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Vá a shows (mas vá sabendo que)

15 de maio de 2012 12

Como eu me sinto quando vejo alguém filmando um show...

Eu e a intercambiando Bruna Amaral publicamos nesta terça-feira, na Zero Hora, o panorama do horror que é assistir a um show de grande porte em Porto Alegre. Parte da matéria está disponível aqui, no site do Segundo Caderno.

Mas ela só aborda questões estruturais, problemas que são de competência ou dos organizadores ou do poder público _ coisas que de fato incomodam todo mundo e têm alguma solução. Mas enquanto trabalhava no meu texto, lembrei de um texto que a amiga e colega Susi Borges publicou e pensei no que me incomodava pessoalmente. O que me faz pensar mais do que duas vezes antes de sair do conforto da minha casa para, além de penar no óbvio, me irritar com outras pequenas situações.

Daí que:

1) "As imagens foram feitas por um cinegrafista amador...": antes eram as câmeras fotográficas. Depois, os celulares. Agora tem gente levando tablet pra show. T-A-B-L-E-T! Chego a ter pena do sujeito no palco, que está tocando para uma plateia que não está sequer assistindo ao show. Esse povo não gosta de show. Esse povo não gosta de música. Esse povo precisa conhecer o Urso Judeu urgentemente.

2) Você é baixinha, mas e o quico?: o pessoal do Judão publicou o texto definitivo sobre garotas que sobem nos ombros dos outros e atrapalham todo mundo. O negócio é tão ridículo que já vi gente fazendo isso no Opinião, tenham dó. Será que esse povo faz isso no teatro também? "Droga, não tô vendo a Fernanda Montenegro direito aqui da última fileira, peraí que vou me empoleirar no meu namorado". Ou na ceia de Natal? "Papai Noel, fica aí que vou te dizer umas verdades bem de pertinho, deixa só eu achar meu marido".

3) Silvio Santos vem aí, laiá, laiá, laiá: frontman metido a animador de auditório, até quando? "Eu quero essa metade da plateia fazendo 'tum' e essa outra fazendo 'pá', vamulá, 'tum' aqui, 'pá' ali, vai, vamu, 'tum', 'pá', 'tum', 'pá', bonito!". Minhas pílulas e um litro de água de bateria, por favor!

4) Bêbado de ocasião: um clássico. Se não aguenta, por que veio? Se veio, aguenta. Mas não me abraça, não me pede cigarro, não fila minha cerveja e, principalmente, não vomita perto de mim. Ou em mim.

5) Dizem que ela existe pra ajudar: não estou dizendo que um evento não deva contar com uma equipe de segurança, mas um terno mal cortado ou um colete escrito "APOIO" nas costas não torna ninguém apto a lidar com o público. Na maioria das vezes, confere autoridade para abuso e violência gratuita. E eu cansei de ver gente sendo arrastada pra fora ou levando pau por nada. Não tenho mais estômago pra isso.

6) #mimimi: "ai, choveu e eu sujei meu Converse com barro", "ai, tinha roda de pogo no show do Metallica", "ai, esse cheiro de fumaça estranha no meu cabelo", "ai, ele não tocou nada do primeiro disco", "ai, me empurraram e pisaram no meu pé". ORLY?

Comentários (12)

  • Caue Fonseca diz: 15 de maio de 2012

    Nem precisa o Urso Judeu. O Panda Indiano já servia.

    http://www.youtube.com/watch?v=XaadkMo-LoQ

  • michele de o ferraz diz: 15 de maio de 2012

    Bah, falou tudo! Exatamente como eu penso.
    às vezes,tenho até pena das pessoas que vão realmente pra assistira ao show, e que sao minoria.
    Penso bem antes de desejar ir a um show por conta disso. Vergonha alheia. imagina o q pensam os artistas?

  • Paulo Serpa Antunes diz: 15 de maio de 2012

    Dando link pro Mais Preza, muito elegante da tua parte Brigatti.

    Já o texto achei meio mal humorado demais pro meu gosto. Será que você também não está de #mimimi?

  • Diego diz: 15 de maio de 2012

    Tem outros tipinhos desprezíveis em shows, aqueles que vão e ficam de costas para o palco conversando com os amigos, normalmente aos gritos, no show do Bob Dylan vi umas gurias num grupo desses gralhando e sendo xingadas por quem estava ao redor e queria ver (e ouvir) o show.

