Sujeitos mascarados no palco, tocando instrumentos pouco usuais e dando um nó no seu cérebro. Não, não é quem vocês estão pensando. É pior _ no melhor sentido possível. Fundindo jazz com percussão e eletronismo, o Projeto CCOMA leva o ouvinte a dobras espaciais jamais arriscadas. E a viagem é sem volta, se prepara. Ou nem começa.
O Ccoma é o percussionista Luciano Balen e o trompetista Roberto Scopel, ambos de Caxias do Sul. Estão na estrada há pelo menos cinco anos e lançaram dois discos. O mais recente, Incoming Jazz, de dezembro de 2009, eu encontrei sem querer. E foi aquele caso típico de cabeça explodindo e coração saindo pela boca logo na primeira faixa, Ant's Life.
Uma linha de grave absurda fazendo a cama para nada menos que um trompete tunado com surdina improvisando livre, rasgando de fora a fora, misturando-se a batidas sincopadas de um... hang drum.
Que?!
_ Eu vi um desses na Alemanha e pensei "preciso ter um!". Não descansei até comprar. É um lance totalmente artesanal, feito por um sujeito do interior de Düsseldorf, devem existir no máximo umas 400 peças no mundo _ afirma Balen.
O instrumento parece aquelas churrasqueiras portáteis norte-americanas (ou um disco voador, dá no mesmo) e é responsável pela parte eletrônica criada na hora durante os shows da dupla. Ao vivo é quando ainda se justificam os macacões e máscaras brancas.
_ Sempre fazemos projeções durante as apresentações, e como às vezes não há lugar adequado para pendurar uma tela branca, usamos nós mesmos _ explica o percussionista.
Mas o CCOMA prescinde desses artifícios que sustentariam carreiras inteiras de artistas moderninhos sem nenhum conteúdo. Sua música, original e ousada, eletro-orgânica e futurista, fala por si. E não apenas em Incoming Jazz, que pode ser adquirido via site oficial do projeto. O trabalho anterior, Das CCOMA Projekt, disponível para ser baixado de graça no mesmo espaço, é suficiente para tirar o ouvinte de qualquer coma musical _ esta, aliás, a razão do nome do projeto.















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