Manja o Chatroulette? Aquele lance de ligar a webcam e conversar com outras pessoas com webcams também? Originalmente era para ser usado como um comunicador virtual, mas acabou em putaria _ como tudo na internet, aliás. Não, não estou reclamando, me respeitem...
Pois bem. Uma galera viu que essa ideia podia ir além e criou um gerador de roletas. Não funciona como o original, mas é engraçado. Por um tempo. E você pode criar a sua próprio roleta. O mote, que acompanha o título da roleta, é sempre o mesmo: "A vida é como uma caixa de bombons, você nunca sabe que <NOME DA ROLETA> via tirar". A-ham, é daquele filme, é...
Segundo semestre cheio de atrações internacionais, diz aí? Sem contar o shows "soltos", o Segundo Caderno de amanhã traz o serviço completo de pelo menos quatro grandes festivais que rolam em São Paulo nos meses de outubro e novembro que deixarão um rastro de destruição financeira e emocional. Principalmente para que não mora na capital paulista ou arredores, é hora de lançar mão do banco de horas da firma ou adiantar as férias, raspar a poupança, implorar uma grana para os pais, vender uns cacarecos no Mercado Livre, se enfiar em excursões de arrebentar ossos e até negociar um free pass com a namorada. Para ver quem a gente gosta, vale tudo.
Vale mesmo?
Eu tenho problemas com idolatria. Não existe nada nem ninguém que me faça passar perrengue, qualquer que seja, para ter uma experiência de show ao vivo. Não que nunca tenha feito. Em 2006 fiz um bate-volta Americana-Rio de Janeiro para estar entre as 2 milhões de pessoas na praia de Copacabana que viram os Rolling Stones. Mais de 12 horas dentro de um micro-ônibus para assistir ao Mick Jagger rebolar em um telão. Humpft. Sei que teve gente daqui que também estava lá e viajou muito mais, mas a questão nem é essa, quem se deu mais ou menos mal.
A questão é: vale a pena?
Vale a pena fazer o mesmo para ver o Rage Against the Machine, o Pixies ou o Smashing Pumpkins? Cito essas três porque, assim como os Rolling Stones _ e guardadas as devidas proporções _ são bandas que tiveram sua importância dentro da música, conquistaram o respeito e admiração (e o dinheiro) de muita gente e hoje, falando francamente, fazem cover de si mesmos. Tirando o Pixies que eu nunca saquei qualéra, gosto pacas do RATM e dos Pumpkins, mas daí a gastar mais de R$ 200 para vê-los tanto tempo depois da época que eu tinha camiseta e colecionava CD deles é como ganhar hoje o Mega Drive que eu queria quando tinha 13 anos. Quer dizer, fazia sentido naquela época, mas agora...
O que te levaria a ir num show de uma banda desse tipo? Não estou falando desses hypes Of Montreal, Passion Pit, Mika, Phoenix e afins. Falo de gigantes de pelo menos vinte anos de vida que dedicaram pelos menos uma boa meia-dúzia deles fazendo música de verdade, que impactaram uma geração ou duas e, por isso mesmo, os mantém na linha de frente de festivais em todo o mundo. Quero ver o Zack de la Rocha gritando contra o sistema num festival que provavelmente me custaria um rim? Ou pior, ver que ele não é mais o mesmo moleque arruaceiro que me inspirava, mas um adulto que faz o que faz por que tem contas para pagar? Quero mesmo voltar a ser adolescente ou reviver aquela época?
Por que se não for pela nostalgia, pelo que seria? Pela eletricidade da multidão? Pela experiência de estar entre iguais gritando por um objetivo comum? Estar em sintonia/sincronia? Sentir-se aceito? Tá, comecei a viajar, chega.
De qualquer forma, se você tem planos de ir para qualquer um dos festivais e shows que vão rolar em São Paulo _ ou mesmo aqui em Porto Alegre _ nos próximos meses, vá. Se nunca participou de eventos assim, melhor ainda, é uma baita oportunidade.
