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Posts de agosto 2011

Parece, mas não é da quarta: "O Iluminado", "Curtindo a Vida Adoidado", "Debi & Lóide" e "Top Gun"

31 de agosto de 2011 0

Você conhecem O Iluminado (The Shining). É seguramente um dos mais assustadores filmes já produzidos, um clássico do suspense dirigido por Stanley Kubrick, lançado em 1980 e tendo como base o livro de mesmo nome do escritor Stephen King. Nele, o escritor fracassado Jack (Jack Nicholson) pira o cabeção ao ficar isolado com seus próprios fantasmas e os fantasmas do mal do hotel onde está com sua mulher e filhinho.

Agora vejam como uma boa edição de imagens e a trilha sonora apropriada fazem um trailer que convida o espectador para um típico melodrama algo engraçadinho da Sessão de Sábado:

Te convenceu, não foi?

E que tal o ícone da galhofa oitentista Curtindo a Vida Adoiado (Ferris Bueller's Day Off) numa versão digna de filminho indie dirigido pela Sofia Coppola?

Tente não se emocionar (ou se indignar):

Mas eu acho que nada nesse mundo poderia preparar seu espírito para um trailer vetusto, cheio de suspense, quase noir de... Debi & Lóide (Dumb and Dumber)!

Embora eu tenha quase certeza que, no caso abaixo, você, assim como eu, já desconfiava que a tensão entre os personagens de Tom Cruise e Val Kilmer em Top Gun era puro acúmulo de vontade mútua:

E a Kelly McGillis achando que o cara malhava jogando vôlei por causa dela, coitada...

A nova aventura dos Red Hot Chili Peppers

30 de agosto de 2011 0

Tá oficialmente lançado o disco novo dos Red Hot Chili Peppers. E com exceção das viúvas do Frusciante, ninguém precisa ficar de mimimi: I'm With You é um disco legal dos RHCP, cheio de faixas dançantes, outras mais rockers, uma ou outra épica e alguns erros grotescos que, bem, ninguém é perfeito.

Segue abaixo o faixa a faixa que eu fiz pro Segundo Caderno desta terça-feira (30).

Monarchy of Roses - o primeiro minuto de guitarras distorcidas, bateria sombria e vocal robótico quase engana o ouvinte mais incauto, mas o que se apresenta a seguir é uma faixa solar, de inspiração disco e enérgica.

Factory of Faith - baixo proeminente fazendo a cama para uma bateria econômica e guitarra quase figurativa, aparecendo pra valer apenas num solo monocórdio.

Brendan's Death Song - um dos hinos do disco, começa com violões, piano, escovinhas e uma guitarra delicada para então se transformar numa balada épica digna de ser executada no alto de um penhasco nevado.

Ethiopia - o nome entrega, é uma das incurssões de Flea pelo universo africano. Mas neste caso, a relação é mais clara nas repetições vocais de Kiedis que na música propriamente.

Annie Wants a Baby - para contar a triste história de Annie, guitarras preguiçosas e bem afinadas. Uma típica faixa contemplativa dos Peppers.

Look Around - quase a continuação da faixa anterior, só que mais rápida, funkeada, dançante e quente. Baixo, guitarra e bateria trabalhando em uníssono quase o tempo todo com curtas paradas psicodélicas.

The Adventures of Rain Dance Maggie - o primeiro single começa macio e old school até o talo do cowbell, e vai aos poucos deixando o baixo comandar a dança. Lado a lado, uma uma guitarra flower power e outra puxada no noise.


Did I Let You Know
- é tanta inspiração tropical aqui que dá pra imaginar o quarteto de camisas floridas e sarongues, tocando trompetes e percussão. Até a guitarra, mesmo quando distorcida, mantém o acento caliente.

Goodbye Hooray - rock'n'roll standard, pegado e sem firula, com baixo, guitarra e bateria funcionamento a todo vapor do início ao fim _ e que fim.

Happiness Loves Company - Flea faz valer suas aulas de piano nessa faixa de alma fanfarrona, hiponga, feita para dançar chacoalhando os ombros e estalando os dedos.

Police Station - se fosse somente piano e guitarra, este seria o número mais dramático do disco. Mas a espiral de desespero do protagonista da letra acaba suavizada pelo arranjo óbvio.

Even You Brutus? - Baixo e guitarras economômicos, um piano marretando pelos cantos e bateria precisa fazem a trilha para Kiedis bancar o rapper com zerão de maneirismo. Uma das melhores faixas do disco.

Meet Me at the Corner - hora da música lenta, com direito a paradinha marota na finaleira. Fofa.

Dance, Dance, Dance - olhando novamente para os ritmos africanos, os Peppers cometem a pior faixa do disco. Poderia estar num disco do Vampire Weekend. Pare na anterior.

