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Posts de dezembro 2011

Balanço de 2011

29 de dezembro de 2011 4

E aí, gostaram de 2011? Eu, como tenho memória seletiva, achei ótimo. Mesmo assim, tenho uma baita dificuldade em organizar os destaques do ano em forma de lista cronológica ou por ordem de importância. Por isso, a distribuição de troféus segue como está na minha cabeça, ou seja, caos. Até que não ficou tão mal, diz aí?


Coreografia: Thom Yorke, em Lotus Flower
A melhor coisa que o Radiohead fez este ano, sem dúvida, foi se tornar um rápido viral com esse vídeo impagável. Sheila Mello é mato perto do Thomas.

Sonora para documentário sobre explosões em minas de carvão: Bebendo Socialmente, dos Hangovers
Os gaúchos Liege Milk, Theo Portalet e Gabriel Lixo transformam barulho em... mais barulho. Para os fortes de espírito.

Melhor disco indie que não merece esse rótulo: Arrows, do The Lonely Forest
Sabe o sujeito que fica pedindo licença para passar em plena escada rolante? É como soam os norte-americanos do Lonely, só que ao contrário.



Uma razão para acreditar que o mundo está piorando:
A Banda Mais Bonita da Cidade
O maior/melhor golpe publicitário da internet brasileira deu tão certo que conseguiu financiamento para gravar um disco inteiro.


Porque o rock no Rio Grande do Sul tem jeito: Sings the Blues, do Campbell Trio
Sem reinventar a roda, o CT funde hardcore, punk e metal no melhor EP lançado por aqui em anos. Espero pelo disco inteiro como se minha vida dependesse disso.

Foi tarde: Kings of Leon
Agora o lance é virar banda de apoio de algum programa de entrevistas de TV local pra pagar as contas...

Pior produto dos reinos animal, vegetal e mineral: Lulu (Metallica + Lou Reed)
Agora é esperar para daqui a 20 anos alguém dizer que esse troço é uma obra incompreendida.

Show que quase ninguém viu: Down, no Pepsi On Stage
Na figura de Phil Anselmo, coisa de 500 pessoas tiveram a sorte de ver como se comporta uma verdadeira liderança de banda de rock pesado. Fora o repertório de gente grande.

Kit de imprensa: Cartel da Cevada
Os caras enviaram uma garrafa de cerveja artesanal GELADA em plena hora do almoço de uma sexta-feira. Como não amar?

Bagaceiragem irresistível: Party Rocky Anthem, LMFAO
Não a toa, foi uma das músicas mais vendidas no Reino Unido neste ano. É uma farofada, mas que dá uma vontade esquisita de sair dançando, isso dá.

Livro de cabeceira: Everybody Loves You When You're Dead, de Neil Strauss
Você, jornalista, aprenda a entrevistar músicos. Você, músico, aprenda a dar entrevistas.

Procrastinação é o meu nome do meio: 9gag.com
Acesse uma única vez e 1) você não volta nunca mais ou 2) sua produtividade está seriamente ameaçada.

Melhor disco que eu não ouviria se não fosse jornalista e recomendo fortemente: The Baggios
Da sempre porreta cena rocker do nordeste surge essa dupla sergipana que funde Led Zeppelin com Raul Seixas. E fica bom demais.

Jesus e o rock

27 de dezembro de 2011 3

Não é super legal, mas é bacana este Rock Estrada que traz Rodolfo Abrantes das profundezas do paraíso para falar novamente a gente como eu, que um dia levou umas porradas vendo um show do Raimundos.


Clipe da terça: "Just the Way You Are", Gru

27 de dezembro de 2011 1

Já disse isso e repito: houvesse justiça no mundo, Gabi Lima, a Gru, estaria tocando em todas as rádios, seria trilha sonora de série descolada e queridinha da crítica que baba o ovo da gringaiada. Bom, eu não costumo babar o ovo da gringaiada, mas faço minha parte para um mundo mais justo tendo ela como queridinha. E com méritos.

Gabi é uma das poucas artistas que não precisa se envergonhar de fazer música pop, porque sabe exatamente o que está fazendo e o faz com muita qualidade e carinho. É música de verdade _ toca e sabe tocar todos os instrumentos em suas músicas, compõe, canta e carrega suas tralhas de palco.

E nada em sua canções é feito de qualquer jeito, mesmo que o clipe da música seja uma colagem de amigos fazendo esquisitices _ mote do recém-lançado (e primeiro!) clipe dela, Just the Way You Are. E que pode ser baixada aqui.

Ouça e tente não dar repeat:

Agora vá ouvir She & Him e se emocionar no 9gag, vai...

Reflexão da sexta: o Natal dos coxinhas

23 de dezembro de 2011 1


Essa semana o site amigosecreto.com divulgou uma lista com os CDs mais trocados pelos seus usuários. Pra quem não conhece, o amigosecreto.com é um site de... amigo secreto. E ele dá sugestões para os participantes que tem preguiça de pensar. E claro que CDs são a melhor opção.

