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Posts de maio 2011

Macacos me mordam

31 de maio de 2011 5

Crítica que saiu nesta terça-feira (31) no Segundo Caderno.

A banda surge e, de cara, arrebata milhões. Faz com dois álbuns o que outros demoram décadas inteiras. Mas e depois?

Essa deve ser a pergunta que os Arctic Monkeys fizeram após seu estouro na segunda metade dos anos 2000. Previsto para chegar às lojas na primeira semana de junho (mas que vazou na internet há duas semanas), Suck It and See é a continuação da resposta encontrada pelo quarteto inglês em Humbug (2009): faremos o que der na telha.

Os Monkeys nasceram e se criaram como uma banda de indie rock, de riffs velozes e refrões espertos, filhos dos subúrbios com guitarras de segunda mão dando seu recado pras pistas burguesas, zero de arrogância, zero de esnobismo. Quer dizer, eram só guris jogando aquele futebolzinho moleque de final de tarde. Diversão para as massas. E funcionou como um relógio em Whatever People Say I Am, That's What I'm Not (2006) _ até hoje o disco de estreia mais vendido no Reino Unido _ e sua literal continuação, Favourite Worst Nightmare (2007).

Então veio Humbug, produzido pelo Stone Age Josh Homme e gravado no deserto do Mojave. Mais pesado, mais soturno e obviamente mais sem graça. Acabou a descontração, o riso descompromissado, a festa pela festa. Era uma pista de que os Monkeys já não queriam se divertir como antes. Mas agora, a impressão é que eles nem querem mais se divertir, como indica mais da metade das faixas de Suck It and See.

A ideia talvez fosse soar mais experimental, talvez complexo e profundo _ a inspiração para o quarto disco, dizem os garotos, veio de gente como Nick Cave, John Cale, Lou Reed e Leonard Cohen. O problema é que eles pegaram justamente o lado mais pretensioso, sem lustro e chato dessa turma.

Com exceção de dois petardos rockers (os singles Brick by Brick e Don't Sit Down 'Cause I've Moved Your Chair, justamente os que lembram seus velhos tempos), o restante é de uma monotonia tão arrastada quanto os vocais de Alex Turner e tão pra baixo quanto as guitarras de timbre único de Jamie Cook.

É mais do que chato: é triste, lúgubre, tedioso como um Radiohead de e para adolescentes que se cansaram de ser felizes aos 20 e poucos anos. Mesmo momentos que poderiam render boas baladas, como Love Is a Laserquest e Black Treacle são duros de ouvir até o fim, tamanha a lamúria existencial de suas notas.

Dá pra chamar de amadurecimento artístico, ousadia estética, exploração de novas sonoridades, busca pelo fazer diferente ou, se você for maldoso, esgotamento de uma fórmula vencedora. Mas o que fica claro é que os Arctic Monkeys, em seu quarto disco, em nada lembram aquela banda "fácil" de outrora. O problema é que eles também não são uma banda "difícil", o que faz de Suck It and See uma tentativa de reafirmar uma identidade que não é a deles. Quase um grito de desespero.

Minha primeira vez com o DeFalla

28 de maio de 2011 1

Texto publicado neste sábado (28) no Segundo Caderno.

O DeFalla sobe ao palco e a primeira coisa que alguém grita da plateia é "fica pelado!".

Era o que eu temia. Posicionado bem em frente aos quatro músicos, na noite do primeiro show da banda em mais de 20 anos, na noite da quinta-feira passada no Beco, tudo o que eu menos gostaria de ver era o Edu K em pelo.

— Mas já? Ainda não, pô! — respondeu o vocalista.

Senti algum alívio. Mas, por via das dúvidas, dei uns passos para o lado. Sei lá, sou do interior de São Paulo, não me sinto confortável com a ideia de um sujeito nu chacoalhando a poucos centímetros de mim. De qualquer forma, já haviam me dito (alertado) que um show do DeFalla era mais que uma experiência musical e eu deveria estar preparado. Principalmente porque aquela seria minha primeira vez com a banda — e talvez a última, vai saber.

