Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Ignorância não mata (mas é inevitável)

17 de fevereiro de 2012 4

Há coisa de 15 dias, eu estava no Planeta Atlântida assistindo ao show do Lulu Santos quando uma garota chegou em mim e, com a melhor das caras de paisagem, perguntou "quem é esse cara no palco?". Quando eu respondi, ela manteve a cara de paisagem e seguiu adiante. Naquele momento, Lulu estava tocando Descobridor dos Sete Mares, hit do tamanho de um elefante africano.

Daí que no último final de semana, durante a transmissão do Grammy, Paul McCartney virou Trending Topic no Twitter de tanto os usuários perguntarem _ ou repercutirem _ "quem é Paul McCartney?". Teve gente que se zangou de verdade, teve gente que achou que tudo não passou de trollagem e teve gente que, como eu, achou engraçado de uma maneira algo histérica.

Vejam: se é possível que no Brasil exista quem não conheça o maior hitmaker da música pop brasileira, não é de se estranhar que no mundo (ou no mundo conectado à internet) o Paul McCartney seja só uma tiazinha inglesa. Lembrando que os Beatles não são o Paul McCartney, tá? _ ou seja, ignorar a existência de PMC não significa desconhecer seu grupo, por mais desconcertante que isso pareça (e de fato o é). O que me leva a pensar que deve existe gente, por exemplo, que sabe cantar Tempos Modernos sem fazer ideia de quem seja seu autor e principal intérprete.

Donde me permito questionar, com um sorriso histérico nos lábios: onde Paul McCartney e Lulu Santos estão errando? Porque, ao meu ver, guardadas as devidas proporções, ambos fazem (ou deveriam fazer) parte do DNA musical de todo mundo. E não estamos falando de gostar ou não dos caras, mas de simplesmente saber de quem se trata.

Não vamos, aqui, levantar aquele velho papo de "ah, essa nova geração, tão alienada e mimimi", ok? Acomodação não é privilégio de quem não viu filme em moviola, assim como o ímpeto de buscar conhecimento (alô ET Bilú!) não distingue idade. Ela depende de vontade individual. E aí que mora o perigo pra esses dinossauros.

Dinossauros, aliás, é a melhor definição para eles neste momento. E não apenas pelo tamanho, mas, por já não "existirem" mais, precisam ser escavados. Quer dizer, só quem se dispuser a tirar toneladas de terra é que vai encontrá-los _ e mesmo assim, só a ossada. Precisa ter muito tesão na coisa pra desencanar do surfe no shuffle e montar um sítio arqueológico.

Claro, não é novidade alguma que dispomos de toneladas de informação e meios para obtê-la como nunca. Mas só agora comecei a me dar conta que esse movimento pode soterrar gente importante como Paul McCartney e Lulu Santos. O desconhecimento deles por parte de uma fatia do público é legítimo e só tende a crescer. Logo, serão artistas quase tão de nicho quanto qualquer outra bandinha surgida nos recônditos da internet.

Rock para acelerar

16 de fevereiro de 2012 0

Qual a lembrança mais antiga de rock que vocês têm? A minha é de um game clássico, o Rock n' Roll Racing. Foi pilotando as carangas tunadas no meu Mega Drive que eu ouvi, pela primeira vez, Paranoid (Black Sabbath), Born to be Wild (Steppenwolf), Highway Star (Deep Purple) e Bad to the Bone (George Thorogood). E tudo em versão MIDI, claro.

Além da trilha sonora, havia também um narrado insano, que gritava coisas como "let the carnage begin!" e "it is about to blow!". Quer dizer, não tinha como ser mais divertido. E embora o tempo tenha sido cruel com RRR, ele continua ocupando um lugar cativo no coração de muita gente. Tanto que, vira e mexe, alguma produtora anuncia um remake do jogo, causando alvoroço entre os fãs. Ele tem até

Agora, quem assumiu a empreitada foram os russos da Yard Team, que prometem uma versão grátis e com modelagem 3D do RRR até o fina do ano. Esta semana, o projeto ganhou seu primeiro trailer e alguma imagens foram disponibilizadas para dar uma ideia do andamento do trabalho.

