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Nova busca - outros

Onde vivem os monstros (na garagem)

25 de maio de 2012 0

Foto: Gustavo Foppa

Estão vendo essa molecada aí em cima? Eles são Kim (baixo), Tai (bateria), Neno e Nick (guitarras e vocais), todos na faixa dos
16 anos e integrantes da Garage Monsters, banda da novíssima geração de portoalegrenses que curtem beber em fontes antigas para produzir música moderna.

Uma ouvida no primeiro single deles, Twenty Three, é o suficiente para botar na lista de apostas. Velvet Underground, pós-punk, vocal debochado e muita atitude.

Dá um bico:


A jaqueta de tachinhas do Michael Jackson

24 de maio de 2012 2

Na infinita lista de desejos da minha infância, o primeiro item foi, por muito tempo, uma jaqueta preta coberta de tachinhas. Não porque eu passasse frio _ inverno em Americana é um estado de espírito, nunca uma condição climática, acreditem _, mas por representar tudo o que havia de mais legal no meu mundo até então: Michael Jackson.

Lembrei disso enquanto fazia a capa desta quinta-feira do Segundo Caderno, sobre um grupo norte-americano que paga tribo ao rei do pop com o projeto Who's Bad. Ao mesmo tempo, descobri que Bad completa 25 anos este ano. Vinte e cinco anos! Bad foi o primeiro disco do Michael Jackson que eu tive. Na verdade, uma fita, que ganhei do cabeleireiro aos 8 ou 9 anos se prometesse ficar quieto enquanto ele me escalpelava em formato de tigela.

Ouvi aquela fita até ela literalmente estourar. Eu e todo mundo em casa _ uma casa onde o que predominava era o sertanejo e um ou outro Roberto Carlos, vejam bem. Ninguém se opunha, mas também não fazia questão. E Michael naquela jaqueta preta de tachinhas dançando num metrô durante o Fantástico era o meu green card para um outro mundo. Um mundo bem mais legal que o meu, sem dúvida.

Sei que muita gente quando criança sonha o sonho do rockstar, guitarra, palco e tudo mais. Eu, não. Eu queria dançar igual ao Michael Jackson. Queria me vestir igual a ele _ com exceção das luvas de brilhantes, que eu naquela época já achava um pouco demais. Mas a jaqueta de couro preta com tachinhas, meu amigo, aquilo era o fino da bossa. Bem melhor que os meus moletons e agasalhos com estampas coloridas, pra começar.

E havia a música também, prova incontestável da genialidade de Michael. Quantas pessoas conseguem criar uma música que se comunica, sem facilitador algum, com um capiau incrustrado num rincão do terceiro mundo? Eu podia não entender as letras, mas sabia o que estava rolando ali. Sentia aquela vibração fazendo sentido em todos os meus 27kg de pele e ossos. Uma relação puramente sinestésica.

O Humberto Gessinger, no seu novo livro Nas Entrelinhas do Horizonte, diz que deixamos de e voltamos a ser crianças em vários momentos da nossa vida. E uma das vezes em que deixei de ser criança foi justamente quando fui zoado exaustivamente numa festinha enquanto tentava imitar os passos do MJ. Esta semana, ouvindo Bad de novo, do começo ao fim, voltei a ser criança.

E pela primeira vez em muito tempo, gostei desse retorno. Mas sem a mesma vontade pela jaqueta. Na boa, ela envelheceu mal pacas. A música, no entanto, continua me fazendo bem.

O que você pode aprender com Morrissey

22 de maio de 2012 1


Hoje é aniversário de Steven Patrick Morrissey. O frontman dos Smiths e maior inglês vivo completa 53 anos com poucas máculas em seu currículo e uma batelada de bons conselhos distribuídos em sua centena de letras. Para ajudar você que anda perdido por aí, o Remix reuniu algumas dicas do Morrissey lifestyle.