Nascido e criado na periferia de Americana, conhecia o DeFalla apenas por notas das finadas Bizz e Showbizz, quase sempre ligadas a alguma estripulia do Edu. Na época, o rock no Rio Grande do Sul, pra mim e mais um monte (um monte mesmo) de gente, se resumia aos Engenheiros do Hawaii e Nenhum de Nós — que eu vivia confundindo, preciso admitir.

Para não dizer que eu não conhecia nada do DeFalla, escutei por um tempo o hit Popozuda Rock'n'Roll, que constava em uma coletânea de alguma dessas revistas entre o final dos anos 1990 e começo dos 2000. Então eu tinha comigo que o DeFalla era uma espécie de pai dos Mamonas Assassinas, uma banda engraçadinha que se aproveitava do imaginário musical de uma determinada época para debochar.

E estava tudo bem assim até vir a Porto Alegre e quase ser linchado por não conhecer necas da "fase clássica" do DeFalla nem nunca ter visto eles ao vivo. "Você precisa preencher essa lacuna", diziam uns, "vergonha alheia nunca ter ouvido Sodomia", se arrepiavam outros, "It's Fucking Boring to Death, meu filho, baita hino", cravaram, cantarolando o trecho de "It's my rifle, it's my gun". Tá certo, tá certo, vou ver eles "de verdade", então.

Claro que muito mais gente teve a mesma ideia de conferir a volta (por uma noite, pelo menos) do Edu, Flu (baixo), Castor (guitarra) e Biba (bateria), lotando o andar superior do Beco, a maioria na faixa do 35-40 anos — menores que isso ou estavam a trabalho (eu) ou eram curiosos (eu também). Por isso, o clima de reencontro de turma, de resgate de um tempo onde a anarquia tinha rostos, nomes e música.

E música boa, para minha feliz surpresa. Não conseguia acreditar que aquela prensagem à frio de funk, punk rock e psicodelia havia sido feita no Brasil em 1987 e eu só estava ouvindo agora. Uma banda coesa, ousada, competente, que — eles negam — estava a frente do seu tempo e dona de um punhado de músicas que não envelheceram um minuto sequer. Sem contar a capacidade de levantar o público, coisas raríssima em Porto Alegre.

Também ficou fácil entender porque o mise en scène do Edu o coloca como um dos maiores frontman do pop nacional — o nível de interação/provocação entre ele e o público beira uma guerra em determinados momentos. Mandar ficar pelado, fui perceber, era o que de mais comportado eles poderiam pedir e a coisa mais fofa que Edu ouviria ao longo da noite.

Mas aí eu já não me importava mais: estava do outro lado do salão, mesmo.

Argentina: país do rock'n'roll

26 de maio de 2011 2

Nunca seremos.

Mas pelo menos já dá pra comprar...

Rápidas

26 de maio de 2011 0


- Meu caro amigo de terninho
, tenho uma má notícia pra você: Porto Alegre é a nova Seattle. É sério, não tem mais volta. Pode devolver aquela calça que você pegou emprestada da tua irmã em 1998, ok? Mas também não precisa sair correndo prum brechó atrás de uma camisa xadrez, relaxa. Relaxa e trema ouvindo os Medialunas, duo formado por Andrio Maquenzi (Superguidis) e Liege Milk (Loomer, Hangovers) que revive a sujeira porreta do último zumbido que realmente fez alguma diferença. Mas não acredite em mim: vá em www.soundcloud.com/medialunas e levante o volume.

- Uma boa razão pra você dar um pulo nesta quinta-feira (26) na recém-inaugurada Casa M: a bela seleção de vídeos do Coletivo Avalanche. Das 18h30min às 20h, o porão do novo espaço cultural de Porto Alegre vira cinema para os projetos experimentais que a trupe escolheu para mostrar ao público. Às 19h, tem um papo bacana com a artista porto-riquenha Beatriz Santiago Muñoz. A Casa M fica na Fernando Machado, 513, e a entrada é franca.

- Sábado (28), no Entre Bar (José do Patrocínio, 340), rola a II [A]Mostra dos Independentes de Porto Alegre. A partir das 23h, a caixa de concreto na Cidade Baixa promete reverberar com shows das bandas Wall Ride, Out of Reason, Gru, Suerte, L'étoile est Morte, The Trial e Change Your Life, exposições de fotos e quadrinhos, a exibição do western gore Ninguém Deve Morrer, de Petter Baiestorf e a palestra Palestina Ocupada. Tudo por R$ 10.