Ficamos combinados assim: Porto Alegre não é Manchester (ou Madchester). Nem Londres (ou a Swinging London). Porto Alegre é só uma cidade brasileira onde se faz rock. Rock de todo tipo, inclusive. Por isso, tudo bem se você quer continuar usando casaquinho e chapéu sob um calor de 37º. Mas me deixa te dar pelos menos três bons motivos para reciclar teu guarda-roupa – e, petulância maior, as tuas ideias.
Não carece muito esforço, não. Tira a noite de hoje e vai pra Verde Club (Goethe, 200). Por lá vai tocar uma das linhas do tempo que mais interessam no rock feito no Rio Grande do Sul.
Começa – ou termina? – com a molecada da Telecines(a gurizada biita aí de cima), que tem o pior nome de banda e a melhor mistura de barulho que eu ouvi este ano. É um Black Rebel Motorcycle Club com pintura metalizada e cano de descarga duplo, não sei se me faço entender. Eles têm apenas meia dúzia de músicas gravadas, que, somadas a duas inéditas, dá pouco mais de meia hora de pedradas telecinéticas (rá!).
Volta quase duas décadas e quem sobe ao palco são os Walverdes, às vésperas de lançar o aguardado Breakdance. No show, só cavalices das antigas e lados B, nada de hits fáceis. Com sorte, eles soltam alguma das inéditas que já circulam por aí.
O fechamento fica com os Superguidis. De Guaíba para o mundo, o quarteto está lançando o excelente terceiro disco e aproveita a noite para comemorar a escalação no festival SWU, onde tocará no mesmo dia de Rage Against the Machine e Mars Volta.
Eu não conseguiria compor um line up mais coerente, pesado e convincente. Se esses três não forem capaz de te fazer usar calças de numeração adequada, eu me eximo de qualquer responsabilidade.
NÃO VÁ SE PERDER POR AÍ
O Império da Lã leva hoje ao Ocidente (João Telles esquina com Osvaldo Aranha) o especial Novelas. Sim, só vai rolar trilha sonora de novela, aquelas que todo mundo gosta. No microfone convidado, a cantora Adriana Defentti. Tudo hoje, a partir das 22h, pela bagatela de R$ 15.
Mas você tomou um pé. Tomou, sim, tomou que eu sei. Então pare de se lamentar e procure a cura amanhã na Broken Hearts Dance Clube, edição I Hate U Bitch! Eles garantem “tudo o que for preciso pra você superar aquele dolorido pé na bunda”. É na Casa do Lado (Rua da República, 546), a partir das 23h. Meros R$ 15 na hora.
Vai estar pela Zona Sul? Então toca pro Live Sport Pub (Dr. Barcelos esquina com Wenceslau Escobar). Hoje tem Especial Sublime. Amanhã, Os Efervescentes. E sábado, Fruet e Os Cozinheiros. O esquema é sempre o mesmo: R$ 10 até as 23h. Depois aumenta. Então, chega cedo.
Semana passada falei da necessidade de debochar o pop e tal, mas eu não tinha visto isso aqui ainda. Sério. A galera que eu citei naquela coluna tem metade da veia galhofeira desses sujeitos. Faz a música do The Inspector Cluzo parecer uma grande homenagem ao Michael Jackson.
Bota o play e sente o drama. E nem te preocupa, não dá mesmo para entender o que o sujeito canta. Não que isso fosse melhorar alguma coisa...
A Véspera mostrou seu primeiro clipe na semana passada, no Beco. Na real são dois, ambos takes para a música Um Passo em Falso. Belo trabalho. Simples e direto, como um bom clipe de rock'n'roll deve ser.
E o capeta não dá sossego, você sabe. Dois filmes com o cramunhão estão prestes a sair.
O primeiro é de M. Night Shyamalan, que depois de sucessivos fracassos e do infanto-juvenil O Último Mestre do Ar, tenta recuperar seu prestígio dentro do côco arrepiado dos fãs de suspense e terror.
Numa tradução ao pé da letra do dito "o inferno são os outros", Devil coloca um grupo de desconhecidos dentro de um elevador. E um dele é o próprio demo, que pretende deixar as coisas do jeito que o diabo gosta.
Saca o trailer da parada, que estreia dia 17 de setembro lá fora:
E olha que eu uso escada por pura recomendação do meu médico. Mas depois dessa... Bom, mas também não dá pra culpar o sujeito: quem aí gosta de ficar preso em elevador?