Leia e aprenda:

1) Sempre dá para piorar

I was driving my car
I crashed and broke my spine
So yes, there are things worse in life than
Never being someone's sweetie
(That's How People Grow Up)

2) Evite interpretar seus sonhos

There's a naked man standing, laughing in your dreams
You know who it is
But you don't like what it means
(All You Need is Me)

3) Se estiver numa pior... esteja numa pior!

So
The choice I have made
May seem strange to you
But who asked you, anyway?
It's my life
To wreck
My own way
(Alma Matters)

4) Saiba quem são seus amigos

There is a place
Reserved
For me and my friends
And when we go
We all will go
So you see
I'm never alone
(There's A Place In Hell For Me And My Friends)

5) Dar o braço a torcer é para os fracos

It's all a game
Existence is only a game
And I'm not sorry for
For the things I've done
And I'm not looking for just anyone
(I'm Not Sorry)

6) Tenha alguma noção de culinária alternativa

In America
It brought you the hamburger
Well America
You know where
You can shove your hamburger
(America Is Not The World)

7) Conserve seus aparelhos eletrônicos longe de altas temperaturas

And now I know how Joan of Arc felt
Now I know how Joan of Arc felt
As the flames rose to her roman nose
And her walkman started to melt
(Bigmouth Strikes Again)

8) Tome cuidado no trânsito

And if a double decker bus
Crashes into us
To died by your side
It's such a heavenly way to die
And if a ten ton truck
Kills the both of us
To died by your side
Well, the pleasure and the privilege is mine
(There Is A Light That Never Goes Out)

Solomon morreu!

17 de maio de 2012 0

Enquanto os Damn Laser Vampires hibernam, o morcego chefe Ron Selistre trabalha solitário no projeto Solomon Death. Até agora são cinco faixas, liberadas discretamente no SoundCloud do músico, mostrando que a pegada continua sendo a de filme de terror antigo. Tudo com a classe e o cuidado de sempre. Tem até a arrepiante The Roads, trilha instrumental feita especialmente para o Fantaspoa (que vai até este domingo, não perde!).

Dá um bico:

A cor do som é laranja

16 de maio de 2012 0

Crédito: Cristiano Storniolo

O truta Homero Pivotto Jr. entrevistou os caras do Agent Orange, banda californiana que tocou em Porto Alegre no último dia 30. Segue o papo animadaço entre eles:

O Agent Orange é daqueles grupos frequentemente ligadas à cultura do skate, seja pela sonoridade empolgante ou pelo fato de ter nascido no berço do esporte, a Califórnia. E, ao contrário de informações que circulam pelo mundo online, não renega essa relação. Segundo Mike Palm (vocalista, guitarrista e único membro da formação original), o rumor de que ele e seus companheiros não gostam de skate _ a afirmação está no verbete em português sobre a banda no Wikipedia _ é uma falácia.

Conforme o simpático músico, mesmo antes de iniciar o Agent Orange, no fim da década de 70, ele já era um adepto do esporte que tem como base o hoje famoso "carrinho". Foi, inclusive, em um período de má sorte com a prancha de madeira e seus equipamentos que a música apareceu como alternativa para canalizar a disposição do então jovem rapaz. Passados mais de 30 anos, tocar virou profissão e o skate um hobby, assim como o surf. Pode-se dizer que são atividades complementares, pois uma acaba, seguidamente, influenciando a outra.

A mais recente passagem do Agent Orange por Porto Alegre, dia 30 de abril, foi justamente para uma atividade que juntou a música com a rapaziada que curte se equilibrar no shape. Os californianos de Orange County vieram à Capital animar a festa de encerramento do Sweel Old Is Cool _ tradicional competição de skate. Ao vivo, a explosão sonora resultante da combinação entre punk rock e surf music _ marca registrada da banda norte-americana _ parece ainda mais vigorosa que nos discos. Que, aliás, não são muitos.

