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As mais tocadas em 2013 e algumas conclusões óbvias

09 de janeiro de 2014 0

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O Ecad divulgou o ranking parcial das músicas mais executadas no Brasil em 2013.

Primeiro, o ranking que mostra as músicas mais tocadas em “casas de diversão”:

1- Louquinha (João Lucas e Marcelo + Dennis DJ)
2- Amor de Chocolate (Naldo)
3- Gatinha Assanhada (Gusttavo Lima)
4- Don’t You Worry Child (Swedish House Mafia)
5- Camaro Amarelo (Munhoz e Mariano)

Agora, as mais tocadas no rádio em todo o país:

1- 93 Million Miles (Jason Mraz)
2 – Don’t You Worry Child (Swedish House Mafia)
3- Esse Cara Sou Eu (Roberto Carlos)
4- Vidro Fumê (Bruno e Marrone)
5- Vagalumes (Pollo + Ivo Mozart)

E as mais tocadas no rádio na região Sul:

1- Esse Cara Sou Eu (Roberto Carlos)
2- 93 Million Miles (Jason Mraz)
3- Vagalumes (Pollo + Ivo Mozart)
4- Vidro Fumê (Bruno e Marrone)
5- Diamonds (Rihanna)

Os números das mais tocadas no rádio são parecidos com os divulgado anteriormente pela Crowley:

1 – Vidro Fumê (Bruno e Marrone)
2 – Te Esperando (Luan Santana)
3 – Show das Poderosas (Anitta)
4 – Vagalumes (Pollo + Ivo Mozart)
5 – Amor de Chocolate (Naldo)

Algumas conclusões são óbvias. Primeiro, ou a) não saio mais de casa ou b) tenho uma ideia bem diferente de diversão. Segundo, definitivamente, não sou um ouvinte de rádio. E se conheço quase todas, é por pura e simples força da profissão _ o que não me torna alguém melhor, por favor, é só um apontamento. Se não fosse jornalista e não trabalhasse com música, vai saber o que estaria ouvindo? Talvez ainda morasse em Americana e estaria faceiro ouvindo Camaro Amarelo e Vidro Fumê (que obsessão dessa gente por carro, não?).

Mas a conclusão ainda mais óbvia é o poder da… novela. Num tempo em que você tem acesso a música do mundo inteiro através de um sem número de dispositivos _ e por isso não depende, em tese, dos canais consolidados _ quem diz o que toca no rádio ainda é a TV aberta. Louquinha foi trilha de Malhação, Gatinha Assanhada, 93 Million Miles e Esse Cara Sou Eu estavam em Salve Jorge, Don’t You Worry Child, Vagalumes e Camaro Amarelo integraram Sangue Bom.

Outra coisa: o funk continua sendo uma exceção. Anitta e Naldo entraram nas mais tocadas do ano sem a exposição maciça que as novelas garantem. Na base do peitaço. Mas algo me diz que em 2014 isso vai ser bem diferente.

Retrospectiva 2013 por Wender Zanon

03 de janeiro de 2014 2

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O Wender Zanon, jovem agitador do underground gaúcho, faz sua listinha de destaques para o ano que acabou de acabar. Saquem as indicações (e a verve corajosa) desse enfant terrible dos pampas.

Valeu a espera: Novo filme do Jodorowsky.
Após 23 anos do último filme,  “La danza de la realidad” foi lançado em Cannes este ano. Ainda não vi, mas é Jodorowsky… sabe como é, né? Mestre Jodorowsky!

Disco que mais ouvi: Mudhoney – Vanishing Point.
Não sei se foi exatamente o disco que mais escutei, só sei que demorou um tempo pra ele sair dos meus fones de ouvido.

Melhor disco: Hanga in the sky with breads, Hangovers.
É um disco? Um ep? Pouco importa. Talvez não seja o melhor disco do ano, mas é Hangovers. Hanga in the sky with breads é furioso, essa banda é animalesca e todos os shows são “um absurdo!”. O disco abre com “Medo e Delírio em Canoas”. Preciso dizer algo mais? Que banda! Que música! Escutem.

Descoberta [1]: Gipsy Rufina.
Não foi só uma “descoberta sonora”. Esse italiano deu um baita role pelo Brasil, Argentina e Uruguai. Saiu lá da Itália pra tocar no nosso querido undeground. A descoberta aqui vai além do som, Gipsy Rufina foi um dos caras mais gente fina que eu conheci ultimamente. Quem dera que todas as pessoas envolvidas no “underground” fossem tão firmeza assim. Ah, ele prometeu voltar em 2014! Escutem.

