Taí o Will.i.am no seu primeiro single solo mostrando que temos, mesmo, as melhores paisagens...
... e o Lil Jon ganhando até uma mãozinha do Mr.Catra pra se dar bem no Rio
Taí o Will.i.am no seu primeiro single solo mostrando que temos, mesmo, as melhores paisagens...
... e o Lil Jon ganhando até uma mãozinha do Mr.Catra pra se dar bem no Rio
Como esquecer do Bono e cia dando uma esticada no Copacabana Palace...
... ou Michael Jackson despencando no Pelô?
Vou aqui pedir licença da colega Camila Saccomori para roubar na cara dura uma ideia dela executada no blog Fora de Série _ que está dando uma pausa, inclusive. Seriadomaníaca, a Camila destacava, sempre que encontrava, alguma referência ao Brasil nas séries que ela assistia. Pensei em fazer algo semelhante nos videoclipes e, logo de cara, encontrei dois que são praticamente gêmeos _ tanto em ideia quanto em execução.
Eles também dão uma ideia do que representamos pros gringos lá fora...
E aí? Tu conhece outros onde nossa terrinha é paisagem? Não precisa ser hip hop sacana, pode ser outra coisa também...
Uns videozinhos legais que fazem um humor finíssimo _ ou nem tanto... _ utilizando o universo dos videogames. Por isso, se você não é familiarizado com a parada, não vai entender nada.
Tem duas coisas que eu sempre duvidei da existência. A primeira, é o final de River Raid. A outra é banda de rock pesado fazendo sucesso sem perder sua identidade. Nessa semana, quebrei a cara na segunda com gosto: o Cartel da Cevada, mistura de Gildo de Freitas com Velhas Virgens e Big Four, foi selecionado para tocar no Cosquin Rock, em Córdoba, na Argentina.
Quem conhece o quarteto sabe que ali não se faz concessão. É rock cervejeiro, boca suja, pesado, daqueles pra curtir ao vivo socando o ar e derramando bebida. Pra quem sabe o que é uma percanha, já teve vontade de ver o Tio Sam se engasgando com um pedaço de costela, acha que o diabo vive na fronteira do Rio Grande do Sul ou coleciona experiências terríveis com mulheres de trato duvidoso.
Por isso o meu espanto e comoção quando eles foram escolhidos para tocar no Cosquin em vez de uma banda coxinha qualquer de Porto Alegre. Para melhorar, a banda está preparando o primeiro showrrasco de lançamento de disco que se tem notícia no Rio Grande do Sul. O Cartel pretende fechar a Casa do Gaúcho no dia 18 de março pra celebrar seu primeiro trabalho. Rock, cerveja e churrasco _ é mais ou menos a fórmula que consta no CD de estreia, que está sendo vendido na banquinha itinerante do grupo por R$ 5.
Os ingressos para o showrrasco podem ser reservados pelo e-mail lista@carteldacevada.com. Eu não perco por nada. E, até lá, continuo tentando zerar o meu River Raid...
Duas notícias muito interessantes e que, de certa forma, se completam e ajudam a piorar o quadro de esquizofrenia aguda que a indústria da música apresenta nesse novo século.
A primeira é uma matéria da AFP, que dá conta daquela típica choradeira das gravadoras quando o balanço das vendas de discos é apresentado. Diz o seguinte:
"A renda gerada pelos downloads legais de música se multiplicou por 10 nos últimos sete anos, mas o mercado musical perdeu quase um terço de seu valor como resultado da pirataria digital, segundo um relatório da indústria fonográfica publicado nesta quinta-feira em Londres.
(...) a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) (...) indica que 95% dos downloads de música feitos na internet são ilegais, o que dá uma ideia do "grande desafio" enfrentado pela indústria, principalmente em países como a Espanha, que tem um dos maiores índices de pirataria digital.
Apesar de tudo, o setor digital - que representa 29% do negócio musical no mundo - gerou 4,6 bilhões de dólares em 2010, um aumento de 1000% em relação aos 420 milhões registrados em 2004.
No mesmo período, por outro lado, o valor do negócio musical caiu 31%.
Embora não disponha ainda de dados definitivos para 2010, a IFPI estima que esta queda tenha ficado entre 8 e 9% em relação aos 17,3 bilhões de dólares de 2009".
Quer dizer: o negócio vai mal, mas vai bem.
Agora, esse trecho de notícia, colhida no site da Rolling Stone Brasil:
"No ano passado, o selo Beggars Banquet desenterrou as gravações master multitrilhas do álbum clássico do Cult, Love, de 1985, para uma edição de luxo. O LP era uma gravação digital antiga, e, para o espanto da gravadora, uma das masters estava inexecutável; a outra continha apenas 80% do álbum. 'Este é o problema com os arquivos digitais', diz Steve Webbon, arquivista-chefe do Beggars Group. 'Quando se vai, vira um negócio em branco. Não sobra nada.'
