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Quando o U2 se reinventou para dominar o mundo


Em 2011 completaram-se 20 anos do lançamento de Achtung Baby, disco que transformou o U2 na gigantesca máquina de impressionar multidões que conhecemos hoje e, consequentemente, catalisador do ego de seu vocalista, Bono. Para tentar entender como se deu esse processo, o cineasta Davis Guggenheim teve acesso irrestrito ao arquivo pessoal do grupo e acompanhou os ensaios para o festival de Glastonbury, onde tocariam pela primeira vez em 2011. O resultado é From the
Sky Down
, documentário que acaba de chegar ao Brasil em DVD.

Mas não se trata de um filme (apenas) sobre a feitura de um disco. Ao perceber o material que tinha em mãos, Guggenheim ampliou seu lente para o que é considerado o turning point do U2. O momento em que a banda tinha tudo para terminar
– críticas ruins do último disco (Rattle and Hum), péssima recepção na própria casa e uma notória perda de rumo –, mas conseguiu se reinventar e seguir em frente, com hits como The Fly, Mysterious Ways e Even Better Than the Real Thing.

A pedra fundamental para tanto foi lançada em solo alemão, no estúdio Hansa, em Berlim, por onde David Bowie, Iggy Pop e Nick Cave já haviam passado. A capital da Alemanha ainda convulsionava pela queda do Muro quando Bono e cia. desembarcaram, no final de 1990. Compor um disco numa cidade que estava se reconstruindo parecia a escolha adequada para uma banda que urgia pelo mesmo.

Lá, o U2 iria deixar de lado as raízes negras norte-americanas que havia consumido com voracidade para os trabalhos anteriores e se entregaria ao rock alternativo e industrial e influências eletrônicas. Mas pouco do processo criativo é de fato
mostrado. O foco é o drama.

Numa das poucas vezes em que o diretor decide elucidar parte da construção musical do disco, ele evidencia a “ditabranda” de Bono (algo que, aliás, todos parecem aceitar de bom grado). Guggenheim recupera quase todo o registro da criação do hino One, com o vocalista literalmente regendo seus companheiros, num dos momentos mais bregas do documentário – o que não é nenhuma surpresa para quem já assistiu a trabalhos anteriores do diretor, como A Todo Volume (2008) e Uma Verdade Inconveniente (2006).

Da ZooTV Tour fala-se pouco, mas o suficiente: foi a partir dela que o U2 pegou gosto por palcos do tamanho de edifícios, passou a destinar uma boa grana para efeitos visuais e o ego de Bono inflou de tal maneira que se transformou em marketing próprio.

Achtung Baby, resume Guggenheim, é o retrato colorido de um cenário cinzento. E que pode agora ser comprado em edição especial pela bagatela de R$ 1,7 mil reais, contendo nada menos que 17 volumes com bsides, remixes e takes alternativos.

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Quando os créditos já valem o filme

Neste final de semana estreia a adaptação norte-americana para o livro Os Homens Que Não Amavam as Mulheres. Fui assistir ao filme na terça-feira, numa sessão para imprensa, e escrevo sobre ele na sexta, no Segundo Caderno. Eu já havia lido a obra, do jornalista e escritor sueco Stieg Larsson e mais de uma vez declarei minha admiração pela primeira filmagem do livro, feita na Suécia, e que lançou a atriz Noomi Rapace ao estrelado hollywoodiano. Adianto, agora, que gostei também desta versão, dirigida pelo David Fincher, que sem pesar a mão, buscou dar a sua visão do best-seller _ além de lançar um novo nome no circuito, a surpreendente Rooney Mara, que tal qual Noomi, dá vida à heróina Lisbeth Salander.

Mas a primeira coisa que me impressionou foi a abertura do filme. A cena onde são exibidos os créditos. Assistam:

É impressionante. Um clipe belíssimo e ao mesmo tempo perturbador, digno para ilustrar a versão que Trent Reznor fez de Immigrant Song, do Led Zeppelin, para Karen O interpretar. Para quem já leu o livro, é possível ver nessa abertura diversas referências que foram inclusive ignoradas por Fincher no filme, mas acabaram recuperadas pelo pessoal do estúdio Blur, responsável pelo trabalho.

