
Lana Del Rey, vocês sabem, tinha tudo para reinar absoluta em 2012, cantando historinhas pra boi dormir com aquele olhar de bagre morto. Mas aí chegou Azealia Banks e... bom, eu já tenho pra quem torcer. Eu, a BBC (que a colocou como uma das apostas do próximo ano) e o NME (que a elegeu a pessoal mais legal do ano que acabou).
Azealia é natural do mítico Harlem e tem uma baita voz, o que já bastaria para chamar a atenção. Mas ela vai além. É atriz pela LaGuardia Arts, um dos mais prestigiosos centros de arte dramática de Nova York. É também uma rimadora nata, da escola de Missy Elliot, e professa um feminismo boca-suja de altíssima tensão sexual que a coloca num patamar bem diferente de 90% das divas curvilíneas do hip hop. Não existe carão no repertório de Azealia, seu queixo está sempre pra cima e sua língua, afiada.
Pegue seu maior sucesso, a hipnótica 212. Ela tem pelo menos três momentos distintos e a voz de Azealia muda em todos sem nunca vacilar. Ela domina o estilo que escolheu e por isso faz picadinho na pista de dança. Os samplers parecem derreter enquanto ela rima sobre o que vai fazer com o namorado e com a garota que quer dar em cima dele.
Sem contar no vídeo, focado naqueles lábios carnudos umedecidos de quando em quando, uma sensualidade de rua, provocativa no limite da bagaceiragem. Até um troço assexuado como Interpol causa arrepios na nuca quando gravado por ela _ ouça Slow Hands e tome um banho gelado.
Esta semana, ela soltou um nova faixa, Liquorice. Um trecho: "I'm the liquorice bitch, you know I'm looking for these niggas if these niggas is rich". Traduza e caia nessa. Azealia é de todos nós e não vai deixar pra ninguém em 2012.




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