Mesmo com mais de três décadas de história, o trio _ atualmente formado por Perry Giordano (baixo) e Dave Klein (bateria), além de Mike _ não tem uma produção muito prolífica. Fora EPs, regravações e compilações, o Agent Orange conta com basicamente três álbuns de estúdio: Living In Darkness (1981), This Is The Voice (1986) e Virtually Indestructible (1996). O que já é suficiente para garantir clássicos como Everything Turns Grey, Say It Isn't True, Fire in the Rain, Voices in the Night, No Such Thing e Bloodstains.

Sorridente e solícito, Mike concedeu uma descontraída entrevista. Acompanhado dos dois colegas _ que participaram mais como espectadores do que como protagonista do bate-papo _, ele falou, entre outros assuntos, sobre a cena musical californiana no passado, o gosto por continuar na ativa e os rumos do punk rock.

Não é primeira vez que o Agent Orange toca em Porto Alegre. Quais lembranças vocês têm de Porto Alegre?
Mike Palm _ Hum... muitas garotas, bons cafés...

Você gosta de café?

Mike Palm _ Claro!

Muito ou pouco?
Mike Palm _ Pouco. Ele gosta muito (aponta para Perry Giordano)
Perry Giordano _ Sim, eu gosto bastante.

E você, Dave?
Dave Klein _ Eu gosto de chá.
Mike Palm _ Você está demitido, Dave! (risos).

Vocês gostam de tocar em lugares pequenos (o Dhomba, local do show em Porto Alegre, tem capacidade para cerca de 250 pessoas no espaço onde ocorrem os shows).
Mike Palm _ Sim! Nós gostamos de tocar em todos os lugares e isso é algo muito bacana. Não sinto que muitas outras bandas façam isso. Gostamos de tocar em lugares nos quais curtiríamos assistir a um show. Tocamos em um grande festival nos Estados Unidos e, no outro dia, nos apresentamos no menor clube de Orange County. Todos os nossos amigos próximos vão... Sinto-me sortudo de poder fazer isso. Há clubes divertidos, nos quais as pessoas adoram ir e celebrar, mesmo não sendo os maiores e mais legais. São locais com boas vibrações, nos quais o pessoal adora ir festejar. Esses são definitivamente lugares onde curtimos tocar. Claro que também continuamos gostando de shows grandes. Tentamos fazer isso tanto quanto conseguimos. Talvez isso surpreenda os fãs, o que é sempre bom.

E em cidades de menor porte?
Mike _ Muitas vezes, é legal tocar em locais fora do circuito ao invés de grandes cidades, sabe? Até onde sei, fomos uma das primeiras bandas a tocar em Yuma, no Arizona. E quem sabe a última (risos)! Foi um ótimo show! Outro bom exemplo é Juneau, no Alaska. Você só pode chegar lá de avião ou barco. Esse é outro pequeno lugar obscuro por onde passamos. E foi realmente bom!

A banda começou no fim os anos 70. Desde então, vocês sempre misturaram a urgência do punk rock com a energia da surf music. Por que decidiram juntar esses dois estilos em suas músicas?
Mike Palm _ Tem muito a ver com o lugar de onde viemos, no sul da Califórnia. Meu irmão trabalhava em uma fábrica de guitarras da Fender nos anos 60, e meu primo tocava baixo em uma conhecida banda de surf music da época, chamada The Original Surfaris. Então, isso foi parte da nossa realidade. Era como nossa própria música popular, algo muito próximo da gente. Parecia algo natural essa mistura. Por exemplo, as bandas originais de surf music instrumental não eram formadas por ótimos músicos. Os caras estavam nessa pelo som, por um determinado tipo de som. Só que eles não tinham muito conhecimento ou habilidade para fazerem esse som. Mas entraram nessa mesmo assim, tentando obter o tom certo de guitarra, a batida ideal de bateria. Se Chicago é a terra do blues e New Orleans do jazz, o sul da Califórnia é o lugar da surf music. E essa sonoridade é única e especial. A energia do punk rock e da surf music são similares. Isso está impregnado em nós.

