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Posts na categoria "disco na íntegra"

Saiu a trilha do "Sound City"

04 de março de 2013 0

Sound City, documentário que Dave Grohl produziu sobre o lendário estúdio, acaba de ter sua trilha sonora disponibilizada. São 11 faixas originais feitas em parceiras com músicos chegados de Grohl, como Joshua Homme (Queens of the Stone Age), Corey Taylor (Slipknot) e Trent Reznor (Nine Inch Nails), além dos bróders do Foo Fighters, o amigo e ex-companheiro de Nirvana Krist Novoselic e o gigante Paul McCartney – que participa em Cut Me Some Slack, genial copy+paste de Helter Skelter.

O lançamento oficial de Sound City: Real to Reel é 12 de março nos EUA.

De ouvir ajoelhado.

Wannabe Jalva dá adeus...

27 de dezembro de 2012 0


... a 2012!

A Wannabe Jalva não é o Roberto Carlos, mas também se despede de 2012 com um especial. No caso da gurizada de Porto Alegre, ao invés de um programa de TV brega, eles soltaram So Long, 2012, um disquinho com duas músicas.

Uma delas é a versão ao vivo de Full of Grace, que pode ser conferida no disco de estreia dos Jalva. A outra é um mashup de On'n'On, do duo eletrônico Justice, com Kashmir, do Led Zeppelin.

Seria uma pista do segundo trabalho da banda, programado para o segundo semestre de 2013? Vai saber.

Até lá, as duas faixas podem ser baixadas em wannabejalva.com/solong2012 ou facebook.com/wannabejalva.

Consenso sensorial

06 de dezembro de 2012 1

Crédito da foto: Gabriel Von Brixen

Quem acompanha música em escala industrial sabe que músicos de verdade, criando canções de verdade, estão entrando em extinção. Por isso, quando aparece um disco como A + B, do trio instrumental porto-alegrense Quarto Sensorial, é impossível segurar a baba. E, confesso, as lágrimas.

A + B saiu agora, na finaleira do ano, para bagunçar as listas de melhores de qualquer coisa. São sete faixas que colocam o ouvinte a explorar planícies sonoras em diferentes velocidades, ritmos e texturas. E a cada audição a viagem muda: descobre-se um novo riff, uma levada diferente, um instrumento escondido sob as camadas de ideias.

Ouça Voo Livre, por exemplo, e tente segurar os miolos.

Mas não confie em mim. Ouça você mesmo no SoundCloud do caras.

"Usuário" ao vivo em Porto Alegre. Eu gosto, mas não vou.

26 de setembro de 2012 0


O Planet Hemp faz show com ingressos esgotados neste sábado em Porto Alegre. A banda se juntou depois de uma década separada para tocar o disco Usuário, lançado em 1995, na íntegra. É o melhor disco dos anos 1990, na minha opinião, e merece ser homenageado com solenidade. Usuário, aliás, periga ser um dos últimos trabalhos da música pop brasileira que realmente tinham algo a dizer e não era passível de dupla interpretação. Ali o papo é reto.

Usuário é todo discurso e posicionamento. É político, uma carta aberta de intenções, sua militância é explícia e decidida, não dava pra ouvir no carro voltando da escola. Nas festinhas de garagem, era botar pra rodar que logo alguém pedia pra tirar e botar Roxette de novo. Ouvir Usuário era pedir para se incomodar em qualquer lugar, na real _ e, até por isso, ele se tornava ainda mais atraente e divertido.

Sem contar a música, paidocéu, é provavelmente a melhor fusão de rock com funk desde Tim Maia, só que acrescido de rap e guitarras distorcidas. A mistura ali promovida por Marcelo D2 (vocal), BNegão (vocal), Black Alien (vocal e DJ), Rafael Crespo (guitarra), Formigão (baixo), Zé Gonzales (DJ) e Pedrinho (bateria) não tem paralelo à altura até hoje. Mesmo seus criadores estão tratando de outros interesses agora _ razão pelo qual eu não vou no show deste sábado.