Bem-vindo ao pesadelo digital. Até os anos 80, a música era gravada em fitas analógicas, que eram armazenadas em cofres e facilmente reutilizadas. Na era digital o processo mudou irrevogavelmente. Um novo relatório divulgado pela Biblioteca do Congresso norte-americana chama os formatos digitais de "meios de preservação ineretemente não seguros", e lançou o alerta sobre como as coleções de músicas estão sendo armazenadas. 'Há um paradoxo', diz Sam Brylawski, ex-arquivista da Biblioteca do Congresso. 'Podemos gravar facilmente com os gravadores digitais. Mas ao mesmo tempo o material corre um risco muito maior do que antes.' O produtor T Bone Burnett, que deu seu depoimento em uma audiência sobre o assunto, não poderia estar mais de acordo: 'A mídia digital é um meio de armazenamento fraco'."
Quer dizer, então, que o formato que quebrou (e continua a quebrar) a indústria fonográfica começa a se mostrar, na verdade, uma tremenda roubada? É uma cilada, Bino!
Saca o quão surreal é a parada: o sujeito baixa uma faixa sem pagar nada e queima um cdzinho, todo pimpão. Um tempo depois, ele vai ouvir a música e BANG!, não tem mais nada. É como se ele tivesse baixado um arquivo freeware, que depois de um período de degustação simplesmente desaparece!
Mas o pior dessa história nem é para quem baixa música ilegalmente. E quem comprou um CD, como é que fica? Os velhos discos de vinil, quando bem armazenados, duravam eternamente (ou próximo disso) porque a informação havia sido literalmente gravada no plástico. Com a digitalização, óbvio, isso não existe mais.
Começo a suspeitar que a eterna volta do vinil vai acabar sendo mais do que um modismo...
Você que faz música. Você que escreve. Você que junta som e imagem. Você que lasca, pinta e borda. Você que arranca a lágrima e o sorriso. Você que acredita, como diria o Marcelo Nova. Quanto vale o que você faz, meu amigo? Quanto custa o seu trabalho? Dá para por preço na sua arte? Do que você vive, afinal?
Roberto Scopel e Swami Sagara estavam registrando imagens e depoimentos de músicos para um DVD do seu projeto de música eletrônica, Ccoma, quando essas perguntas se impuseram. E o que seria um simples filmete sobre a banda, virou uma investigação que terminou no documentário Profissão: Músico.
Entre entre outubro de 2009 e dezembro de 2010, a dupla de Caxias do Sul, em parceria com o cineasta colombiano Daniel Vargas, falou com instrumentistas do Brasil, Uruguai, Colômbia, Alemanha, Grécia, França e Inglaterra buscando entender porque catzo alguém decide virar músico numa época onde as gravadoras faliram, ninguém está mais disposto a pagar por música e o glamour e afetação que sempre acompanharam a parada deram lugar a muito trabalho.
– O próprio título é um deboche. Aqui, todo mundo pergunta a sua profissão quando você diz que é músico, não importa se você tem 10 anos de conservatório – explica Sagara.
Na Europa, durante o giro que fizeram no final de 2009, mesmo músicos de rua encaravam com estranheza os questionamentos da dupla. Tocando no metrô, em praças ou esquinas, ninguém ali tinha dúvidas que tirava o sustento da própria arte. No Brasil, a reação só encontrava resposta igual vinda de gente tarimbanda, como o guitarrista Edgar Scandurra e o percussionista Naná Vasconcelos.
– Pra esse pessoal é natural viver da música, mas deixam claro que o trabalho hoje é bem diferente e mais pesado do que na época em que começaram – diz Sagara.
As mais de 400 horas de imagens captadas em busca de respostas (e mais perguntas) foram compiladas em 45 minutos de edição nervosa, que conta ainda com depoimentos de profissionais da comunicação e trilha original do Ccoma. A estreia está marcada para o dia 1º de março no Zarabatana (Luiz Antunes, 312), em Caxias.
A REDE ANALÓGICA
A mesma busca por respostas dá o rumo de Fanzineiros do Século Passado, mas o trabalho do paulistano Márcio Sno segue para outro lado. Sem se preocupar tanto em entender porque alguém gastava (gasta?) tempo e dinheiro produzindo publicações restritas a um nicho específico e mais nas histórias das pessoas envolvidas, ele consegue um retrato do que pode ser considerada a primeira tentativa de rede social da história.
O documentário reúne gente de todo o país que dedicou boa parte de seu ócio juvenil a espalhar um conteúdo que não estava no noticiário habitual e, assim, criar uma rede de troca de conhecimento e informação movida a pesquisa, redação, recortes, grampos, cola, envelopes e selos.
