Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts de julho 2012

O verdadeiro retorno do Cavaleiro das Trevas

31 de julho de 2012 0


Em 1986, Frank Miller lançou uma das histórias definitivas do Batman, The Dark Knight Returns. Em formato de minissérie, o título mostra um Bruce Wayne aos 55 anos desconjurado pela sua Gotham City estar virada em criminalidade. Depois de pouco pensar, ele decide que o negócio é vestir o manto do morcego novamente e partir pra porrada. E assim o faz.

No caminho, encontra antigos aliados (Arqueiro Verde, Mulher-Gato, Comissário Gordon), velhos inimigos (Coringa, Duas Caras) e gente nova dos dois lados, como uma garota para chamar de Robin e um brutal líder de gangue para combater. Mas a treta mesmo é com ninguém menos que o Superman _ e eu não vou contar quem vence, porque se tem um gibi que é preciso ler é The Dark Knight Returns. Nem que seja pra criticar o verniz fascitóide do Miller, mas aí já é outra história...

Bom, o lance é que The Dark Knight Returns vai virar um desenho animado lançado direto em DVD e Blu-Ray dividido em duas partes. O trailer da primeira parte acabou de ser divulgado, vejam:

Get More: MTV Shows

Promissor, hein? Mas vamos combinar que fazer uma animação em cima dos trabalhos do Frank Miller é barbada, já que o cara praticamente fornece o storyboard e os diálogos, é só botar os bonequinhos para mexer e alguém para dublar...

O lançamento da primeira parte está marcado para 25 de setembro e a segunda, janeiro de 2013.

A ordem das coisas

30 de julho de 2012 2

O chapa Caue Fonseca foi assistir ao show do Fito Paez em Porto Alegre no último domingo e escreve sobre a importância do disco como álbum. Uma reflexão importante para dias de decadência musical.

Crédito: Félix Zucco

A ordem das coisas

Houve um tempo em que ter uma banda de respeito significava lançar um álbum. Sob capa e nome, apresentar um conjunto de músicas que se comunicam umas com as outras e se complementam. Uma obra que separa algumas faixas para fazer sucesso, outras para convidar parceiros e ídolos para canjas e outras para torturar os fãs mais fiéis com solos e o que mais der na telha, azar de quem ouve.

Mais do que um disco histórico, a turnê de Fito Páez comemorativa aos 20 anos de El Amor Después del Amor resgata um grande barato que se perdeu no labirinto dos ipods poluídos pela falta de amor: o de ouvir todas as músicas concebidas pelo artista e – importante – na sequência em que ele escolheu.

É perceber que os gemidos de Dos Días en La Vida ficam ainda mais divertidos quando ainda reverberam os acordes de El Amor Después del Amor. Que só La Rueda Mágica para te salvar os pulsos depois de Un Vestido y Un Amor e Tumbas de la Gloria. E que encerrar com a música certa fará você cantarolar "a rodar, a rodar mi vida..." praticamente pelo resto da vida.

A moda, felizmente, pegou. Os Titãs passaram por Porto Alegre soprando velinhas pelo trintão Cabeça Dinossauro. Antes deles, em 2011, os gringos do Primal Scream celebraram as duas décadas de Screamadelica. Além dos próprios artistas, bandas cover como a Império da Lã, semana sim, semana não, celebram álbuns clássicos de cabo a rabo na noite roqueira da Capital.

Claro que nem só da previsibilidade vive um show. Fito Páez, no domingo, arrancou lágrimas justamente no momento em que surpreendeu cantarolando Desde que o Samba é Samba naquele portunhol que deixa tudo tão mais bonito.

Mas o grande legado que ele, os Titãs e etc nos deixam de suas recentes passagens por Porto Alegre é a exaltação do conceito de disco. Talvez seja exagero voltarmos a ninar os aparelhos de vinil, mas muito se ganha quando se compreende que um bom álbum é como um livro. E que músicas merecem ser ouvidas assim, como capítulos, uma después da outra.

caue.fonseca@zerohora.com.br

Wilco em tributo

26 de julho de 2012 0


Yankee Hotel Foxtrot
é considerada a obra-prima do Wilco. Tão obra-prima que foi rejeitado pela gravadora original da banda em 2001 e só viu a luz do dia em 2002, por outro selo. Para comemorar sua primeira década de vida, o disco acaba de ganhar uma excelente releitura por diversos grupos, cada um reinterpretando uma das 11 faixas de YHF _ acima, um detalhe da belíssima recriação da capa do clássico.

