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Posts de junho 2010

O jazz que veio do espaço

24 de junho de 2010 5

Sujeitos mascarados no palco, tocando instrumentos pouco usuais e dando um nó no seu cérebro. Não, não é quem vocês estão pensando. É pior _ no melhor sentido possível. Fundindo jazz com percussão e eletronismo, o Projeto CCOMA leva o ouvinte a dobras espaciais jamais arriscadas. E a viagem é sem volta, se prepara. Ou nem começa.

O Ccoma é o percussionista Luciano Balen e o trompetista Roberto Scopel, ambos de Caxias do Sul. Estão na estrada há pelo menos cinco anos e lançaram dois discos. O mais recente, Incoming Jazz, de dezembro de 2009, eu encontrei sem querer. E foi aquele caso típico de cabeça explodindo e coração saindo pela boca logo na primeira faixa, Ant's Life.

Uma linha de grave absurda fazendo a cama para nada menos que um trompete tunado com surdina improvisando livre, rasgando de fora a fora, misturando-se a batidas sincopadas de um... hang drum.
Que?!

_ Eu vi um desses na Alemanha e pensei "preciso ter um!". Não descansei até comprar. É um lance totalmente artesanal, feito por um sujeito do interior de Düsseldorf, devem existir no máximo umas 400 peças no mundo _ afirma Balen.

O instrumento parece aquelas churrasqueiras portáteis norte-americanas (ou um disco voador, dá no mesmo) e é responsável pela parte eletrônica criada na hora durante os shows da dupla. Ao vivo é quando ainda se justificam os macacões e máscaras brancas.

_ Sempre fazemos projeções durante as apresentações, e como às vezes não há lugar adequado para pendurar uma tela branca, usamos nós mesmos _ explica o percussionista.

Mas o CCOMA prescinde desses artifícios que sustentariam carreiras inteiras de artistas moderninhos sem nenhum conteúdo. Sua música, original e ousada, eletro-orgânica e futurista, fala por si. E não apenas em Incoming Jazz, que pode ser adquirido via site oficial do projeto. O trabalho anterior, Das CCOMA Projekt, disponível para ser baixado de graça no mesmo espaço, é suficiente para tirar o ouvinte de qualquer coma musical _ esta, aliás, a razão do nome do projeto.

O punk ainda me salva

23 de junho de 2010 10

Quanto mais música ouço, menos concordo com o Barão de Itararé, para quem "da onde menos se espera, daí é que não sai nada mesmo". Pega o punk: a estrutura é praticamente a mesma desde que foi idealizado pelos MC5 e Stooges e formatado pelos Ramones e Sex Pistols. Avançou contornado pelo rock com o Bad Religion, se bandeou pra lados estranhos com o Clash, ficou pop com os Offspring e Green Day e desceu pra garagem com a molecada de Seattle. Hoje emdia sei lá onde ele está, provavelmente em algum lugar que causará imensa vergonha aos meus coturnos recém-aposentados.

Por que, então, eu deveria me preocupar, quiçá ouvir, o que está sendo produzido nessa área? Por causa do Campbell Trio, que eu acabo de descobrir pela sempre prestativa e elétrica Liege Milk (Loomer, Chickelets, Horrorshow...). É exatamente daquela paleolítica estrutura que André, Diego e Rafa se valeram para produzir meras três faixas disponíveis no Myspace do grupo. E é isso. Sem virtuosidade. Sem enrolação. Sem mimimi, sem blábláblá.

Mas não fica só nisso e agora começamos a conversar.

O Campbell Trio é um... hã... trio, sim, um trio de punk rock que pega pesado e grita como se não houvesse amanhã. Mas um pesado técnico, porque ao mesmo tempo que eles sentam o braço nas cordas e bateria, o fazem com precisão, preocupação, até algum refino. Sim, são punks refinados, veja só você, ouvinte de sei-lá-o-que. Eles sabem o que estão fazendo e fazem bem.

Todas as três faixas apostam em andamentos e distorções diferentes ao longo de sua execução, por exemplo. E ouve-se com clareza todos os instrumentos e bordoadas nos respectivos _ apesar de serem faixas em pré-mixadas, como indicado.

Em alguns momentos, me lembra aquela turma do punk hard rock core do começo dos anos noventa _ cujos nomes me fogem. Acho que Stuck Mojo sem a pegada funk/rap. Digo isso talvez belo baixo saltado feito veia de doidão na última _ e talvez melhor _ faixa, Y's.

Melhor que isso, só um disco inteiro disso. Bora lá?

Marcha, Severo!

23 de junho de 2010 4

A Severo em Marcha está em estúdio. Boa notícia para quem gostou do primeiro disco, o poderoso O Tempo é Quando Eu Quero.