Pelo videozinho, nota-se que o espírito rock n' roll foi respeitado _ embora mais perto de um hard rock contemporâneo que dos clássicos do heavy metal _ e a diversão estará garantida. Eu não vejo a hora.

Nicki Minaj da semana

13 de fevereiro de 2012 2

Nicki Minaj é provavelmente a (INSIRA AQUI O QUE VOCÊ ACREDITA QUE ELA SEJA) mais bizarra do mundo. Perto dela, Lady Gaga é uma roteirista de desenho animado da Disney. Porque não tem nada que Nicki faça que não cause engulhos de alguma natureza. Lembra os bons tempos da Lil' Kim e tal.

E é um lance meio natural pra ela, saca? Parece que não tem esforço ali, é tudo no improviso, tipo "Nicki, a câmera tá ligada, mete bronca, mulé!". E aí já era, perdeu, humanidade. É só ver o que ela aprontou na cerimônia do Grammy, domingo passado. E pensar que um dia geral se enrubesceu toda porque a Madonna apareceu vestida de noiva...

Ela também é onipresente tal uma comida estranha que de repente virou moda e parece/precisa estar em todas festas _ tipo macarons, manja? Ou cupcakes. O lance é que daria para botar um clipe dela por dia aqui que ainda teríamos material em 2016. Mas para poupar um pouco vocês, escolhemos os que achamos mais... mais... mais... então.

1. Stupid Hoe

Esse teve a proeza de ser censurado pela BET, emissora de TV norte-americana voltada para artista e público negro. A razão não foi explicada, mas deve ser porque não é possível retirar os palavrões de uma música que é toda feita apenas com palavrões. Melhor tirar a parada toda do ar e é isso.

2. A$$ (Big Sean)

No vídeo de uma música chamada bunda, ganha uma surra da respectiva porção quem adivinhar o tipo de participação de Nicki. Fino.

3. Fly

Tente contar quantos tipos _ eu disse TIPOS _ de cabelos ela aparece nesse vídeo. Ignore a música, tem a Rihanna junto.

5. Super Bass

O mundo ideal de Nicki: uma piscina com água cor-de-rosa cercada de sujeitos bombados. Fora a referência explícita à nossa Dança da Motinha _ aquela em que as popopuza perde a linha, só que no... gelo. É sério.

6. Did it On Em

O clipe mostra um pouco do que acontece em cima do palco e nos bastidores de um show da rapper. Caso clássico em que a realidade supera em muito a ficção. Vá direto para 0:50 se você acha que já viu de tudo.

A Constelação de Karina

02 de fevereiro de 2012 0

Antes que se confundam, este texto não é do Brigatti. Eu, Fernando, mais uma vez tomo emprestada a coluna e o blog do meu parceiro de redação. Este texto foi publicado no Remix de 02 de fevereiro.

Três dias após a passagem de Karina Buhr por Porto Alegre, gente que foi ao evento ainda me diz impressionado: que show intenso. Falam isso, antes de qualquer coisa, motivados pela performance de Karina. No palco do Opinião, ela correu de um lado pro outro, enrolou-se no fio do microfone, esbravejou música _ foi a Iggy Pop fêmea, à altura de Longe de Onde, seu segundo trabalho solo, que pende mais para o rock do que para a MPB indie. A voz peculiar de Karina, não muito afinada, divide opiniões, mas mesmo quem duvida de seu talento, não pode negar sua presença marcante ao vê-la no palco em pleno exorcismo.

A performance explosiva repetiu a primeira vez que a vi cantando, no lançamento de sua estreia, Eu Menti Pra Você, de 2009. O disco tinha uma ou outra canção mais roqueira, porque foi composto sem guitarra. No fim das gravações, Karina chamou Fernando Catatau para emprestar seus timbres e estilo muito próprios, calcados em efeitos esdrúxulos e guitarras exóticas.