A gauchada compareceu em peso com Gru, Josephines, The Prom Queen, Foppa, The Sorry Shop e Trend. Baixe essa belezinha aqui no Clube dos Outsiders.

El Mundo de Wander Wildner (nesta quinta, no Opinião)

26 de julho de 2012 0

Crédito: Fernanda Chemale

Por onde andou Wander Wildner nos últimos dois anos? A resposta está em Rodando El Mundo, DVD que o bardo porto-alegrense lança hoje no Opinião (José do Patrocínio, 834).

O disquinho traz o repertório que WW apresenta atualmente em seus espetáculos (incluindo o desta noite), misturando composições de agora e clássicos eternos, na forma de videoclipes, trechos de shows ao vivo, programas de TV e até audioslide.

Tipo:

Destaque para a ponta que o cantor faz em um quadro de humor na TV uruguaia e a emocionante interpretação de Amigo Punk com a participação de Frank Jorge e o gaiteiro nativista Gilberto Monteiro. Em resumo, uma revisão histórica sem saudosismo e cheia de energia e tesão. Como o concerto de logo mais.

A casa abre às 21h e os ingressos na hora custam R$ 30.

"Metallica: A Biografia"

24 de julho de 2012 0

Terminei agora de ler Metallica: A Biografia, de Mick Wall. Já havia, no final de maio, publicado uma nota sobre o livro no Mundo Livro, estimado blog do colega e amigo Cazandré Moreira. Sim, é uma leitura densa e demorada, quase 500 páginas de um texto nada acadêmico e bem pessoal, às vezes íntimo demais _ natural, já que o autor faz parte da extinta linhagem dos jornalistas de rock formanda entre o final da décade de 1970 e início de 1980 que aprendeu o ofício frequentando bastidores e convivendo de perto com as bandas.

Daí que, por um lado, essa promiscuidade permite que Wall mostre um Metallica que pouca gente conhece, em especial Lars Ulrich, seu artíficie e grande responsável por tornar o grupo o maior empreendimento de heavy metal do mundo. O outro lado é o autor se colocando como personagem da história _ principalmente na introdução dos capítulos, quando pontua situações sem nenhuma relação com o que vem a seguir, mas que serve para mostrar que ele esteve lá. Desnecessário, mas não estraga o todo. Metallica: A Biografia é honesto e sério o suficiente para os dois públicos a que se destina: o fã de longa data e o neófito.

O fã de longa data, que acompanha a banda desde a explosão do thrash, talvez _ TALVEZ _ se surpreenda com o fato de que a banda não foi feita para ele. Lars sempre teve em sua cabeça que o Metallica seria a maior banda de rock do mundo custasse o que custasse. Se nesse trajeto eles criassem um gênero e dessem voz para toda uma geração de moleques cabeludos ao redor do globo, ótimo. Mas se tivessem que se maquiar e fazer baladas melosas para se manter no topo, não hesitariam em fazer _ como de fato fizeram. Ir na onda, aproveitar oportunidades, se aliar ao sistema, sempre fez parte do plano. Se tornar referência foi acidente _ um feliz acidente, muito graças a junção de quatro músicos talentosos, não há como negar.

O mais revelador _ pra mim ao menos _ foi descobrir parte do modus operandi de Lars. Mick mostra como o baterista fazia suas "pesquisas de campo" junto das bandas que admirava e de onde poderia tirar alguma coisa para aplicar no Metallica. Primeiro foi o Diamond Head, depois o Guns 'n Roses, o pessoal de Seattle e até o Oasis. Se você estivesse em algum pico de popularidade, pode ter certeza que o nanico dinamarquês estaria nos teus calcanhares, vendo o seu show e depois te pagando uma cerveja. Sem contar o enorme senso de oportunidade que ele possuia: se no começo dos 2000 ele declarou guerra a internet por meio da batalha judical contra o Napster, em 2008 aliou-se a ela para fazer de Death Magnetic um dos discos mais vendidos daquele ano.