Daí que sai pesquisando outras aberturas igualmente legais e me lembrei de outra que também não é uma mera exibição de caracteres. Em Seven - Os Sete Crimes Capitais (1995), o mesmo David Fincher já usava o recurso para oferecer pistas e esclarercer pontos que, durante o filme, ele não contemplaria. E de quem é a trilha sonora? Trent Reznor, numa versão remixada da aterradora Closer, do seu Nine Inch Nails. Dá uma olhada:

Selecionei abaixo algumas outras cenas do tipo. Não são as mais importantes da história do cinema (existe isso?), mas me encantaram tanto quanto o filme _ em alguns casos, até mais.

1. ZOMBIELAND (2009)

Aquele humor negro e nonsense esperado de uma obra sobre zumbis que não se leva a sério _ e que continua durante todo o resto do filme _, só que ao som de um clássico do Metallica, From Whom the Bells Tolls. Sobra até para strippers, mas daí já é outro filme.

2. PRENDA-ME SE FOR CAPAZ (2002)

Impressionante como Steven Spielberg consegue fazer um filme legal quando quer. E já começa bem na abertura, classuda, com John Williams NÃO SENDO John Williams. E mesmo que seus criadores não admitam, é claramente inspirada nos trabalhos de Saul Bass, que fez aberturas e posteres para gente do calibre de Stanley Kubrick, Martin Scorsese e Alfred Hitchcock.

3. CASINO ROYALE (2006)

Ok. Você não gosta de 007. E se gosta, acha que Daniel Craig é a pior das encarnações do agente secreto. Talvez seja um hater do Chris Cornell pós-Soundgarden (é dele a música da abertura, You Know My Name). Mas nada disso tira o mérito dessa sequência que respeita os cânones originais e injeta novos elementos. Bonitaça.

4. MAN ON THE MOON (1999)

Essa é uma pegadinha, claro. Mas o que esperar de uma cinebiografia de Andy Kaufman, sujeito que praticamente inventou as pegadinhas? Ou que as fez parecer tão reais que foi difícil saber se ele estava falando sério ou brincando quando estava para bater as botas.

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Clipe da segunda: "Elas por Elas", Cartel da Cevada

E o Cartel da Cevada lançou clipe da música Elas por Elas. Naquela esquema que todo mundo gosta, com cerveja, rock e mulher bonita. Tem até participação do Paulão da Velhas Virgens. Quer dizer, não tem como dar errado.

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Black Veil Brides OU "rá! te peguei! rá!"

Segunda-feira quente e eu vou pro Opinião assistir ao projeto O Maestro, O Malandro e O Poeta. Releitura de músicas de Chico, Vinícius e Tom, bacana, bem feito, público animado e tal. Na saída, por volta da meia-noite, me deparo com um grupo de garotas vestidas de preto armando acampamento na grade de entrada da casa. Pelo logotipo das camisetas, saco que são fãs do Black Veil Brides.

– Mas o show não é na quarta? – questiono uma delas, já colocando em dúvida a data que eu tinha na cabeça.

– Sim, mas a gente quer ficar bem na frente, vai lotar – me respondem.

Fiquei intrigado e decidi que iria ao show. Não é qualquer banda que arrasta fãs para dormirem ao relento três dias antes, e o BVB havia me cativado pelo seu visual de cosplay de Mötley Crue. E a música não era assim tão ruim. Me soava um hardão puxado pro glam, lembrava My Chemical Romance e todas as bandas emos lá da primeira parte dos anos 2000. Tá, não era genial, mas parecia divertido.

Vou ao show, então.

Na quarta-feira, horas antes de abrir o Opinião, a fila dobrava a esquina da José do Patrocínio com Lopo Gonçalves. "Legal, vai encher mesmo", pensei.

O show estava marcado para às 22h. Escaldado pelo atraso que é habito em eventos do tipo na cidade, chego às 22h20 e eis que sou supreendido pelo show já começado. Bem feito pra mim, claro. Entro e o baterista está no meio de um solo. Dou uma olhada e a área em frente ao palco está tomada _ casa cheia, mas não lotada. Legal, confortável.