Clipe da terça: Down - SIRsir

30 de agosto de 2011 0

Cheio de chinfra o primeiro clipe da SIRsir, o projeto de Lucas Silveira (Fresno) voltado para música eletrônica. A faixa Down consta do EP Immortalizer, lançado em julho deste ano.

Lucas como um psicopata de terno bem cortado e cabelo ensebado me lembrou o Thin Man, vilão d'As Panteras. Compare aqui.

E veja o resultado da parada abaixo:

Novos clipes do The Name e Boss in Drama

29 de agosto de 2011 0

Dois nomes brazucas que estão para debutar em disco e merecem uma atenção especial acabam de lançar clipes.

Os sorocabanos da The Name acabam de soltar o clipe para a faixa indie dançante Can't Take No More, que deve estar no primeiro disco deles previsto para ser lançado no final do ano.

Sente o clima de pesadelo:

O outro é o Boss in Drama, também conhecido como Péricles Martins, que anda fazendo um bom barulho eletro-orgânico por aí e vem apresentar seu Dj set em Porto Alegre nesta sexta-feira na RED (Washington Luiz, 48).

Saca o videozinho para Pure Gold, mix fino de disco com house:

Disco da segunda: The Baggios

29 de agosto de 2011 1


Vem de Sergipe os The Baggios, dupla que consegue sintetizar os cânones do rock clássico com apenas a guitarra de Júlio Andrade e a bateria de Gabriel Carvalho (e uma harmônica ou órgão providenciais de vez em quando). Sem brincadeira, é como se o Led Zeppelin encontrasse com Raul Seixas para uma jam no Mississipi.

Saca a pegada:

Bluseira elétrica casca grossa feita por bonecos de argila enlouquecidos de peiote, diz aí?

E tem ainda uns metais histéricos (Oh, Cigana e Quanto Mais eu Rezo) e a participação do Hélio Flanders da Vanguart na excelente country blues Morro da Saudade. Flertam pesado com os Rolling Stones em Get Out Now, chegam junto na psicodelia de caatinga em Meu Eu e emulam o Rainbow (com cornetas!) em Candango's Bar.

Impressiona também o fato de serem uma banda de rock dos anos 2000 que canta em português e NÃO é emo! Muito antes pelo contrário, as letras são cheias de sarcasmo, versam desesperadas sobre o existir, a loucura saudável de continuar, perguntas sem respostas, delirium tremens em geral. Nenhum lamento aparente, vejam vocês, em todas as 14 faixas.

Recém-lançado pelo selo Vigilante, da Deck, o disco pode ser baixado na íntegra no site oficial.

A verdadeira cor do som

25 de agosto de 2011 0

Para fazer a arte de seu novo disco, TRU, o duo de eletro pop Instrumenti pensou na peraltice a seguir: encher um alto-falante com tintas, tocar cada uma das faixas e captar a meleca que elas produzirem. Ou seja, os painéis que deverão acompanhar o disco foram pintados pelas próprias músicas.

Bica:

Making of TRU. Vol. 1. from Instrumenti on Vimeo.

Nem sei o tipo de música que esses caras fazem, deve ser provavelmente tão ruim quanto as pinturas que ela produziu, mas fico pensando se bandas de outros estilos decidissem fazer o mesmo. E pensei na hora nesse clássico:

Todo mundo te ama quanto você está morto

25 de agosto de 2011 0


Quer saber o que realmente rolou de interessante naquela entrevista com o seu ídolo? Então esqueça o que foi publicado e vá atrás das notas de canto de página do bloquinho do repórter que fez ela, porque é lá que está a verdade. Ou pelo menos a verdade sem os tantos filtros pelos quais ela foi submetida até chegar a você, mostra o escritor e jornalista Neil Strauss em seu livro Everyone Loves You When You're Dead (Todo Mundo Te Ama Quando Você Está Morto, numa tradução livre).

Sem edição nacional ainda, a brochura traz 300 páginas de sobras e bastidores de conversas que vai desde a não-entrevista com Julian Casablancas, o ataque de choro de Lady Gaga, um trago homérico com Bruce Springsteen e até uma rápida lição de como ler mentes para uma imberbe Britney Spears. Tudo inédito e sem amarras, garimpado direto de blocos de anotações e fitas cassetes que Strauss acumulou nos últimos 20 anos trabalhando como repórter de publicações como a revista Rolling Stone e o jornal The New York Times.

Mas algo me chamou mais a atenção além das entrelinhas selecionadas por Strauss. Durante a leitura _ leve, rápida e divertida _, foi inevitável relacionar o comportamento em off dos artistas gringos e dos artistas brasileiros. Até o mais frígido e blasé deles, como a P.J. Harvey, sabe como usar uma entrevista (que ela afirma odiar) para se promover e dar o seu recado.