O outro é O Último Exorcismo. Que como o próprio nome diz, trata-se de mais um filme com uma garota possuída pelo anjo caído mais chegado em contorcionismo que se tem notícia. Olha que horror o trailer:
Tá louco, hein? Pra quem quiser se ligar, O Último Exorcismo estreia essa semana na fora. Por aqui, pouco me importa, eu não vou ver esse troço de maneira nenhuma.
Fora que ele tem a campanha de marketing mais sacana dos últimos tempos. Dá uma olhada no que os caras fizeram com a galera no chatroulett.
O que o Steel Panther, o Inspector Cluzo, o Seu Jorge e eu temos em comum?
Em uma palavra: iconoclastia.
Cada um a sua maneira, a gente adora debochar dos bastiões da intelligentsia pop (hahaha), escarnecer dos sustentáculos da grande arte, fazer todo tipo de troça desse pessoal que realmente acredita ter alguma relevância para o mundo.
Porque nós, não. Sabemos da nossa desimportância e, por isso, somos livres. Livres para zombar do rock farofa, botar zumbis para matar ídolos santificados pós-morte ou gravar versões canhestras de sucessos internacionais. Não existe nada tão sagrado e absoluto que não possa ser avacalhado, acredite. E quanto mais você acreditar em algo _ uma banda, um gênero, um músico, um acorde que seja _ mais vai sofrer. E se decepcionar, o que é pior.
Então, relaxa. Tudo _ absolutamente tudo _ é risível, passível de transversão. E tá tudo bem, ok? Desconfie com força dessa galera que quer te convencer, a todo custo, da relevância de movimentos, momentos, discos e, principalmente, pessoas. Quer acreditar em alguma coisa? Então acredite na fanfarronice, no desmonte, na avacalhação geral e irrestrita.
Como os caras do The Inspector Cluzo. Conhece? Não sai do meu set list há pelo menos duas semanas. Phil e Malcom são uma dupla de franceses que cantam num inglês perfeito e resgatam o funk metal dos anos 90 do Faith No More, Red Hot Chili Peppers e Infectious Grooves. Só que atualizado com mais peso, mais velocidade e muito, mas muito mais porralouquice _ a maior base de fãs dos caras está no Japão, conclua o resto.
O TIC é só guitarra e bateria. Não, não tem absolutamente nada a ver com White Stripes, Black Keys e essas meninices indies dadas a experimentações e mimimis. Phil e Malcom valem por uma big band em peso, profundidade e provocação. É, o negócio deles é provocar, partir pro pau, causar desconforto, desafiar o estômago da audiência.
E não é só pela boca suja francesa _ o Rei Arthur, em sua busca pelo Santo Graal, nos alertou disso, lembra? Eles não só dispensam o baixo como odeiam baixistas. Tanto que o nome do site deles é Fuck The Bass Player e um de seus hits é justamente Fuck The Bass Player. Agora você, leitor sagaz, me pergunta: eles fazem funk metal sem baixo? A-HÁ! Sim! SIM! Fazem. E dos bons, do melhor. E alternando todo tipo de vocal menos aquele rapper característico. Funk metal sem baixo e rap, entenderam?
Mas não corre ouvir os caras ainda, calma. Deixa eu te falar que eles vão além na sacanagem. Manja o Michael Jackson? O mundo estava moendo o sujeito quando ele bateu as botas. Aí de aberração virou artistas intocável. Então dá uma olhada nesse vídeo do TIC:
É de dar com os cotovelos na quina da porta de bom! E sobra até pra eles mesmos: o segundo disco do Inspector Cluzo, lançado em abril deste ano, chama-se nada menos que French Bastards.
Ouve mais dos caras aqui, no MySpace deles. E aqui o canal do YouTube com vídeos.
Beleza que o TIC avacalha com o mundo. Mas eles ao menos passam despercebidos na multidão. O mesmo não se pode dizer do Steel Panther.