Dez minutos de solo de bateria e a banda volta completa. O vocalista, uma versão pele e osso do personagem principal de Fantasmas de Marte (do John Carpenter, assistam, é demais), chega fumando e se dependura no pedestal do microfone para cantar. "Um hardrocker blasé?", pensei, já antevendo que aquilo não seria bom.

Com a maior cara de quem não está nem um pouco a fim de estar ali, o vocal vai declamando as letras, acompanhado em coro pelo plateia. Às vezes, puxa um refrão. Em outras, bota a mão na orelha como se não estivesse ouvindo o público. Atrás dele, guitarristas e baixista fazem o básico, tocando ombreados, botando o pé no retorno, aquelas firulas todas.

Meio irritado com a postura do vocal e com o som todo embolado que só me permitia ouvir a bateria e uns fiapos de guitarra, vou pro bar pegar uma cerveja – no que sou informado que não estão vendendo nada alcoólico. Claro, a esmagadora maioria do público era de menores de idade ou com pouco mais de 18 anos. Decisão acertada. Pego um refrigerante ruim e volto pro show.

Mas foi só _ juro _ girar os calcanhares para a banda abandonar o palco. Incrédulo, olhei para o relógio: 22h39min. Olhei de novo: 22h40min. Não podia acreditar que os caras tinham feito um show de míseros 40 minutos! QUARENTA MINUTOS! Pasmo, inconformado, encontro um camarada que diz que o show foi, na verdade, de 50 minutos, porque a banda começou com 10 minutos de antecedência. Aí eu desabei no alambrado com meu refrigerante ruim ainda pela metade.

O público, amontoado em frente ao palco, gritava a plenos pulmões pela banda, enquanto os rodies calmamente desmontavam a bateria. Eu olhava praquilo e não conseguia acreditar como um artista podia tratar seus fãs de maneira tão desrespeitosa, tão acintosa, tão baixa. Daí não estava mais puto, estava triste pela molecada que tinha dormido na rua esperando para ver seus ídolos e tinha sido exposta a um espetáculo tão deprimente.

A galera desmontando o palco, a porta de saída aberta, mas ninguém se mexia, esperando que fosse, sei lá, alguma pegadinha. Só que era real. A banda tocou 12 músicas _ 12 MÚSICAS _ e foi embora. Tentei me colocar no lugar dos fãs, mas só conseguia imaginar eu subindo no palco, catando os caras pelo colarinho e gritando VADA A BORDO, CAZZO!, seguido de uns sopapos e pontapés.

Tudo o que fiz, no entanto, foi voltar pra casa e ficar com um pouco de vergonha de ter caído nessa. Mas passou. Assim como o BVB.

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O preço do fanatismo


Em 2008, o beatle Ringo Starr divulgou que não daria mais autógrafos. A razão não era falta de carinho pelos fãs ou uma tardia aversão ao primeiro ônus da fama. Ringo tinha descoberto que muita gente pedia sua assinatura para depois vendê-la em sites de leilão. Quer dizer, o negócio para quem quiser algum objeto rabiscado pelo baterista é desembolsar uma bolada _ algo natural para muitos beatlemaníacos, vamos combinar...

É para atender a vontade dessa gente em ter memorabilias que existe nos EUA, há muito tempo, uma fortíssima indústria de comércio de autógrafos de celebridades. Gente que vive justamente de conseguir os garranchos de estrelas da música para, depois, vender para o fã que não tem condição (ou disposição) para ficar mendigando uma nesga de atenção ao final de um show. E agora, essa indústria tem um representante no Brasil, através do site Wonders of Rock, lançado no final de 2011 no www.wondersofrock.com.

O espaço é focado em guitarras, escudos de guitarras, peles de bateria e discos de vinil devidamente autografados por gigantes como Pink Floyd, Guns N'Roses, Led Zeppelin, Rolling Stones, Beatles, Jimi Hendrix e Elvis _ sendo estes três últimos os donos do itens mais caros. Uma guitarra Melody Light Sunburst, original dos anos 1950 e autografada pelos quatro Beatles, sai por US$ 16,120 mil.