Não vou ver o disco que mais gosto do anos 1990 ao vivo porque a banda que o criou ficou por lá também. E em certas memórias afetivas é melhor não mexer. Vida longa a Usuário, eternamente rodando na minha vitrola. Mas é só.

Se quiser ouvir, a banda disponibiliza todos os seus discos para audição em sua página no YouTube.

As chicas do Liers

09 de agosto de 2012 2


Em tempos de garotas sendo presas por terem atitude e professarem o bom rock'n'roll, o Remix apresenta o Liers. A banda foi formada em Buenos Aires em 2010, depois da vocalista Ludmila Guerzoni alcançar os pináculos do tédio na capital argentina.

Inspirada na cantora do Gossip, Beth Ditto (no que toca ao gosto por pouca roupa no palco), Ludmila juntou a brasileira Sura Sepulveda (guitarra) e as hermanas Emilia Kiernan (bateria), Aldana Aguirre (baixo) e Bárbara Martínez (guitarra) para detonar um punk rock cru e cruel, mas ao mesmo tempo sexy e provocativo.

Saquem o primeiro clipe e entendam o tamanho da encrenca:

Sim, você já viu e ouvi isso um trilhão de vezes, é protopunk amaciado feito para tocar em festinhas loucas (para as quais você nunca é convidado...), mas o lance das Liers é a pegada ao vivo, tanto que a banda foi considerada pela Rolling Stone argentina como o "rock más degenerado que Palermo pueda soportar".

Saque:

A banda está lançando seu primeiro EP, que você pode baixar no Bandcamp delas. E em conversa comigo, elas disseram que estão muito na pilha de tocar em Porto Alegre. E aí, alguém no barato de trazer as Liers prum showzinho maneiro? Contatos no Facebook das minas.

Wilco em tributo

26 de julho de 2012 0


Yankee Hotel Foxtrot
é considerada a obra-prima do Wilco. Tão obra-prima que foi rejeitado pela gravadora original da banda em 2001 e só viu a luz do dia em 2002, por outro selo. Para comemorar sua primeira década de vida, o disco acaba de ganhar uma excelente releitura por diversos grupos, cada um reinterpretando uma das 11 faixas de YHF _ acima, um detalhe da belíssima recriação da capa do clássico.

A gauchada compareceu em peso com Gru, Josephines, The Prom Queen, Foppa, The Sorry Shop e Trend. Baixe essa belezinha aqui no Clube dos Outsiders.

Semana do rock: ZERODOZE

13 de julho de 2012 5

Crédito: Daniel Lacet

O que quer a Zerodoze? Eu digo que ela quer se divertir. Cristiano Wortmann, André Lacet e Alberto Andrade, no recém-lançado O Peso que Corrói (baixe aqui), se esmeraram em produzir uma seleção de músicas legais, rockões acelerados e tocados com intensidade, daqueles que só podem ser ouvidos castigando os tímpanos. A produção de  Ray-Z e Mateus Borges _ que também mixou a bolacha _ também merece destaque: é um alívio conseguir ouvir cada um dos instrumentos ao invés da costumeira maçaroca sonora dos discos de hardrock.

Porque a Zerodoze é hardrock e não foge à luta. Sua cartilha de influências, aliás, está toda na faixa Those Music, onde citam nomes de músicas das bandas onde bebem _ um exercício de descoberta que pode ser interessante também para os neófitos. Têm ainda uns elementos de heavy e thrash _ uma bateria que emula britadeira aqui (Tão Igual), uns riffs mais elaborados acolá (Da Onde Veio, Novo Caminho), linhas de baixo raivosas costurando as melodias (mas se sobressaindo bem em Pequenos Jogos e Black and Gray) e a reabilitação dos solos, aleluia, irmãos!

Então, voltamos a pergunta inicial: o que quer a Zerodoze? Já sabemos que ela quer se divertir, o que faz com vontade e competência. Mas acho que poderia ir além. Ok, AC/DC, Pantera, Iron Maiden, Black Sabbath, Randy Rhoads, Metallica, Black Label Society, sem segredo e nem descanso, mas que tal avançar? Não digo para, do dia pra noite, começar a ouvir tcha tcha tcha e fazer uma dessas fusões bizarras de metal com qualquer coisa. Essa não é a praia da Zerodoze, definitivamente.