Olha o nível:
Sim, os caras estão de brincadeira. Pelo menos eu acho. Ok, dá pra sacar que é uma troça com a galera do hair metal ali dos 80 e 90, não dá? Mötley Crüe, Poison, Twisted Sister, Van Halen, é uma grande tiração de sarro, e não apenas visual, mas também nas músicas e letras.
Tudo gira em torno de sexo, drogas e rock'n'roll, sempre com o tom mais caricato e grotesco possível. Até biografia os "personagens" ganharam no site oficial.
Mas o melhor são os vídeos:
Agora, falando sério: a música até que não é ruim. Digo, não deve nada a qualquer uma das bandas que eles "homenageam". É puro Whitesnake pós-86, oras. E tem dado certo, tomando por base a agenda de shows dos caras.
Vai dizer que eles não poderiam abrir o show do Bon Jovi no Brasil? Ah, qualé...
A terra brasilis também contribui com a destruição de ídolos, lógico. Não é de agora que nossos artistas transformarm em mingau qualquer coisa que faça sucesso. Somos bons nisso, é preciso admitir, e exemplos não faltam. Mas quem se destaca, atualmente, é o Seu Jorge.
Depois da impagável versão de Blowers Daughter, que virou É Isso Aí, e de gravar um disco inteiro fazendo versões (sic) para canções do David Bowie para a trilha do filme A Vida Marinha Com Steve Zissou, ele formou uma banda só para detonar clássicos em turnês pelo exterior.
O projeto se chama Seu Jorge and Almaz. Entre as músicas que serão vertidas para o samba estão as inacreditáveis Rock With You, de Michael Jackson, e The Model, do Kraftwerk, além do jazz Everyone Loves the Sunshine.
Saca como ficou a faixa do MJ:
Grande Seu Jorge! Vai fazer um baita sucesso nos lounges dos inferninhos alternativos de Nova York ou como trilha de fundo de filme cabeça.
De agosto até dezembro a Rádio Levis está selecionando bandas de todo o país para trabalhar no mega festival South By Southwest. O lance é simples: entra no site e faz o cadastro. Se for selecionado, o grupo entra na disputa pelo troféu daquele mês.
E todo mês uma banda é selecionada, de acordo com os votos dos internautas. As cincos escolhidas vão para uma eliminatória final, em janeiro, que escolherá o representante brasileiro que irá para Austin, no Texas, em março.
Lembrando: a banda não vai para o SXSW tocar. Ela vai pra fazer a cobertura jornalística do evento para a Levis. A grife tem uma área particular _ com loja, espaço para pocket shows, essas coisas _ nas imediações do festival e que abrigará também uma espécie de redação. De lá, os eleitos pela Rádio Levis enviarão as informações que apurarem via Twitter, blogs, YouTube e provavelmente rádio.
Teoricamente, no entanto, a banda é livre para tentar cavar showzinhos enquanto estiverem por ali pelo SXSW. Mas aí é pela conta e risco dos seus integrantes.
Enquanto isso, a rádio segue tocando faixas de todas as selecionadas (incluindo várias gaúchas), além de sua programação habitual. Dá um pulo lá.
Quer ver o Procura-se Quem Fez Isso de graça, nesta quinta (19/08), no Ocidente? Então é o seguinte: quem for almoçar no Ocidente nesta quarta-feira (18/08) encontrará o Porta-Voz banda. As primeiras sete pessoas que tirarem uma foto ao lado dele e enviarem para info@procurasequemfezisso.com estarão isentos de ingresso no show.
Agora, quem é o Porta-Voz eu não faço a menor ideia. De qualquer forma, a comida natureba do Ocidente é boa pacas, então...
Se não der, o serviço é esse:
O QUE: Ocidente Acústico
QUANDO: quinta-feira, 19 de agosto de 2010 - 22hs
QUANTO: Ingressos a R$ 15
ONDE: Bar Ocidente - João Telles esq. Osvaldo Aranha
INFORMAÇÕES: 51 3312-1347
Vi o Arcade Fire ao vivo em 2005, na edição do Tim Festival em São Paulo. Seu disco de estreia, Funeral, havia passado batido pelos meus ouvidos. Dei uma escutada e achei tudo rococó demais, firulento, feito pra agradar esse povo mala que aplaude tudo o que é esquisito só por ser esquisito. Eu tinha ido ver o Kings of Leon, aquilo sim era rock.