Como é olhar para trás e perceber que vocês foram um dos primeiros a misturar dois estilos distintos? Hoje em dia, fundir tipos de música diferentes, é comum. Mas, naquele tempo, não.
Mike Palm _ Misturas são comuns agora. Mas acho que se você pensar, muitos músicos fazem isso. Eles colocam duas de suas influências, ou mais, juntas. Acredito que todos absorvem e escolhem elementos de diferentes gêneros musicais que funcionam para eles. A surf music dos anos 60 era deixada de lado e o punk rock estava realmente pegando o ritmo, as pessoas estavam interessadas. Então, foi um tempo perfeito para essa fusão. São coisas que simplesmente acontecem, você não pode planejar.

E quais foram os artistas que inspiraram o Agent Orange?
Mike Palm _ Tudo do Neal Hefti (autor da clássica trilha sonora do Batman), as primeiras bandas de surf music - o The Lively Ones foi uma grande influência -, e conjuntos de surf de Orange County. Punk rock, obviamente, também foi uma referência. As bandas antigas de Los Angeles, como The Weirdos, The Controllers, The Skulls, The Dickies, The Germs, The Alley Cats, The Avengers _ uma ótima banda de San Francisco com a qual tocaremos em breve no festival Punk Rock Bowling, em Las Vegas. Nunca os vi tocar e eles foram grande influência para mim. Tem também o The Mechanics, de Fullerton (CA). Eles nunca fizeram sucesso, mas definitivamente nos influenciaram. Todas as bandas de punk rock de Orange County , como Social Distortion e Adolescents também.

Membros de outras bandas legais de punk rock de Orange County já passaram pelo Agent Orange. Gente que também tocou com Social Distortion, Adolescents... Qual a relação de vocês com esses grupos? São amigos? Tocam juntos? Fazem festa juntos?
Mike Palm _ Algumas vezes. O que estou dizendo que é que algumas bandas, em função de seus empresários ou de outras pessoas, são aconselhadas a não tocarem juntas.

Como assim?
Mike Palm _ Não sei. Pergunte ao Mike Ness (vocalista e guitarrista do Social Distortion) (risos)! Mas há outras bandas, como o D.I, por exemplo, com quem fazemos vários shows juntos. Há ainda o Adolescents, que são bem próximos da gente. Fizemos algumas apresentações com o Bad Religion. Eles são nossos amigos, mas não tocamos com frequência juntos. Trabalhar com amigos é sempre muito bom. Isso não acontece o tempo todo, mas, quando rola, é especial.

Quais são suas lembranças da cena punk rock californiana do começo dos anos 80, quando havia boas bandas criando sua própria identidade dentro do estilo? Vocês acreditam que, hoje em dia, as bandas se preocupam em soar diferentes e originais umas das outras?
Mike Palm _ Acho que lá no começo todos tinham mais liberdade de fazer como achassem melhor. Não era algo triste, do tipo "se você está em uma banda punk tem de ser assim, se vestir de tal jeito e tocar determinado tipo de guitarra". Não havia regras. A única regra era ter a mente completamente aberta para qualquer coisa. Tentar ser o mais diferente e chocante possível. Isso era bom e saudável para a cena. Logo na sequência, todos tinham a mesma jaqueta preta de couro, tocavam os mesmo três acordes. Foi legal, de uma certa maneira, pois deu uma identidade ao estilo. Mas, talvez, fosse mais interessante no começo. Havia mais variedade e tipos diferentes de música. Era um tempo de mais experimentações.