- Sabe uma coisa irritante? Conhecer uma baita banda e, em seguida, descobrir que ela já acabou. Foi o caso com a Orquesta Del Desierto, que como o próprio nome entrega, é "daquela galera" de Palm Desert. Tem aquele veia stoner, mas é bem de leve, o lance dos caras é mais puxado prum rockão sulista com pegada bluseira. E o vocalista tem o mesmo timbre do _ PASMEM _ Anthony Kiedis. Mas o resultado final é muito bom, pegaria certo a BR-116 até o fim com os discos deles.

Bica aí:

Muppets in concert

25 de maio de 2011 1

Em homenagem ao filme dos Muppets que está chegando aí, selecionei algumas boas interpretações dos bonecos para o universo pop. O carisma deles é tão grande que até os coxinhas do Coldplay ficam legais, vai vendo...

Born This Way - uma resenha

23 de maio de 2011 0

Born This Way, o novo disco de Lady Gaga, chega oficialmente para os fãs nesta segunda-feira. Como era de se esperar, ele não traz nada além do que já existe no universo da cantora _ com honrosas e bem vindas exceções, é preciso admitir.

Mas a bolacha é mais que um amontoado de canções com base tecno anos 1990. Ele é, de uma maneira torta como a própria autora, uma disco conceitual. Quase um roteiro de uma noitada com Lady Gaga. Suas 14 canções, quando ouvidas na sequência, contar uma história bem típica do mundo da Mãe Monstra. Pra mim, fez todo sentido.

Saquem só (cada parágrafo representa uma faixa com trechos retirados de suas respectivas letras):

Gaga tá em casa numa pior quando decide que precisa fazer alguma coisa pra espantar a bad (Não vou desistir da minha vida / Sou uma rainha guerreira / Eu não vou mais chorar). Então, claro, parte pra fazer festa (Vou amarrar minhas botas / Botar algum couro e destino), encher a lata (Nós vamos para o bar / Vou segurar meu uísque lá em cima) e praticar bobagens das quais poderá se arrepender depois (Beijar o garçom duas vezes / Não vou criar buracos nos bancos com meus calcanhares). Trincada, começa falar coisas sem sentido (Eu vou casar com a noite) e aí...

... passa a bancar a prostituta. Ela não é uma de fato, mas está tão louca que bota pra fora uma fantasia onde é uma espécie de acompanhante do alto escalão governamental (Government Hooker) e encarna a Marylin Monroe (Coloque suas mãos em mim, John F. Kennedy). Mas aí começa a bater uma certa paranoia _ devem ter batizado o drink dela! _ e aflora em Gaga duas personalidades, a da prostituta apaixonada e abandonada (Beberei minhas lágrimas esta noite / Beberei minhas lágrimas e vou chorar / Pois eu sei que você me ama, querido) e do cliente safardano (Prostituta! Sim, você é minha prostituta / Pare de me encher, prostituta do governo). A fantasia cresce de tamanho que ela pensa que é...

... Maria Madalena e está apaixonada por Judas (Eu amo Judas) mesmo tendo jurado amor por Jesus (Jesus é minha virtude). A nóia de ser uma prostituta é tamanha que ela começa a negar sua própria fantasia (Prostituta, vagabunda, vadia, vomitam na cabeça dela) e inventa uma outra rapidamente...

... um amante latino! Ela promete casamento à uma jovem dama (Se você me ama, nós podemos nos casar na costa oeste), mas avisa que pode não dar certo (Eu não falo sua língua, oh não!) porque ainda tem o antigo amante na cabeça (Eu não falo seu, eu não falo seu Jesus Cristo). As coisas começam a ficar confusas em sua mente intoxicada (E os rapazes (moças), os rapazes (moças) estão se beijando) que ela passa a relembrar sua adolescência...

... quando a educação castradora dos pais (Sempre que eu me visto bem / Meus pais brigam comigo / E se eu estiver toda gostosa / Mamãe cortará meu cabelo à noite) fez com que decidisse pela tragédia (Eu vou morrer vivendo tão livre quanto o meu cabelo), mesmo sabendo que o chumaço de pelos capilares que ostenta não é lá essas coisas (Na festa da escola / Minha franja está tão rebelde / Que eu não tenho chance). Ainda choramingando os dias de fracasso social (Quero muitos amigos que me convidem para suas festas / Não quero mudar, não quero ter vergonha), ela vai pro banheiro e conhece um carinha super legal, porém...