Descoberta [2]: Coice de Potro,
Descobri uma banda daqui de Canoas que se chama “Coice de Potro”. Uma verdadeira patada! Escutem.

Descoberta [3]: Everyone Goes to Space.
Descobri também uma outra banda nova aqui em Canoas. Essa se chama “Everyone Goes to Space”. Recomendado pra quem curte um “emo” do jeito que tem que ser. Eles ainda não tem nenhum material gravado, mas fiquem atentos. Aqui.

Para ficar de olho em 2014 [1]: Rakta.
Elas lançaram um baita disco em dezembro. No próximo ano vão fazer uma turnê pela Argentina e Uruguai, mas antes disso fazem uma parada no RS. Fiquem atentos! Escutem.

Para ficar de olho em 2014 [2]: Mansarda Records.
A Mansarda Records é a netlabel administrada pelos músicos improvisadores, Diego Dias e Gustavo Bode, ambos de Porto Alegre. Em 2013, lançaram 50 discos. Não sei o que eles prometem para 2014, mas deve vir muita coisa boa novamente. Fiquem atentos.

Podia ser melhor: Ornitorrincos.
Os Ornitorrincos lançaram o disco novo em dezembro. Fizeram um baita show de lançamento, tocaram muitos sons e o Villaverde (o rei do underground) quase teve um treco no palco. Até ai tudo bem. Só que dai o show acabou e eles não tinham tocado “É só uma questão de distância”. Tipo, o hit da banda, saca? A galera pediu, cantou, fez corinho e eles não atenderam o pedido. Falaram que a música é chata pra tocar ao vivo, isso e aquilo, enfim, na próxima atendam aos fãs, ok? :P

Farsa: Campbell Trio.
A Campbell Trio intimou o Gustavo Brigatti para comparecer em um show. E ele foi. A aposta era assim: se o Brigatti fosse pro tal show, a Campbell iria lançar o tão “aguardado disco de inéditas”. Pode até não ser farsa, mas esse show aconteceu no dia 20 de julho… 2013 tá acabando… e até agora nada de disco novo da Campbell. Sacanagem!

Não me engana mais: Arcade Fire.
Eu não sei como alguém coloca “Arcade Fire” nas listas de melhores do ano. Gosto é gosto e blah blah blah. Mas, na moral… que banda bem palha.

Melhor clipe: Bob Dylan – Like a Rolling Stones.
Cliquei no botão de curtir mil vezes. Aqui.

Melhor disco que quase ninguém ouviu: Maceduss + Floricultura + Edu K.
Eu não sei o que falar desse disco, desse show e nem deste dia. Foi tudo muito incrivel! O show acabou e cada integrante saiu do palco com um sorriso largo do rosto. Acho que ninguém ouviu e nem sei se deveria também, mas tá aí o link. Um show histórico que reuniu Maceduss + Floricultura + Edu K.

Chorei uma. Minto, duas vezes: Agathocles (Belgíca) em Gravataí.
Fazia tempo que eu não via um show de grindcore. Fazia um tempo que eu já não escutava grindcore. E também fazia um tempo que eu não via um show tão intenso assim. O show foi destruidor do inicio ao fim. Eu já não gosto tanto de grindcore como gostava antes, mas esse show foi de chorar. Uma verdadeira celebração da cultura dos independentes.

Restrospectiva 2013 por Marcel Bittencourt

26 de dezembro de 2013 0

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O chapa Marcel Bittencourt, do grande Poa Show, enviou sua contra-lista de destaques do ano. Sagaz o rapaz, viu

Segue:

Valeu a espera: Aftershock, Motörhead
O álbum de Lemmy Kilmister, Phil Campbell e Mikkey Dee chegou como um dos melhores da banda nos últimos vinte anos. Além da sonoridade tradicional e casca grossa do Motörhead, o disco ainda pisa em outros terrenos como o blues e o heavy metal, sempre de forma impecável. A banda que tem Deus tocando baixo assina um dos melhores álbuns de 2013.

Disco que mais ouvi: King of Conflicts, The Virginmarys
Formado em 2006, o power trio inglês de ROCK (assim mesmo, com todas as letras em maiúsculo) lançou em 2013 seu excelente álbum de estreia. A pegada da banda, moderna e com arranjos de dar inveja, somada à competência de seus instrumentistas e um vocal cheio de personalidade, fez dessa pérola de refrões perfeitos o disco que mais passou pelos fones de ouvido deste que vos escreve. Se fosse vinil, teria furado.