No release que consta em seu Myspace (myspace.com/agentorange) está escrito: "Never bought in, never sould out. Blazed a musical trail so wide that imitators had no trouble driving right up the middle of it in an armored truck full of major label cash (em tradução livre: Nunca foi comprada, nunca se vendeu. Abriu um caminho tão amplo que os imitadores não tiverem problemas de andar bem no meio dele com um caminhão blindado cheio de dinheiro de grandes gravadoras). O que esse trecho realmente significa?
Mike Palm _ É duro abrir um caminho, porque você é o único que realmente faz o trabalho pesado, limpa a estrada e faz as coisas darem certo. Então, outras bandas que apareceram depois, imitando seu estilo, passam com um grande caminhão cheio de dinheiro bem no meio dessa estrada que você fez. Até mesmo os Ramones... Eles eram ligados. Eles não tinham o mesmo sucesso de muitas das bandas mais novas que vieram depois, como o Green Day. Os Ramones trabalharam duro para ser, não necessariamente mainstream, mas ao menos aceitos ao ponto de eles poderem ter uma carreira de sucesso. E eu acho que eles sentiram que foram pouco valorizados, e no final eu creio que eles superaram isso, sabe? Eu acho que é difícil ser abrir um caminho. Você faz isso e, então, só assiste todos os outros meio que assumindo o controle a partir de onde você parou. Eu não disse que tudo que eu queria fazer era dinheiro. Quero dizer, ainda estamos aqui, no Brasil, fazendo essa entrevista. Significa muito para mim continuar tocando, ter fãs tão leais. Eu não me importaria com o caminhão de dinheiro, já que as outras coisas que ganhamos por ter uma banda por tanto tempo me mantém interessado e na estrada. Outra coisa é que, desde que estamos na ativa, eu sempre vi isso como algo que não deve ser jogado fora. Eu meio que me importo. Talvez por isso que algumas bandas não duram muito. Para mim, a recompensa é quando alguém fala comigo e diz "eu vi vocês a primeira vez que vieram para o Brasil". É tão legal ver que as pessoas estavam lá, que lembram. E isso não acontece se você desistir.
A indústria da música é diferente agora também. Mesmo há vinte anos, ou há cinco anos... Quer dizer... Está evoluindo muito rápido! Alguns selos apenas agarram os artistas, cospem na sua boca e passam para a próxima coisa. Não é uma questão de longevidade com as bandas, com as gravadoras ou nada do tipo. Então, é muito 'faça você mesmo' agora também, sabe? Têm tantas bandas que muitas pessoas amam e, então, dois anos depois, eles não conseguem nem lembrar daquela banda, por que os integrantes desistiram. Não tenho certeza, mas acredito que sejamos uma das bandas punks mais antigas que existem por aí em atividade.

O Agent Orange é frequentemente associado à cultura do skate. Porém, existem boatos de que vocês não gostam dessa relação. É verdade?
Mike - Isso é desinformação! É o lado ruim da Internet: nem tudo é verdade! É coisa da Wikipédia, onde qualquer pessoa pode colocar o que quiser. Algum idiota postou isso lá e algumas pessoas acreditaram. A verdade é que eu andava de skate anos antes de começar a banda. Era fazendo isso que eu gastava a maior parte do meu tempo. Meu foco era realmente o skate quando montei a banda. Foi algo que aconteceu quando todos os meus skates quebraram, que minhas rodas estragaram, meus rolamentos estouraram... Ao mesmo tempo, eu consegui uma guitarra decente e um bom amplificador. Foi uma espécie de transição. O skate é algo que sempre esteve muito próximo a mim. A energia do skate, ou mesmo do surf e outros esportes de ação, e do punk rock se encaixam.

Seu último trabalho de estúdio é o single This House is Haunted/Whistling Past the Graveyard (2010). Por que tanto tempo para lançar material novo _ o registro anterior foi Virtually Indestructible (1996)? Há planos para um novo registro ou vocês estão bem ocupados com turnês?
Mike _ Estamos bem ocupados com turnês, mas acharemos tempo para fazer um disco novo. É bom surpreender as pessoas. Se esperarmos tempo suficiente todos ficarão surpresos quando algo novo do Agent Orange acerta-lhes bem no meio cara. Será quando você menos esperar! (Mike brinca fazendo referência ao EP When You Least Expect It, de 1984). Não estamos aqui para fazer alguma gravadora feliz. Quando colocarmos algo novo na praça será porque temos algumas boas músicas novas que queremos que as pessoas escutem. Tudo gira em torno da música... turnês, gravações. Essa é prioridade número um. Deixamos a música escolher.