– Os fanzines eram porta-vozes de resistência e subversão, um lugar onde você encontrava coisas que jamais encontraria em jornais e revistas vendidos em bancas – explica Márcio.
O primeiro capítulo, As Dificuldades Para Botar o Bloco na Rua e a Rede Social Analógica, estreia no dia 12 de fevereiro, no 1º Ugra Zine Fest, em São Paulo.
Desculpem, mas vou citar o Faustão: quem sabe faz ao vivo.
E o hype não faz ao vivo. O hype não resiste ao palco.
Não resiste porque é um engodo, uma empulhação, uma enganação, uma historinha ardilosa contada para amealhar trocados no menor tempo possível porque, como toda mentira, o hype tem perna curta.
O fracasso dos shows de Amy Winehouse só foram surpresa para quem acredita (e fomenta) o hype. Para quem não pensa duas vezes antes de sair babando atrás de (e acreditando e fomentando) indicações de jornalistas de cultura pop descolados. Não que eu culpe esse povo, eles estão fazendo a parte deles. Culpo quem dá crédito a eles cegamente, isso sim.
Me lembro que lá por 2006 arrumei uma baita confusão com uma colega de armas ao discordar do talento de Amy. Dizia eu que a garota não tinha nada a não ser um bom produtor, uma ótima banda e uma voz bem trabalhada. Que se tirassem dela produtor e banda, ela não aguentaria 10 minutos de capela. Minha colega, ao contrário, rebatia que era preciso dar o braço a torcer, no mínimo, pela voz de Amy.
Qualé. Ter uma voz boa não é talento, é privilégio. E privilégios como esse são perecíveis, a gente sabe disso.
E a prova maior é esse desastre de apresentação ao vivo. Eu não conheço nenhum bom show de Amy Winehouse. Em todo os que assisti ela fica perdida, sem saber bem o que fazer ali, às vezes sumindo nos bastidores, muitas vezes errando letras (que são delas!), desafinando as ganhas ou despencando de bêbada.
Depressão pura, que só é avalizada por quem tem algum interesse mórbido na coisa.
Mas incompetência ao vivo não é privilégio de Amy. Pegue qualquer uma dessas novas formações ou cantores/cantoras surgidos na última década, principalmente os que ganharam altas cotações no meio, capas de cadernos de cultura ou revistas especializadas seguindo a linha "the next big thing" e veja uma apresentação ao vivo deles. Vá para o YouTube, tem aos montes.
São uma farsa, uma arapuca para arrancar dinheiro de desavisados. E há quem queira. E goste. Taí a temporada 2011 de showzinhos indie que não me deixa mentir.
Me incluam fora dessa.
Um amigo da minha namorada abriu um bar. E nesse bar tem um palco, onde ele quer botar bandas para tocar _ e, de quebra, faturar umas caixas de cerveja a mais. Na semana de inauguração da birosca, ele veio me perguntar se eu não conhecia umas bandas boas pra passar um som ali. Eu disse que sim, que conhecia umas bandas e elas eram muito boas. Só que não para o que ele queria.
Explico: eu gosto de rock. E rock _ rock mesmo, você sabe do que eu tô falando _ não dá dinheiro. E não dá dinheiro porque não tem público, porque não vende, porque não tem quem invista, é um gênero vivendo à base de soro num leito de UTI esperando que alguém puxe a tomada de vez. E longe de mim querer prejudicar o negócio do camarada...
Mas sem essa de profeta do apocalipse. Quem faz rock, sabe da situação. Quem ouve, também. E nem estou falando de ideais, de conduta, de postura, de conceito _ tudo isso foi engarrafado faz tempo e virou roupinha de brechó, calça colorida e pomada capilar. Estou falando de números.
Pega a lista dos 10 discos mais vendidos do ano passado no EUA: começa com Eminem e termina com Ke$ha, sem nenhum solo de guitarra entre eles. No Reino Unido, a faixa mais vendida em 2010 que se aproxima de um rock foi Don't Stop Believin', uma balada de 30 anos dos coxinhas do Journey _ e graças ao seriado Glee, veja bem. Na real, apenas 3% dos singles vendidos nas terras da rainha foram de rock no ano que finou-se.
Ainda na Inglaterra, Rihanna acabou de se igualar a Elvis Presley como artista solo a emplacar cinco singles consecutivos no primeiro lugar das paradas. Alguém duvida que ela vai ultrapassar o Rei?