E um CD para quem tem preguiça de pensar não pode ser nada muito complicado. Quando mais coxinha for o artista, menos risco o sujeito corre de cometer uma """"gafe"""". Daí que segue a lista dos discos que lideraram as paradas do site e, provavelmente, irão compor a trilha sonora do Natal de muita gente:

1. Coldplay - Mylo Xyloto
2. Adele - 21
3. Adele - 19
4. Adele - Live At The Royal Albert Hall
5. Maria Rita - Elo
6. David Guetta - Nothing But The Beat
7. Marisa Monte - O Que Você Quer Saber de Verdade
8. Pink Floyd-The Wall
9. Red Hot Chili Peppers - I´m With You
10. Joss Stone - Lp1

Chris Martin na liderança, seguido por Adele ao cubo, duas cantoras de MPB, um coletânea de música eletrônica de FM, um clássico de rock véio de um hit só, um espantoso e deslocado Chili Peppers e fecha com um best of de R&B de churrasco. Tá bom pra você? Pra mim, tá. Eu não conseguiria pensar em CDs melhores para dar de presente para quem eu não me importo.

Embora em alguns casos (o meu, por exemplo) possa soar como uma declaração de desprezo e ódio, do tipo "te peguei no amigo secreto, mas como não gosto de ti, vou te dar um disco do Coldplay. RÁ!".

É isso. Tá dada a dica. Feliz Natal pra vocês.

Pequena notável

22 de dezembro de 2011 0


Lana Del Rey, vocês sabem, tinha tudo para reinar absoluta em 2012, cantando historinhas pra boi dormir com aquele olhar de bagre morto. Mas aí chegou Azealia Banks e... bom, eu já tenho pra quem torcer. Eu, a BBC (que a colocou como uma das apostas do próximo ano) e o NME (que a elegeu a pessoal mais legal do ano que acabou).

Azealia é natural do mítico Harlem e tem uma baita voz, o que já bastaria para chamar a atenção. Mas ela vai além. É atriz pela LaGuardia Arts, um dos mais prestigiosos centros de arte dramática de Nova York. É também uma rimadora nata, da escola de Missy Elliot, e professa um feminismo boca-suja de altíssima tensão sexual que a coloca num patamar bem diferente de 90% das divas curvilíneas do hip hop. Não existe carão no repertório de Azealia, seu queixo está sempre pra cima e sua língua, afiada.

Pegue seu maior sucesso, a hipnótica 212. Ela tem pelo menos três momentos distintos e a voz de Azealia muda em todos sem nunca vacilar. Ela domina o estilo que escolheu e por isso faz picadinho na pista de dança. Os samplers parecem derreter enquanto ela rima sobre o que vai fazer com o namorado e com a garota que quer dar em cima dele.

Sem contar no vídeo, focado naqueles lábios carnudos umedecidos de quando em quando, uma sensualidade de rua, provocativa no limite da bagaceiragem. Até um troço assexuado como Interpol causa arrepios na nuca quando gravado por ela _ ouça Slow Hands e tome um banho gelado.

Esta semana, ela soltou um nova faixa, Liquorice. Um trecho: "I'm the liquorice bitch, you know I'm looking for these niggas if these niggas is rich". Traduza e caia nessa. Azealia é de todos nós e não vai deixar pra ninguém em 2012.

#mimimi de segunda: segunda chuvosa é o melhor dia para shows

19 de dezembro de 2011 1


Promotores, casas e até músicos vão querer me matar, mas pra mim o melhor dia para ver um show é uma segunda-feira chuvosa. É quando só vão os muito interessados, os abnegados pela própria vida, aqueles que têm na música alguma razão. Tá lá fora o tempo desabando, horroroso, água pelas canelas, maquiagem escorrendo, roupa úmida e nego tá é achando pouco.

Pra esses, não existe tempo ruim. O que vale é ir apoiar seu artista, conferir do que ele é feito em cima de um palco, comprovar se ele é merecedor do afeto que se encerra, encontrar outros iguais e compartilhar daquele momento. Seu show é na segunda? E tem chance de acontecer um segundo dilúvio? Não importa, lá estarei.

Porque uma segunda chuvosa não é dia de festinha. E isso de pronto afasta os oportunistas, os baladeiros, gente que só sai de casa pra ver e ser visto, que vai de festa em festa atrás da melhor festa. Como isso? Sei lá, ultimamente só tenho saído de casa às segundas-feiras, mas parece que é assim que rola. E quando pinta uma garoa, o oportunista já se encolhe todo e tasca uma série qualquer pra assistir. Eu faço isso direto, não é uma crítica, mas uma constatação. Temp chuvoso, eu sei bem, é para os fortes. É para o que vale muito a pena.

Por isso que uma segunda chuvosa reúne quase ninguém e ao mesmo tempo todo mundo que importa. Por que se você sai de casa nestas condições, meu amigo, não é pra ficar na beira do palco filmando com o celular ou tirando foto pro Facebook ou conferindo o Twitter ou fazendo check-in no Foursquare ou tentando descontar as suas frustrações num open bar. Você vai porque alguém ali merece muito a sua atenção, que, logo, vai estar toda voltada para ele.