_ Foi legal porque a guitarra de Catatau precisou encontrar espaços em músicas que já estavam praticamente prontas _ contou Karina na época.

Catatau é uma das estrelas do time de ouro de Karina. Ainda que Edgar Scandurra seja peça fundamental na banda que tem acompanhado a baiana-pernambucana em suas turnês, é Catatau quem dá o "mojo" da coisa. Líder da arretada Cidadão Instigado, o músico cearense executa solos espaciais com o sol do sertão no lombo. Os timbres endiabrados que extrai de suas guitarras são refrescados pelo cantar despretensioso. Ouvir Cidadão exige menos de ouvintes de Reginaldo Rossi do que de fãs de Pink Floyd, mas pode cativar os dois.

Outra estrela do time de Karina é Guizado. Guilherme Mendonça, como sua mãe o chamou ao nascer, é o trompetista oficial da cena indie contemporânea no Brasil. Como artista solo, ele tem dois álbuns bacanas: Punx, de 2008, cujo nome entrega ser embebido na adolescência de Guilherme, que cresceu andando de skate e ouvindo bandas de punk rock ao mesmo tempo em que aprendia música sofisticada em uma escola onde o jazz era a porta de acesso ao extravaso sonoro. E Calavera, em que Guizado acrescentou voz aos temas instrumentais, para expressar a dor de ter perdido a mãe. É seu A Love Supreme (disco de redenção de John Coltrane), um trabalho de conexão espiritual.

A partir das parcerias que estabelecem esses três artistas, dá pra descobrir muito do que tem rolado de bacana no cenário independente.


Rita Lee OU Rock é rock mesmo

29 de janeiro de 2012 2

Rita Lee passando "o" sabão durante seu antecipado último show profissional da carreria, em Sergipe:

Vai fazer falta, vó...

Quando o U2 se reinventou para dominar o mundo

26 de janeiro de 2012 0


Em 2011 completaram-se 20 anos do lançamento de Achtung Baby, disco que transformou o U2 na gigantesca máquina de impressionar multidões que conhecemos hoje e, consequentemente, catalisador do ego de seu vocalista, Bono. Para tentar entender como se deu esse processo, o cineasta Davis Guggenheim teve acesso irrestrito ao arquivo pessoal do grupo e acompanhou os ensaios para o festival de Glastonbury, onde tocariam pela primeira vez em 2011. O resultado é From the
Sky Down
, documentário que acaba de chegar ao Brasil em DVD.

Mas não se trata de um filme (apenas) sobre a feitura de um disco. Ao perceber o material que tinha em mãos, Guggenheim ampliou seu lente para o que é considerado o turning point do U2. O momento em que a banda tinha tudo para terminar
– críticas ruins do último disco (Rattle and Hum), péssima recepção na própria casa e uma notória perda de rumo –, mas conseguiu se reinventar e seguir em frente, com hits como The Fly, Mysterious Ways e Even Better Than the Real Thing.

A pedra fundamental para tanto foi lançada em solo alemão, no estúdio Hansa, em Berlim, por onde David Bowie, Iggy Pop e Nick Cave já haviam passado. A capital da Alemanha ainda convulsionava pela queda do Muro quando Bono e cia. desembarcaram, no final de 1990. Compor um disco numa cidade que estava se reconstruindo parecia a escolha adequada para uma banda que urgia pelo mesmo.

Lá, o U2 iria deixar de lado as raízes negras norte-americanas que havia consumido com voracidade para os trabalhos anteriores e se entregaria ao rock alternativo e industrial e influências eletrônicas. Mas pouco do processo criativo é de fato
mostrado. O foco é o drama.

