estátuas de argila ao relento, exatamente como deve ser. Algumas demoram mais tempo que as outras, mas o destino é mesmo as areias do tempo.

Resumindo, tô até agora tentando encontrar um lugar para colocar essa imagem. O Slash subindo e solando em cima do piano do Axl. Humpft. Adolescência de merda.