O processo de gravação da primeira música e single do novo trabalho, que está sendo confeccionada no Studio Rock, pode ser acompanhada pelo Fotolog do grupo.

A previsão de lançamento é para depois da Copa e as expectativas são boas. Aguardemos, pois.

Punk rock islâmico. Durma depois dessa.

17 de junho de 2010 2

Então quer dizer que você se acha rebelde. Um enfant terrible. Pinta o quarto de preto, adota umas roupas vagabundas, tatua umas besteiras nas costas, monta uma bandinha e sai gritando impropérios. Tá bom, revoltadão de butique. Pois eu digo que você é, no máximo, bossa nova perto dos caras do The Kominas (foto acima), uma turma de muçulmanos que faz punk rock islâmico.

Sentiu o drama? Não bastando serem rejeitado pela sua música, aparência e atitude, os sujeitos são também perseguidos pela suas crenças _ dentro e fora da nação islâmica, que não os aceita. Mas o quarteto _ que bebe de Dead Kennedys, Sex Pistols e The Clash _ não está sozinho.

Eles fazem parte do taqwacore, movimento em franco crescimento que reúne bandas formadas por jovens islâmicos inspirados no livro de mesmo nome do escritor Michael Muhammad Knight, um norte-americano de origem irlandesa convertido ao Islã que escreveu justamente sobre garotos _ e uma garota, com burca e tudo! _ pegando em instrumentos para professar a sua fé.

Considerado uma espécie de O Apanhador no Campo de Centeio para jovens muçulmanos, o livro virou documentário no final do ano passado, mostrando os perrengues de vários grupos da cena taqwacore nos EUA e Paquistão. Dá um bico no trailer:

O site oficial é esse aqui.

Claro que os caras não facilitam: os Kominas (que acabaram de lançar disco novo e o disponibilizaram de graça na internet no site oficial), por exemplo, tem músicas com nomes tipo Suicide Bomb the Gap e Wal-Qaeda Superstore e cantam versos como "I am an Islamist, I am the antichrist" e "every killed president kept another nation safe", para ficar nos mais publicáveis.

Além do

Taqwacore, a propósito, é a junção da palavra árabe "taqwa", que designa a qualidade de ser temente a Deus _ Alá, no caso _ com a velha conhecida "core".

Te programa aí

17 de junho de 2010 3

_ Afins de curtir uma good trip no sábado? O pessoal da Marquise 51 está organizando um ônibus para o Studio Rock Bar, em Canoas, onde vão tocar Véspera, Lítera, Tenente Cascavel, Romeros e Valentinos. A nave decola às 21h da Cristóvão Colombo, 51 (quase na esquina com a Barros Cassal) e volta ao mesmo local após o fim dos shows. O investimento total é de míseros R$ 23.

_ Na mesma Canoas (dá-lhe GPA!) e no mesmo dia o coletivo BIL faz sua especialidade: junta metalcore, NYHC, grind e crossover para tocar na Fundação Cultural de Canoas (Victor Barreto, 2.031), às 22h, custando inacreditáveis R$ 3.

_ Numa outra linha, a Casa de Teatro de Porto Alegre (Garibaldi, 853) promove o Casa Acústica, projeto que colocará bons nomes da música tocando em formato desplugado. A abertura, amanhã, às 22h, fica por conta de Marcelo Fruet e convidados. Ingressos a R$ 10.

_ Hoje, às 23h, comemoração dupla no Beco (Independência, 936). Os Dating Robots lançam seu disco Chemical Test (que pode ser baixado aqui), enquanto os Damn Laser Vampires comemoram 5 anos de existência. Os ingressos custam R$ 18 _ R$ 12 com nome na lista.

Girls who are boys who like girls

10 de junho de 2010 5

Boa parte das bandas mais populares de rock alternativo do planeta tem, entre seus integrantes, pelo menos um homossexual assumido. Ser roqueiro e gay deixou de ser tabu faz tempo — o que é ótimo, não há dúvida. Mas, por outro lado, o rock PRECISA de tabus. Se não há transgressão, se não há rebeldia, se não há tabus para serem quebrados, então não há rock.

É nesse contexto que duas bandas americanas chegam nesta sexta-feira a Porto Alegre, para tocar no Popload Gig, festival que ocorre pontualmente às 22h no Beco (Avenida Independência, 936). Girls (garotas, em inglês) é o nome de uma dupla formada por homens. Men (homens, em inglês) é o nome de uma dupla formada por garotas.