Numa das poucas vezes em que o diretor decide elucidar parte da construção musical do disco, ele evidencia a “ditabranda” de Bono (algo que, aliás, todos parecem aceitar de bom grado). Guggenheim recupera quase todo o registro da criação do hino One, com o vocalista literalmente regendo seus companheiros, num dos momentos mais bregas do documentário – o que não é nenhuma surpresa para quem já assistiu a trabalhos anteriores do diretor, como A Todo Volume (2008) e Uma Verdade Inconveniente (2006).

Da ZooTV Tour fala-se pouco, mas o suficiente: foi a partir dela que o U2 pegou gosto por palcos do tamanho de edifícios, passou a destinar uma boa grana para efeitos visuais e o ego de Bono inflou de tal maneira que se transformou em marketing próprio.

Achtung Baby, resume Guggenheim, é o retrato colorido de um cenário cinzento. E que pode agora ser comprado em edição especial pela bagatela de R$ 1,7 mil reais, contendo nada menos que 17 volumes com bsides, remixes e takes alternativos.

Quando os créditos já valem o filme

26 de janeiro de 2012 0

Neste final de semana estreia a adaptação norte-americana para o livro Os Homens Que Não Amavam as Mulheres. Fui assistir ao filme na terça-feira, numa sessão para imprensa, e escrevo sobre ele na sexta, no Segundo Caderno. Eu já havia lido a obra, do jornalista e escritor sueco Stieg Larsson e mais de uma vez declarei minha admiração pela primeira filmagem do livro, feita na Suécia, e que lançou a atriz Noomi Rapace ao estrelado hollywoodiano. Adianto, agora, que gostei também desta versão, dirigida pelo David Fincher, que sem pesar a mão, buscou dar a sua visão do best-seller _ além de lançar um novo nome no circuito, a surpreendente Rooney Mara, que tal qual Noomi, dá vida à heróina Lisbeth Salander.

Mas a primeira coisa que me impressionou foi a abertura do filme. A cena onde são exibidos os créditos. Assistam:

É impressionante. Um clipe belíssimo e ao mesmo tempo perturbador, digno para ilustrar a versão que Trent Reznor fez de Immigrant Song, do Led Zeppelin, para Karen O interpretar. Para quem já leu o livro, é possível ver nessa abertura diversas referências que foram inclusive ignoradas por Fincher no filme, mas acabaram recuperadas pelo pessoal do estúdio Blur, responsável pelo trabalho.

Daí que sai pesquisando outras aberturas igualmente legais e me lembrei de outra que também não é uma mera exibição de caracteres. Em Seven - Os Sete Crimes Capitais (1995), o mesmo David Fincher já usava o recurso para oferecer pistas e esclarercer pontos que, durante o filme, ele não contemplaria. E de quem é a trilha sonora? Trent Reznor, numa versão remixada da aterradora Closer, do seu Nine Inch Nails. Dá uma olhada:

Selecionei abaixo algumas outras cenas do tipo. Não são as mais importantes da história do cinema (existe isso?), mas me encantaram tanto quanto o filme _ em alguns casos, até mais.

1. ZOMBIELAND (2009)

Aquele humor negro e nonsense esperado de uma obra sobre zumbis que não se leva a sério _ e que continua durante todo o resto do filme _, só que ao som de um clássico do Metallica, From Whom the Bells Tolls. Sobra até para strippers, mas daí já é outro filme.

2. PRENDA-ME SE FOR CAPAZ (2002)

Impressionante como Steven Spielberg consegue fazer um filme legal quando quer. E já começa bem na abertura, classuda, com John Williams NÃO SENDO John Williams. E mesmo que seus criadores não admitam, é claramente inspirada nos trabalhos de Saul Bass, que fez aberturas e posteres para gente do calibre de Stanley Kubrick, Martin Scorsese e Alfred Hitchcock.

3. CASINO ROYALE (2006)

Ok. Você não gosta de 007. E se gosta, acha que Daniel Craig é a pior das encarnações do agente secreto. Talvez seja um hater do Chris Cornell pós-Soundgarden (é dele a música da abertura, You Know My Name). Mas nada disso tira o mérito dessa sequência que respeita os cânones originais e injeta novos elementos. Bonitaça.