... por mais que ela prometa mundos e fundos ao pretê (Vou te levar pra sair hoje à noite / Dizer tudo o que você gosta), ele não parece disposto a ceder tão facilmente, o que a deixa puta da cara (Merda, seja meu!). Ela não se dá por vencida e...

... faz algumas ameaças típicas de uma psicopata doida de substâncias ilícitas (Quando você estiver longe, eu vou dizer a eles que a minha religião é você) e que se recusa a esquecer o ex-namorado que ela botou guampa (Eu vou dançar, dançar, dançar / Como Jesus disse). Em seguida, age como se nada tivesse acontecido (Eu não vou chorar por você / Eu não vou crucificar as coisas que você fez). Ela então reencontra as amigas...

... que, desconfiadas do que ela possa ter ingerido, a levam para fora da boate. Lá, ela volta a sofrer de crises de autoestima (Eu sou uma vadia, eu sou uma perdedora, talvez eu devesse desistir / Eu sou uma idiota, queria ter dinheiro, mas não consigo achar emprego), de identidade (Eu sou uma patricinha, eu sou uma punk egoísta, eu realmente devia ser espancada) e expõe traumas infantis (Meus pais tentaram até que se divorciaram porque eu estraguei a vida deles). O problema...

... é que ela não para de delirar, agora arrumando confusão com a polícia montada (Siga aquele unicórnio / Cavalgue, cavalgue, ponei, cavalgue, cavalgue). Como toda bêbada, diz que está tudo bem e quer voltar pra dentro do club de qualquer jeito (Tenha seu hot rod pronto para a batalha, porque nós vamos beber até morrer esta noite) atrás duma última chance de se dar bem...

... que é justamente com um headbanger (Amante do Heavy Metal), com quem pretende ficar chapada por tabela (Eu quero a sua boca de uísque) e sair aprontando (Vamos criar um inferno nas ruas / Beber cerveja e se meter em encrenca). O cara até está curtindo, mas aí ela começa a dar uma de louca novamente (Você me amaria / Se eu dominasse o mundo?) e ele sai fora, o que...

... não deixa ela muito feliz (Você quer meu mal, eu acho que você é legal / Mas não tenho certeza) pelo segundo toco da noite. Magoada e ficando sóbria, Gaga se lembra do namorado caipira que conheceu certa vez (Meu cara legal do Nebraska) e não conseguiu segurar (Faz dois anos desde que eu deixei você partir). Por um instante, acha que um pouco de submissão não seria nada mal (Eu daria qualquer coisa para ser sua bonequinha) _ o problema é justamente esquecer aquele velho romance e os traumas da infância (Há apenas três homens que eu vou servir por toda minha vida / São meu pai, Nebraska e Jesus Cristo). É quando ela se dá conta que saiu de casa justamente...

... pra queimar o próprio filme (Não faz mal se todo mundo souber meu nome esta noite), pegando o primeiro que cruzar seu caminho (Preciso de um homem que transforme erros em acertos esta noite). Uns bons goles depois, ela já está botando pra quebrar com categoria (Outra dose antes de beijarmos o outro lado) e pronta para se acabar na pista com um maçarico (Coloque seus óculos escuros porque dançarei nas chamas).

Não se fazem mais clássicos?

20 de maio de 2011 11

No começo de abril, fiz uma resenha sobre o novo disco dos Foo Fighters, Wasting Light. Em dado momento, citei o disco Nevermind, do Nirvana, dizendo que ele era um clássico. Um leitor se manifestou me questionando sobre essa passagem. "O que é um clássico pra você?", me perguntou.

Fiquei com isso na cabeça desde então. O que é um clássico? Na introdução de uma edição brasileira de Fausto, de Goethe, o tradutor Agostinho D´Ornellas dizia que um clássico é a régua com a qual se mede todo o resto. Ou seja, é uma obra tão bem acabada que vira parâmetro, vira exemplo, todos se fiam nela ou a partir dela.