Para os neófitos, que como eu conheceram a banda pelo Black Album e depois se aprofundaram (e se assustaram) na discografia pregressa do grupo, é um prazer (re)descobrir a gênese do grupo e de onde veio sua música, os early years na San Francisco Bay e Los Angeles comprando os discos de todas a bandas de NWOBHM que chegassem, o contexto histórico e social em que seus integrantes estavam inseridos, os outros grupos locais e sua ligação com eles.

Essa conexões, aliás, são boa parte do sucesso do Metallica, mostra Mick. Se a banda é o monstro que é hoje, deve muito ao empenho dos primeiros admiradores, que inseriram o grupo no forte mercado de trocas de fitas K7, que popularizou suas músicas. Depois, os empresários que apostaram e deram suporte aos quatro moleques de cabelos ensebados quando ninguém dava a mínima para eles, gravando seus discos a troco de nada e agendando shows em buracos impossíveis. Ou os artists de grande porte _ como o próprio Diamond Head, Ozzy e outros _ que permitiram que o Metallica abrisse seus espetáculos quando ainda eram ilustres desconhecidos.

Metallica: A Biografia só peca mesmo na excessiva reverência a Cliff Burton. O baixista é tido como a alma pura no meio de uma conclave de hereges, o mais sábio, inteligente, honesto, legal, bacana, melhor músico e preferido pelas groupies por ter o maior membro entre os integrantes da banda (é sério!). Diante de um disco ruim ou de uma atitude polêmica, sempre surge a pergunta: "O que Cliff pensaria disso? Cliff teria deixado isso acontecer?". Ao que tudo indica, segundo os próprios integrantes e gente chegada da banda, o baixista ripongo era fortemente inclinado à mudanças e não deveria se opôr aos caminhos que o Metallica seguiu nos anos 1990. Talvez fosse diferente, talvez não. Nunca saberemos, porque Cliff morreu.

E o Metallica continua mais vivo do que nunca.

Banda de desenho animado feita para desenho animado com desenhos animados para animar desenhos animados

20 de julho de 2012 0


Chegou por aqui, por esses dias, uma coletânea dupla do Gorillaz. Num dos disco, as canções. No outro, os clipes. O Gorillaz, vocês sabem, é aquela banda de mentirinha criada pelo Damon Albarn, do Blur, para fazer música de mentirinha. No começo foi legal, mas como toda farsa, foi difícil continuar. Por fim, a banda lançou um CD feito com iPad e encerrou suas atividades _ pelo menos até este final de semana, não respirem aliviados assim tão rápido.

Fato é que isso me motivou a relembrar outras bandas fictícias _ todas bem superiores ao Gorillaz (o que não chega a ser um mérito, vamos combinar). Eu lembrei dessas, se vocês souberem de outras, mandem bala na caixa de comentários.

OS IMPOSSÍVEIS

Um trio de rock sessentista que tocava iê-iê-iê quando não estava tentando salvar o mundo de algum cientista louco, um robô descontrolado ou alienígenas. Criado pelos estúdios Hanna-Barbera em 1966, teve apenas 36 episódios, todos veiculados no Brasil por várias emissoras ao longo das décadas seguintes.

TUTUBARÃO

Criado pela Hanna-Barbera no final da década de 1970, o desenho trazia o personagem do título _ um tubarão bobalhão _ nas baquetas da banda The Neptunes, marcando o ritmo para um guri no cello, uma esquisitinha nos teclados, o galã na guitarra e uma gatinha no pandeiro meia-lua.

JEM

Os anos 80 inteiros não são tão anos 80 quanto Jem. O desenho da Hasbro trazia a protagonista e sua banda, As Hologramas, vivendo aventuras cheias de neon e glitter em uma realidade multicolorida _ que era o nossa, só que numa versão glam. Havia ainda um grupo rival, As Desajustadas, que viviam para atrapalha os planos de Jem de tornar o mundo um lugar melhor. Não tenho dúvida de que o visual da garotas era inspirado nas bandas de hardrock farofa da época.