  • Rafael_RS diz: 15 de maio de 2012

    Na boa, é mta reclamação, se a pessoa gosta mesmo de quem está indo ver nada disso vai abalar a felicidade de estar vendo o seu astro preferido.

    Mas uma coisa é certo, essas anãs que sobem nos ombros dos caras e ficam na frente do pessoal que tá atrás é uma bos@#$, já joguei mta garrafa d'água nelas e outra que aconteceu no show do Roger Águas faz pouco tempo foi um doente no meu lado pedindo pra eu parar de gritar pq ia ter os meus gritos na gravação que ele estava fazendo... AIUHSiouh soIUHS OIuaho, pra que né, foi o combustível que eu precisava pra gritar mais alto.

    -Assiste o show rapá! e compra o DVD depois!

    ainda assim o pior de tudo é a falta de preparo das produtoras que não conseguem organizar uma FILA DECENTE, ao invés de encher de bretes de metal, o que não deve encarecer em quase nada os custos deles, deixam todos se degladiando e se espremendo pra entrar, coisa de AMADORES!

  • Felipe diz: 15 de maio de 2012

    Meu,sinceramente,acho que quem ta de mimimi é tu.Esquece os outros e curte teu show!Na real,parece um,pra não dizer outra coisa,almofadinha falando...

  • Bruno diz: 16 de maio de 2012

    Só pra acrescentar outros 2 porres que tinham no show do Pepsi on Stage: o truculento "Ceva, Coca-Cola e Água", que queria transitar sempre pela parte mais lotada do show sem o mínimo de educação e abrindo espaço a força, como se todas aquelas pessoas estivessem lá só pra atrapalhar o trabalho dele; e também aquele povo que chega tarde mas ainda assim quer assistir o show lá da frente, aí utiliza a mesma técnica do vendedor acima pra chegar lá e tem a cara de pau de reclamar se alguém empurra ele, isso quando nao fica pedido licença, como se fosse algo normal eu me espremer ainda mais com outras pessoas só pra deixar o chato passar.

  • Bruna Amaral diz: 16 de maio de 2012

    achei lindo que eu virei "a intercambiando" hahahahha.

    Mas assim, uma curiosidade: em todos os shows que eu fui na Alemanha no ano passado, os marmanjos sempre me deixavam ficar na frente. Em alguns casos, eles viravam pra trás e diziam: "passa pra frente, tu é muito pequena, vai ser esmagada". E lá ficava eu na frente, faceira e sem atrapalhar a visão de ninguém.

    bem que essa prática podia rolar aqui também, né.

  • Adilson Eduardo_RS diz: 17 de maio de 2012

    só para acrescentar, o show do U2 no Estádio de La Plata, próximo a Buenos Aires, ano passado, foi um exemplo de organização e tranquilidade: sem filas ou tumulto para a entrada e a saída, todos os lugares numerados, segurança, sem vendedores com caixas de isopor, lanches de boa qualidade e preços justos, oferecidos em quiosques em área separada do local onde ocorria o show; ponto negativo cito apenas os banheiros, impossíveis sequer de entrar (masculino e feminino), no que pecou a organização; de quem foi ver o mesmo show em São Paulo, ouvi somente comentários negativos e indignados quanto à organização, tumulto, insegurança, etc. - e os preços dos ingressos foram semelhantes!; por aqui, o show do Roger Waters estava um primor de desorganização e tumulto, tanto na entrada quanto na saída, transporte público insuficiente e indecente - aliás, um dos grandes responsáveis pelo caos no trânsito, nos obrigando a utilizar veículos particulares -, lanches (e consequentes preços) de má qualidade; ponto positivo foi, sem dúvida, a apresentação do artista; esperamos que os novos estádios de futebol supram a carência de locais decentes para shows desse porte nesta Capital; faltará somente os produtores e organizadores, juntamente com o poder público - leia-se: transporte público decente e suficiente, além da segurança - igualmente se preocuparem com isso - e não somente com o lucro e a arrecadação a qualquer custo (afastem aquele pensamento de que "pouco importa, vai lotar da mesma forma" - pois estão tratando de seres humanos!); se é que isso é possível...

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