
O sucesso de The Walking Dead, que bateu recordes de audiência em sua estreia no ano passado, mostrou que havia um nicho inexplorado na TV: o do horror. Saturada de vampiros adolescentes e dramas familiares ou policiais, a grade de seriados parecia carente de sangue adulto _ literalmente. American Horror Story, que estreia no dia 8 de novembro no Brasil pela Fox, faz parte dessa tentativa de esfregar hemoglobinas na cara do espectador.
E sangue é o que não falta, diferente de todo o resto. A série narra as mazelas da família Harmon, que se muda de Boston para Los Angeles tentando superar (ou fugir de) um trauma recente. Mas como desgraça pouca é bobagem, o casal formado pelo psiquiatra Ben (Dylan McDermott) e a musicista Vivien (Connie Britton), mais a filha adolescente Violet (Taissa Farmiga), vão parar justamente numa casa cheia de energias negativas, para dizer o mínimo, com uma vizinhança cheia de personagens pitorescos.
Ou seja, o típico filme de casa mal assombrada, que não deve impressionar o espectador mais experimentado em dramaturgia de suspense. Dá pra perceber fortemente elementos de Rose Red, O Iluminado, Horror em Amityville e A Casa Amaldiçoada, por exemplo. O núcleo familiar também não é lá essas coisas: a mulher insegura, o marido cheio de culpa por ter feito (e continuar fazendo) besteiras e a filha adolescente sacal.
Para compensar, a dupla Ryan Murphy e Brad Falchuk (criadores de Nip/Tuck e Glee), que se divide entre roteiro, produção e direção, procura injetar um pouco de humor involuntário _ a casa está no roteiro de um passeio turístico que mostra locais "malditos" de LA, por exemplo _ e variar os cenários, mostrando o cotidiano da família fora da claustrofóbica mansão. É pouco, mas pelo menos oferece um respiro dos clichês.
Mas claro que é dentro da residência que a trama se desenvolve, revelando histórias horripilantes dos primeiros moradores e sua relação com a vizinhança, em especial a manipuladora Constance (Jessica Lange) e a governanta Moira (ora vivida por Frances Conroy, ora por Alexandra Breckenridge). Os fantasmas da casa também começam a interferir intimamente (e bota intimamente nisso) com os Harmon, que logo percebem o erro que cometeram.
O problema é que, sem conseguir se livrar do negócio _ não há sequer corretores dispostos a assumir essa roubada _, eles terão que arrumar um jeito de lidar com a mansão e seus moradores indesejáveis. Ou, no pior dos cenários, se tornar um deles.
*Publicado originalmente no caderno TVShow de 30/10.










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