E mesmo gente graúda como Jimmy Page e Robert Plant responde qualquer coisa e não se sente ofendido por alguma pergunta indiscreta ou pessoal _ com exceção de Phil Collins, mas aí é outra história...

Everyone Loves You When You're Dead é um pequeno manual para entrevistadores, um deleite para o leitor interessado nos bastidores do showbizz e, quem sabe, guia de etiqueta para a classe artística brasileira. Nas melhores livrarias.

DROPS

Neste domingo os cucarachos do Sin Orden voltam a Porto Alegre trazendo seu autodenominado raza-core-latino-punx. A função, recomendada para os valentes de carne e espírito, rola no Entre Bar (José do Patrocínio, 340), a partir das 17h, junto com a turma boa do Wallride, Change Your Life e Diatribe. Os ingressos custam R$ 12 antecipados e R$ 20 na hora.

A festa O Rock Morreu? Não Aqui! traz amanhã o ex-baixista dos Smiths, Andy Rourke, para mostrar seu trabalho nas picapes do Beco (Independência, 936). Quem já viu o sujeito no comando das carrapetas sabe que ele entende do riscado, fazendo um mix de modernidades com rock indie das antigas _ incluindo hits de sua antiga banda. Também animam a pista os donos do pedaço Schutz, Jojô e dgdgd. Os ingressos custam R$ 25 na hora.

Amanhã será noite de apocalipse zumbi no Laika (Venâncio Aires, 59) para marcar mais uma singela e delicada edição da Horrorshow. O esquema continua o mesmo: chegando até a 1h e com nome na lista você desembolsa ridículos R$ 5. É isso ou ter o que restou do cérebro devorado...

Banda do coração, a Transmission toca na edição 33 da Crazy Kids Never Die, que rola amanhã em Novo Hamburgo no Pop Cult (Pedro Adams Filho esquina João Pessoa). Ingressos com nome na lista saem por R$ 12 (até a 1h).

Novo clipe da Pública

23 de agosto de 2011 0

Tá no ar o clipe do primeiro single da Pública, Corpo Fechado. Radicado em São Paulo, o quarteto gaúcho está prestes a lançar seu terceiro disco, Canções de Guerra.

Confere aí:

Férias

05 de agosto de 2011 0

Saio de férias hoje. Volto daqui uns 20 dias. Até lá, pode ser que alguém toque essa parada. Ou não. Stay tunned.

Abraxxxx!

O sérvio e o criador

04 de agosto de 2011 0


Não é de hoje que a caretice e o politicamente correto conseguem a façanha de dar publicidade a algo que, se fosse deixado quieto, passaria incólume pelo mundo. Está acontecendo com o longa metragem A Serbian Film agora e, há um pouco mais de tempo, com o rapper Tyler, The Creator (foto). Ambos chegam ao Brasil depois de ganharem fama ao redor do mundo causando comoção e polêmica por nada.

O filme sérvio, que passou em Porto Alegre e foi censurado no Rio, ganhou uma resenha esclarecedora pelo colega Daniel Feix no Segundo Caderno de segunda-feira. Nela, meu chapa diz que o que torna A Serbian Film mais lamentável é ele, por baixo da carnificina promovida na tela, se levar a sério como peça política. No caso de Goblin, o disco de estreia mundial de Tyler Okonma, o tal criador, nem isso pode ser dito.

O CD, lançado no Brasil pelo selo Lab 344, é uma coletânea de impropérios lançados contra policiais, mulheres, gays e celebridades com um plus de incentivo ao assassinato em massa e suicídio, ou seja, exatamente os mesmo assuntos que notabilizaram o gangsta rap nos anos 1990 acrescidos do deboche de Eminem na virada do século.

Mas o branquelo com problemas em casa tinha pelo menos uma produção decente e um vocabulário rico. Tyler, coitado, nem isso. Suas bases são pobres, as rimas primárias, e sua violência, totalmente gratuita _ como, aliás, convém a um guri de 20 anos cheio de vontade de se expressar e nenhum capacidade argumentativa.

Só que Tyler conseguiu justificar seu codinome: ele tornou-se mesmo um criador. Um criador de caso, como diria a minha mãe. Goblin chegou aos ouvidos conservadores norte-americanos, e o resultado foi o esperado. Os CDs foram banidos de lojas nos EUA, os vídeos censurados ou retirados do ar e seu shows, boicotados ou impedidos de acontecer.

Quer dizer, o que era para ser apenas um disco de rap ruim, destinado a mofar nas prateleiras das lojas de departamento e garantir um lugar para Tyler no gigantesco hall dos fracassados, atraiu a atenção da massa e tornou-se uma mina de ouro _ até para os principais festivais de verão europeus o moleque foi chamado para se apresentar.

Que falta assunto e talento pro povo responsável por Serbian e Goblin, isso é fato. Mas daí a incomodar gente que deveria se preocupar com coisas realmente importantes, não me entra na cabeça.