Vocês gostam de estar na estrada?
Mike _ Bem, viajar é difícil. Não me entenda mal, mas não é férias, sabe? Eu gosto de estar em casa, no conforto do meu lar, com meu cachorro e minha prancha de surf. Fazer turnês é um trabalho duro. Mesmo assim adoramos estar na estrada!

Quando Morrissey encontrou o Mayhem

15 de maio de 2012 0

Pelo menos numa estampa de camiseta, Morrissey e Mayhem até que combinam bem, diz aí?

A peita tá a venda aqui, na Sex & Death por US$ 15.

Vá a shows (mas vá sabendo que)

15 de maio de 2012 12

Como eu me sinto quando vejo alguém filmando um show...

Eu e a intercambiando Bruna Amaral publicamos nesta terça-feira, na Zero Hora, o panorama do horror que é assistir a um show de grande porte em Porto Alegre. Parte da matéria está disponível aqui, no site do Segundo Caderno.

Mas ela só aborda questões estruturais, problemas que são de competência ou dos organizadores ou do poder público _ coisas que de fato incomodam todo mundo e têm alguma solução. Mas enquanto trabalhava no meu texto, lembrei de um texto que a amiga e colega Susi Borges publicou e pensei no que me incomodava pessoalmente. O que me faz pensar mais do que duas vezes antes de sair do conforto da minha casa para, além de penar no óbvio, me irritar com outras pequenas situações.

Daí que:

1) "As imagens foram feitas por um cinegrafista amador...": antes eram as câmeras fotográficas. Depois, os celulares. Agora tem gente levando tablet pra show. T-A-B-L-E-T! Chego a ter pena do sujeito no palco, que está tocando para uma plateia que não está sequer assistindo ao show. Esse povo não gosta de show. Esse povo não gosta de música. Esse povo precisa conhecer o Urso Judeu urgentemente.

2) Você é baixinha, mas e o quico?: o pessoal do Judão publicou o texto definitivo sobre garotas que sobem nos ombros dos outros e atrapalham todo mundo. O negócio é tão ridículo que já vi gente fazendo isso no Opinião, tenham dó. Será que esse povo faz isso no teatro também? "Droga, não tô vendo a Fernanda Montenegro direito aqui da última fileira, peraí que vou me empoleirar no meu namorado". Ou na ceia de Natal? "Papai Noel, fica aí que vou te dizer umas verdades bem de pertinho, deixa só eu achar meu marido".

3) Silvio Santos vem aí, laiá, laiá, laiá: frontman metido a animador de auditório, até quando? "Eu quero essa metade da plateia fazendo 'tum' e essa outra fazendo 'pá', vamulá, 'tum' aqui, 'pá' ali, vai, vamu, 'tum', 'pá', 'tum', 'pá', bonito!". Minhas pílulas e um litro de água de bateria, por favor!

4) Bêbado de ocasião: um clássico. Se não aguenta, por que veio? Se veio, aguenta. Mas não me abraça, não me pede cigarro, não fila minha cerveja e, principalmente, não vomita perto de mim. Ou em mim.

5) Dizem que ela existe pra ajudar: não estou dizendo que um evento não deva contar com uma equipe de segurança, mas um terno mal cortado ou um colete escrito "APOIO" nas costas não torna ninguém apto a lidar com o público. Na maioria das vezes, confere autoridade para abuso e violência gratuita. E eu cansei de ver gente sendo arrastada pra fora ou levando pau por nada. Não tenho mais estômago pra isso.