Segundo Roberto Darienzo, um dos sócios do site, um dos diferenciais do Wonders of Rock é fornecer um certificado de autenticidade do autógrafo, indicando que ele foi rabiscado pela própria celebridade em questão.

_ Todas estas peças são autênticas, únicas e exclusivas. Você não encontrará outra peça igual por não se tratar de réplica _ garante.

Com exceção dos Beatles, Elvis e Hendrix, cujos objetos são naturalmente inflacionados, os valores das peças são calculados basicamente de acordo com a dificuldade em obtê-los. Daí uma guitarra autografada pelo Led Zeppelin custar menos do que o mesmo instrumento assinado pelos músicos do U2. E aí Darienzo acaba dando razão a Ringo Starr:

_  Alguns artistas, mesmo vivos, têm oferecido mais dificuldades para dar autógrafos em guitarras ou items que sabem serão comercializados posteriormente, entre eles o Bono, do U2.

Por enquanto _ e até por razões óbvia _, o Wonders of Rock só comercializa produtos de artistas e celebridades estrangeiras. Brasileiros ainda não tem vez. Ou seja, vai demorar um pouco até sabermos quanto vai custar uma sanfona autografada pelo Michel Teló. Alguém aí arrisca?

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A música do futuro já foi

"Eu vi o futuro, baby, ele é passado" - Marcelo Nova

No começo da semana passada eu comprei um novo jogo de videogame. Novo pra mim, porque o jogo é de 2010. Chama-se Darksiders e é protagonizado por um dos quatro Cavaleiros do Apocalipse, o Guerra (botei no masculino porque ele é um homem. Ou tem feições de. Enfim). Logo na tela de apresentação, saco que o traço dos personagens é rascunhado do universo da franquia Warcraft. Jogo 10 minutos e percebo que quase tudo ali _ da movimentação do personagem à música _ era escancaradamente chupado de God of War (mais adiante, outras "inspirações" me fariam acreditar que os caras simplesmente roubaram o projeto do GoW e boa).

Fiquei puto por 11 segundos e depois relaxei. Pombas, juntar dois dos jogos mais legais que eu já joguei _ Warcraft e God of War _ num único título não pode ser algo ruim. Pelo contrário. Daí que quando me dei conta, já passava da terceira hora de campanha contente da vida e pedindo por mais. Podia não haver originalidade ali, mas a maneira como os caras juntaram os elementos que já existiam, criando uma produto divertido e de bom gosto, me deixou satisfeito e... feliz.

Pois na última quinta-feira, fiz uma rápida entrevista com Kid Vinil no Programa do Roger (dá pra ver o bloco na íntegra aqui). Em determinado momento, ele diz que todos os gêneros musicais possíveis já foram inventados, todos os movimentos foram feitos e interpretados, não sendo mais possível alguém criar algo 100% original. Um tanto estupefato, pergunto se, então, estaremos condenados a ouvir sempre a mesma música para sempre. Kid, enciclopédia da música e testemunhar ocular de tudo o que aconteceu nela desde a década de 1970, diz, em linhas gerais, que irão prevalecer aqueles que conseguirem criar algo suficientemente atraente trabalhando com o que já existe.

Quer dizer, você, que tem algum conhecimento musical, vai continuar identificando rock, rap, música erudita, folk, polca, o que seja, em tudo o que ouvir. O que te fará avançar para a segunda faixa será a capacidade do autor de misturar isso tudo de maneira que te agrade _ via de regra, sendo criativo, talvez ousado, talvez contando com a sorte. E quanto maior o teu grau de conhecimento, maior também será a tua exigência _ logo, cresce o desafio para quem cria, especialmente quando o acesso a toda música de uma época está disponível logo ali.

Os Ramones, por exemplo, continuarão a ser uma referência obrigatória para quem decide beber do punk rock, mas se não tiver um algo mais ali, eu vou ouvir os Ramones originais. Da mesma forma que se o jogo que comprei não fosse muito bem amarrado em suas referências e apresentasse um produto final convincente, eu o abandonaria frustrado pelos desenvolvedores terem subestimado a minha inteligência e puto por terem me feito gastar tempo e dinheiro à toa _ a mesma sensação de quem ouve música ruim, por supuesto.