4. MAN ON THE MOON (1999)

Essa é uma pegadinha, claro. Mas o que esperar de uma cinebiografia de Andy Kaufman, sujeito que praticamente inventou as pegadinhas? Ou que as fez parecer tão reais que foi difícil saber se ele estava falando sério ou brincando quando estava para bater as botas.

Clipe da segunda: "Elas por Elas", Cartel da Cevada

23 de janeiro de 2012 0

E o Cartel da Cevada lançou clipe da música Elas por Elas. Naquela esquema que todo mundo gosta, com cerveja, rock e mulher bonita. Tem até participação do Paulão da Velhas Virgens. Quer dizer, não tem como dar errado.

Black Veil Brides OU "rá! te peguei! rá!"

19 de janeiro de 2012 5

Segunda-feira quente e eu vou pro Opinião assistir ao projeto O Maestro, O Malandro e O Poeta. Releitura de músicas de Chico, Vinícius e Tom, bacana, bem feito, público animado e tal. Na saída, por volta da meia-noite, me deparo com um grupo de garotas vestidas de preto armando acampamento na grade de entrada da casa. Pelo logotipo das camisetas, saco que são fãs do Black Veil Brides.

– Mas o show não é na quarta? – questiono uma delas, já colocando em dúvida a data que eu tinha na cabeça.

– Sim, mas a gente quer ficar bem na frente, vai lotar – me respondem.

Fiquei intrigado e decidi que iria ao show. Não é qualquer banda que arrasta fãs para dormirem ao relento três dias antes, e o BVB havia me cativado pelo seu visual de cosplay de Mötley Crue. E a música não era assim tão ruim. Me soava um hardão puxado pro glam, lembrava My Chemical Romance e todas as bandas emos lá da primeira parte dos anos 2000. Tá, não era genial, mas parecia divertido.

Vou ao show, então.

Na quarta-feira, horas antes de abrir o Opinião, a fila dobrava a esquina da José do Patrocínio com Lopo Gonçalves. "Legal, vai encher mesmo", pensei.

O show estava marcado para às 22h. Escaldado pelo atraso que é habito em eventos do tipo na cidade, chego às 22h20 e eis que sou supreendido pelo show já começado. Bem feito pra mim, claro. Entro e o baterista está no meio de um solo. Dou uma olhada e a área em frente ao palco está tomada _ casa cheia, mas não lotada. Legal, confortável.

Dez minutos de solo de bateria e a banda volta completa. O vocalista, uma versão pele e osso do personagem principal de Fantasmas de Marte (do John Carpenter, assistam, é demais), chega fumando e se dependura no pedestal do microfone para cantar. "Um hardrocker blasé?", pensei, já antevendo que aquilo não seria bom.

Com a maior cara de quem não está nem um pouco a fim de estar ali, o vocal vai declamando as letras, acompanhado em coro pelo plateia. Às vezes, puxa um refrão. Em outras, bota a mão na orelha como se não estivesse ouvindo o público. Atrás dele, guitarristas e baixista fazem o básico, tocando ombreados, botando o pé no retorno, aquelas firulas todas.

Meio irritado com a postura do vocal e com o som todo embolado que só me permitia ouvir a bateria e uns fiapos de guitarra, vou pro bar pegar uma cerveja – no que sou informado que não estão vendendo nada alcoólico. Claro, a esmagadora maioria do público era de menores de idade ou com pouco mais de 18 anos. Decisão acertada. Pego um refrigerante ruim e volto pro show.

Mas foi só _ juro _ girar os calcanhares para a banda abandonar o palco. Incrédulo, olhei para o relógio: 22h39min. Olhei de novo: 22h40min. Não podia acreditar que os caras tinham feito um show de míseros 40 minutos! QUARENTA MINUTOS! Pasmo, inconformado, encontro um camarada que diz que o show foi, na verdade, de 50 minutos, porque a banda começou com 10 minutos de antecedência. Aí eu desabei no alambrado com meu refrigerante ruim ainda pela metade.