Melhor disco: The Next Day, David Bowie
Após um hiato de dez anos, David Bowie voltou a lançar um álbum. Pelo contexto histórico, pela qualidade das composições e por todos seus aspectos técnicos, The Next Day foi um dos álbuns mais comentados de 2013. Vale cada segundo da audição, mesmo apostando em um tracklist de 14 faixas, algo cada vez mais raro nos dias atuais. Bowie voltou, e voltou no topo.

Descoberta: Max Capote
O festival El Mapa de Todos trouxe a Porto Alegre uma vasta gama de artistas interessantes e cheios de talento. Dentre eles, destaque para Max Capote, cantor uruguaio de estilo impossível de definir. Não deixe de conhecer.

Para ficar de olho em 2014: Marcelo Fruet e os Cozinheiros
O músico e produtor musical Marcelo Fruet passou 2013 promovendo o álbum AION. Suas composições e sua sonoridade transcendem a alta linhagem do que é feito hoje em matéria de música brasileira, o que lhe garantiu espaço na escalação de festivais na America do Norte e no Japão. Inteligente e talentoso, Fruet é candidato conquistas ainda mais significativas no ano que vem.

Podia ser melhor: Lightning Bolt, Pearl Jam
Os rapazes de Seattle voltaram a lançar um álbum após quatro anos. Lightning Bolt é um bom disco, não me entendam mal, porém não supre as expectativas e em nada pode ser comparado aos melhores lançamentos dos caras. Ainda se mostram firmes e fortes no palco, mas, enquanto compositores estão um pouco mais (des)cansados.

Farsa: Girls
Rick Bonadio, um dos maiores produtores musicais do Brasil, formou em um Reality Show a “girl band” Girls. Foi tão bom e emplacou tanto que teve show cancelado em Porto Alegre por problemas logísticos.

Não me engana mais: Sebastian Bach
Em franca decadência e precisando se valer de troca de farpas com os ex-integrantes do Skid Row para se manter na mídia, o desempenho do vocalista em 2013 confere ao Tião o troféu da categoria.

Pior disco: Todos os discos de bandas que soam igual a outra banda. Isso não é uma crítica, é uma observação.

Melhor clipe: Red Fang
A banda americana de stoner Rock Red Fang vem se popularizando não apenas por sua competência, mas pela criatividade na hora de fazer videoclipes. Se o ótimo “Wires” levaria este mesmo título em outros tempos, em 2013 a banda nos brindou com “Blood Like Cream”, que retrata um apocalipse zumbi onde as criaturas preferem cerveja.

Melhor game: Fifa 14
A franquia FIFA continua soberana quando se trata de realismo e diversão em matéria de games.

Melhor disco que ninguém ouviu: Empate técnico entre Motor City Madness e Eu Acuso
Sou entusiasta da cena independente e em 2013 muita coisa boa foi lançada. Entre os que mais me chamaram a atenção, recomendo os álbuns de estreia de Motor City Madness, com um Rock simples, direto e eficiente para quebrar bares por dentro, e do Eu Acuso!, banda com influências de Stuck Mojo e Rage Against the Machine que combina com perfeição peso e ótimas letras de protesto em português.

(Quase) chorei uma, não, duas vezes: Black Sabbath em Porto Alegre
De pleno acordo que a banda é e está velha. Tudo bem. Porém, os distintos senhores Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler, acompanhados do baterista Tommy Clufetos (a.k.a. homem mais sortudo do mundo) fizeram o show do ano me Porto Alegre. Ver o principal pilar do som pesado destruir nossa cidade foi, além de uma experiência para toda a vida, um pouco demais para esse coraçãozinho.

Retrospectiva 2013

25 de dezembro de 2013 5

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Que ano trepidante esse de 2013, hein? Como de praxe, segue a nossa retrospectiva. No blog tem mais.

Valeu a espera: Dark Matters, da Worldengine
É a prova definitiva que a música não tem mais fronteiras e que Porto Alegre consegue ir muito além do indie rock boa praça que ninguém aguenta mais.

Disco que mais ouvi: True North, Bad Religion
Lançado no comecinho do ano, não parou de rodar nos meus fones de ouvido, mostrando que o punk ainda tem muita a dizer. Nem que seja “dane-se”.

