O que quer a Zerodoze? Eu digo que ela quer se divertir. Cristiano Wortmann, André Lacet e Alberto Andrade, no recém-lançado O Peso que Corrói (baixe aqui), se esmeraram em produzir uma seleção de músicas legais, rockões acelerados e tocados com intensidade, daqueles que só podem ser ouvidos castigando os tímpanos. A produção de Ray-Z e Mateus Borges _ que também mixou a bolacha _ também merece destaque: é um alívio conseguir ouvir cada um dos instrumentos ao invés da costumeira maçaroca sonora dos discos de hardrock.
Porque a Zerodoze é hardrock e não foge à luta. Sua cartilha de influências, aliás, está toda na faixa Those Music, onde citam nomes de músicas das bandas onde bebem _ um exercício de descoberta que pode ser interessante também para os neófitos. Têm ainda uns elementos de heavy e thrash _ uma bateria que emula britadeira aqui (Tão Igual), uns riffs mais elaborados acolá (Da Onde Veio, Novo Caminho), linhas de baixo raivosas costurando as melodias (mas se sobressaindo bem em Pequenos Jogos e Black and Gray) e a reabilitação dos solos, aleluia, irmãos!
Então, voltamos a pergunta inicial: o que quer a Zerodoze? Já sabemos que ela quer se divertir, o que faz com vontade e competência. Mas acho que poderia ir além. Ok, AC/DC, Pantera, Iron Maiden, Black Sabbath, Randy Rhoads, Metallica, Black Label Society, sem segredo e nem descanso, mas que tal avançar? Não digo para, do dia pra noite, começar a ouvir tcha tcha tcha e fazer uma dessas fusões bizarras de metal com qualquer coisa. Essa não é a praia da Zerodoze, definitivamente.
Eu diria que, mesmo dentro dos cânones da música pesada, há outros caminhos quando se olha para além dos hits que os tornaram célebres. Iron Maiden não é só Two Minutes to Midnight, Black Sabbath não é só Paranoid, AC/DC fez muito mais do que Back in Black e Highway to Hell. Claro que para o senso comum, que compra CD de best of para não correr o risco de ter que pensar, isso não importa.
Mas quem aqui tá ligando para o senso comum? Não os caras da Zerodoze, tenho certeza, já que dão nítida prova de que conhecem do riscado _ só precisam arriscar mais. Ir além da festa, além do "já ganhou", além do power chord _ que é legal e sempre bem-vindo, claro, mas tem alcance limitado.
Eu me diverti muito com O Peso que Corrói e quero ver eles ao vivo agora. Mas espero ansioso pelo próximo disco.





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