O público, amontoado em frente ao palco, gritava a plenos pulmões pela banda, enquanto os rodies calmamente desmontavam a bateria. Eu olhava praquilo e não conseguia acreditar como um artista podia tratar seus fãs de maneira tão desrespeitosa, tão acintosa, tão baixa. Daí não estava mais puto, estava triste pela molecada que tinha dormido na rua esperando para ver seus ídolos e tinha sido exposta a um espetáculo tão deprimente.

A galera desmontando o palco, a porta de saída aberta, mas ninguém se mexia, esperando que fosse, sei lá, alguma pegadinha. Só que era real. A banda tocou 12 músicas _ 12 MÚSICAS _ e foi embora. Tentei me colocar no lugar dos fãs, mas só conseguia imaginar eu subindo no palco, catando os caras pelo colarinho e gritando VADA A BORDO, CAZZO!, seguido de uns sopapos e pontapés.

Tudo o que fiz, no entanto, foi voltar pra casa e ficar com um pouco de vergonha de ter caído nessa. Mas passou. Assim como o BVB.

O preço do fanatismo

19 de janeiro de 2012 0


Em 2008, o beatle Ringo Starr divulgou que não daria mais autógrafos. A razão não era falta de carinho pelos fãs ou uma tardia aversão ao primeiro ônus da fama. Ringo tinha descoberto que muita gente pedia sua assinatura para depois vendê-la em sites de leilão. Quer dizer, o negócio para quem quiser algum objeto rabiscado pelo baterista é desembolsar uma bolada _ algo natural para muitos beatlemaníacos, vamos combinar...

É para atender a vontade dessa gente em ter memorabilias que existe nos EUA, há muito tempo, uma fortíssima indústria de comércio de autógrafos de celebridades. Gente que vive justamente de conseguir os garranchos de estrelas da música para, depois, vender para o fã que não tem condição (ou disposição) para ficar mendigando uma nesga de atenção ao final de um show. E agora, essa indústria tem um representante no Brasil, através do site Wonders of Rock, lançado no final de 2011 no www.wondersofrock.com.

O espaço é focado em guitarras, escudos de guitarras, peles de bateria e discos de vinil devidamente autografados por gigantes como Pink Floyd, Guns N'Roses, Led Zeppelin, Rolling Stones, Beatles, Jimi Hendrix e Elvis _ sendo estes três últimos os donos do itens mais caros. Uma guitarra Melody Light Sunburst, original dos anos 1950 e autografada pelos quatro Beatles, sai por US$ 16,120 mil.

Segundo Roberto Darienzo, um dos sócios do site, um dos diferenciais do Wonders of Rock é fornecer um certificado de autenticidade do autógrafo, indicando que ele foi rabiscado pela própria celebridade em questão.

_ Todas estas peças são autênticas, únicas e exclusivas. Você não encontrará outra peça igual por não se tratar de réplica _ garante.

Com exceção dos Beatles, Elvis e Hendrix, cujos objetos são naturalmente inflacionados, os valores das peças são calculados basicamente de acordo com a dificuldade em obtê-los. Daí uma guitarra autografada pelo Led Zeppelin custar menos do que o mesmo instrumento assinado pelos músicos do U2. E aí Darienzo acaba dando razão a Ringo Starr:

_  Alguns artistas, mesmo vivos, têm oferecido mais dificuldades para dar autógrafos em guitarras ou items que sabem serão comercializados posteriormente, entre eles o Bono, do U2.

Por enquanto _ e até por razões óbvia _, o Wonders of Rock só comercializa produtos de artistas e celebridades estrangeiras. Brasileiros ainda não tem vez. Ou seja, vai demorar um pouco até sabermos quanto vai custar uma sanfona autografada pelo Michel Teló. Alguém aí arrisca?