Pensando em música, um clássico, na minha concepção, precisa não apenas ser admirado, mas também ter tido um alcance considerável. Precisa vender também. Um disco clássico, então, seria aquele que foi sucesso de público e crítica. Tem lá seus defeitos, óbvio, pode até dividir opiniões, mas reúne características tão notáveis que mesmo quem não gosta, pelo menos respeita e admite a importância.

Peguem um exemplo fácil, cruel até: Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles. Você pode não gostar do trabalho dos Fab Four, achar um pé no saco a histeria infinita e incansável que os cerca e até vomitar quando vê pela enésima vez uma banda nova fazendo um vídeo inspirado nas primeiras apresentações do grupo. Mesmo assim, você tem consciência que aquela bolacha mudou a história da música pop e mudou a maneira de ser fazer música para sempre _ além de ter vendido (e ainda vender) muito.

O mesmo pode ser dito sobre, Thriller, do Michael Jackson, ou Master of Puppets, do Metallica, ou Blood Sugar Sex Magik, dos Chili Peppers, ou Kind of Blue, do Miles Davis. Você pode não gostar, pode nunca sequer ter ido atrás de ouvir, mas em algum momento certamente ouviu falar deles e, salvo casos de má fé explícita, ouviu falar muito bem.

Um clássico é também um disco que marca além do universo pessoal do ouvinte ou do próprio artista. Ele transcende até seu próprio gênero, influenciando uma época e toda sua geração de artistas. Um clássico não conhece fronteiras de gostos ou preconceitos ou do tempo _ e esta, talvez, seja uma de suas características mais peculiares.

Um clássico não morre jamais. JAMAIS.

Por isso são inquilinos de resenhas. Como falar de uma banda de hardrock sem citar AC/DC, por exemplo? Ou de heavy metal e deixar Black Sabbath de fora? Como escrever a respeito de blues e ignorar Muddy Waters?

Agora, pense na última década. Pense de 2000 até agora. Existe algum disco lançado nos últimos dez anos que possa ser considerado um clássico? Um álbum cujo legado irá perdurar por décadas a fio? Uma CD tão marcante que se tornou impossível falar de um segmento sem trazê-lo à memória?

Eu não encontro nenhum. E vocês?

Mostra Kino Beat em Porto Alegre

17 de maio de 2011 0

Começa nesta quinta-feira (19) e vai até domingo a 2ª Mostra Kino Beat, na Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro. São três dias de exibições GRATUITAS de documentários e filmes realmente imperdíveis, alguns pela importância histórica, outros pela fineza que retratam uma época e outros pelas duas coisas. Curadoria impecável do Gabriel Cevallos, é preciso registrar.

De qualquer forma, reserve um tempo entre esta quinta e o domingo para dar um pulo no Gasômetro, qualquer um dos dias vale a pena _ se puder, vá em todos e passe o final da tarde/começo da noite por lá ao invés de fazer o de sempre.

Só na quinta-feira de abertura existem três excelente razões para chegar cedo. A primeira é o Profissão Músico, documentário da dupla CCOMA sobre a aristas na era do MP3 e novo Do It Yourself _ dá pra ver o filme todo aqui também.

A outra é a pré-estreia de Nas Paredes da Pedra Encantada, road movie que vai atrás da lenda da produção do disco Paêbirú - Caminho da Montanha do Sol (1974), de Lula Cortês e Zé Ramalho.

A terceira é o inacreditável Brega S/A, que desbrava a indústria do tecnobrega no Pará. Um cotovelada no fígado.

No sábado eu não perderia _ mas vou perder, por motivos de força maior, e por isso chegar bem próximo de contrair uma depressão profunda e incurável _ o inestimável The Punk Rock Movie. Gravado em Super 8 por Don Letts, DJ do lendário The Roxy, é nada menos que um registro intra-uterino da cena punk londrina em pleno glorioso 1977. Saca quem aparece: The Clash, the Sex Pistols, Wayne County & the Electric Chairs, Generation X, Slaughter and the Dogs, The Slits, Siouxsie and the Banshees e outros mais.

E domingo tem a sequência matadora dos históricos I Love to Singa + O Cantor de Jazz e A Liberdade é Azul.