Melhor disco: Antes que Tu Conte Outra, Apanhador Só
Ousado, político e agressivo, o disco mostra uma Apanhador interessada em confrontar o bom mocismo que reina na música pop atual. E vence muito.

Descoberta: Laura Marling
Seu disco Once I Was An Eagle é um tratado sobre dor de cotovelo em três atos. Letras inspiradas em Bob Dylan e música bebendo do lado folk do Led Zeppelin.

Para ficar de olho em 2014: Erick Endres
Se o guri não for arrebatado por uma paixonite que o faça debandar para o sertanejo universitário, podemos esperar um grande ano para esse prodígio da guitarra.

Podia ser melhor: …Like Clockwork, Queens of the Stone Age
A expectativa era grande e Josh Homme não decepcionou: lançou um grande disco de rock. Ou seja, fez o esperado. Só que dele eu esperava mais: esperava o inesperado. Esperei demais?

Farsa: Anitta
Vendida como uma legítima filha dos bailes funk capaz de sacudir o dial das FMs classe média, se transformou em uma cantora pop genérica logo no primeiro disco.

Não me engana mais: Arcade Fire
Em 2005, os canadenses me fizeram chorar num show ao vivo. Em 2013, nem bocejar consegui. Muita firula para pouca música.

Pior disco: Comedown Machine, Strokes
É realmente muito difícil pra eles pararem de fazer música e se dedicarem a, sei lá, macramé?

Melhor clipe: Blurred Lines, Robin Thicke
Duas palavras: Emily Ratajkowski.

Melhor game: Last of Us
Mais do que um survival de horror, o jogo da Naughty Dog desafia o mais empedernido dos corações a não se envolver no drama de Ellie e Joel.

Melhor disco que quase ninguém ouviu: Contra Nós Ninguém Será, Edi Rock
O vocalista dos Racionais MC’s produziu um disco cheio de peso e grandes histórias. Destaque para a cruel Selva De Pedra.

Chorei uma. Minto, duas vezes: Alice in Chains no Pepsi On Stage
Num dos melhores espetáculos do ano, o Alice in Chains provou que não só ainda é relevante no cenário musical, como o vocalista William DuVall está à altura do desafio de substituir Layne Staley. Nutshell e No Excuses foram gigantescas.

O Arcade Fire é o novo Radiohead

01 de novembro de 2013 18

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O Arcade Fire está lançando um disco novo, Reflektor. Eu não vou ouvir. Não vou ouvir porque a banda chegou naquele estágio em que parece ser preciso um pós-doutorado para ouvir sua música. Pelo menos é a impressão que tenho quando leio os textos a respeito do álbum. Extensos, rebuscados, apaixonados, dramáticos, cheios de reviravoltas, quase um roteiro de filme do Spike Jonze com direção do David Lynch. Nada contra, são na maioria muito bem escritos e acredito que todos ali falem a mais absoluta verdade. Só que me dá tanto cansaço que não tenho como não me lembrar lá por 2004, 2005, quando eles lançaram o primeiro disco, Funeral, e tudo era mais simples. Era só música e nada mais.

Funeral é um disco lindo, lindo, lindo, que me salvou da mais absoluta desgraça quando fui ao Tim Festival de 2005 ver o Kings of Leon e Strokes, que fizeram shows medíocres e esquecíveis, diferente do Arcade Fire, que me levou às lágrimas. E quando leio essa cacetada de textos sobre Reflektor, toda a campanha publicitária, curta-metragens espirituosos, um monte de cacique embasando, lista de melhores do ano, cara, eu só penso na música. Cadê a música? Tá no disco, claro. Mas ela não vem dissociada dessa histeria toda, azar o meu que me incomodo com isso.

Daí automaticamente me lembro do Radiohead, que tem um disco ducaralhíssimo, The Bends, que aparentemente ninguém que seja fã diz gostar. Apenas não fãs gostam. O disco é ruim, por acaso? Não, o disco é ótimo. Mas é um disco simples, popular, barbadinha, um disco de pop rock incrível. Mas não é suficiente, precisa ser inacessível, precisa ser esquisito, precisa ser acompanhado por um teorema para ser entendido. Caceta, cadê a música? Qual o problema em ser apenas música? Música legal, saca? Música pra ouvir, não pra ficar revirando os olhos buscando explicação.