6) #mimimi: "ai, choveu e eu sujei meu Converse com barro", "ai, tinha roda de pogo no show do Metallica", "ai, esse cheiro de fumaça estranha no meu cabelo", "ai, ele não tocou nada do primeiro disco", "ai, me empurraram e pisaram no meu pé". ORLY?

Radioativando e os Ricardões

10 de maio de 2012 1

Crédito: Virginia das Flôres e Eliane Pacheco

Estão vendo as belezocas aí em cima? Elas são As Radioativas, quinteto paulistano formado por Taty The Sex Maker (vocal), Crica Mess (baixo), Lets The Scientist (baterista), Lets Krügger e Natasha-X (guitarras) que desembarca nesta sexta-feira em Porto Alegre para tocar na Lust for Life. Ao vivo, dizem que rola corpse paint, tapa-olhos e muita doideira. Além delas, mandam bala os incansáveis Mariana Kircher e Eduardo Normann com seu novo projeto, a Radio Bla. Ou seja, só pedrada. O lance rola no Beco (Independência, 936), com ingressos valendo R$ 25 na hora.

Ricardão
Banda gaúcha das mais legais, a Big Richards lançou há pouco seu novo EP, Supernova. O disquinho tem cinco músicas e chegou por aqui acompanhado de um kit de sobreviência contendo gibi do Cebolinha, camisinha, palito de fósforo, bala 7 Belo e _ o mais importante _ um calendário de feriados. Fechou todas.

"L.A. Woman" OU aquilo que me nutre, me destrói

09 de maio de 2012 0


Acabou de ser lançado no Brasil o documentário The Doors: Mr. Mojo Risin': The Story of L.A. Woman. O filme conta a história da produção do sexto e último disco dos Doors com Jim Morrison _ que morreria três meses depois do lançamento do álbum, em julho de 1971.

Eis o trailer:

L.A. Woman é um disco bacana. Seus dois singles, Love Her Madly e Riders on the Storm, são fantásticos, e a faixa-título é presença garantida em qualquer boa coletânea de rock _ além de ser obrigatória para pegar a estrada. Mas L.A. Woman não possui nenhuma grande lenda por trás de sua produção. Na verdade, o filme mostra que a coisa foi bem simples.

Contam os músicos remanescentes _ o tecladista e arranjador Ray Manzarek, o guitarrista Robby Krieger e o baterista John Densmore _ que a gravação do disco se deu por falta de ter o que fazer. Mais precisamente, por não terem mais condições de agendar shows desde que Morrison, em março de 1969, mostrara seu mojo para a plateia em um show em Miami.

Antes de L.A. Woman, eles haviam lançado Morrison Hotel e Jim começara a gravar seu disco de poesias, An American Prayer. Mas as apresentações ao vivo estavam em baixa e, bom, o negócio era entrar em estúdio. Sem se entender com o produtor Paul Rothchild, a banda foi para seu escritório junto do engenheiro de som Bruce Botnick e mandaram bala. Em pouco tempo, pariram um disco garageiro, cru, bluseira eletrificada, sem muito experimentalismo ou retoques.

Morrison, no entanto, já estava em outra. Gravou seus vocais e nem esperou pela mixagem final da bolacha. Rumou em abril para Paris com a namorada. Em julho estava morto. E o rock, de luto.

The Doors: Mr. Mojo Risin' tem depoimentos de todos os envolvidos no disco, mas um em especial me chamou a atenção. O baterista John Densmore, ao comentar sobre o incidente em Miami, é taxativo:

_ Eu tinha encontrado meu caminho na música, estava fazendo o que gostava e com quem eu gostava, mas o nosso vocalista tinha um pacto com o diabo.

A fala do batera é carregada de indignação mais de 40 anos depois do ocorrido. É como se disesse "cara, nós estamos no topo do mundo, temos uma carreira consolidada, somos deuses caminhando sobre a Terra, TEM COMO PARAR DE FAZER BESTEIRA POR UM SEGUNDO?" Não, não tinha.