Claro que também continuaremos a procurar (e esperar por) algo puro e intocado, luminescente em sua originalidade, não um golpe publicitário travestido de subgênero, mas um gênero nascido, sei lá, de uma inteligência extra-terrestre, de uma lótus azul do pântano, do mero acaso ou do trabalho duro de algum moleque pilhado. Mas até lá, os culinaristas da música terão que trabalhar com os ingredientes que já existem (que são muitos, vamos combinar...), aloprando em suas cozinhas que, por mais modernas que sejam, ainda dependem dos mesmos elementos concebidos em priscas eras.

Ninguém faz bolo de fubá sem fubá, assim como o rock não pode prescindir de baixo, guitarra e bateria _ e é aí que entra o gênio. Pode-se retirar um elemento, acrescentar outro, dobrar a quantidade de um terceiro, virar do avesso um quarto, mas o resultado final PRECISA ficar bom.

É a hora do talento. Da ousadia. Da coragem. Da cara de pau, até. Mas sobretudo, do leap of faith. Vai que, né?

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No vale dos dinossauros

O ano mal começou e já temos pelo menos um norte para guiar boa parte da produção cultural de 2012: as continuações. De filmes já era esperado, mas de games e de músicos é algo espantoso. E não apenas continuações literais, com o lançamento de
novos capítulos de sagas ou discos, mas continuação no sentido de permanência. Gente ou franquias que haviam, digamos, pendurado as guitarras escolheram 2012 para mostrar que ainda estão por aí. E podem surpreender.

Na música, temos três bons exemplos. O primeiro é Leonard Cohen, que vem, oito anos depois do seu último disco de inéditas, e lança Old Ideas ainda em janeiro. Nenhuma dúvida de que irá arrebatar os fãs e ser alçado a disco do ano pela
crítica que tem a idade do crooner.

O segundo é o Van Halen, que reúne sua formação mais querida para o primeiro álbum de inéditas desde 1983 (a saber, como vocalista, David Lee Roth), intitulado A Different Kind of Truth e agendado para o dia 2 de fevereiro. E o terceiro é o Black
Sabbath, que junta novamente os inventores do heavy metal – Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward – separados de estúdio desde 1978 – para um trabalho novinho e turnê mundial que começa ainda este semestre.

Nos games, destacam-se outras três franquias muito queridas e que estavam praticamente esquecidas. O perturbado ex-policial Max Payne retorna, após um hiato de quase 10 anos e uma adaptação ruim para o cinema, para quebrar tudo em uma aventura por São Paulo; a heroína Lara Croft chega reformulada para o reboot da série Tomb Raider, num dos prováveis maiores lançamento do ano; e o inferno volta a reinar na Terra com a terceira parte do consagrado Diablo – inicialmente com previsão de lançamento apenas para PC, diferentemente dos outros títulos que deverão chegar para todas as plataformas.

É evidente que muita coisa (e gente) nova também agitará 2012 e merecerá atenção. Mas não será possível ignorar esses senhores.

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Um mundo de herbívoros


"(...) numa terra tão conservadora, de jovens velhos, fulano de tal apimenta um gênero hoje entregue a baladinhas de letras insossas e raciocínios medíocres".

Faz um tempo, escrevi uma matéria sobre músicos que eu considero coxinhas. Cantores e cantoras que não querem outra coisa que não se encaixar e ser feliz. São inofensivos, quase patetas. Eu esperava reações furibundas da audiência, mas o que recebi foi eco. Gente que concordava plenamente que há muito nada de combativo é feito. Que o cancioneiro brasileiro, seja rock ou MPB, está entregue a uma bichogrilisse nauseante, uma repetição monocórdia de temas e riffs e rimas.