O Radiohead, aliás, não toca mais Creep em seus shows. Djisus, por que? Eu sei o porque, eles soltaram um texto explicando a razão, mas não me interessa. A música é boa, sem dúvida, mas é popular. É fácil. É legal. Então não vale mais pra audiência que eles criaram após o OK Computer. Pra essa audiência, quanto mais distante e hermético, melhor _ mesmo que nem eles de fato saquem o que está rolando…

Eu vejo acontecendo o mesmo com o Arcade Fire. Era uma banda joinha, faziam um som diferente, mas legal, empolgante, despretensioso. Agora, sei lá. Não alcanço mais. Melhor deixar pra lá.

"Gravidade" não pode estar na editoria de cinema

21 de outubro de 2013 4

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No final de agosto, defendi que gente como Miley Cyrus, Lady Gaga e arredores não deveriam mais ser tratados pela editoria de música. Que uma outra editoria deveria criada, algo como FANFARRONICE ou ZUÊRA. Imagina que louco uma editoria chamada FANFARRONICE ou ZUÊRA? Não faltaria assunto, tenho certeza. Além de Cyrus, Gaga, outro que poderia ser incluído nessa nova editoria seria Gravidade, novo filme de Alfonso Cuarón. Eu sei que muitos de vocês se molham todos só de ler um nome exótico (leia-se não norte-americano, o que em tese remeteria a um cinema “de autor”, logo, supostamente superior, esse tipo de bobagem) num cartaz de cinema, mas vamos com calma.

Fui ver o Gravidade numa sala IMAX, com tudo o que tenho direito: tela do tamanho de uma quadra de futebol, som altíssimo e ingresso extorsivo. Porque me disseram que só assim eu teria a “experiência completa” que Gravidade prometia. E taí uma verdade: Gravidade é uma experiência. Tanto que deveria estar não num cinema de shopping, mas num parque de diversões, junto da roda gigante, a montanha russa e carrinho de bate-bate. Só faltou a poltrona tremer e soltar vento pra virar aqueles salas de cinema 6D, manja?

Cinema _ do tipo com historinha, diálogos, personagens e tal _ não existe. É uma hora e meia de Sandra Bullock girando e gritando no espaço, dentro e fora de estações e naves feito em computação gráfica. Dos US$ 100 milhões estimados em orçamento, é certo que Cuarón gastou metade nos salários da Sandra e do George Clooney (que não tem 20 minutos de aparição) e a outra metade usou para contratar um exército de nerds para recriar o espaço em CGI na etapa de pós-produção. Barbada.

Aí eu fiquei pensando que falar de um troço desses como CINEMA deve ser tão difícil quanto falar sobre o novo disco da Lady Gaga como MÚSICA. Não tem como, é uma outra conversa. Uma conversa que eu gostaria que fosse séria e relevante, mas que eu não consigo não achar a mais pura FANFARRONICE. Ou muito da ZUÊRA.

Pare tudo e ouça Lorde

17 de outubro de 2013 3

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Que ano esse de 2013. Mal acabei de botar meu queixo no lugar, derrubado pela Laura Marling, e me chega essa Lorde. Ninfeta de 16 anos da Nova Zelândia, fazendo uma música anti-pop, anti-climática, que não é feita para inferninho, não dá pra estalar os dedos, não tem refrãozinho baba, mas te deixa ligado o tempo todo.

Me lembrou outra musa dark do synth pop, Lykke Li. Mas bem menos feliz. Bem menos tudo, na real. Lorde _ persona artística de Ella Maria Lani Yelich-O’Connor _ é mais minimalista, no sentido de precisar de pouco para fazer uma música que preenche o ambiente e te mantém atento. Sua voz é áspera, meio desafinada e hipnótica.

Lorde reina absoluta em sua terra natal e agora começa a chegar ao resto do mundo graças ao lançamento de Pure Heroine, seu disco de estreia que vem amealhando todas as estrelas possíveis nas principais publicações do mundo.

Mas não acredite em mim. Ouça esse compilado e tire suas próprias conclusões.

Top 8 línguas da música pop

12 de outubro de 2013 1

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Em homenagem ao disco da Miley Cyrus que acabou de chegar na redação, preparei uma coletânea que exalta o verdadeira contribuição da cantora para a música: sua língua.

Segue, então, 8 músicos flagrados com a dita cuja de fora.

