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Posts de abril 2011

Vida longa ao Rei!

14 de abril de 2011 1

Fato: Elvis Presley morreu. Fato também: ele voltou do Além para continuar a detonar o rock'n'roll, mas, embora seu topete tenha permanecido irretocável, seu rosto não resistiu ao trajeto. Sem músicos dispostos a tocar com um semi-cadáver, restou ao Rei seguir carreira solo no formato banda-de-um-homem-só sob a alcunha de Dead Elvis & His One Man Grave.

Alguns céticos dizem que ele não passa de um holandês maluco vestido com aquela roupa brega de Elvis versão Las Vegas e uma máscara estilosa. Mas tal qual Inri Cristo não é a reencarnação de Jesus em sua aparência clássica, óbvio que The Pelvis não voltaria da mesma forma que partiu. Tanto que, apesar de manter o gosto duvidoso por roupas, emagreceu pacas _ tá, isso deve acontecer com todo mundo que morre, mas o que importa mesmo é que ele voltou diferente!

Tanto que não quer saber de executar seus antigos sucessos. Reinventando-se como músico sem abandonar sua raízes, Dead Elvis criou um novo gênero (primitive-trash-a-billy-rock'n'roll) e repertório que o permite tocar guitarra, bateria e cantar sem a ajuda de ninguém. De sua experiência funesta, retirou canções como Get Outta My Grave, Tired of Hell e Deadest Girl In Town.

Para quem duvida de sua realeza, o astro redivivo toca neste domingo em Porto Alegre, às 18h, no Átrio do Santander Cultural, por módicos R$ 10. E não esqueça a máquina fotográfica: ele a-d-o-r-a tirar fotos com os fãs e sempre escolhe algumas para postar em seu site.

Além do show, uma farta banca com todo tipo de merchandising deverá abastecer os súditos. Porque Elvis, apesar de morto, ainda precisa comer e de um lugar para dormir _ nem que seja numa cova em Disgraceland...

Damn Laser Vampires

07 de abril de 2011 0

A maior parte das bandas nasce de uma única vontade: farrear. Garotos e garotas que se unem para tocar para outros garotos e garotas pelo simples prazer de estar ali. Com o tempo, a farra pode tomar dois caminhos que, estranhamente, não costumam andar juntos. Ou aumenta e vira o tal tesão pela vida que Iggy Pop cantou ou torna-se trabalho, rotina, obrigação de “dar certo”.

O caso dos Damn Laser Vampires é o primeiro. Sua concepção de “dar certo” aplica-se, no máximo, à realização de um bom show. E também um bom disco. Nesse caso, espero que a apresentação programada para ontem, no Dr. Jekyll, tenha dado certo. Ontem, os DLV apresentariam seu segundo e novo disco, Three-Gun Mojo, um pequeno tratado de como fazer rock dançante com personalidade e sem frescura (e sem baixo, também).

Registrado quase todo ao vivo num estúdio em São Paulo por Ron Selistre (vocal e guitarra), Francis K (guitarra) e Michel Munhoz (bateria), o álbum quase não viu a luz do dia. Depois de praticamente um ano parado por problemas com o selo responsável pela prensagem e distribuição, acabou saindo graças àquela bem-vinda ajudinha dos amigos, que gravaram e produziram a bolachinha.

– A espera foi até boa, conseguimos nesse intervalo fazer uma pós-produção melhor do que a original – explica Ron.

Three-Gun Mojo é de fato superior em apuro técnico se comparado a seu antecessor, Gotham Beggars Syndicate (2006), mas a pílula não foi dourada suficientemente para fazer dos DLV um hit de FM ou trilha sonora de academia de ginástica. Suas 13 faixas mantêm a estética de cabaré de fim de mundo que consagrou o trio, com guitarras rápidas, bateria abafada e vocal sólido e de acento anos 1950.

– Não temos formatação para rádio ou algo assim. Nosso nicho é o porão. Fora que é preciso que haja alguma realização além da grana – decreta o vocalista.

O tesão pela vida dos Damn Laser Vampires poderá ser conferido de graça no domingo na Fundação Ecarta (João Pessoa, 943), quando o trio apresenta um pocket show com as músicas novas misturadas com as antigas. Se tudo der certo, claro.


DROPS

Responsável por apresentações enérgicas de seu blues de sotaque sulista, Fernando Noronha despluga sua Black Soul para tocar hoje na noite acústica do Ocidente (João Telles esq. Osvaldo Aranha). Os ingressos custam R$ 20.

Na Zona Sul, o excelente Live Sport Pub (Dr. Barcelos, 435) recebe Fruet & Os Cozinheiros neste sábado, a partir das 22h. Na abertura, Os Jardineiros. Os ingressos custam R$ 12 até às 23h. Após, R$ 15.

