
A revista Spin acabou de publicar uma lista com o seus 100 melhores guitarristas de todos os tempos. Ela não traz nenhum deus da guitarra _ essa era, aliás, a intenção dos caras que fizeram a seleção. Nada de Hendrix, de Page, de Clapton. No lugar deles, coajduvantes no mainstream, praticamente desconhecidos do grande público, mas protagonistas da música alternativa. Músicos que fizeram história dentro dos seus nichos, que causaram pequenas revoluções com uma guitarra nas mãos _ sabendo ou não tocá-la...
A lista traz desde heróis do rock alternativo como Ira Kaplan, do Yo La Tengo; gigantes do soul, como Prince; proto-grunges do nível de King Buzzo, do Melvins; um animal do hardcore com Greg Ginn, do Black Flag; e vários representantes do metal extremo, incluíndo o falecido Euronymous, do seminal Mayhem. Até o produtor e amigão da Liege, Steve Albini, entrou _ com méritos _ na dança
Confira a lista completa aqui.
Mas a lista também tem um Q de provocação. Ao lembrar de guitarristas que não são conhecidos como virtuoses de seus instrumentos, a Spin vai além e coloca na mesma seleção dois DJs. Sim, disc jockeis. Como guitarristas. Um deles é o ícone Jam Master Jay, do Run-DMC. O outro, o novo queridinho, Skrillex.
A explicação básica é que esses caras, em algum momento, fizeram ou fazem as vezes de guitarristas. Contribuindo não só musicalmente, mas também no imaginário. São sujeitos que trataram seus toca-discos como instrumentos de fato, fazendo uso criativo deles da mesma forma que guitarristas com suas guitarras.
É uma linha que começa a se tornar cada vez mais fina, principalmente quando se observa a nesga de novas bandas que de fato tem a guitarra no centro do seu processo criativo. Não acharia estranho se, daqui a pouco, pintar uma formação de baixo, bateria de DJ. Ao que parece, não se trata mais de misturar. E sim de substituir.
Será isso, mesmo? Estaria a guitarra destinada a ser um instrumento de nicho, tocada por poucos e ouvida por menos ainda? O precedente aberto pela Spin mostra que algo está acontecendo.




Vou deixar duas respostas, a de roqueiro xiita e a de jornalista:
RX - CLARO QUE NÃO, ESSA LISTA É HORRÍVEL.
Agora a de verdade.
Acho a guitarra um instrumento completo, harmônico e melódico, te possibilita uma infinidade de timbres, de efeitos, de expressões e de fazer barulho. É o principal instrumento musical, sem dúvida alguma, não apenas no Rock. Ela vem perdendo espaço não por obsolescência, mas porque novos estilos que não usam guitarra, ou usam menos, vem surgindo e conseguindo seu espaço. A guitarra tem seu lugar na história e vai continuar tendo. Talvez em uma escala um pouco menor, mas não vai ser peça de museu.
Abração!