A principal teoria defendida era que hoje, sem um inimigo real (economia falida e repressão política, por exemplo), resta ao artista abstrair pura e simplesmente. Conclui-se, por supuesto, que há coisa de 30 anos atrás a linha de produção musical brasileira só entregava mujahedins, certo? Gente com sangue nos olhos e dentes trincados, prontos pra destroçar o senso-comum, subverter a ordem, promover o caos, levar o horror para a sala de jantar da classe média, não é?

Então sabem quando foi escrita a linha que abre esta coluna? Em 1984. O fulano de tal é Lobão. O trecho, foi extraído da autobiografia que ele lançou em 2010, 50 Anos a Mil, e faz parte de uma crítica publica na época sobre seu disco de estreia, Cena de Cinema. Mas não poderia ser mais atual e fazer mais sentido.

E é também elucidativa: não importa a época em que se vive, sempre haverão coxinhas. Por maior e mais visível que seja o inimigo, sempre existirão aqueles que optam por ignorá-lo, dedilhando suas violas sobre o mar que quebra na praia ou a saudade do pôr do sol na tapera natal.

É não está errado, não é ruim. É natural e parte do ecossistema musical. O que não é natural é justamente a falta de predadores. A falta de, desculpem, lobos. Não tem ninguém mordendo carne, só mastigando mato! E aí, sim, a coisa torna-se preocupante, porque começa a ocorrer um inevitável desequilíbrio na cadeia alimentar.

Predadores de todo mundo, uni-vos! Um mundo de herbívoros é tudo o que a gente menos precisa.

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Reflexão da quarta: "God Bless Ozzy Osbourne"


Assisti ao documentário God Bless Ozzy Osbourne e fiz uma pequena resenha pra edição desta quarta-feira do Segundo Caderno. O filme _ que teve uma passagem relâmpago pelos cinemas e sai agora em DVD _ é produzido pelo filho do Ozzy, Jack, que ao que tudo indica, resolveu fazer a parada depois de uma DR com o pai. Na ocasião, a família havia se reunido pela enésima vez para tentar convencer Ozzy de que sua conduta não era legal, que ele deveria se tratar, e blábláblá. No que Ozzy retruca: "Mas eu já deixei alguma coisa faltar? O que mais vocês queriam?". Jack responde: "Que tal um pai?".

Não vou discutir aqui a figura paterna, seu valor e responsabilidades. Também não vou levantar uma discussão sobre drogas ou álcool. O que me impressiona é essa gente fazendo filme para lavar roupa suja. E pior, sem admitir isso. Ou, pelo menos, sem deixar claro que se trata da pura espetacularização do que normalmente deveria ficar entre as quatro paredes de um núcleo _ o que também não é de agora, sabemos disso.

Já vimos coisa semelhante acontecer naquele constrangedor Some Kind of Monster, que deveria ser o registro da gravação do pior (na opinião de 99% dos fãs, menos eu) disco do Metallica e acabou virando literalmente uma sessão de terapia em grupo, sem acrescentar nada que interesse a quem não está atrás de uma fofoquinha pra ventilar em rede social. God Bless Ozzy Osbourne é isso: não traz absolutamente nada de relevante à biografia do cantor e fica o tempo todo metendo o dedo nas suas notórias feridas através de depoimentos que variam entre o maternal e o rancoroso. Ninguém ali parece afim de falar sobre Ozzy, e sim sobre si mesmo _ o que também não é de agora, sabemos disso.

Só que o Ozzy da vida privada não é tão diferente do Ozzy que todo mundo conhece pelo noticiário. Uma de suas qualidades é justamente a de ser coerente consigo mesmo. E se o documentário serve para alguma coisa, é para reforçar a integridade de Ozzy _ para certo muchocho de sua família.

Em determinado momento, ao recordar sua criação, ele afirma que fez tudo o que acreditava ter que fazer como um bom filho do proletariado inglês nos cinzentos anos do pós-Guerra: arrumou um emprego, montou uma família e foi pro pub beber. O problema é que o emprego era ser frontman da maior banda de heavy metal do mundo e, com isso, arranjar dinheiro não para beber um pint de Guinness, mas comprar a fábrica toda se quisesse. E quando digo "problema" me refiro a quantidade de gente cuidando o que você faz e se preocupando com isso _ incluindo sua própria família, que vai cobrar de você uma atitude condizente com o seu tamanho como pessoa pública.