Totalmente excelente.

Envelhecendo nas cidades

12 de maio de 2011 0

Dois projetos distintos e dignos de nota completam aniversário esta semana fazendo merecidas festas. Em Porto Alegre, a noite Ocidente Acústico, responsável por lançar muita gente e trazer outro tanto do limbo, fecha 13 anos de existência, num total de nada menos que 600 edições. Em Canoas, um coletivo que é referência no meio underground, o Bandas Independentes Locais (BIL), festeja seis anos de casamento feliz com a cultura marginal.

CONQUISTANDO ESPAÇO E APREÇO


Um dos projetos mais prestigiados da esquina da Osvaldo Aranha com a João Telles, o Ocidente Acústico se mistura com a própria história do Ocidente. Em janeiro de 1998, a casa estava ensaiando sua volta às atividades quando o produtor Márcio Ventura idealizou o projeto – o “Acústico” do título era inclusive para acalmar a vizinhança.

A abertura foi com a então iniciante Cowboys Espirituais, projeto de Julio Reny, Marcio Petracco e Frank Jorge. Do Ocidente o grupo se mandou pro resto do país, conquistando espaço naquele final de século. A noite de casa cheia foi o termômetro que indicava a longevidade da festa.

– Mas nunca imaginamos que chegaria tão longe. Era pra ser uma temporada de verão, apenas – diz Márcio.
Ao longo do tempo, incontáveis bandas e projetos se apresentaram no Ocidente Acústico. Para Márcio, a maior mudança foi mesmo no público, antes mais disposto a correr riscos, a experimentar:

– Hoje temos uma plateia democrática, pop, mas interessada no que já conhece ou ouviu falar. Com tanta informação disponível, não precisam mais de uma festa para conhecer coisas novas.

A festa do Ocidente Acústico está marcada para esta quinta-feira, a partir das 22h, com a Império da Lã. Ingressos a R$ 20.

FAÇA VOCÊ MESMO (MAS DA MELHOR FORMA)


Como qualquer coletivo, o BIL surgiu para dar voz a um grupo que não se fazia ouvir. Movidos pela paixão pelo underground (hardcore, punk, fanzines, skate...), seus membros se mobilizaram para não deixar a cena urbana de Canoas morrer por falta de incentivo.

– Somos independentes por convicção e não aguardamos que alguém venha fazer algo por nós. Isso não vai acontecer, portanto quem tem que fazer somos nós e é agora – afirma Rafael Souza, o Batata, 33 anos.

Com seis anos de atividades, o coletivo promoveu shows de Ratos de Porão, Dead Fish, Matanza, To Feel Alive (Chile) e Venice (Argentina). Também se meteu na 10ª edição do Fórum Social Mundial e promoveu festivais de videoclipes e cinema independente. Tudo sem choramingar apoio oficial ou coisa que o valha.

– Tornar o coletivo sustentável é uma das metas. Dando certo e crescendo, podemos pensar numa sede própria, montar um selo para lançar bandas novas, pagar cachê, enfim – explica Wender Zanon, 21 anos.

Vindo do subterrâneo, o BIL desconhece a egolatria que normalmente destrói qualquer iniciativa do gênero antes mesmo de começar. Tanto que as reuniões do grupo são abertas à participação de qualquer um que tenha uma boa ideia e não se limitam ao rock pesado.

– Só pedimos comprometimento. Quem precisa de espaço pra dar seu recado vai comprar a ideia – diz Batata.

A festa de aniversário do BIL será este sábado (14), às 18h, na Fundação Cultural de Canoas (Victor Barreto, 2.301), com ingressos a R$ 5.

CUT THE TOFU!

11 de maio de 2011 0

Gênero dos mais ricos em histórias escabrosas (sendo a maior parte delas verdadeira...), o Black Metal agora foi pra cozinha. E mais: cozinha vegana, ou seja, nada de alimentos de origem animal. Até a armadura do chef Brian Manowitz (achou que ele usaria um chapeuzinho fofo?) não é de couro, e sim de borracha.

Segundo o canal do programa no YouTube, o Vegan Black Metal Chef deverá ter mais edições. Nesta primeira, ele dá uma receita básica de Pad Thai. Tudo com voz típica de vocalista de black metal.

Confira!