E me enganei nos dois casos. O show do KOL foi patético, protocolar, insosso, exatamente como se tornaria também em disco anos depois. Já o Arcade Fire revirou meus conceitos de espetáculo. Nunca voltei a sentir a mesma emoção que naquela noite gelada na capital paulista. Fui embora assim que eles se foram, arrastando quem estava comigo antes da metade do show dos Strokes, que encerravam a programação. Era impossível Julian Casablancas, com seu rock frágil, macilento, amarelado eu diria, superar a avalanche produzida por Win Butler e seu exército de preto.
Voltei pra casa sentindo ainda os acordes soturnos de Rebellion (Lies) pulsando nos meus olhos, inchados de chorar. Foi a única vez que chorei em um show, sem nem mesmo saber a razão. Eu tinha ouvido aquela música anteriormente, pelas caixas de som do meu 3 em 1 e em fonos de ouvido, sabia do que se tratava e nada acontecera. Mas executada ao vivo ela ganhou tanta força e significado que eu não consegui me conte. Eu e boa parte da multidão que me cercava. Não foi mágico, nenhuma luz foi vislumbrada ou epifania revelada. Era só emoção pura, simples e inexplicável, aquele tipo de conexão que quem considera música mais que um encadeamento de notas, mesmo secretamente, aguarda cada vez que aperta play pruma banda/faixa nova.
E ouvir The Suburbs me trouxe de volta essa mesma sensação. De estar ouvindo algo feito de/com emoção primordial, sem filtro, inocente. Não é preciso entender o que Win Butler canta nem sacar as partiruras, manja?
É clichê, você ouviu isso em um monte de lugar, mas... é só se deixar levar. Nem tenta acompanhar as voltas que cada faixa dá ou cantar junto. Pelo menos não num primeiro momento _ sim, Suburbs pede várias audições. No começo, apenas ouça, inteiro, do começo ao fim, sem pular nenhuma faixa. E sinta que tapeçaria sonora delicada e de primeira qualidade pode ser feita quando a preocupação com a música é maior que o figurino.
Do que são feitas as faixas? Quais são os instrumentos tocados? De onde vem as influências dos seus integrantes? Onde e em que condições foram registradas as canções? Nada disso importa quando a abertura, homônima, se comunica contigo. E aí é tudo pessoal. Suburbsvai te fazer querer sair dançando? Sozinho ou acompanhado? Quem sabe apenas bater o pé? Ou te lançará a um tempo guardado na memória, te encolhendo a cada acorde do piano?
Essa é uma das belezas do disco. Múltiplas interpretações. Embora não em todos os casos. O segundo número, Ready to Start, não dá outra opção que não dançar jogando os braços para os lados como se os Smiths estivessem de volta OU o ouvinte remetido para a Londres de 1986. Imagino o quanto avassaladora deva ficar em um palco ao ar livre.
O mesmo para Empty Room e Month of May, talvez as faixas mais pesadas, velozes e construídas com distorções. Clássicos instantâneos para qualquer época.
A trinca City With No Children, Half Light I e Half Light II (No Celebration) fecha a primeira parte de The Suburbs com baixos entortando pelos cantos, palminhas, coro, chocalhos e sininhos. O que vem a seguir é o Arcade Fire flertando (moderadamente) com sintetizadores e trabalhando melhor melodias, com cordas mais destacadas e backing vocal discretos _ Suburban War é o exemplo perfeito, dividida em três partes guiadas pela guitarra e voz de Butler, e que tem em Deep Blue sua co-irmã de intenções dúbias. Dá pra acompanhar a caixa com o pescoço, mas também arquear as costas para trás, respirar fundo e pensar "pra onde isso tudo vai levar, mesmo?", vai de você.
Gustavo Brigatti pilota a coluna impressa, toda quinta-feira, no Segundo Caderno de Zero Hora e, junto com Fernando Corrêa, desdobra ela de quando em quando aqui no blog, Twitter e Facebook. Todo o ruído que se faz pelos pampas e além sob um olhar nada convencional, altamente opinativo, sinestésico e subjetivo. E sem ninguém ter realmente pedido.
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