CHUCK ROCK

Ok, não é um desenho animado, mas concordem com o quão fodástica é essa canção tema, feita toda em MIDI, para o igualmente fodástico game do Chuck Rock. Olha a classe da banda: um dinossauro na guitarra base, uma gatinha no baixo (que ainda opera os teclados), uma maluco na batera e nosso herói na guitarra solo. Vê se não dá de relho no Gorillaz? Ouçam inteira, vale a pena.

DETHKLOK

Banda formada para o desenho animado Metalocalypse, acabou ganhando vida própria, gravando discos e saindo em turnês. Na série animada, Nathan Explosion, Skwisgaar Skwigelf, Toki Wartooth, William Murderface e Pickles vivem os maiores _ os maiores mesmo _ absurdos como a maior banda de metal extremo do mundo. Vale cada minuto.

Madrid estreia em Porto Alegre sábado, no Beco

19 de julho de 2012 0

Crédito: Miro

Na segunda metade dos anos 2000, Adriano Cintra era o pilar musical de uma pequena revolução chamada Cansei de Ser Sexy (depois CSS), abrindo as portas (e os olhos e ouvidos) do mercado internacional para a nova música indie brasileira. Fervendo sob a mesma luz estroboscópica estava Marina Vello, vocalista e alma do Bonde do Rolê. Mas aí eles cansaram do rolê. E em 2012, a dupla forma o Madrid, projeto que não poderia ser mais distante de suas antigas bandas e que estreia neste final de semana em Porto Alegre.

E não tem muito mistério: a banda começou a ser desenhada no final de 2011, quando Adriano largou o CSS e Marina estava à deriva em Londres, onde mora. Sem compromisso, gravaram algumas demos e viram que tinham afinidade. No começo deste ano o negócio tomou corpo e em março o disco estava pronto _ e, desde a última segunda-feira, pode ser baixado no iTunes.
Sombrio e melancólico, composto basicamente sobre violão e piano, o Madrid pode ser tomado como a declaração de que aquela festa de gosto duvidoso acabou para Adriano e Marina. E eles não se arrependem nem um pouco.

_ Encontrei a minha voz e pela primeira vez estou fazendo o som que sempre quis fazer _ diz a cantora, garantindo que versos como "Na hora do piriri / Cai ni min ô travesti" são coisa de um passado remotíssimo.

Portanto, para quem for ao Beco (Independência, 936) neste sábado ver o duo, a coluna avisa que está liberado bater o pezinho e aplaudir _ porque, sim, a música é muito boa _, mas não dançar _ porque, não, a música não é para dançar. Os ingressos na hora custam R$ 30.

Os nazistas lunáticos de "Iron Sky"

17 de julho de 2012 0


Se os nazistas não tivessem realmente existido, alguém os teria inventado. E, por favor, não interpretem errado essa frase. Estou falando no estrito sentido figurado da coisa. No sentido de serem os personagens perfeitos para qualquer situação, as mais absurdas. E no caso de Iron Sky... bom, me acompanhem.

No final da Segunda Guerra Mundial, com Hitler morto e a Alemanha prestes a tomar um tufo dos aliados, um grupo de nazistas decide se refugiar na Lua. Mais precisamente no Lado Escuro da Lua. Daí eles ficam lá até que, em 2018, uma missão da Terra pousa no satélite e dá a eles a oportunidade que tanto esperavam: invadir e conquistar a Terra!

Me diz: tem como um roteiro maravilhoso desses dar errado? Entenda, não existe nada impossível depois que você coloca uma base nazista na Lua construída com aquela visual dieselpunk maneiro, repleta de nazistóides caricatos planejando meter bala no Planeta Água com a Götterdämmerung, uma espaçonave do tamanho do Texas movida a iPhone e amparada por uma esquadra de zepelins que arremessam rochas lunares nos inimigos.

Tem, claro que tem.