Culinarista aloprado dos timbres, Marcelo Birck se junta a Guilherme Sanchez nas percussões para apresentação neste sábado, às 22h, na Galeria Dois Pontos (Cel. Genuíno, 226). Os ingressos custam R$ 10.

As mulheres comandam as picapes da Freak! Diskowoman desta sexta-feira. A partir das 23h, Bruna Lodi, Gabriela Mo, Gabi Tellini, Guadalupe, Manu Neis e Natalia Guasso exibem seu setlist cheio de música boa pra dançar. Os rapazes desembolsam R$ 25, enquanto as meninas não pagam nada até meia-noite e, depois, deixam R$ 10 na portaria do Beco (Independência, 936).

Gostando sem gostar

03 de abril de 2011 0

Tem coisas que nos são queridas e das quais não abrimos mão. Gostamos tanto que as defendemos até a morte, muitas vezes encolhidos num canto, arma em riste atirando contra a porta tipo jogador iniciante de FPS. Em excesso, essa postura nos torna xiitas, chatos, intransigentes e, acredito, acaba apertando o horizonte. Não sei até onde isso pode ser ruim ou bom.

Sabemos dessa nova geração que topa qualquer coisa para ser feliz (ou assim parecer), mas também sabemos que as coisas não são assim tão simples. Questione-se um pouquinho só e a locomotiva ameaça descarrilhar. Questione-se muito e sua existência vira um bugie zanzando loucamente em dunas com o piloto gritando "é com emoção, né, patrão?"

Mas estamos falando de música e de duas bandas que conheci essa semana. Conheci não porque fui atrás, mas porque caíram no meu colo. A primeira foi a Miami Horror, banda de um homem só da Austrália, projeto do produtor Benjamin Plant que mescla praticamente todo gênero "música pra dançar" feito entre as décadas de 1970 e 1980 acrescida de uma tintura indie.


Quer dizer, tem como não odiar? Tem. Ouvindo, por exemplo. Se você é um ouvinte compulsivo de música, sabe que é preciso ouvir muito pouco de uma faixa pra saber se vale a pena continuar ou não. Para um ouvinte experimentado, segundos iniciais de uma única música podem conter o código genético do resto do disco. E com o Miami Horror não é diferente. Você ouve qualquer uma das canções e saca que não vai ser diferente disso _ mas no meu caso, mesmo sabendo que a batida seria essa, acabei seduzido a ouvir mais. E mais. E quando vi estava fazendo cadastro no Myspace pra poder ouvir o disco todo.

Vou levar o Miami Horror pruma ilha deserta? Jamais. Mas indicaria para os amigos _ como estou fazendo aqui, agora (ele toca em Porto Alegre terça-feira agora, dia 5, inclusive). Não compraria o disco todo, mas faria uma seleta com algumas faixas para ouvir à toa. Cai bem, não agride, não enche o saco e me faz balançar a cabeça pros lados. É uma discoteca de forte gosto retrô, mas que não parece antigo. Você ouve e pensa "bah, isso é Bee Gees, isso é New Order, isso é Human League, isso é Prince", mas não é um pastiche torto dos originais. Eles estão ali, mas diluídos e bem recolocados. E tem uma delicadeza em algumas momentos onírica que não encontro no meu setlist habitual.

Se o Miami Horror não salva o mundo, pelo menos não destrói o meu como 90% da produção que acabo tendo que ouvir por força da profissão.

Por força da profissão eu fui ouvir o Habits, disco novo do Neon Trees. Nunca tinha ouvido o Neon Trees pelo simples fato dele frequentar espaços onde eu evito deitar os olhos. Mas o CD estava fora do plástico, eu estava de bobeira e PLAC, botei pra rodar.

E me impressionei com a capacidade da banda de condensar toda a produção do rock indie feito nos anos 2010 num único disco. As 10 faixas (disco curto!) tem Strokes, Klaxxons, White Stripes, Kings of Leon, Arctic Monkeys, Killers, Franz Ferdinand... É dançante, mas também pesado. E bem executado, sem brechas _ lembrando que eu ouvi farejando por qualquer erro, louco pra sentar a porrada nos dentes hipsters do integrantes (com exceção da Elaine Bradley, porque sou um gentleman e ela é baterista e gatona).

O Neon Trees também não entra na minha lista de coisas que eu salvaria da minha casa durante um incêndio (ele sequer entraria na minha casa...), mas pelo menos não me chamou de idiota, não me tirou para boçal. Não me vende algo que sabe que não estou disposto a comprar. Deixa claro de onde veio e pra onde vai e é isso. Honestidade poderia ser outro título pra Habits, penso eu.

Penso mesmo que se só me mantivesse com o que me é caro, não teria conhecido o Miami Horror e nem o Neon Trees. Não acredito que farão diferença na minha vida, mas o que e quem tinha que fazer diferença já fez. Ou seja, a posição está bem guardada. Por que não sair e procurar novos alvos como um jogador de verdade, seu lamer?