Porque Morrison, da mesma forma que era a imagem dos Doors, cristalizava também a figura do rockstar irresponsável e egoísta que acabou sabotando o próprio trabalho e comprometendo todos ao seu redor. Para ele, não existia uma banda, e sim gente que criava música para a sua poesia. Não conseguia enxergar que um não existiria sem o outro _ e o documentário é feliz em mostrar isso, especialmento quando dá os devidos créditos ao guitarrista Robby Krieger como um dos pilares musicais da banda.

Os holofotes estavam todos em Jim, isso é fato e meritoso, mas os Doors eram maiores. Terem sido eclipsados pelo seu vocalista fanfarrão é injusto e triste. Morrison passou para a história como a razão de existir da banda, enquanto os demais viraram notas de rodapé, lembrados, quando muito, por críticos de música.

Mas a essa altura, o que parece valer mais: um conjunto de músicos talentosos ou um deus do rock em sua encarnação definitiva?

A Jornada Estelar de Cogumelê

08 de maio de 2012 0

Sabem de uma coisa que eu não sabia que sentia falta? De música de doidão. Lembrei disso quando, na semana passada, eu estava no Dirty Old Man degustando meu White Russian e fui abordado pelo Jon Jun Cogumelê. Ele é o mentor da banda/projeto/iniciativa Jornada Estelar, com base em Nova Roma do Sul, e estava em Porto Alegre para divulgar a parada.

O Jon veio logo em seguida de um cara vendendo literatura pornô, então eu não tinha mais trocados _ e ele não aceitava cartão. Tive que recorrer a minha namorada para comprar o disquinho, que contém 22 músicas gravadas todas pelo Jon mais 16 vídeos, entre clipes, registros de apresentações ao vivo e a trilha sonora da luta entre uma tarântula e uma vespa.

A música que o Jon tira é aquela viagem psicodélica pinkfloydiana sessentista, mas acrescida de umas guitarras pesadonas meio Seattle. De vez em quando, rola só um violãozinho dedilhado. Tudo naquele esquema de gravação caseira, mesmo, porque o lance do Jon não é o som, mas sim a mensagem. Tem que ser rock, tem que ser lisérgico, claro, mas só porque serve de fundo pro discurso de libertação cósmica que ele propõe.

Dá um bico em Transcendendo:

Te chamei pra rodar, vem posso te acolher
Beba mais um chá, quero te conhecer
Não me pergunte
Eu não vou te interromper
Mas se quiser, eu posso te confundir
Em um piscar de olhos, sumir
E quando eu quiser, a gente se vê de novo
Esteja onde estiver, a gente faz tudo de novo
Ontem, você não quis me atender
Agora, é muito cedo mas posso te receber
Não vou te enganar
Quero mesmo me aproveitar
E se quiser posso te levar daqui
Realizar seus sonhos e sumir
E quando eu quiser, a gente se vê de novo
Esteja onde estiver, a gente faz tudo de novo

Aí você vê que o e-mail do Jon é eusouooutrovoce@xxxx. No Facebook, a profissão dele é Detetive na empresa Universo. Quer dizer, ele leva a sério o lance. E o Jornada já se apresentou por aqui. Olha eles no Radar:

O Jon, em certo sentido, me fez lembrar do Ventania e da época em que a minha galera frequentava São Thomé das Letras. Não sei se vocês conhecem STL, é uma cidadezinha em Minas Gerais pra onde todo mundo acabava indo, uma hora ou outra, pra poder ver discos voadores e ter experiências sensoriais. Muita natureza e comida mineira, quer dizer, não tem como ser ruim.

E o Ventania é um cara meio símbolo do lugar. Daí que eu disse sentir falta de música de doidão, porque o Ventania é COMPLETAMENTE doidão e totalmente sincero em sua proposta. Aliás, ele não tem proposta, ele É desse jeito:

Apreciem:

Ripongagem, entendem? É um lance que eu achava que estava morto, já. Mas taí o Jon pra provar que não. Eu curto.