"I say never be complete, I say stop being perfect, I say let... lets evolve, let the chips fall where they may"
Tyler Durden
Me deparei esta semana com o Black Black Black. Banda tão nova que nem o Google quase sabe da existência dela (joga o nome
deles e tente se livrar das referências a Amy Winehouse pra começar...). Vou quebrar o galho e passar o Bandcamp, que libera o disco recém-lançado completo para audição. Eu estou ouvindo sem para há uns três dias e sempre tenho uma opinião diferente _ nunca, no entanto, negativa. É que o BBB é matreiro. E vou tentar explicar a razão.
A banda é um quarteto de Ohio exilado em Nova York que paga tributo a outro quarteto de exilados, o Black Sabbath. Começa pelo roubo óbvio do primeiro nome multiplicado por três e a fonte tungada do Master of Reality, mas segue diluído pela atmosfera soturna, o instrumental pesado puxando pro doom (o baixo marchando à frente, quase sempre) e as letras esotéricas/diabólicas/psicóticas. O BBB celebra o lado escuro da vida bebendo inicialmente dos caras que deram o formato final a isso tudo, mas seu diferencial é não parar por aí. Os Blacks vão cruzando subgêneros e influências que tornam seu disco coerente sem parecer que estão fazendo a mesma música dividida em 12 faixas.
Começa com Pentagram On, faixa que abre o disco depois da vinheta. É puro Queens of the Stone Age com espaço para o baixo comer solito. A seguir, Wisdom, Knowledge & Fucked coloca todo mundo num nave pós-punk direto para a dimensão de Cthulhu. É outra pilha, viagem de 6 minutos, mas ainda estamos dentro da mesma atmosfera, musical e estética. O instrumental vai se dissolvendo até sobrar só a batera.
Light Light Light engana tranquila nos primeiros segundo para rugir em seguida em levada e distorções industriais, interrompidas apenas para os lamentos rápidos do vocalista Jason Alexander Byers _ que canta/declama muito parecido com Jonathan Davis, do Korn. Mishandled Cult Funds segue nessa mesma pegada, alternando espaço entre uma cacetada e outra.
Aí vem Redeath e joga tudo pro hardcore. 1:23 de baixo e guitarras apostando corrida contra a luz _ e ganhando. Acaba e Fever Is Law surge como a visão de uma nuvem de gafanhotos se aproximando, escura e com o único propósito de devorar tudo que encontrar no seu caminho e... erram. Parecem que ficam com medo de avançar no ataque e se atêm ao que já fizeram no bloco anterior. É bom, mas poderia ser melhor. Doom universitário, véi?
Punk noise em Soar Like A Spider para dar uma animada. Imagino que ao vivo, mais acelerada, deve soar tipo um hino para levantar os copos de cerva, beber numa golada e partir pro pogo tipo 1, 2, 3 e VAI! Uma das melhores do disco. Curta e grossa e em três andamentos. Diferente de Lexipro Devil, com guitarronas duelando com pandeiros meia-lua e clima oriental. Mesmo com toda muralha de distorções, dá para distinguir claramente cada instrumento _ mas 5 minutos e meio de arrastar de correntes é muito, BBB...
O fecho é com um solo de bateria _ ok, ok... _ e uma música de amor invertida, Son Of Bad, que consegue inserir melodia quase pop, meio doce até, no meio da motosserra que eles chamam de guitarra e da bateria que mais parece uma prensa hidráulica. Stonerzão pra fechar a conta e botar entre os meus preferidos da estação.
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