Tem quando o diretor Timo Vuorensola (ninguém, não precisa procurar), que estava há SEIS ANOS tentando terminar essa pérola (a.k.a passando o chapéu), decide que pode dar um verniz ainda mais fanfarrão a sua obra apelando para aquele humor escrachado _ mas cheio de "verdades politicamente incorretas"_ que a gente gostava de ver em Corra Que a Polícia Vem Aí e Duro de Espiar.

Só que Vuorensola não tem um Leslie Nielsen na manga e tampouco noção de timing. Ele bota a Sarah Palin como presidente dos EUA se aliando aos nazis invasores para ajudá-la em sua campanha de reeleição _ que estava fracassando porque seu antigo slogan "Um negro na Lua? Yes, We Can" não surtira o efeito desejado, já que o astronauta negro enviado à rocha nunca retornou. Ele, na verdade, é feito prisioneiro e tornado branco por um cientista nazista lunático *risos*.

Mas daí que o jogo vira e os nazistas começam a invasão, destruindo Nova York (zzzzZZZZzzz). Sarah Palin vai até a ONU e bota sua marqueteira _ que já tivera seu momento no filme ao emular a cena do bunker de A Queda! (zzzzZZZzzzx2) _ num destroier espacial chamado George W. Bush (zzzZZZZzzzzzx89).

Enquanto o pau tora no espaço, na ONU os representantes dos outros países ficam prostitutos da cara porque os EUA mentiram sobre o que foram fazer na Lua: eles queriam um tal de Helium 3, um minério capaz de manter o país independente de energia por milanos. Daí começam a trocar sopapos e, bom, daí termina.

Em resumo, piadas velhas _ velhas do tipo comparar depilação íntima feminina com o bigode de Hitler, hihihi _ e saídas fáceis e bobalhonas para onde sequer deveria ter sido aberta uma entrada. Atuações inexistente. Falta de rumo. Falta de grana. Falta de alguém que obrigasse os caras a pararem no excelente teaser:

No fim das contas, pelo menos uma coisa se salva: Julia Dietze (ninguém, mas QUEM AQUI, A ESSA ALTURA, TÁ LIGANDO PRA CREDENCIAL, MEU AMIGO?)

Semana do rock: ZERODOZE

13 de julho de 2012 5

Crédito: Daniel Lacet

O que quer a Zerodoze? Eu digo que ela quer se divertir. Cristiano Wortmann, André Lacet e Alberto Andrade, no recém-lançado O Peso que Corrói (baixe aqui), se esmeraram em produzir uma seleção de músicas legais, rockões acelerados e tocados com intensidade, daqueles que só podem ser ouvidos castigando os tímpanos. A produção de  Ray-Z e Mateus Borges _ que também mixou a bolacha _ também merece destaque: é um alívio conseguir ouvir cada um dos instrumentos ao invés da costumeira maçaroca sonora dos discos de hardrock.

Porque a Zerodoze é hardrock e não foge à luta. Sua cartilha de influências, aliás, está toda na faixa Those Music, onde citam nomes de músicas das bandas onde bebem _ um exercício de descoberta que pode ser interessante também para os neófitos. Têm ainda uns elementos de heavy e thrash _ uma bateria que emula britadeira aqui (Tão Igual), uns riffs mais elaborados acolá (Da Onde Veio, Novo Caminho), linhas de baixo raivosas costurando as melodias (mas se sobressaindo bem em Pequenos Jogos e Black and Gray) e a reabilitação dos solos, aleluia, irmãos!

Então, voltamos a pergunta inicial: o que quer a Zerodoze? Já sabemos que ela quer se divertir, o que faz com vontade e competência. Mas acho que poderia ir além. Ok, AC/DC, Pantera, Iron Maiden, Black Sabbath, Randy Rhoads, Metallica, Black Label Society, sem segredo e nem descanso, mas que tal avançar? Não digo para, do dia pra noite, começar a ouvir tcha tcha tcha e fazer uma dessas fusões bizarras de metal com qualquer coisa. Essa não é a praia da Zerodoze, definitivamente.

Eu diria que, mesmo dentro dos cânones da música pesada, há outros caminhos quando se olha para além dos hits que os tornaram célebres. Iron Maiden não é só Two Minutes to Midnight, Black Sabbath não é só Paranoid, AC/DC fez muito mais do que Back in Black e Highway to Hell. Claro que para o senso comum, que compra CD de best of para não correr o risco de ter que pensar, isso não importa.