No Brasil ainda não foi liberada a lista de mais vendidos de 2010, mas eu te digo que vai ser mais ou menos assim: um padre, uma dupla sertaneja, uma cantora de axé, outra dupla sertaneja, um cantor brega e uma coletânea de novela. O máximo de rock que pode haver é um grupo de guris que parecem gurias. E eu não estou falando do Mötley Crüe...
Em entrevista ao Guardian, Paul Gambaccini, DJ da BBC e conhecido como Professor do Pop, afirmou que "é o fim da era do rock. Acabou, da mesma forma que a era do jazz acabou". Perfeito. Eu não poderia ter feito analogia melhor.
Em breve, nós, que pagamos pequenas fortunas por um White Album em vinil e discutimos se é Bon Scott ou se é Brian Johnson, vamos ser encarados como os tiozinhos fãs de Dizzy Gillespie e Thelonious Monk, peças de museu na mesma proporção respeitadas e ignoradas.
Nesse tempo que se aproxima, o debut do Black Sabbath será tão estimado, reverenciado e digno de estudos acadêmicos (e versões deluxe) quanto Kind of Blue, as primeiras apresentações ao vivo do Van Halen serão item de colecionador e qualquer menção a Joey Ramone virá acompanhada de um suspiro pesado.
E nos lembraremos de quando brigávamos por uma tomada para plugar pedais numa espelunca qualquer e tocar para meia dúzia de amigos. Éramos jazzistas. E não sabíamos.
DROPS
Três momentos do rock produzido no Rio Grande do Sul juntam instrumentos, gargantas e atitudes hoje a noite, no palco do Opinião (José do Patrocínio, 834). O punk rock dos Replicantes, o hardão pegado dos Acústicos & Valvulados e o brit/mod da Identidade se encontram a partir das 22h na gravação do DVD 3xRock. Além de seus maiores sucessos, as três bandas reservam surpresas para quem pintar por lá. Os ingressos custam entre R$ 20 e R$ 30.
Verão é o momento também do Projeto Circular Rock. Amanhã, a partir das 23h, as bandas Bleff, Lítera, Catavento de Bolso e Oposição evocam os antigos espíritos da música pesada na Embaixada do Rock (Presidente Roosevel, 806), em São Leopoldo. Ingressos a R$ 7 (masculino) e R$ 5 (feminino).
Uma das melhores formações da região da Grande Porto Alegre, a Sargento Malagueta inaugura sua agenda 2011 tocando sua fusão de rock, jazz e funk hoje, às 20h, no brechó Casa da Traça (Independência, 450). Com participação do músico Bernardo Bomeny e entrada franca.
Hoje também é dia de celebrar a música eletrônica e uma de suas casas mais famosas na Capital. A partir das 23h, o Beco (Independência, 934) abre suas portas para a festa 10 Anos Sem Fim de Século, que rende homenagem a primeira década sem o pioneiro reduto eletrônico de Porto Alegre. Os ingressos custam R$ 15 até a 1h e R$ 20 depois.
E na próxima semana, dia 18, tem a Noite Senhor F. O Carabala (São Leopoldo), Reino Elétron (Passo Fundo) e Valentinos (Porto Alegre) prometem fazer miséria a partir das 21h, no Opinião. Entre uma banda e outra, a discotecagem fica por conta de Marcelo Calavera (Pop Cult), Nayane Bragança e eu aqui, ó. Ingressos a R$ 10 (antecipados) e R$ 15 (na hora).
A banda está formada e o tipo de som, formatado. Uma meia dúzia de canções foi registrada, uns bons megas de fotos de todo tipo estão armazenados, vídeos de apresentações ao vivo e até um clipe foram gravados. Chegou a hora, então, de colocar isso tudo para quem interessa: o público. E não existe outro lugar para começar que não a internet.
No Segundo Caderno desta quarta-feira (12), demos o caminho das pedras para quem está nessa vida. Abaixo, algumas dicas extras:
- Se você se dispôs a criar um canal de divulgação, tem que estar disposto também a mantê-lo atualizado. E isso vale tanto para fotos, vídeos e músicas quanto para contatos (e-mails e telefones). Nada irrita mais que uma mensagem automática de "Oi! Esse número de telefone não existe!"
- Um canal de comunicação é uma via de mão dupla, portanto, saiba lidar com internautas inconvenientes. Nem todos vão deixar comentários elogiosos para aquele videoclipe "cabeça" feito com palitos de sorvete em stop motion
- Feedback é fundamental, seja em caixas de comentários, seja através de e-mail. Responda e eles retornarão
- Tosqueira tem limite. Gravação suja, texto incompreensível e clipe desfocado são válidos se o propósito for esse _ portanto, deixe isso claro. Do contrário, capriche
- Não tenha pressa. Vale mais três faixas bem produzidas e um clipe bacana do que uma dúzia de gravações caseiras e videozinhos de shows capturados pelo celular
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