1. Gene Simmons
Nada melhor do que começar com o óbvio…

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2. Courntey Love
Na foto, tocando o costumeiro terror com Francis e Kurt

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3. Britney Spears e Madonna
Esse dia foi massa

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4. Beyoncé
A diva em momento “fiquem olhando enquanto eu tomo banho”

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5. Steven Tyler
Abre a boca, é Royal (maiores de 30 anos entenderão)

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6. Juliette Lewis
Atriz, cantora, uma língua multidisciplinar

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7. Amy Winehouse
Pensar que essa língua agora tá comendo grama pela raiz…

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8. Azealia Banks
A próxima na linha sucessória de Nicki Minaj

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Os anos 70 começaram em 2007 (ou antes)

11 de outubro de 2013 0

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O Black Sabbath é maior banda de rock da atualidade. O disco do Daft Punk é pura disco music. O do Justin Timberlake, também. E parece que o do Arcade Fire está indo pelo mesmo caminho. E a cinebiografia da Linda Lovelace taí pra provar que sacanagem não é um negócio que começou com a Miley Cyrus _ pelo contrário, ela só estragou tudo.

Mas o foco aqui são os anos 1970, que é barbada dizer que começaram ontem. Mas daí sem querer eu me lembrei dessa PÉROLA que o gênio da raça Snoop Dogg lançou no longínquo ano de 2007. Daí das duas uma: ou o cara adiantou essa onda que estorou em 2013, ou esse papo de revival já deu tudo o que tinha que dar.

Saquem:

A massaroca sonora do Rappa

30 de setembro de 2013 2

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Vou confessar uma coisa para vocês: durante muito tempo, eu não consegui distinguir o som do baixo em uma música. É sério. Cheguei até a escrever um texto zoando baixistas porque eu não sacava qual era a importância deles numa banda _ porque, afina, eu não ouvia o instrumento que tocava. Foi só há coisas de uns anos que aprendi _ o termo é aprender, mesmo _ a separar os instrumentos de uma música enquanto ouço ela. E aí comecei a destacar o baixo.

Foi uma descoberta fantástica. De preterido passou a ser preferido. Só perde para o cello _ a razão não cabe agora. Porque o importante é que junto com a capacidade de ressaltar os instrumentos em uma música, ressaltou também minha chatice. Não consigo mais ouvir nada sem, automaticamente, começar a separar baixo, guitarras, bateria, teclas, sopros, metais, enfim. E tenho pra mim que, quanto mais limpa a música, melhor. Quando mais consigo visualizar o que está acontecendo, melhor.

Talvez por isso não consiga gostar do Rappa pós-Marcelo Yuka. E não estou falando das letras ou da postura da banda. Estou falando da música, mesmo. Pode ser só coincidência, de repente o caminho escolhido pelo grupo seria naturalmente esse, enfim. Mas em Nunca Tem Fim… eles repetem o que havia me saltado (e assaltado) em 7 Vezes: massaroca sonora.

É incrível a poluição presente em todas as 10 faixas do álbum. É tanto fragmento eletrônico, tanto sampler de tanta coisa, que chega a dar vertigem. Como tudo parece estar sujeito a levada, o negócio é construir uma parede sólida, feita de qualquer coisa, para sustentá-la. Mesmo que nada faça sentido, que soe ruim ou exagerado. As músicas não chegam a ser ruins, mas sua construção, sim. A sensação é de que está sempre sobrando alguma coisa e que com muito menos a parada seria resolvida.

Em entrevista por e-mail, perguntei sobre isso para o Falcão. A resposta:

“Essa variedade é consequência da identidade da banda, que mistura muita coisa, estilos. Lobatinho é meio professor Pardal e vem com ideias, Xandão quis que a guitarra desse disco tivesse uma personalidade diferente dos outros discos, eu gravei muitos sons graves no meu estúdio e o próprio Tom (Saboia, produtor do disco) contribui com novos elementos. Agora, como é decidido é bem simples: um traz a ideia, geral vota. Se passar, tá decidido.”

Pelo visto, geral vota sempre a favor de tudo. Talvez, então, a culpa seja da criação excessivamente coletiva. Tá faltando alguém que bote ordem, que limite não a criatividade do grupo, mas o ímpeto irrefreável de sufocar suas próprias criações com elementos desnecessários. Do mesmo mal sofreu 7 Vezes e era algo que não se via nos discos anteriores. A base de rock e reggae em O Rappa Mundi, por exemplo, era a mesma, as intervenções eletrônicas estavam lá, mas as canções respiravam. Era possível entender o que estava se passando e ouvir mais de uma vez o disco. Nunca Tem Fim… não dá, chega a cansar. Ainda bem que, ao contrário do que diz seu título, ele acaba.