Mas quem aqui tá ligando para o senso comum? Não os caras da Zerodoze, tenho certeza, já que dão nítida prova de que conhecem do riscado _ só precisam arriscar mais. Ir além da festa, além do "já ganhou", além do power chord _ que é legal e sempre bem-vindo, claro, mas tem alcance limitado.

Eu me diverti muito com O Peso que Corrói e quero ver eles ao vivo agora. Mas espero ansioso pelo próximo disco.

Semana do rock: AGENDA

12 de julho de 2012 0

A banda A Place to Bury Strangers, que toca hoje no Beco

O final de semana do rock começa nesta quinta-feira em Porto Alegre. Stay tunned.

QUINTA

O QUE: Locomotores
QUE HORAS: a partir das 19h
ONDE É: La Estación Pub (Miguel Tostes, 941)
QUANTO CUSTA: R$ 10

O QUE: GIG ROCK
QUE HORAS: a partir das 22h
QUEM TOCA: A Place to Bury Strangers, Lautmusik e Cartolas
ONDE É: Beco (Independência, 936)
QUANTO CUSTA: R$ 50 na hora

SEXTA

O QUE: Pata de Elefante
QUE HORAS: a partir das 19h
ONDE É: La Estación Pub (Miguel Tostes, 941)
QUANTO CUSTA: R$ 25 na hora

O QUE: Festival Marquise 51
QUEM TOCA: Replicantes, Walverdes e Guff
QUE HORAS: a partir das 22h
ONDE É: Carlitus Bar (Getúlio Vargas, 94)
QUANTO CUSTA: R$ 25 na hora

O QUE: Trio Elétrico do Rock
QUEM TOCA: Acústicos & Valvulados
QUE HORAS: das 20h às 21h
ONDE É: Na João Alfredo, entre a República e Loureiro da Silva
QUANTO: gratuito

O QUE: GIG ROCK
QUE HORAS: a partir das 22h
QUEM TOCA: The Virgins e Identidade
ONDE É: Beco (Independência, 936)
QUANTO CUSTA: R$ 60 na hora

O QUE: Rock n’ Bira Open Bar
QUE HORAS: a partir das 22h
QUEM TOCA: Led Zeppelin, Nirvana, Aerosmith e Strokes (preciso dizer que é cover?)
ONDE É: Opinião (José do Patrocínio, 834)
QUANTO CUSTA: R$ 45 na hora

O QUE: Dia Mundial do Rock Super Jam
QUE HORAS: a partir das 22h
QUEM TOCA: os instrumentos ficarão a disposição de quem quiser se arriscar
ONDE É: Eclipse Bar (José do Patrocínio, 1.240)
QUANTO CUSTA: R$ 10

O QUE: Rasen Rock
QUE HORAS: a partir das 22h
QUEM TOCA: Badhoneys, Campbell Trio, Atraque e Stella Can
ONDE É: Dhomba (Lima e Silva, 1.037)
QUANTO CUSTA: R$ 20 na hora

SÁBADO

O QUE: Xalaman
QUE HORAS: a partir das 22h
ONDE É: Eclipse Bar (José do Patrocínio, 1.240)
QUANTO CUSTA: R$ 15 na hora

O QUE: GIG ROCK
QUE HORAS: a partir das 22h
QUEM TOCA: The Whip
ONDE É: Beco (Independência, 936)
QUANTO CUSTA: R$ 50 na hora

DOMINGO

O QUE: Punch Drunk Discos Apresenta
QUE HORAS: a partir das 17h
QUEM TOCA: Golden Jivers, Virruskorrosivos, Devil Evil e Podias Erpior
ONDE É: Entre Bar (José do Patrocínio, 340)
QUANTO CUSTA: R$ 10

O QUE: Metal Jam
QUE HORAS: a partir das 17h30min
QUEM TOCA: quem estiver no barato, é só chegar e descer o braço
ONDE É: Mezanino da Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 736)
QUANTO CUSTA: gratuito