Eu diria que, mesmo dentro dos cânones da música pesada, há outros caminhos quando se olha para além dos hits que os tornaram célebres. Iron Maiden não é só Two Minutes to Midnight, Black Sabbath não é só Paranoid, AC/DC fez muito mais do que Back in Black e Highway to Hell. Claro que para o senso comum, que compra CD de best of para não correr o risco de ter que pensar, isso não importa.

Mas quem aqui tá ligando para o senso comum? Não os caras da Zerodoze, tenho certeza, já que dão nítida prova de que conhecem do riscado _ só precisam arriscar mais. Ir além da festa, além do "já ganhou", além do power chord _ que é legal e sempre bem-vindo, claro, mas tem alcance limitado.

Eu me diverti muito com O Peso que Corrói e quero ver eles ao vivo agora. Mas espero ansioso pelo próximo disco.

Offspring grava disco da Katy Perry

20 de junho de 2012 2

Sério. Deve ter havido algum engano. Essa música liberada pelo Offspring, há coisa de um mês no Soundcloud, não pode ser deles. Deve ser parte de algum projeto do tipo "bandas punk californianas gravam Katy Perry para custear a aplicação de botox em estrelas de reality show".

Tentem ouvir até o fim:

Então descobri que tem até um VÍDEO dessa naba:

Sério, nego ultrapassou a linha entre o deboche e a auto-depreciação sem olhar pros lados e foi atropelado pela locomotiva da falta de noção. Só falta o Snoop Dogg!

Agora essa outra. Violãozinho e tudo:

E tem vídeo também:

Mas não é pegadinha, não, esse são os dois primeiros singles do novo disco do grupo, que será lançado na próxima semana e foi colocado para audição completa no site da Rolling Stone. Days Go By é o nome da bolacha e a capa é essa parada estranhíssima aí embaixo:


Tem algo mais anti-Offspring que a fotografia sombria de um guri encasacado e um velho janota sentado num banco em meio a uma floresta tétrica?

Eu sei que isso de banda acabar é coisa do passado, mas coisas assim que me fazem acreditar que, sim, chega um momento em que a sua vontade de "fazer coisas diferentes", de "ousar", não pode ser maior que _ ou colocar em risco _ a reputação que você construiu. E não é mimimi de fã ou de crítico, é uma constatação à luz dos acontecimentos. Que bad.

Rock para acelerar

16 de fevereiro de 2012 0

Qual a lembrança mais antiga de rock que vocês têm? A minha é de um game clássico, o Rock n' Roll Racing. Foi pilotando as carangas tunadas no meu Mega Drive que eu ouvi, pela primeira vez, Paranoid (Black Sabbath), Born to be Wild (Steppenwolf), Highway Star (Deep Purple) e Bad to the Bone (George Thorogood). E tudo em versão MIDI, claro.

Além da trilha sonora, havia também um narrado insano, que gritava coisas como "let the carnage begin!" e "it is about to blow!". Quer dizer, não tinha como ser mais divertido. E embora o tempo tenha sido cruel com RRR, ele continua ocupando um lugar cativo no coração de muita gente. Tanto que, vira e mexe, alguma produtora anuncia um remake do jogo, causando alvoroço entre os fãs. Ele tem até

Agora, quem assumiu a empreitada foram os russos da Yard Team, que prometem uma versão grátis e com modelagem 3D do RRR até o fina do ano. Esta semana, o projeto ganhou seu primeiro trailer e alguma imagens foram disponibilizadas para dar uma ideia do andamento do trabalho.

Pelo videozinho, nota-se que o espírito rock n' roll foi respeitado _ embora mais perto de um hard rock contemporâneo que dos clássicos do heavy metal _ e a diversão estará garantida. Eu não vejo a hora.

Black Veil Brides OU "rá! te peguei! rá!"