No ano passado, o Girls lançou um videoclipe — banido de todas as MTVs do mundo e até do YouTube — cheio de jovens peladões: um dos personagens, ao entoar a belíssima estrofe de Lust for Life, utiliza como microfone o pênis do parceiro. A música abre o disco Album, um dos mais elogiados pela crítica em 2009, com versos assim traduzidos: “Eu gostaria de ter um namorado / Eu gostaria de ter um homem amoroso na minha vida”. De novidade, mesmo, só o pênis.

— Queríamos fazer algo diferente. Onde moramos, em San Francisco, as pessoas aceitam muito bem esse tipo de coisa _ disse por telefone ao Remix o baixista Chet White, que toca ao lado de Christopher Owens, guitarrista e compositor, além de outros dois músicos contratados.

Enquanto um indie despretensioso e agradável norteia o Girls, é um pulsante electro que comanda o Men. A vocalista JD Samsom, também integrante da cultuada banda feminista Le Tigre, causou controvérsia quando começou a ostentar um bigodão — segundo ela, após passar a vida inteira fugindo do próprio buço, descobriu que o tufo é supersexy. Em Porto Alegre, JD estará acompanhada do guitarrista Michael O’Neill, que juntou-se à dupla com Ginger Brooks Takahashi.

Os ingressos para esse evento imperdível estão à venda por R$ 30 na loja King 55 (Dona Laura, 78). A produção não sabe se haverá bilhetes na hora do show.

Se quiser ver o clipe proibido de Lust for Life, do Girls, clique aqui

Aí embaixo, assista à segunda versão do clipe, sem pornografia:

Exposição simula shows de (boas) bandas alemãs

10 de junho de 2010 0

Sensacional a exposição Musik + X, inaugurada quarta-feira na biblioteca da Unisinos, em São Leopoldo: são quatro ambientes simulando shows de dezenas de bandas da Alemanha, por meio de telões.

Em cada espaço, um estilo: pop (na foto, a banda Mia), indie, electro e hip-hop. Ali embaixo, tem alguns vídeos da mostra para assistir. Promovida pelo Instituto Goethe, a MusiK + X já passou por uma série de países no mundo todo e, depois de São Leopoldo, sobe para Curitiba e São Paulo.

De segunda a sexta, das 9h às 21h30min, e sábados, das 9h às 12h. Entrada franca, até o dia 30.

♦♦♦

»» Baita banda essa, Die Sterne. Abaixo, o clipe de
Universal Tellerwäscher, que está no espaço indie da Musik + X

»» Mia - Hungriges Herz (pop)

»» Marusha - Raveland (techno)

»» Advanced Chemistry - Fremd im Eigenen Land (hip hop)

As faces do caça-níquel

03 de junho de 2010 1

Só o Remix teve um ataque cardíaco ao saber que o Mick Hucknall, aquele vocalista do Simply Red, foi novamente convidado para cantar com os Faces? No lugar do Rod Stewart. Cara, isso é inaceitável.

Enquanto os Faces serviram de pilar para o movimento punk, Hucknall sagrou-se como o maior fenômeno mamão-com-açúcar dos últimos 30 anos. Tudo bem que a rebeldia morreu, longe de mim ser purista, mas tanto ecletismo é um acinte à história do rock.

Bando de bunda-mole.

O maníaco do pé

03 de junho de 2010 15

Na verdade, são dois. O primeiro maníaco do pé — como ele ficou conhecido entre os frequentadores do Cabaret, aquela danceteria na Avenida Independência — agia de forma discreta mas engenhosa. Obviamente, ele adorava pés. De mulher.

Bom. O Cabaret tinha, e ainda tem, uma robusta escada ligando os dois pavimentos. Como os degraus são vazados, o maníaco do pé postava-se estrategicamente embaixo da escada — e ali conseguia apreciar uma considerável variedade de pés desfilando alegremente.

Quando um pezinho o agradava, mas tinha que ser um pezinho vaidoso, valorizado por um elegante salto agulha, aí o maníaco do pé esticava a própria mão sobre o degrau e CRRAAC, era pisoteado. Ele achava tri.

O segundo maníaco do pé, mais arrojado, só frequentava festas de rock. Também ficava embaixo da escada, mas, quando avistava o pezinho perfeito, tentava beijá-lo. Uma vez, uma garota tentou se esquivar do maníaco do pé e acabou acertando um coice de salto alto no nariz dele. Doeu. E o maníaco do pé, gemendo de dor, berrou assim:

AAAAAAAH, %@#&%@#!!! Que delícia...

♦♦♦

E tu aí, conhece o maníaco do pé?

Lítera em clipe

03 de junho de 2010 8

Desde que estreou na MTV, no domingo passado, o primeiro clipe da Lítera (www.litera.mus.br) vem rolando no mínimo duas vezes por dia na emissora. Assista aí embaixo ao vídeo de Lá se Foi, dirigido pela talentosa fotógrafa Betina Monteiro: