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Posts de outubro 2011

Crítica de série da segunda: "American Horror Story"*

31 de outubro de 2011 0


O sucesso de The Walking Dead, que bateu recordes de audiência em sua estreia no ano passado, mostrou que havia um nicho inexplorado na TV: o do horror. Saturada de vampiros adolescentes e dramas familiares ou policiais, a grade de seriados parecia carente de sangue adulto _ literalmente. American Horror Story, que estreia no dia 8 de novembro no Brasil pela Fox, faz parte dessa tentativa de esfregar hemoglobinas na cara do espectador.

E sangue é o que não falta, diferente de todo o resto. A série narra as mazelas da família Harmon, que se muda de Boston para Los Angeles tentando superar (ou fugir de) um trauma recente. Mas como desgraça pouca é bobagem, o casal formado pelo psiquiatra Ben (Dylan McDermott) e a musicista Vivien (Connie Britton), mais a filha adolescente Violet (Taissa Farmiga), vão parar justamente numa casa cheia de energias negativas, para dizer o mínimo, com uma vizinhança cheia de personagens pitorescos.

Ou seja, o típico filme de casa mal assombrada, que não deve impressionar o espectador mais experimentado em dramaturgia de suspense. Dá pra perceber fortemente elementos de Rose Red, O Iluminado, Horror em Amityville e A Casa Amaldiçoada, por exemplo. O núcleo familiar também não é lá essas coisas: a mulher insegura, o marido cheio de culpa por ter feito (e continuar fazendo) besteiras e a filha adolescente sacal.

Para compensar, a dupla Ryan Murphy e Brad Falchuk (criadores de Nip/Tuck e Glee), que se divide entre roteiro, produção e direção, procura injetar um pouco de humor involuntário _ a casa está no roteiro de um passeio turístico que mostra locais "malditos" de LA, por exemplo _ e variar os cenários, mostrando o cotidiano da família fora da claustrofóbica mansão.  É pouco, mas pelo menos oferece um respiro dos clichês.

Mas claro que é dentro da residência que a trama se desenvolve, revelando histórias horripilantes dos primeiros moradores e sua relação com a vizinhança, em especial a manipuladora Constance (Jessica Lange) e a governanta Moira (ora vivida por Frances Conroy, ora por Alexandra Breckenridge). Os fantasmas da casa também começam a interferir intimamente (e bota intimamente nisso) com os Harmon, que logo percebem o erro que cometeram.

O problema é que, sem conseguir se livrar do negócio _ não há sequer corretores dispostos a assumir essa roubada _, eles terão que arrumar um jeito de lidar com a mansão e seus moradores indesejáveis. Ou, no pior dos cenários, se tornar um deles.

*Publicado originalmente no caderno TVShow de 30/10.

Finais alternativos (mesmo) para tudo na vida da quarta

26 de outubro de 2011 0

É aquela velha história. Você acaba de ver um filme ou termina um jogo de videogame, dá um tapa no joelho e pensa "mas porque diabos esse final de m****?" O filme era legal, o jogo era bem decente, mas, a gente sabe, o final quase sempre é desapontador. Ainda mais em se tratando de cinemão. Incrível como largam na frente só para, na reta final, derraparem na caixa de brita e meterem o nariz no muro de pneus.

Foi pensando nisso que o pessoal do How It Should Have Ended criou animações caprichadas para contar os finais dos filmes e jogos que eles gostariam de assistir.

Saca só o do Harry Potter:

Tubarão:

Avatar:

Mortal Kombat:

Lançamento da terça: "We Are Duyi", Duyi

25 de outubro de 2011 0

Novo projeto de Danilo Schneider e Fernando Fischer da L.A.B., o Duyi acaba de lançar seu EP de estreia, We Are Duyi. Numa primeira ouvida, é mais eletrônico e "de pista" que o que L.A.B., que mantinha uma pegada forte de rock. Agora parece que os caminhos apontam para uma fusão mais profunda, do tipo derretimento das calotas polares, de maneira que não dá pra saber onde começam os bips e onde terminam os instrumentos orgânicos _ instrumentos que podem ou não terem sido usados de verdade, eu já vi os dois tirarem uma orquestra inteira de um laptop, então desconfie do que estiver ouvindo. Ou nem se importe com isso, apenas curta a parada.

São seis faixas inéditas e um remix. Em todas, muito daquela incipiente e até hoje insuperável mistura de rock com música eletrônica da primeira metade da década de 1980. Fácil pegar um New Order aqui, um Erasure ali, um Depeche Mode escapando pelos cantos, enfim. Mas há personalidade suficiente para separar inspiração de cópia. Fácil vê-los em qualquer bom inferninho cheio de indies loucos por músicas antigas vibrando com essas modernidades do Duyi.

Minha preferida: Run!. Puro The Cure com Information Society. É sério.

We Are Duyi pode ser ouvido ou baixado no site oficial.

Vontade de morrer da sexta: "Lulu", Metallica + Lou Reed

21 de outubro de 2011 4

Lulu, como você sabe muito bem, foi posto para audição, na íntegra, nesta quarta-feira (20). Ignorando pelo menos três e-mails de amigos dizendo para eu não dar o play, eu fui em frente. Ossos do ofício. Ok.

Mas antes de ir adiante, vou fazer alguns cortes. Cortarei as explicações de Lulu "não ser um disco do Metallica, nem um disco do Lou Reed, mas um animal híbrido". Cortarei todo o papo furado do disco ser um trabalho conceitual, baseado em peças de um dramaturgo alemão cuja obra desconheço completamente. Cortarei também as declarações sobre lágrimas nas sessões de gravação e frases de efeito disparadas na imprensa desde que essa parceria foi anunciada. Vou desconsiderar ainda, se me permitem, todo e qualquer "contextualização" e me concentrar única e exclusivamente na música.

E sabe o que sobra? Isso mesmo, nada. Quanto mais blábláblá vier ANTES da música, pior. Ainda mais em se tratando de rock, uma parada que é simples por natureza. E os dois, Metallica e Lou Reed, sabem muito bem disso. O primeiro deu um novo significado para peso e velocidade sem fazer muitas concessões ou querer reinventar a roda, enquanto o segundo ganhou a importância que tem muito por suas crônicas extremamente pessoais do submundo de Nova York e seus personagens.

Mas Lulu é pretensioso, arrogante, um disco de "metal burguês", se é que posso classificar assim. E tirando a pretensão toda da coisa, fica só um álbum do Lou Reed, cheio daqueles maneirismos vocais insuportáveis dele _ e que deram certo num único disco pós-Velvet (Transformer) _ cantando por cima do instrumental de um Metallica no início de sua decadência musical (circa Load / ReLoad).

Quer dizer, é uma soma que incomoda os admiradores dos dois e muito pouco provavelmente irá atrair novos fãs. Quem conhece o trabalho do Lou Reed não vai se deixar enganar por essas letras feitas para assustar adolescentes pós-Crepúsculo. If I’m pumping blood  / Like a common state worker / If I waggle my ass like a dark prostitute / Would you think less of me, canta em Pumping Blood. Ui, que medo. E qualquer Rihanna já fez dor de cotovelo melhor do que Cheat On Me (Why do I cheat on me / Why do you cheat on me / Your love means zero to me / A passionateless wave / Your love means zero to me).

E não vou entrar no mérito do peso, que seria responsabilidade do Metallica. Chega a ser constrangedor ouvir a banda soando como um bando de velhinhas carolas, segurando a mão, sendo monótona, repetitiva, sacal. Já vi formações de adolescentes serem mais ousados e viris que os então Quatro Cavaleiros do Apocalipse nessas gravações.

Sério, é incrível como nada se salva nessa bomba. Nada. Mas eu fui avisado e não foi uma única vez. Agora, passo adiante o conselho: evite o quanto puder. Vá ouvir os quatro pirmeiros discos do Metallica ou o Transformer. Ou dá uma olhada na pia da cozinha, veja se tem alguma louça pra lavar e priorize o bem-estar da sua casa.

Clipe da quarta: "Pesadelo no Bambus", Pata de Elefante

19 de outubro de 2011 0

Tirado do discaço Na Cidade (que ainda dá para baixar de graça no site da banda), Pesadelo no Bambus é quase uma piada interna pra quem frequenta o mítico boteco da Independência. No seu videoclipe, em formato de animação, a Pata vira a atração de um circo de pulgas nos esgotos.

Obra da Cartel Graphics, sente só.

Divagações da terça: "Nevermind", do Nirvana

18 de outubro de 2011 2

Conheci o Nirvana com 12 anos. Eu estava na 6ª série e numa manhã, a professora de Inglês faltou. Mandaram uma substituta, garota jovem e estranha, que não estava lá muito a fim de dar aula e nos passou uma letra de Nevermind para traduzir. Era In Bloom. Ela botou a música para tocar no repeat e ia nos ajudando em cada parágrafo.

"Venda as crianças por comida", o primeiro verso, passou batido. Mas "A natureza é uma puta / Machucados na fruta", na segunda parte, me arrebentou a cara. Me explodiu as artérias. Me fez repensar o cosmo. Por que natureza seria uma puta? Uma puta, bicho! E de que fruta aquele sujeito estava falando? Por que ela tinha machucados? Quem machucou? Ninguém iria fazer nada? Eu tinha 12 anos e acabado de encontrar um dilema maior do que o prosáico e imediato "como eu faço pra beijar uma garota?".

Eu não conseguia seguir adiante, fiquei retido naquelas duas linhas, tentando entender, tentando explicar aquilo pra mim mesmo, olhando pra folha de papel pardo que a professora tinha passado pra gente, sem conseguir terminar a tradução. Só enxergava "Nature is a whore" e "Bruises on the fruit" pra todo lado, dentro e fora da minha carcaça de 27kg mal distribuídos, braço e pernas finos e cabeleira amarela cortada em formato de tigela.

A natureza era uma puta e a fruta estava machucada e não havia mais o que fazer, não tinha mais como voltar atrás. Aquilo estava me consumindo naquela carteria de compensado e fórmica.  O problema é que também não tinha como avançar. Onde conseguir mais daquilo? A quem pedir? Com quem compartilhar aquela angustia, aquela descoberta ao mesmo tempo incrível e assustadora? Meus pais, fãs de Roberto Carlos e sertanejo? Meus amigos, ouvintes de FM como eu?  Nada, nem um mísero sinal _ a não ser o sinal do término da aula, que fez a professora substituta e esquisita recolher a letras e ir embora.

Essa foi minha primeira experiência com a poesia derrotista de Kurt Cobain. Rápida, mas fulminante e limitada à In Bloom. Só fui ouvir de fato Nevermind, na íntegra e em toda sua plenitude arregaçadora de tímpanos/conceitos, aos 16, 17 anos, quando chegou o primeiro aparelho de CD em casa e eu já tinha começado a gastar meus primeiros salários em algo além do aluguel de fitas de videogame.

Resolvi contar essa parada porque fazia muito tempo que eu não ouvia o disco inteiro, do começo ao fim e na sequência, e comecei a fazê-lo sem parar desde que chegou aqui na redação a edição comemorativa dos 20 anos dele. É uma embalagem dupla, com o álbum original acrescido de b-sides (a maioria versões ao vivo) e um segundo disco com takes alternativos.

Sinceramente, não me animei a ir além das 12 músicas originais. Pra mim elas bastam e é isso. O restante deve ter lá o seu valor histórico e afetivo pra alguém, mas não pra mim. Eu ainda fico indo e voltando em In Bloom, fascinado com aquilo tudo, mas já não tento entender. Apenas deixo rolar. Cobain tinha a manha.

Vivam os mortos!

13 de outubro de 2011 1

Série que foi a sensação do ano passado, The Walking Dead estreia sua aguardada segunda temporada no próximo domingo, nos EUA, e terça-feira no Brasil _ vai passar novamente no canal por assinatura Fox. É quase certo que o primeiro capítulo terá o mesmo estouro de audiência que o debut de 2010, mas é também inevitável perguntar: para onde irá a história dos sobreviventes do apocalipse zumbi depois de consolidada?

Pergunto isso como consumidor veterano de cultura zumbi e pessimista desde sempre no que toca a enlatados norte-americanos. Inclusive devo confessar que The Walking Dead foi a primeira série em anos que me arrebatou _ Game of Thrones foi a segunda _, mas temo pelo que virá simplesmente por não enxergar muitas possibilidades além do que já foi mostrado.

Quer dizer, uma praga qualquer botou vivos e mortos em campos opostos para sobreviver. Dos mortos, espera-se que tentem pegar os vivos. E dos vivos, espera-se que corram, se escondam, montem núcleos de resistência e inventem métodos mais eficazes de combater os mortos _ além de lidar com os dilemas humanos comezinhos de sempre. Mas e agora? Pra onde vamos?

George Romero ensinou que é possível tratar o tema que for utilizando zumbis como metáfora, mas ele o faz dentro de um filme, que é uma obra fechada, com começo, meio e fim. Já uma série de TV, cuja longevidade depende dos índices de audiência, exige muito mais fôlego e criatividade para se manter o espectador fiel. E no caso de The Walking Dead, precisa ir além dos efeitos de maquiagem e das formas como os mortos são... mortos.

Eu não acompanho os gibis de onde a série saiu _ e de onde continua a se alimentar _, mas a grande aposta para esta segunda temporada será mais no drama humano e menos na trinca corre-corre frenético/suspense claustrofóbico/mata-mata gore. Eles estarão presentes, mas com menos destaque, o que talvez afaste os espectadores adolescentes sem garantia de atrair uma audiência mais adulta _ afinal, ainda será uma série de zumbis, e não um Brothers & Sisters da vida.

Seja como for, os próximos serão de matar de ansiedade!

O Jekyll fechou e a Cidade Baixa agoniza

12 de outubro de 2011 44


Não me lembro da primeira vez que fui ao Dr. Jekyll, mas acho que foi minha amiga Janaína que me apresentou a casa. Contam que em sua origem, o bar era frequentado por um público bem diferente daquele que eu conheci em sua última formação, a de reduto da produção alternativa de Porto Alegre. Pelo naco de palco em frente a uma das escadas, ouvi algumas das melhores bandas da cidade, e pelo seu corredor, fiz amigos que estão entre os melhores da minha vida. Por isso, quando fui procurar no site oficial alguma atração para botar na coluna desta quinta-feira, tomei o choque de saber que o bar já não existia mais _ ou, pelo menos, não como eu o conheci.

Eu já havia notado a retirada do letreiro no final de semana, mas vocês sabem como funciona um coração underground, ele não se liga em fachada. Não importa letreiro, pintura, porta, janela ou teto desde que o espírito permaneça e se faça ruidoso. Mas o Jekyll tinha mesmo se dado sumiço desde meados de agosto. Vai soar piegas e até patético, mas me bateu um misto de culpa e raiva por não ter sabido disso antes. Quer dizer, onde eu estava quando isso aconteceu? Poderia ter feito algo? Haveria, enfim, algo a ser feito para evitar o fechamento de mais um espaço onde se podia fazer um barulho honesto, onde valia a arte em detrimento da etiqueta da roupa ou da localização do piercing?

Ainda meio abalado, liguei para o Che Wodarski, gerente do Jekyll. Esperava um sujeito cheio de amargor e revolta, que reclamaria até o infinito e apontaria milhares de culpados _ incluindo eu. Que nada. O desabafo do Che era o mesmo que eu venho ensaiando há um tempo para colocar aqui. A Cidade Baixa, sitiada pela marginalidade e esquecida pelo poder público, já não oferece a mesma segurança de antes. Por isso, quando uma onda de arrastões começou a cercar o Jekyll, decidiu-se por fechar de vez as portas e procurar um outro lugar. Até o final do ano, Che espera que o bom doutor volte a dar expediente _ com a mesma proposta e ambiente _ num consultório em um bairro menos pior.

Quem tem estabelecimento na Cidade Baixa sabe que não há clientela que resista ser sucessivamente achacada por flanelinhas, pedintes, moradores de rua e bandidos de fato. Isso não é de agora e também afeta quem mora lá. Quando me mudei para Porto Alegre, o que mais me diziam era que a Cidade Baixa era o grande refúgio boêmio da Capital, lugar onde haviam os melhores bares e para onde eu deveria estabelecer uma base _ além do mais, era perto do trabalho. Hoje, o que eu mais quero é sair dela e ir para qualquer outra paragem.

Não há tesão pela noite que resista ao frio na barriga quando se sai de casa na certeza de ser extorquido por um vagabundo trincado de crack numa esquina qualquer. Ou ter que ficar desviando de lixo revirado por toda a calçada _ que também serve de banheiro público. Tente caminhar pelo quadrilátero formado pela Lima e Silva, Venâncio Aires, República e João Alfredo depois das 21h de quinta a domingo para sentir o drama.  E não me levem a mal, eu adoro um ambiente meio selvagem (respeitem meus coturnos, pombas), mas é diferente de insegurança e insalubridade.

Com a saída do Jekyll, vai cada vez pior a Cidade Baixa. E vai cada vez pior Porto Alegre. #RSmelhoremtudo mesmo.

Crítica de série da terça: "Terra Nova"

11 de outubro de 2011 2

Eu não sei vocês, mas sempre _ SEMPRE _ que eu leio "STEVEN SPIELBERG" nos créditos de alguma produção, eu já consigo visualizar pelo menos metade das cenas e um bom pedaço do roteiro. E com Terra Nova, série que estreou ontem na Fox, não foi diferente. Ainda mais sabendo de antemão que haveria dinossauros e viagem no tempo, quer dizer...

A história: no ano de 2149, a Terra é um planeta moribundo graças ao nosso desleixo com a meio-ambiente. O ar é praticamente irrespirável, os recursos naturais estão esgotados e um rígido controle populacional tenta manter um mínimo de (baixa) qualidade de vida para os humanos. Ou seja, tá tudo uma droga quando os cientistas _ sempre eles... _ descobrem uma fenda temporal que leva direto a 85 milhões de anos no passado. "Ótimo, vamos voltar no tempo para colonizar a Terra novamente e não cometer os mesmos erros que nos levaram a esse colapso", devem ter pensado.

E a coisa vai acontecendo aos poucos, com pequenas ondas migratórias de colonos enviados pela fenda temporal para o meio do planeta ainda selvagem, habitado somente _ ou pelo menos até agora _ por dinossauros. Esses humanos serão responsáveis por tornar a Terra do passado um lugar novamente habitável para os humanos do futuro, que continuam a chegar com a esperança de uma vida melhor. Entre os novatos estão a família Shannon, que chega a Terra Nova por vias um tanto tortas e algo a contragosto, mas que não tinha muita escolha a não aceitar o convite e participar da reconstrução da civilização.

Bom, esse é o argumento inicial da série. E não é preciso mais do que um capítulo _ a estreia é com episódio duplo, u-hu! ¬¬ _ para botar dezenas de pontos de interrogação. O primeiro é a inevitável comparação com Avatar e Parque dos Dinossauros. Melhor ainda: com Avatar e a série O Elo Perdido, da década de 1970. E não só no roteiro _ humanos colonizadores num ambiente hostil tendo que encarar não apenas ameças externas, mas também problemas internos _, mas também nos cenários, que parecem refugos de produções maiores, e até nos personagens. Chega ao cúmulo do ator Stephen Lang reprisar seu papel de militar linha-dura de Avatar _ só que com barba e um pouco mais doce, afinal, essa é uma série infanto-juvenil de... Steven Spielberg!

E o que uma produção de Spielberg tem além de dinossauros (ou extra-terrestres)? A premissa da casa, do lar, que ele repete filme sim, filme também, como uma Dorothy esquizofrênica pelo American Way of Life. Da mesma forma que seus ETs, o soldado Ryan, o robozinho de Inteligência Artificial, os Transformers e até o tubarão, a família Shannon só quer um teto pra chamar de seu. E vai tentar isso em Terra Nova depois de fracassar na Terra velha (hehehe).

Claro que como todo núcleo familiar do cineasta, os Shannon não poderiam ser mais óbvios, caricatos e sem nenhum carisma. Então temos o pai estouradão, mas de bom coração; a mãe sensível e apaziguadora; o adolescente rebelde, mas amoroso; a adolescente superdotada, mas insegura com seus hormônios; e a caçula fofinha, engraçadinha e quase sem falas. Substitua os dinossauros por alienigenas e você terá praticamente o mesmo núcleo familiar de Falling Skies, outra série de Spilberg cuja primeira temporada terminou a pouco.

Mas mesmo que tivésse protagonistas simpáticos e produção caprichada, Terra Nova não tem um argumento sólido suficiente para garantir sua vida por muito mais que duas ou três temporadas. A limitação do tema é clara _ o que mais os humanos farão a não ser brigar entre si e contra bichos pré-históricos, coisa que fazem desde o primeiro capítulo? O que se vislumbra é uma aproximação com o sobrenatural ou _ solução mais simples _ extra-terrestres. Qualquer que seja a escolha, o resultado não tem como ser bom.

Clipe da segunda: "Hellucinations", Distraught

10 de outubro de 2011 0

Clipe novinho, que vai estar no próximo disco da banda _ que, me parece, tá dando uma puxadinha pro black no seu tradicional e bem afiado thrash.

Bica se não é uma das maiores/melhores bandas de metal do país:

Aliás, tem show HOJE com eles no Opinião junto como Climatic Terra na Segunda Maluca.