Claro que, se eu fosse músico, ficaria chateado porque foi só meia dúzia no meu show, afinal, meu sonho é abarrotar um estádio. Mas também ficaria feliz por saber que quem está ali, está para me ver tocar e mais nada. Está ali porque foi tocado pela minha música. Claro que isso não paga as contas, mas, pombas, quem vira músico pra ganhar dinheiro?

Feliz Natal pra vocês

16 de dezembro de 2011 0

É mais ou menos isso assim:

E aí? Como o Natal tá rolando com vocês?

Trailer da sexta-feria: "Motoqueiro Fantasma 2"

16 de dezembro de 2011 0


Tenho uma coisa muito clara: Motoqueiro Fantasma (2007) só não é o pior filme com um personagem de quadrinho porque existe Spawn (1997). Mark Steven Johnson, o diretor, conseguiu a proeza de errar tendo em mãos uma caveira em chamas que veste couro e dá borrachões em forma de labaredas.

O fracasso de crítica e público já estava enterrando um novo filme quando apareceram Mark Neveldine e Brian Taylor, os cérebros por trás do inominável Adrenalina (2006) e sua igualmente inominável sequência Adrenalina 2 (2009). A dupla chegou para virar um jogo dado como perdido, já nos acréscimos, com dois a menos e um pênalti a favor do adversário.

Num movimento estranho, levaram as filmagens para o Leste Europeu. Longe da pressão e da patrulha de Hollywood, fizeram o que sabem fazer de melhor: deixar o pau comer. E deram ao Motoqueiro Fantasma o tratamento que ele merece, ou seja, nada menos que uma claque de demônios para enfrentar, porrada a granel, um tanto de vulgaridade, perseguições em alta velocidade e  humor negro.

E Nicolas Cage sendo ele mesmo, ou seja, deliciosamente canastrão.

Morre aí:

Idade do Rock

15 de dezembro de 2011 0


Meu coração não é vermelho. Ele é purpura, zebrado e cheio de glitter. Meu coração é glam e me julguem se quiserem. Por isso, fiquei meio-feliz quando vi o primeiro trailer de Rock of Ages, que é um "estudo" sobre a cena de Los Angeles na segunda metade dos anos 1980. Meio-feliz porque tem toda pinta que vai ser um High School Musical com excesso de Tom Cruise sem camisa (my eyes!).

Mas é também uma oportunidade para revisitar um tempo onde o rock era apenas exagero e curtição e rockstars se portavam como tal. E a trilha sonora, farofíssima, ficará a cargo de Def Leppard, Foreigner, Journey,
Poison e Twisted Sister, quer dizer...

Dá um bico:

À procura da felicidade (numa Kombi)

15 de dezembro de 2011 1


No dia em que completei 18 anos, dei entrada na minha carteira de habilitação. Coisa de um mês depois, estava rodando com o Santanão do meu pai pela cidade. Mas o que eu queria mesmo era uma Kombi. Queria uma Kombi para encher de amigos e sair tocando o terror pelo interior de São Paulo. Com exceção da molecagem e da autoestrada, é o que farão o estudante gaúcho Felipe Costa, 24, e o documentarista Emilio Zagaia, 39, a partir de janeiro próximo.

A dupla vai percorrer a América Latina, a partir da cidade de Tulum, no México, dentro do projeto O Mundo é uma Kombi. O objetivo é documentar o cotidiano dos hermanos em busca da tal da felicidade, durante os primeiros seis meses de 2012. Tudo dentro de uma Kombi modelo Westfalia Camper 1971, pintada de verde e amarelo e já apelidada de Caipirinha.

_ Não queremos sair perguntando pras pessoas o que é felicidade. Vamos registrar o cotidiano da população mais simples das Américas e opor o conceito de FIB (Felicidade Interna Bruta) versus PIB (Produtor Interno Bruto). Será que é preciso desenvolvimento econômico para ser feliz? _ questiona Felipe.

O projeto, como convém a qualquer empreendimento 2.0, é totalmente colaborativo e aberto. Parte dele está saindo de patrocínios, parte via crowdfunding pelo site Catarse. A parte burocrática foi tocada pela namorada de Felipe. Sem contar a hospedagem pelo sistema de couchsurfing, para uma noite de sono um pouco mais confortável.

Para divulgar a empreitada, Felipe e Emilio irão utilizar todas as ferramentas disponíveis. O Mundo é Uma Kombi terá contas atualizadas diariamente no Facebook, Twitter e Flickr. No site da revista Trip, parceria da dupla, um blog reunirá as melhores histórias. E ao final, além do documentário sobre felicidade, uma série mostrando o cotidiano da viagem ganhará edição para internet.

Mais legal ainda é que eles possuem pouco mais do que uma ideia de roteiro. A única orientação certa é a lendária Rodovia Pan-Americana, que vai do norte do Canadá até o sul da Argentina. Por ela, a dupla deverá passar por México, Belize, Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Chile, Paraguai, Argentina, Uruguai e Brasil.

Bem melhor do que rodar pela Anhanguera...