19 de janeiro de 2012 6

Segunda-feira quente e eu vou pro Opinião assistir ao projeto O Maestro, O Malandro e O Poeta. Releitura de músicas de Chico, Vinícius e Tom, bacana, bem feito, público animado e tal. Na saída, por volta da meia-noite, me deparo com um grupo de garotas vestidas de preto armando acampamento na grade de entrada da casa. Pelo logotipo das camisetas, saco que são fãs do Black Veil Brides.

– Mas o show não é na quarta? – questiono uma delas, já colocando em dúvida a data que eu tinha na cabeça.

– Sim, mas a gente quer ficar bem na frente, vai lotar – me respondem.

Fiquei intrigado e decidi que iria ao show. Não é qualquer banda que arrasta fãs para dormirem ao relento três dias antes, e o BVB havia me cativado pelo seu visual de cosplay de Mötley Crue. E a música não era assim tão ruim. Me soava um hardão puxado pro glam, lembrava My Chemical Romance e todas as bandas emos lá da primeira parte dos anos 2000. Tá, não era genial, mas parecia divertido.

Vou ao show, então.

Na quarta-feira, horas antes de abrir o Opinião, a fila dobrava a esquina da José do Patrocínio com Lopo Gonçalves. "Legal, vai encher mesmo", pensei.

O show estava marcado para às 22h. Escaldado pelo atraso que é habito em eventos do tipo na cidade, chego às 22h20 e eis que sou supreendido pelo show já começado. Bem feito pra mim, claro. Entro e o baterista está no meio de um solo. Dou uma olhada e a área em frente ao palco está tomada _ casa cheia, mas não lotada. Legal, confortável.

Dez minutos de solo de bateria e a banda volta completa. O vocalista, uma versão pele e osso do personagem principal de Fantasmas de Marte (do John Carpenter, assistam, é demais), chega fumando e se dependura no pedestal do microfone para cantar. "Um hardrocker blasé?", pensei, já antevendo que aquilo não seria bom.

Com a maior cara de quem não está nem um pouco a fim de estar ali, o vocal vai declamando as letras, acompanhado em coro pelo plateia. Às vezes, puxa um refrão. Em outras, bota a mão na orelha como se não estivesse ouvindo o público. Atrás dele, guitarristas e baixista fazem o básico, tocando ombreados, botando o pé no retorno, aquelas firulas todas.

Meio irritado com a postura do vocal e com o som todo embolado que só me permitia ouvir a bateria e uns fiapos de guitarra, vou pro bar pegar uma cerveja – no que sou informado que não estão vendendo nada alcoólico. Claro, a esmagadora maioria do público era de menores de idade ou com pouco mais de 18 anos. Decisão acertada. Pego um refrigerante ruim e volto pro show.

Mas foi só _ juro _ girar os calcanhares para a banda abandonar o palco. Incrédulo, olhei para o relógio: 22h39min. Olhei de novo: 22h40min. Não podia acreditar que os caras tinham feito um show de míseros 40 minutos! QUARENTA MINUTOS! Pasmo, inconformado, encontro um camarada que diz que o show foi, na verdade, de 50 minutos, porque a banda começou com 10 minutos de antecedência. Aí eu desabei no alambrado com meu refrigerante ruim ainda pela metade.

O público, amontoado em frente ao palco, gritava a plenos pulmões pela banda, enquanto os rodies calmamente desmontavam a bateria. Eu olhava praquilo e não conseguia acreditar como um artista podia tratar seus fãs de maneira tão desrespeitosa, tão acintosa, tão baixa. Daí não estava mais puto, estava triste pela molecada que tinha dormido na rua esperando para ver seus ídolos e tinha sido exposta a um espetáculo tão deprimente.

A galera desmontando o palco, a porta de saída aberta, mas ninguém se mexia, esperando que fosse, sei lá, alguma pegadinha. Só que era real. A banda tocou 12 músicas _ 12 MÚSICAS _ e foi embora. Tentei me colocar no lugar dos fãs, mas só conseguia imaginar eu subindo no palco, catando os caras pelo colarinho e gritando VADA A BORDO, CAZZO!, seguido de uns sopapos e pontapés.

Tudo o que fiz, no entanto, foi voltar pra casa e ficar com um pouco de vergonha de ter caído nessa. Mas passou. Assim como o BVB.