Daí o filho fazer um documentário para não apenas reforçar aquilo que todo mundo já sabe _ Ozzy arrancou cabeça de pomba, mordeu morcego, usou todo tipo de drogas e adora um trago _ ou deveria saber _ a expulsão do Black Sabbath, seu retorno triunfal, morte e legado do Randy Rhoads e tal _, mas também mostrar que todo mundo o considerava um sujeito inconveniente e que seu esforço em largar as drogas e o álcool só poderiam lhe trazer benefícios. O principal deles, tirar sua primeria carteira de motorista.

Exatamente. Para o cabeças do filme, Ozzy ter finalmente conseguido tirar habilitação foi a prova de que ele é hoje uma pessoa melhor. E durma-se com essa.

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Balanço de 2011

E aí, gostaram de 2011? Eu, como tenho memória seletiva, achei ótimo. Mesmo assim, tenho uma baita dificuldade em organizar os destaques do ano em forma de lista cronológica ou por ordem de importância. Por isso, a distribuição de troféus segue como está na minha cabeça, ou seja, caos. Até que não ficou tão mal, diz aí?


Coreografia: Thom Yorke, em Lotus Flower
A melhor coisa que o Radiohead fez este ano, sem dúvida, foi se tornar um rápido viral com esse vídeo impagável. Sheila Mello é mato perto do Thomas.

Sonora para documentário sobre explosões em minas de carvão: Bebendo Socialmente, dos Hangovers
Os gaúchos Liege Milk, Theo Portalet e Gabriel Lixo transformam barulho em... mais barulho. Para os fortes de espírito.

Melhor disco indie que não merece esse rótulo: Arrows, do The Lonely Forest
Sabe o sujeito que fica pedindo licença para passar em plena escada rolante? É como soam os norte-americanos do Lonely, só que ao contrário.



Uma razão para acreditar que o mundo está piorando:
A Banda Mais Bonita da Cidade
O maior/melhor golpe publicitário da internet brasileira deu tão certo que conseguiu financiamento para gravar um disco inteiro.


Porque o rock no Rio Grande do Sul tem jeito: Sings the Blues, do Campbell Trio
Sem reinventar a roda, o CT funde hardcore, punk e metal no melhor EP lançado por aqui em anos. Espero pelo disco inteiro como se minha vida dependesse disso.

Foi tarde: Kings of Leon
Agora o lance é virar banda de apoio de algum programa de entrevistas de TV local pra pagar as contas...

Pior produto dos reinos animal, vegetal e mineral: Lulu (Metallica + Lou Reed)
Agora é esperar para daqui a 20 anos alguém dizer que esse troço é uma obra incompreendida.

Show que quase ninguém viu: Down, no Pepsi On Stage
Na figura de Phil Anselmo, coisa de 500 pessoas tiveram a sorte de ver como se comporta uma verdadeira liderança de banda de rock pesado. Fora o repertório de gente grande.

Kit de imprensa: Cartel da Cevada
Os caras enviaram uma garrafa de cerveja artesanal GELADA em plena hora do almoço de uma sexta-feira. Como não amar?

Bagaceiragem irresistível: Party Rocky Anthem, LMFAO
Não a toa, foi uma das músicas mais vendidas no Reino Unido neste ano. É uma farofada, mas que dá uma vontade esquisita de sair dançando, isso dá.

Livro de cabeceira: Everybody Loves You When You're Dead, de Neil Strauss
Você, jornalista, aprenda a entrevistar músicos. Você, músico, aprenda a dar entrevistas.

Procrastinação é o meu nome do meio: 9gag.com
Acesse uma única vez e 1) você não volta nunca mais ou 2) sua produtividade está seriamente ameaçada.

Melhor disco que eu não ouviria se não fosse jornalista e recomendo fortemente: The Baggios
Da sempre porreta cena rocker do nordeste surge essa dupla sergipana que funde Led Zeppelin com Raul Seixas. E fica bom demais.

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